O CARGO DE PRESIDENTE DA REPÚBLICA DA GUINÉ-BISSAU É UM CARGO POLÍTICO!

Não aprecio discursos militaristas de seja quem for o Presidente da República, que, independentemente do seu estatuto de Reservista (ou da sua patente militar, questionável, quiçá, duvidosa, por mil e uma razões…), não emergiu como Presidente da República por via de um Golpe de Estado, mas sim, através de um Processo Constitucional e Legal; Político e Democrático (e não Militar); apoiado por um Partido político e sufragado pela maioria do Povo Eleitor Guineense (sem estatuto militar), e não pelas Forças Armadas (de Defesa e Segurança), da Guiné-Bissau!

A Constituição da República da Guiné-Bissau, através do ponto 1 do seu ARTIGO 62º, atribui a competência de Comandante Supremo das Forças Armadas ao Presidente da República, por inerência de funções, não porque o Presidente da República seja, ou tenha que ser um Militar, mesmo na reserva, mas, por ser o Chefe do Estado!

Nenhum candidato presidencial veste farda militar para fazer campanha eleitoral para Presidente da República!

Um Presidente da República que usa e abusa de um complexo de superioridade, por via de uma alegada pertença militar, como também, de uma patente militar sem um percurso militar académico, ou prático, para tal, ignorando a sua idade e o seu estatuto de reservista, num País pequeno, no qual nos conhecemos minimamente, enquanto Guineenses, está claramente a dizer que não é o Presidente de Todos os Guineenses, mas sim, quem Manda em todos os Guineenses!

Quando um Presidente da República, que alegadamente é detentor de uma Licenciatura; de um Mestrado e de um Doutoramento, insiste em comparar a inteligência humana, ou o exercício de liderança, entre o militar e aquele que não é militar, ignorando que o militar é antes de mais um ser humano como qualquer outro, então, estamos conversados…

Nunca dei conta de nenhuma iniciativa do actual Presidente da República da Guiné-Bissau na Promoção do Conhecimento Científico, isto para um Presidente que alegadamente tem um Doutoramento!

Nunca participa em Palestras sobre áreas do conhecimento científico e nunca tem abordagens sobre o Desenvolvimento, numa perspectiva temática Multidisciplinar. O foco é ser Militar, em função da sua visão pessoal…

Nos Países onde há seriedade, a graduação ao posto de General das Forças Armadas é um Processo Longo, Rigoroso e Metódico, com Percurso Académico, Teórico e Prático, ao Longo da Vida Militar.
Na Guiné-Bissau, infelizmente, há mais Generais do que soldados, e são promovidos de noite para o dia!

Nem no tempo da Luta Armada de Libertação Nacional havia patentes, salvaguardando, a hierarquia através dos Comandantes das Frentes de Guerra, conforme as Zonas Territoriais.

Hoje temos um Presidente da República que insiste, implicitamente, na teoria da conspiração, contra candidaturas presidenciais de civis às eleições presidenciais, porque, alegadamente, os militares é que são melhores para o cargo…

Então porque é que não escolhemos logo o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, evitando gastos com a realização de eleições presidenciais?!

SOU/ESTOU, CONTRA esta abordagem mesquinha!

Como e porquê, temos um Presidente da República que tem o posto mais elevado na hierarquia militar da República da Guiné-Bissau, estando alegadamente, na reserva, aos 48 anos de idade, e quando nunca participou em nenhuma Guerra, ou combate, na Guiné-Bissau?!

Se os militares devem afastar-se da política, dos políticos e dos partidos políticos, então, como é possível termos um Presidente da República Militarista, no exercício de um cargo Político, que é a Chefia do Estado?

Um Cargo Político sim, porque mesmo em caso de vacatura/vagatura, cabe a outro político, no caso concreto, por via da Assembleia Nacional Popular (Parlamento), o exercício interino do cargo de Presidente da República e NUNCA um Militar!

Seguir o exemplo do actual Presidente da Nigéria, que já assumiu a chefia do seu País por via de um Golpe de Estado, não é o melhor caminho para um Presidente da República da Guiné-Bissau, ainda Jovem.

Assinar decretos fazendo questão de dar a conhecer o seu alegado estatuto militar, em vez do seu (já agora), também alegado estatuto académico, entre Licenciado, Mestre e Doutor, só pode levantar dúvidas e preocupações aos Guineenses, e não só!

O Povo Guineense não votou num Militar para seu Presidente da República e o Presidente Umaro Sissoco Embaló tem que se mentalizar que a Democracia não é um instrumento das Forças Armadas, ou nas Forças Armadas!

Positiva e construtivamente.

Didinho 20.07.2021

Henri Labery e Rafael Barbosa

REVISITANDO UMA CARTA ABERTA DE HENRI LABERY AO ENTÃO PRESIDENTE DA REPÚBLICA DA GUINÉ-BISSAU, JOÃO BERNARDO “NINO” VIEIRA

CARTA ABERTA

Dakar, 19 de Agosto de 2005

Sua Excelência
Sr. João Bernardo VIEIRA
Presidente da República da
Guiné-Bissau
BISSAU

Excelência Senhor Presidente da República,

O Povo, (a razão de ser do nosso engajamento político desde a nossa tenra juventude), acabou de o eleger ao cargo do mais alto Magistrado do nosso País. Eleição ganha por sufrágio universal e em conformidade com os resultados agora definitivamente proclamados.

Antes e durante a sua campanha eleitoral, Vossa Excelência Sr. Presidente da República, apregoou mensagem de Paz, de unidade do povo no respeito da sua diversidade, de consenso e de convergência política. Em prol dum desenvolvimento harmonioso económico-social na justiça e a caminho duma prosperidade tão desejada pela maioria dos cidadãos, fundamento do bem estar da Sociedade.

Vossa Excelência Sr. Presidente da República, disse também que pedia perdão ao Povo pelos erros do passado e, fez a promessa, se viesse a reconquistar a sua confiança e for eleito, que iria dirigir o País segundo as normas da democracia moderna no interesse exclusivo da Nação, banindo o divisionismo e o espírito de clan.

O mundo inteiro ouviu a sua promessa, feita em moldes de juramento à bandeira. E o mundo inteiro aplaudiu!

Desnecessário, desde então, Senhor Presidente da República, rememorar todo o sangue derramado durante (o que se compreende) e após (o que não se compreende) a luta pela independência. Esta independência pela qual Vossa Excelência muito contribuiu e foi uma das figuras Heróicas pela sua conquista.

Inútil igualmente relembrar, Senhor Presidente da República, os traumas que marcaram as primeiras décadas da nossa independência, com o seu cortejo de golpes, ajustes de contas e de vinganças, entre antigos companheiros que sois, culminando com a tragédia de junho de 1998, em lutas armadas fratricidas e sanguinárias ?!

Sr. Presidente, esta tragédia serviu de pretexto à invasão ao nosso solo por tropas estrangeiras, dando azo a muita humilhação, causando êxodo das nossas populações além-fronteiras, provocando de novo inúmeros mortos e incontáveis feridos!

A dor foi intensa, Sr. Presidente da República, ver nossos compatriotas, conseguindo transpor fronteira, chegar pés inchados em sangue, depois de muito caminhar pela mata adentro, fugindo à guerra entre irmãos, recebidos em acampamentos desprovidos do essencial, sofrendo física e moralmente, a alma se esvaziando!!!

Ver entulhados, a bordo de navios de fortuna, inválidos, crianças, mulheres, idosos, gente nossa, desembarcados em Terras estrangeiras em grande estado de fragilidade e de indigência, fugindo e deixando atrás seu País a ferro e a fogo, acredite que é uma visão insuportável, de emoção incontida, Senhor Presidente da República. As entranhas não resistiam!!!

Senhor Presidente, num País como o nosso, de um pouco mais de um milhão de habitantes, potencialmente rico em recursos, com camponeses peritos em lavoura, homens e mulheres corajosos no trabalho e no sacrifício, com um céu abençoando com chuvas benfazejas, é um paradoxo que a sua economia esteja como está e seja considerada das mais devastadas dos Países ditos mais «pobres» de África por conseguinte do “Mundo’”?!

A nossa agricultura, num solo fertilíssimo, onde outrora a cultura do arroz abundava, da mancarra também, a extração do coconote e óleo de palma enriquecendo a produção, temos hoje tudo praticamente abandonado, em benefício quasi exclusivo de nozes e vinho de caju, produto como se sabe, empobrece sobremaneira o chão!

A pesca, outro pulmão da nossa economia, sofre duma gestão que se diz incontrolada e incontrolável. Os investimentos feitos em câmaras frigoríficas para a conservaçâo dos produtos do mar em estado de deliquescência?

Outros sectores da vida do País, Senhor Presidente da República, não escapam à miséria:

– Assim, as nossas estruturas hospitalares se encontram imensamente carentes, muitos pacientes, aqueles que dispõem de meios, deverão recorrer a Países estrangeiros, por falta de equipamento e de especialistas nos nossos hospitais. Quid dos outros sem meios??

– Nos nossos Estabelecimentos escolares, as estatísticas revelam que os resultados e o nível do ensino estão cada vez mais baixos. Que a nossa função pública anda bastante desvalorizada, os funcionários sofrendo meses a fio sem salário e este, incompatível com o custo elevado de vida??

– Constante, é a quase inexistência duma rede de energia elétrica doméstica e industrial, sopé indispensável ao conforto nos lares e ao desenvolvimento económico. Inexistência também, duma rede rodoviária ao serviço da populaçâo e transações entre a Capital e outras aglomerações do País…

E já vamos, Senhor Presidente da República, para além de 30 (trinta) anos da nossa independência, mais de uma geração e mais a nossa!!

Os relatórios das mais autorizadas e credíveis Instituições Internacionais divulgam, Sr. Presidente da República, que a situação de pobreza que prevalece
no nosso País, se deve, entre outros males, à péssima governação dos sucessivos regimes, à corrupção, ao desvio de fundos públicos, à concussão, à incompetência!!…

Senhor Presidente da República, a instabilidade crónica que vem minando a vida económica e social do nosso País, tem sido o factor mais ‘’estável’’ desde a nossa Independência!!

Torna-se uma prioridade, um imperativo absoluto, Senhor Presidente, a restruturação das nossas Forças Armadas. Convém proporcionar aos nossos soldados e aos Antigos Combatentes, condições duma existência condigna, instaurar um Exército Nacional Republicano a condizer com as necessidades de hoje, tanto no seu efectivo como na sua modernizaçâo.

A nossa Juventude, Senhor Presidente, vive sem amparo, sem rumo, sem futuro. O desemprego, crónico, não ajuda aspirar a uma vida decente e é de recear que o alcool, a droga, a prostituição, já presentes, venham agravar a sua já tão precária existência. Ela, a nossa juventude, também e infelizmente é inexistente no palco das competições desportivas inter-africanas e internacionais ausentes em encontros culturais!

Senhor Presidente da República, esta é a parte ínfima da realidade que naturalmente estou certo não ignore, e à qual irá estar confrontado logo de início e durante o seu mandato.

Hoje, com o multipartidarismo, se revelaram, como ontem, várias sensibilidades – o que é salutar -, na paisagem política do nosso País. Procure e esforce incutir no espírito de cada guineense, o conceito da tolerância e da irmandade!

Tente, ao pé dos que porventura ainda a cultura de Partido único subsista, doutriná-los à cultura da democracia e de respeito à opiniao doutrem. Ensinar que um irmão que milite num partido diferente pode ser um adversário em termos de ideia doutrinal, mas nunca um inimigo. Porque todos aspiram ao mesmo ideal: O bem do País, o bem de cada um. Faça triunfar a batalha das ideias, sem violência e no respeito mútuo!!

Senhor Presidente da Républica, preconizo que pratique como tentara em 1980, mas desta vez sinceramente, a política de mão estendida a todos os Partidos. Tente, respeitando as regras da democracia pluralista, com o apoio Parlamentar, governar com homens e mulheres competentes, estejam eles onde estiverem e seja qual for a cor do Partido a que pertençam, ou sem Partido nenhum. Privilegie a competência e a honestidade. Tenha em conta única e exclusivamente o interesse geral!!

Senhor Presidente, ao pedir publicamente perdão ao Povo pelos seus erros do passado, deu provas de coragem. O Povo, ao elegê-lo à Magistratura Suprema, confirma a sua magnanimidade. Porém, a História nos ensina também, Senhor Presidente da República, que o Povo pode perdoar, o Povo às vezes, perdoa. Mas o Povo, Senhor Presidente, não esquece, o Povo nunca esquece. A sua memória é in memoriam! A sua memória é perpétua!…

Senhor Presidente da República, tente deixar à História, um novo marco desta sua nova Passagem, antes que o Destino, inexorável, nos leve à Eternidade!!!

Faça com que ao fim deste seu mandato, os filhos da Guiné, possam dizer: ‘’Estamos num bom caminho, entramos finalmente na senda do Progresso e na era de Justiça e de PAZ’’!!

São estes, os votos ardentes deste velho militante, pioneiro da hora H, que se prosterna com respeito e solenidade perante a memória dos que pelo caminho ficaram, dentre os quais o saudoso Amilcar CABRAL, rendendo-lhes Preito e Homenagem pelo sacrifício supremo, na certeza de que a GUINÉ, a nossa Pátria , irá ser (e sê-lo-á) um País ufano, orgulhoso, no sentido nobre da palavra, andando de cabeça erguida, no bem estar e na felicidade de seus filhos, a militar activamente no concerto das Nações Livres e Independentes pela Paz no Mundo!!

Senhor Presidente, através desta Carta Aberta, quero saudar e prestar Homenagem a um outro Símbolo (Vivo) da nossa Luta, Raiz e Mobilizador do nosso Nacionalismo, outra figura mártir da nossa História: Rafael Paula Gomes BARBOSA, nosso Companheiro, meu ilustre Zain LOPES de nome de guerra e da clandestinidade.

Que Deus proteja a Guiné-Bissau.

Aceite, Senhor Presidente da República, os protestos da minha respeitosa consideração.

Henri LABERY (Politólogo – Jornalista Político-Editorialista)

Fundador com Amilcar CABRAL e Rafael BARBOSA, do Primeiro Movimento de Luta pela Independência da Guiné (MING) 1954.

Primeiro Leader Nacionalista duma Colónia Portuguesa a ser reconhecido e admitido no seio das Nações Unidas em Novembro de 1961, advogando do alto da tribuna da Organização Mundial pelo direito da Guiné “Portuguesa” e das Ilhas de Cabo Verde à Auto-determinação, à Soberania Nacional e Internacional enquanto Secretário-Geral do Movimento de Libertação da Guiné e de Cabo-Verde –MLGC- ./

A minha singela homenagem ao Professor Doutor Leopoldo Amado

Foi na madrugada do passado dia 25 de Janeiro que recebi a triste notícia do falecimento em Dacar-Senegal, do Ilustre Filho da Guiné-Bissau, nosso Brilhante Académico, Historiador; um dos melhores investigadores que a Guiné-Bissau gerou e que nos deixa um legado científico vasto e por explorar, não só na sua área de formação, mas numa diversidade complementar de tantas áreas Académicas das Ciências Sociais, sobretudo.

Do Brilhantismo de um Intelectual como tu, recordo-me das nossas divergências, em momentos distintos de conjunturas políticas na nossa Guiné-Bissau; as tais divergências que ajudam a amadurecer pessoas de mente aberta, e a elucidar consciências.

Sim, estivemos de costas voltadas várias vezes, porque cada um de nós fez sempre questão de sustentar, com teimosia, seus pontos de vista, entre evidências e, ou a falta delas, face à situação política da nossa Guiné-Bissau. Não importa, agora, de que lado estava a razão, face às disputas que tivemos, mas sim, reconhecer que as nossas confrontações intelectuais ajudaram-nos a conhecer melhor a realidade histórica, política, social e cultural da nossa Guiné-Bissau, capacitando-nos para melhores contributos ao nosso País.

Porém, foram mais e de maior registo, os momentos bons da nossa convivência patriótica, fraterna e de amizade!

Do que guardarei de ti, sempre, é a certeza de que foste, até ao teu falecimento, o único Académico Guineense a reconhecer, promover, e a valorizar todos os teus compatriotas, motivando-os a fazerem mais e melhor pela nossa Guiné-Bissau!

Onde quer que estejas, sei que me autorizas a partilhar uma das nossas mensagens, para sustentar o reconhecimento, a admiração e a estima que sempre tive por ti.

de: Leopoldo Amado leopoldo.amado@gmail.com
para: Fernando Casimiro <didinhocasimiro@gmail.com>
data: 15/12/2016, 23:16

Caro Casimiro

Li com bastante atenção e deleite o admirável texto de apresentação do teu/nosso livro. Não podias ter melhor apresentação que, alias, remete-nos, a um tempo, para a literariedade subjacente e o realismo envolventes da obra. Que admirável assertividade! Para mais, o texto vem escrito numa linguagem simples, mas carregada de imagens, de afectos e de advertências, estas ultimas, curiosamente, bem calibradas. Bom, mais não digo sobre este quase divino texto, algo arrancado, esteticamente falando, das profundezas do nosso sentir patriótico (algo profundo, simultaneamente ontológico e complexo, ainda por se estudar), mas também das labirínticas circunvoluções mentais que a mítica e mística África (Guiné-Bissau, incluido) suscita no imaginário colectivo dos não-africanos. No caso em apreço, esta “approch”, quiçá involuntária, galgou os limites do belo da natureza e da magnificência do nosso profundo sentir. Dir-se-ia mesmo que este texto, simplório ate demais, mas profundo ate dizer chega (!), marcara de forma indelével o porvir de uma nova forma de literariedade política, de resto, muito em gestação galopante entre os guineenses, sobretudo da diáspora.
Tudo isso para te dizer, caro Didinho e primo (que o somos!, depois explico-te como, se bem que para o caso isso pouco importa) que esta obra, de três volumes,  interessa-me sobremaneira, pelo seu putativo potencial contributivo e, igualmente, pela substancia que encerra, independentemente dos juízos de valor do autor que aqui e acolá comporta,  e com o qual podemos ou não concordar (isso são outros quinhentos!).
Assim, convido-te a poderares comigo a possibilidade de o lançarmos a tua obra no INEP, na tua terra (Nha Tchon), com distinta e elevada solenidade, porque mereces, bastando para tal a evocação da tua entrega total à sua laboração, aliás, também confirmada pela autora de serviço do belíssimo texto de apresentação da mesma.
Parabéns Casimiro, bem-haja Didinho.
Melhores saudações.
Leopoldo Amado, Ph.D

Director-Geral do INEP –  Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa
Tel. +245 95968410 ou +245966601731
e-mail: leopoldo.amado@gmail.com
Nome Skype: leopoldo.amado45
———————————————

Mesmo com tanto para fazer, lias tudo, de todos, ignorando que o dia tem 24 horas e que entre o dormir e o acordar, também precisavas de te dedicar a ti e à tua família.

A Academia preencheu a tua vida, enriquecendo-te com conhecimentos, que se transformaram igualmente em sabedorias, de uma vida vivida com encanto e sem arrependimentos, certamente, digo eu…

Pena que tenhas partido tão cedo, quando tinhas muito para dar à tua família, à nossa Guiné-Bissau, à nossa África, e ao nosso Mundo…

Parafraseando  Fréderic François,

“Il faut dire je t’aime
À tous ceux qu’on aime
Tant qu’ils sont vivants, vivants
Il faut dire je t’aime
À tous ceux qu’on aime
Tant qu’il en est temps, encore temps”

Professor Doutor Leopoldo Amado “Poio”, meu estimado primo e amigo, descansa em Paz!

Didinho 14.02.2021


UM TRABALHO DE EXCELÊNCIA – ENTREVISTA DO JORNAL O DEMOCRATA AO PROFESSOR DOUTOR LEOPOLDO AMADO

DA EMBRIOLOGIA NACIONALISTA À GUERRA DE LIBERTAÇÃO NA GUINÉ-BISSAU

Simbólica de Pindjiguiti na óptica libertária da Guiné-Bissau

Elegia ao Professor Pinto Bull

OS G’s que decidiram o final do Império colonial

PERSPECTIVAS DE 2021 FACE À GUINÉ-BISSAU?

Perspectivas de 2021 face à Guiné-Bissau?

A pandemia que assolou o nosso planeta terra, em 2020, provou a nossa fragilidade humana, tendo em conta que experimentamos os efeitos maléficos do vírus e vivemos às incertezas do futuro, mas aguardando a eficácia das vacinas.

No entanto, além do aspecto (sanitário) decorrente da pandemia, há-que ter em consideração os aspectos (económico e social) produzidos pela pandemia covid-19.

Segundo o grupo bancário privado J. MORGAN, há cinco questões-chave que podem marcar o ano 2021:

1 – Vírus

2 – Diplomacia Internacional

3 – Inflação

4 – Ações

5 – Dólar

Primeira questão:

Os efeitos do vírus serão incontornáveis e provavelmente farão parte ativa dos cálculos estatísticos mundiais nas próximas décadas, num universo de mais 7 mil milhões de pessoas, com implicações nas dinâmicas económico-comerciais a nível global.

A vacina, ou melhor, as vacinas anunciadas, recentemente, reavivaram os teatros da “guerra fria”, entre os aliados e os socialistas do período pós-segunda guerra de (1939-1945) aos finais dos anos (80), desta feita, sobre quem recai o ônus da eficácia das vacinas, o tempo dirá…

Segunda questão:

No que toca à diplomacia internacional, esta questão é deveras importante para países como nosso – Guiné-Bissau – na medida em que terão que fazer “das tripas o coração”, ou seja, devemos “lavar” nossa imagem “negativa” de instabilidade crónica; do narcoestado; da corrupção; de conflitos institucionais; e devemos apostar numa diplomacia económica e “agressiva”, como disse e bem a nossa chefe da diplomacia, Dra. Suzi Barbosa. Uma diplomacia voltada às questões económicas, (i.e promoção do Investimento Direto Estrangeiro; Promoção das Potencialidades Turísticas e da nossa Biodiversidade). Ora, inspirados na nossa localização geográfica privilegiada, tanto no quadro da CEDEAO, quanto na UEMOA, fazer dessas valências a causa estratégica da diplomacia comercial.

Terceira questão:

É verdade que, após a nossa adesão à UEMOA, a 2 Maio de 1997, conhecemos uma estabilização da IPC – inflação ao preço do consumidor, em grande parte, por causa da política de convergência cuja média anual não pode ultrapassar 3%. Por isso, não apresentamos uma “inflação galopante” devido aos efeitos da UEMOA e a estabilidade monetária do Franco da Comunidade Financeira Africana. Não obstante, sermos o país “menos produtivo” do espaço comunitário de origem francesa.

Quarta questão:

As ações das empresas nacionais, isto é, as ações das empresas que operam no território da Guiné-Bissau podiam ser “publicitadas” na Bolsa de Valores da UEMOA, com sede em Abidjan, tornando-as mais competitivas e atraentes a nível regional e internacional. Para que isso ocorresse, o governo, através do ministério das Finanças e da Economia, devia e podia promover o tecido do empresariado nacional voltado às exportações e à diversificação económica, sobretudo a hipotética exploração dos minérios (i.e petróleo, área pesada, bauxite e fosfato) o que poderia valorizar as ações (direitos e obrigações) das nossas empresas face ao comércio internacional e diminuir as assimetrias regionais e, quiçá, o défice crônico da nossa balança comercial.

Quinta questão:

A moeda internacional dólar poderá conhecer “ameaças” da pujança económica chinesa, se tomarmos em conta o dinamismo das suas empresas reveladas pela pandemia; a nova onda de 5G que não depende mais das empresas norte-americanas; a re-industrialização da Europa e propagada diversificação económica dos países emergentes, em África, colocarão em cheque a moeda norte-americana, no que tange à taxa de câmbio (regulador do comércio internacional); fala-se da moeda eletrónica; da ECO, etc.

Face à todas as expectativas ao ano 2021, vale reafirmar, por conseguinte, que “não há Estados pequenos”, por isso torna-se necessário traduzir de discurso à prática, e em algo concreto em prol da nossa Guiné-Bissau no concerto das nações.

Apenas uma opinião!

Santos Fernandes Lisboa, 30 de Dezembro de 2021.

DIDINHO – PUBLICAÇÕES DE 21 A 31 DE JULHO DE 2020

RECOLHIMENTO

“A Natureza é simplesmente a essência da nossa existência…” Didinho

Car@s Amig@s, tal como dei a conhecer no passado dia 21 de Julho, estarei “ausente” deste nosso espaço Facebook, a partir de Agosto, que amanhã se inicia, e até finais de 2020.

Por razões profissionais e estando ausente de Portugal (minha residência), por tempo indeterminado, terei que reconsiderar a Agenda dos meus Projectos Literários, em termos de Publicação.

Se conseguir publicar 2 livros até Dezembro de 2020, dos 4 em preparação, seria um grande desempenho, face às 3 ou 4 horas que consigo arranjar para dormir diariamente…

Antecipadamente grato pela compreensão de Tod@s!

Paz, Harmonia e Reconciliação, visando a Unidade dos Guineenses para os Desafios da Edificação da Nação, em prol do Desenvolvimento e do Bem-Estar Comum!

Positiva e construtivamente, até breve!

OBRIGADO Amig@s!

Didinho 31.07.2020

Amig@s,

A partir de Agosto, e até ao final de 2020, quero concluir todos os meus projectos literários pendentes (+ 4 livros), por isso, não estranhem a minha ausência do Facebook de Agosto em diante. Não tem nada a ver com desistir da Guiné-Bissau, antes pelo contrário!

Positiva e construtivamente.

Didinho 21.07.2020


DA HUMANIDADE E DO HUMANISMO…

O ódio não tem cor, mas está em todas as cores… Didinho 24.01.2019

Um dia sonhei que a melhor forma de ultrapassarmos as nossas diferenças, seria assumirmos realmente tudo o que nos difere, enquanto seres humanos, e por via disso, aceitar, considerar e respeitar essas diferenças, entre Culturas; entre o direito e o dever; a ética e a moral, tendo em conta todos os juízos que representam, entre o negativo e o positivo, e consequentemente, o instinto das reacções que geram, face à necessidade da promoção do Humanismo, numa Humanidade cada vez mais intolerante e explosiva…

Positiva e construtivamente.

Didinho 31.07.2020


MENTIRAS E MENTIROSOS…

Estou farto das mentiras (de todos os mentirosos), relativamente ao meu País: Guiné-Bissau…

Didinho 31.07.2020


DAS NOSSAS CONSPIRAÇÕES…

A Guiné-Bissau que temos, infelizmente, e continuaremos a ter, na ausência de Mudanças dignas do termo, é, e continuará a ser fruto/colheita, da permanente conspiração/intriga, dos próprios Guineenses contra a Pátria!

Não há como alicerçar e edificar uma ESTRUTURA que SUSTENTA um TODO, que é o POVO, quando da sua ESSÊNCIA se retira o essencial, quiçá, a UNIDADE, que a fortalece, para se promover a sua própria DIVISÃO, quiçá, a sua própria FRAGMENTAÇÃO, que a enfraquece…!

Positiva e construtivamente.

Didinho 30.07.2020


DAS DISCRIMINAÇÕES E DAS REIVINDICAÇÕES, POR CONVENIÊNCIA, ALEGADAMENTE, EM NOME DA LIBERDADE DE IMPRENSA E DE EXPRESSÃO…

Uma Pessoa; uma Rádio; um Jornal; um Site ou um Blog, servindo de plataforma individual ou colectiva, de comunicação, informação, sensibilização e educação de Massas, que diferença faz, para que uns sejam referenciados e prontamente apoiados, através de gestos de solidariedade em nome da Liberdade de Expressão, de Imprensa; da Democracia e do Estado de Direito e por aí fora, e outros, ignorados…?!

Quantas estações de rádio ou jornais com emissão na Guiné-Bissau conseguem ter tanto desempenho positivo para a Sociedade Guineense, dentro e fora de portas, como muitos sites e blogs, cujos administradores, comprometidos com o País; Dignos e Honestos Cidadãos que informam e educam toda uma Sociedade, têm sido humilhados, ameaçados de morte, sendo que muitas vezes seus blogs e sites são atacados, para destruição dos seus arquivos, peças importantes do dia a dia da nossa história contemporânea?

Quantos Guineenses ou Instituições Guineenses se solidarizaram alguma vez com as outras vias de comunicação social, consequentes da evolução tecnológica, para lá do tradicionalismo dos órgãos de comunicação social assentes em “estruturas físicas”, muitas vezes fora dos contornos legais de registo de actividade?

Nos dias que correm, uma Rádio, um Jornal etc., não precisam, necessariamente, de um espaço físico concreto para prestar serviços à Sociedade.

Quantos Guineenses alguma vez perguntaram sobre as dificuldades e as necessidades financeiras e, ou, materiais, daqueles que lhes fornecem, diariamente, há tantos anos, todo o tipo de informações e análises sobre o nosso País, através das redes sociais, que mesmo as rádios e os jornais existentes na Guiné-Bissau não conseguem disponibilizar?

Quantos Guineenses, incluindo estudantes/académicos, políticos, instituições públicas e privadas, se preocuparam alguma vez com aqueles que gratuitamente lhes deram de beber nas suas fontes, face às suas securas… e com a garantia da pureza da água das suas fontes…?

Porque é que de repente uma estação de rádio que foi, alegadamente, vandalizada por estes dias, em Bissau, se tornou na referência maior do repúdio e da solidariedade, em nome da Liberdade de Imprensa, de Expressão, e, da Democracia e do Estado de Direito?

Haverá ou não, nesta estória, gato escondido com o rabo de fora?

Quantas estações de rádio, jornais, jornalistas, sites, blogs, CIDADÃOS, GUINEENSES, não têm sido vítimas dos sucessivos dirigismos políticos da Guiné-Bissau, sem nenhuma manifestação de repúdio e de solidariedade dos Guineenses?

Vamos dizer que há sempre uma altura para dizer Basta?

Ok. Aceito, mas daqui em diante, que haja coerência dos Guineenses em relação à Solidariedade, com todos quantos investem o seu capital humano e financeiro, sem nenhuma contrapartida, para informar, educar e sensibilizar toda uma Sociedade, correndo todo o tipo de riscos, mesmo sem um espaço físico para as suas formas de intervenção.

Porquê ajudar prontamente a uns e ignorar todos os demais?

Há jornais e rádios da Guiné-Bissau que ficam meses sem publicações/emissões, por falta de verbas, ou por retaliação do poder político, mas ninguém dá uma ajuda. Podem vir a desaparecer, pois não fazem falta, na lógica daqueles que se incomodam com as suas linhas editoriais…

Positiva e construtivamente.

Didinho 28.07.2020


(DIS) FUNCIONALIDADE…

Obviamente, o primeiro sinal da (dis) funcionalidade racional do indivíduo, manifesta-se no próprio indivíduo… Didinho 25.07.2020


DA INDECÊNCIA QUE CONTAMINA A SOCIEDADE GUINEENSE POR VIA DAS REDES SOCIAIS…

Nenhuma esposa que se preze, aceitará de ânimo leve, e em silêncio, que, alegadamente, em defesa de uma suposta amizade, alguém invista na promoção da destruição, por todas as formas, da reputação do seu marido e, consequentemente, da sua família…!

Acabe-se com a hipocrisia de se estar em defesa de alguém, a quem se está a ferir no seu mais sagrado, quiçá, na sua estrutura familiar!

Da relação matrimonial de cada um, em caso de divergências familiares: ou levamos os nossos préstimos para reconciliar e confortar a família com problemas, se nos forem partilhados numa base de intimidade, pelas partes; ou deixamos que o tempo ajude a sarar feridas causadas pela necessidade de melhor aprendizagem na relação familiar desavinda.

O activismo político e ou, social, não tem nada a ver com a vida privada de cada um!

Haja respeito pela vida privada, pessoal e familiar das pessoas, fora do contexto do exercício institucional, político e governativo.

O activismo político tem regras, com base nos Direitos Fundamentais do Cidadão, detalhados que estão na Constituição da República da Guiné-Bissau!

A promoção do ódio, do espírito de vingança; da calúnia e da difamação, de cidadãos em geral, e em especial de Figuras do Estado, como o Presidente da República, são considerados crimes…

A quem interessa a intriga visando a Unidade Nacional e pondo em causa a Dignidade de cada vida humana?

Por mais que tenhamos sido vítimas dos sucessivos regimes ditatoriais na Guiné-Bissau, não devemos promover a divisão dos Guineenses, por um lado, e, investir no incentivo ao ódio e à vingança, materiais altamente inflamáveis numa Sociedade em que cada um tem numa mão uma caixa de fósforos e na outra, um isqueiro…

Tenham responsabilidade e humanismo; dignidade, tolerância, patriotismo e respeito pelo próximo, meus irmãos guineenses, ditos activistas de causas políticas e sociais, que na verdade, foram sempre, de causas pessoais/familiares.

Onde estão as Organizações da Sociedade Civil da Guiné-Bissau, e particularmente, a Liga Guineense dos Direitos Humanos, e as Organizações de Defesa das Mulheres da Guiné-Bissau?

Um Presidente da República deve ser enxovalhado de toda a forma e ninguém diz nada?

Mas se o dito activista for sancionado, seja qual for a forma, já as Organizações da Sociedade Civil, e todos nós que somos a favor das Liberdades, devemos sair em defesa do dito activista?

A Dignidade de uma Senhora, que é Ministra dos Negócios Estrangeiros da Guiné-Bissau, é jogada no lixo, e ficamos impávidos e serenos a assistir ao assassinato de cidadãos por via de ataques às suas vidas privadas, sem provas, e sustentadas por recalcamentos, por instintos de ódio…?!

Afinal, por onde anda o nosso ser e o nosso sentir, Guineenses; a nossa veia cidadã capaz de alimentar e despertar nossa consciência, face aos males, virais, que ameaçam contaminar cada vez mais a nossa Sociedade?

Alimentam-se “audiências” dos “directos” nas redes sociais, em função das conveniências político-partidárias, ignorando PRINCÍPIOS e VALORES; ÉTICA e MORAL; HUMANIDADE e SOCIEDADE; DIREITO e DEVERES; tendo em conta o Princípio da Legalidade…!

Há anos que venho dizendo que temos uma Sociedade doente…

Positiva e construtivamente.

Didinho 25.07.2020


DAS REIVINDICAÇÕES E CONFRONTAÇÕES…

Triste, envergonhado e revoltado com atitudes e comportamentos de irmãos guineenses, levando o nome da Guiné-Bissau, aqui e acolá, como propósito de suas “reivindicações e confrontações”, em defesa de interesses pessoais, familiares e de grupos, mas ignorando a maioria do Povo Guineense que não se revê no ridículo de disputas de galos por um poleiro…

Por favor, deixem de associar todo um Povo às vossas lutas interesseiras pelo poder, quando o essencial para a satisfação das necessidades colectivas, continua a ser negado pelas sucessivas governações, quiçá, por políticos e governantes que movem pessoas, para manifestações ridículas, quando os Guineenses deveriam há muito, despertar para a necessidade de se unirem para a Mudança necessária, capaz de alicerçar a Justiça e sancionar todos os responsáveis entre pessoas e instituições públicas e privadas que teimam em negar a Liberdade e a Vida em Dignidade ao nosso Povo…!

Didinho 23.07.2020


DE QUAL LIBERDADE DE EXPRESSÃO FALAMOS…

“Cultivamos e incentivamos o exercício da mente, desafiamos e exigimos a liberdade de expressão, pois é através da manifestação e divulgação do pensamento (ideias e opiniões), que qualquer ser humano começa por ser útil à sociedade!” Didinho 2003
—————————————————————————-

De qual Liberdade de expressão falamos, relativamente à Guiné-Bissau, quando a “expressão”, numa utilização fora do contexto pelo Respeito aos Direitos Fundamentais do cidadão, pelo próprio cidadão, se antecipa-se e se sobrepõe à Liberdade, fora do enquadramento do Direito e numa vertente pessoal assente num autoritarismo abusivo, reprovável e condenável, que ignora a essência dos Direitos Fundamentais que sustentam todas as Liberdades, limitadas que são, pelos deveres de responsabilização, face à vida em Sociedade…?!

Na Guiné-Bissau, infelizmente, continua-se a confundir o conceito de liberdade de expressão, com o “direito” ao insulto, à agressão verbal, humilhação, ameaças de morte, divulgação da vida privada de cada um, bem como, da diabolização do Estado e das suas Instituições…

Positiva e construtivamente.

Didinho 21.07.2020

 

DIDINHO – PUBLICAÇÕES DE 05 A 17 DE JULHO DE 2020

DA REFUNDAÇÃO DO ESTADO E DA CONSTRUÇÃO DA NAÇÃO

Cada vez mais e a cada dia que passa, infelizmente, a constatação evidente é que a Guiné-Bissau continua a perder no essencial da Unidade Nacional, face à Divisão Social, consequente das disputas político-partidárias pelo poder absoluto, num País onde a Descentralização e a Desconcentração de Poderes seriam Antídotos para essas disputas nefastas para a Paz, a Estabilidade, o Desenvolvimento, e o Bem-Estar Colectivo.

Vejo com muita tristeza e preocupação, a cada dia que passa, que os Jovens Guineenses de hoje, quiçá, a Maioria supostamente Saudável, Formada, Esclarecida e Garante do Amanhã, do País e das Gerações Vindouras, ao invés de um Compromisso Primeiro com o País, que é ETERNO, sobrepõem os seus compromissos político-partidários, em nome dos seus interesses pessoais, familiares, e de grupos, aos compromissos para com a Guiné-Bissau.

Pelo que tenho observado, estudado e analisado, ao longo dos anos, sobre a Responsabilidade na promoção da Educação e da Cultura de Cidadania, pelos Partidos Políticos da Guiné-Bissau, a conclusão é de que o Objecto Político e Social dos mesmos resume-se à apropriação do poder institucional do Estado e, consequentemente, na destruição da sua essência Identitária e Social: Unidade na Diversidade…

Precisamos reflectir muito, de forma séria, bem como trabalhar exaustivamente o conceito de Unidade Nacional, face à nossa Diversidade Etnocultural, numa perspectiva de Estado, alicerçado pelo Direito e pela Democracia!

A Guiné-Bissau é um País, e ainda que tenha sido proclamada como Estado a 24 de Setembro de 1973, continua longe dos pressupostos de ser um Estado, por culpa dos próprios Guineenses.

Ao desafio da Refundação do Estado, impõe-se, a Concepção da Construção da Nação Guineense, algo intrínseco à Unidade Nacional.

Positiva e construtivamente.

Didinho 17.07.2020


DO PENSAMENTO CRÍTICO

O Pensamento e o Posicionamento, críticos, devidamente sustentados, numa perspectiva de Cidadania, de Compromisso para com o País, focados na promoção de Abordagens e Posicionamentos Plurais: Distintos, Divergentes, Diferentes, todos eles, mas Positivos e Construtivos, visando em comum, a Afirmação, o Progresso, o Desenvolvimento, da nossa Guiné-Bissau, e o Bem-Estar do nosso Povo, devem ser considerados como valores de referência fundamentais para uma aprendizagem social, numa Sociedade carente de valores de referência, como acontece relativamente à Guiné-Bissau…

Para aqueles que escrevem, querendo Escrever, para serem lidos e Considerados, aconselho que se dediquem mais à Leitura e, por conseguinte, à aprendizagem com aqueles que Escrevem e são Lidos, com direito à crítica, não da vulgaridade, mas da sustentabilidade intelectual…

Como escrevi uma vez, Escrever é muito mais do que juntar letras e “montar” cenários com palavras feitas…

Didinho 06.07.2020


PONTES DE DIÁLOGO

Entre 20 e 23 de Maio, aquando da auscultação do Presidente da República com os partidos políticos com assento parlamentar, tentei fazer a minha parte, enquanto filho da Guiné-Bissau, no sentido de ajudar a promover um entendimento político e institucional, assente numa relação de fraternidade, capaz de ultrapassar as sucessivas disputas/confrontações que continuam, infelizmente, a bloquear o nosso País, deixando-o cada vez mais pobre, bem assim, o nosso Povo.

Quero agradecer profundamente ao Senhor Presidente da República, General Umaro Sissoco Embaló, com quem falei por telefone nos dias 20 e 23 de Maio, bem como ao Senhor Engenheiro Domingos Simões Pereira, Presidente do PAIGC, com quem também falei ao telefone no dia 22 de Maio, pela disponibilidade/abertura, gentileza, espírito patriótico, com que aceitaram a minha solicitação, enquanto irmãos guineenses!

Aproveito igualmente para agradecer às pessoas que serviram de ponte para que esta simples, mas importante iniciativa, fosse viabilizada.

Mesmo sabendo que seria difícil conciliar partes de diversos conflitos de interesse, em jogo, tentei fazer a minha parte.

Foi bom ter tido oportunidade de falar quer com o Presidente da República, quer com o Presidente do PAIGC. Obviamente que não vou divulgar o teor das conversas com cada um deles. Porém, é importante dizer que dei a conhecer ao Presidente da República, com quem falei primeiro, no dia 20 de Maio, que iria depois falar com o Presidente do PAIGC, assim que possível.

Possibilidade que surgiu no dia 22 de Maio. Da mesma forma, informei ao Eng.º Domingos Simões Pereira que já tinha falado com o Presidente da República e que voltaria a falar com ele na primeira oportunidade que surgisse, tendo em conta o resultado da nossa conversa.

Consegui falar com o Presidente da República no dia seguinte, 23 de Maio.

Infelizmente, a minha iniciativa falhou, pese embora ter ficado com a sensação de não terem sido exploradas todas as possibilidades para a promoção de uma nova via de relacionamento político e institucional, assente numa relação de fraternidade, que deve unir os Guineenses, para o Compromisso Nacional.

Estou triste, é verdade, mas acredito que ainda é, e será sempre possível fazer com que os Guineenses se sentem à volta de uma mesa e de forma fraterna, pacífica, construtiva, tolerante, honesta, falem abertamente dos problemas que os mantêm de costas voltadas, visando ultrapassá-los definitivamente, a bem da Guiné-Bissau!

É imperativo que os Guineenses se reconciliem e se comprometam com a Guiné-Bissau, pois todos juntos, continuamos a ser poucos para a gigantesca e árdua tarefa da construção da Nação Guineense, focada no Desenvolvimento do País e no consequente Bem-Estar do nosso Povo!

Positiva e construtivamente.

Didinho 05.07.2020

DA POLÊMICA DA INVESTIGAÇÃO DO IMPACTO DA VACINA CONTRA POLIOMIELITE SOBRE COVID-19 NA GUINÉ-BISSAU, ALGUMAS PALAVRAS.

DA POLÊMICA DA INVESTIGAÇÃO DO IMPACTO DA VACINA CONTRA POLIOMIELITE SOBRE COVID-19 NA GUINÉ-BISSAU, ALGUMAS PALAVRAS.

Confesso que apanhou-me de surpresa esta polêmica que veio à luz como uma acção menos responsável ou menos comprometida com a protecção das nossas populações, acção esta que estaria a ser contrariada pela vigilância e sentido de pertença de vários guineenses habilitados para tal.

A intensidade inicial das reações causou-me ainda mais perplexidade e ansiedade, que se juntaram à minha convicção de que haveria com certeza algo de errado, ou que se tratava de um mal-entendido, ou que alguma insuficiência de informação pudesse estar a condicionar toda a polémica.

A primeira questão que coloquei a mim mesmo é, como é possível que as partes envolvidas pudessem começar o jogo do bom e do mau da fita, na praça pública, com as consequência que daí pudessem advir? Isto porque tenho, de igual forma, as melhores impressões, tanto da excelência de como pensam, como daquilo que fazem, do nível de preparação que têm, seja no aspecto científico-académico como ético, além do elevado nível de empenho que têm mostrado, no que diz respeito a defesa dos guineenses e da sua saúde.

Esta polêmica envolveria necessariamente, de forma direta ou indireta e em campos opostos duas pessoas que merecem as minhas maiores estima e consideração, o Dr. Joaquim Silva Tavares (Djoca), médico guineense que vive e trabalha nos Estados Unidos de América e que dispensa por enquanto mais apresentações e Dr. Peter Aaby, antropólogo dinamarquês, perito em matéria de investigação em saúde, especialmente na área de imunização/vacinação, pioneiro nesta importante matéria na Guiné-Bissau, com desempenho e residência de mais de 40 anos no nosso país.

Confesso que fiquei mais baralhado quando vi o nome de Mouhammed Ahmed como secretário permanente do Comité de Ética, não sabia que assim se chamava o nosso estimado Djicó e julgava que foram buscar alguém, algures no médio oriente, para vir assumir responsabilidade desta natureza em matéria tão sensível como de investigações em saúde da população. Mas atenção, se fosse o caso não significaria necessariamente que não existissem guineenses preparados para assumir essa importante função. E que fique claro também, ninguém tem o direito de julgar o outro pela sua procedência, mas havendo necessidade de julgar seria pelo seu desempenho na matéria em questão.

Ainda bem que nos desenvolvimentos posteriores da polémica vieram os ganhos: troca produtiva de informações, oportunidade das partes se conhecerem melhor, descoberta de que afinal são todos da mesma equipa, e são todos bons, como era a minha convicção desde o início, baseado naquilo que conheço de ambas partes.

Curiosamente, e como o meu mano e amigo Djoca, (Dr. Joaquim Silva Tavares) se lembrou e já antecipou a dizer, fui eu pessoalmente que, na nossa companhia sempre agradável, decidi levá-lo a visitar o meu amigo dinamarquês Peter Aaby, atrevo-me mesmo a dizer dinamarquês-guineense, mentor do Projeto de Saúde de Bandim, com quem tive o privilégio de trabalhar e desenvolver relações cordiais de amizade de longa data, de mais de trinta anos, e de quem ainda guardo as melhores recordações. Tive nessa altura grande prazer em juntar estas duas excelências!

Como se desenvolveram as minhas relações fraternas com o Djoca?

Tudo começou com a minha relação de amizade com o seu irmão mais velho, o nosso saudoso Galileu, que era meu colega de turma na escola primária, “Escola Central” Teixeira Pinto, em Bissau. Estavamos no ano de 1965/66, tínhamos na altura 9 anos de idade, Galileu veio a falecer de doença repentina.

Foi um duro golpe não só para a família como para todos nós os colegas de turma e a nossa professora, D. Salomé, tuga (portuguesa) que era como uma mãe para todos nós, seus alunos. Para mim que era muito próximo de Galileu e nos intervalos de aulas, em sua companhia, andávamos frequentemente pela sua casa, que ficava mesmo junto à escola, o sentimento de perda foi muito grande e podem calcular o quanto me custou este acontecimento e a falta do colega e amigo.

Passaram os tempos e a dada altura, como se fosse uma forma de resolver a perda, encontrei naturalmente no Djoca o substituto do meu amigo, seu falecido irmão, ficando também eu disponível para que ele encontrasse em mim um substituto do seu irmão mais velho.

Ao longo da nossa convivência e proximidade, fomos descobrindo agradavelmente certas semelhanças em princípios de educação, que muito prezo, tanto quanto ele: o respeito pela pessoa humana, sem importar a idade, o género, a procedência, o parentesco, a origem ou estatuto social, isso para não falar do sentido de pautar a vida pela honestidade e de vencer pelo esforço próprio. Tudo isto foi-nos tornando espiritualmente ainda mais próximos.

Achei curioso em dada altura quando o Djoca deixou-me entender que seguia os meus passos como estudante, e eu que acredito ter conseguido de facto algum sucesso como tal, em condições e circunstâncias familiares muito difíceis, acredito igualmente que o meu irmão Djoca teve ainda mais sucesso enquanto estudante. Em todo o caso, ambos fomos bem sucedidos enquanto estudantes e éramos exemplos para os outros, de nunca confundir brincadeira com responsabilidade e de nunca ter sido preciso que os nossos pais nos indicassem as horas de estudar ou de brincar.

Ambos viemos a optar finalmente pela medicina, mas antes o meu irmãozito também seguiu os meus passos no futebol e chegamos a estar na mesma equipa vencedora, “Os Onze Africanos” onde fui sempre o capitão, (Caló “captain” como diz ele). Ele ingressou na equipa e conquistou o seu lugar por mérito próprio e nada tinha a ver com a nossa relação, porque além das suas qualidades técnicas, tinha dotações atléticas acima da média e disciplinarmente era um exemplo para todos. Jogava e não falava, até que alguns adversários chegaram mesmo a perguntar se o nosso defesa esquerdo era mudo. Não era não, e nem é, era sim muito fino a jogar nessa posição, não metia nem a mão na bola quanto mais a boca no jogo.

E não era fácil ser titular naquela nossa equipa de “Os Onze Africanos”, onde muitos bons jogadores conseguiam apenas chegar a ser suplentes, alguns até vieram depois mais tarde a jogar na 1ª e 2ª divisão em Portugal. Essa famosa equipa era temida por qualquer outra equipa adversária do seu nível em Bissau, e posso dizer mesmo em toda a nossa Guiné. Eu era então o capitão e líder dentro e fora do campo, numa liderança que se pautava pela camaradagem e solidariedade, pelo espírito de luta, pela disciplina, pelo exemplo, pela frontalidade e sentido de justiça. Para a primeira linha iam os melhores! Pergunto, onde estaria o nosso país se esse espírito fosse levado à política e à governação?

Há pouco tempo encontrei um outro nosso irmão/amigo, Huco Monteiro, que me surpreendeu quando recordava, dizia ele, “Caló tu me deixavas no banco e punhas o Djoca”, fez-me rir antes de lhe dizer: “porque ele era melhor!”; acabamos por rir-nos recordando aqueles tempos. A nossa concorrência era muito renhida em futebol e o Huco Monteiro depois inclinou-se mais para a guitarra, em vez da bola, não sei se alguma lesão o teria condicionado.

Acerca do que sei da contribuição dinamarquesa para a saúde na Guiné e de como se desenvolveram as minhas relações com Peter Aaby

Enquanto médico guineense, fui há 36 anos, o primeiro a ser colocado no Arquipélago dos Bijagós como Diretor do Hospital em Bubaque e responsável pela saúde de todas as Ilhas do Arquipélago. Nessa altura a Dinamarca já apoiava o nosso país significativamente, tal como o fazia Portugal, Itália, Holanda, Suécia, Cuba, China, Bélgica, França, entre vários outros países e organizações internacionais. Estes apoios eram concretizados de formas diversas, tais como através de formação de quadros, assistência técnica ao país, construção de infraestruturas, fornecimento de materiais, equipamentos e medicamentos, além de assistência médica direta.

Quando estava no final da minha missão nas Ilhas Bijagós e pouco tempo antes de ser chamado a assumir as responsabilidades de Director Regional de Saúde em Biombo, em 1985/86, fora conseguido importantes financiamentos dinamarqueses para construção de Centros de Saúde em várias Ilhas Bijagós.

Depois então quando fui assumir a Direcção de Saúde da região de Biombo, mais uma vez o primeiro médico nacional para esta função, encontrei uma região difícil, porque além de ser frequentemente fustigada por epidemias ou surtos epidêmicos (sarampo, cólera, anthrax, etc.), tinha carências de vária ordem, incluindo das vias e meios de comunicação; a maior parte das estradas da região era de terra batida e quase sempre em mau estado. De Bissau até Ondam apenas circulavam no período de manhã os famosos transportes superlotados e com tudo pendurado, eram sobretudo camiões a que davam o nome de “Air Biombo”. A estas circunstâncias se somavam as barreiras de ordem cultural-comportamental da etnia papel – a predominante de região.

Enquanto lá estive, além das funções administrativas inerentes à Direcção, tinha funções clínicas, sobretudo em Quinhamel, tanto no Hospital da Missão Católica onde juntamente com uma freira brasileira muito experiente e dedicada, a irmã Benedita, atendia essencialmente as crianças e grávidas, seguia actividades dos partos e pós-partos e outras questões de saúde materno-infantil, enquanto no Centro de Saúde atendia o resto da população adulta e restantes problemas de saúde. Ainda tinha que fazer intervenções de Saúde Pública em todas as localidades, tabancas, pontas e sectores da região, desde Prábis, Safim, Quinhamel, Clatlé, Ilondé, Bissauzinho, Bijimita, Blom, Dorse, Tôr, Ondam, etc.

Entre as diversas actividades que incluíam consultas externas e urgências, a organização/manutenção da luta contra as grandes endemias (malária, tuberculose, lepra) e a intervenção em surtos epidêmicos ou epidemias, a organização de campanhas de vacinação nas comunidades, em “Estratégia Avançada”, era das actividades que colocava maiores desafios, sobretudo em matéria de disponibilidade de meios de transporte, pessoal em número suficiente, disponibilidade de vacinas e sua manutenção em cadeia de frio, além de mobilização das populações.

Nas campanhas de vacinação contra o sarampo que afetava muitas crianças na altura, tivemos o privilégio de contar sempre com a colaboração de Peter Aaby e sua equipa, vinham desde Bissau, respondendo às nossas solicitações. É esta equipa que alguns anos mais tarde veio a dar origem ao Projeto de Saúde de Bandim. Eles não poupavam meios nem pessoal nessas intervenções em que conseguíamos juntar também o pessoal da missão católica, incluindo as freiras, irmã Beatriz, brasileira, e irmã Julieta, italiana, ambas que tinham idade de ser nossas mães, e que eram muito respeitadas e experientes na comunicação com as populações.

Também conseguíamos ter a participação de membros dos serviços de administração do Comité do Estado, todos apoiando o mesmo objetivo, desempenhando as tarefas que lhe eram indicadas, seguindo as instruções dadas por mim e pelos técnicos de saúde que me acompanhavam. As jornadas corriam com muito entusiasmo desde a manhã, até ao final da tarde, e se conseguia ampla cobertura vacinal.

A gratidão das populações e dos líderes comunitários eram tão evidentes ao ponto de organizarem espontaneamente agradáveis almoços para todo o contingente, onde não faltava carnes de galinhas ou cabritos. Lembro-me com saudades destas jornadas, sobretudo as da Ponta Cabral, onde Honofre Cabral era líder comunitário. Peter Aaby, o nosso amigo dinamarquês-guineense certamente também guarda essas recordações. Os meninos que foram vacinados nestas campanhas são hoje homens e mulheres com mais de 30 anos de idade.

A nossa amizade iniciada desde essa altura com Peter Aaby teve continuidade e mesmo depois que transitei para área de saúde mental, continuou, e através dele pude conhecer muitos dos seus discípulos dinamarqueses que cumpriam parte de seus estágios no Projeto Saúde de Bandim, em Bissau. Fui sabendo que este Projeto ia tendo novos e maiores desenvolvimentos, que proporcionou formações, incluindo mestrados e doutoramentos à muitos, hoje valiosos quadros guineenses que estão no terreno.

Soube com agrado que a Dra. Amabélia Rodrigues tinha integrado o Projeto como Diretora de Investigação, e sei agora que Mouhammed Ahmed (Djicó) integra o Comité de Ética como secretário. Ele era antes um alto quadro dos Recursos Humanos no Ministério de Saúde. Sempre que posso continuo a perguntar pelo meu amigo Peter Aaby, pelo trabalho que continua a desenvolver com a sua equipa. Soube também com muito agrado que em 2015 ele foi distinguido pela Universidade Nova de Lisboa com o título de Dr. Honoris Causa pelos excelentes trabalhos que tem realizado na Guiné-Bissau e não só.

Voltando à polêmica e para concluir

Podem assim compreender porque é que o tom inicial da polémica da investigação do impacto da vacina contra a poliomielite em COVID-19 na Guiné-Bissau não me podia ter passado ao lado, numa altura em que não estava disponível para intervir, e de só me sentir aliviado quando vi a comunicação a entrar no caris acertado e sentir finalmente que todos ficamos a ganhar.

Tendo em conta que problemas desta natureza tem vários ângulos de visualização e questionamento que podem ser ponderados, considerando que a situação de emergência mundial que ainda se vive neste momento em relação ao coronavírus de COVID-19, pairando ainda incertezas várias, todas as linhas de investigação plausíveis, podem ser importantes e urgentes, até se demonstrar o contrário.

E se da nossa Guiné puder sair alguma contribuição, teremos todos nós, sem dúvida, muito orgulho nisso. Porque se recebemos muito do mundo e com satisfação, teremos a mesma satisfação quando formos capazes também de dar alguma coisa ao mundo. Pessoalmente, e consciente dos argumentos prós e contra, se estivesse em condições de o fazer, não me importaria de participar no estudo em questão.

Uma vacina ou um medicamento eficaz contra o COVID-19 são sem dúvida neste momento as soluções mais desejadas. Mas suponhamos que possam vir mesmo a surgir à curto-prazo, presentemente ninguém pode assegurar que não poderiam vir a ser rapidamente ultrapassados ou limitados; no caso da vacina, por eventuais mutações do vírus, e no caso sobretudo do medicamento, pelo eventual efeito adverso, de riscos que não justificam os benefícios, coisas que geralmente só ficam mais claros quando é utilizados em larga escala. Vemos isso frequentemente com medicamentos que num tempo são introduzidos no mercado e noutros tempos são excluídos para tal uso ou mesmo retirados do mercado.

Todas estas incertezas podem ter influências na ponderação dos esforços de investigação, numas e noutras linhas, e mais vale tentar várias opções que limitar as possibilidades nesta luta contra o tempo, mesmo estando consciente de que nem todas as linhas de investigação podem ter o sucesso esperado. O acautelar e resolver questões protocolares prévias, assim como questões de segurança, é sempre uma tarefa obrigatória em qualquer investigação. É tudo que tenho a dizer.

Parabéns e muito obrigado a todos!

Carlos A. Gomes

carlosagomes66@gmail.com

05.07.2020

Prezada Investigadora Doutora Amabélia Rodrigues

Prezada Investigadora Dra. Amabélia Rodrigues

Daqui em diante, pode tratar-me por Djoca, se me permitir tratá-la por Amabélia (mais simples, e evita apanhar o carpal tunnel syndrome, de tanto escrever títulos).

Votos de parabéns e encorajamento, juntamente com os colegas, no árduo trabalho de investigação em prol da saúde e do bem-estar dos Guineenses.

Fui sempre um entusiasta de trabalhos de investigação na área da medicina e presentemente, eu e alguns colegas meus, intensivistas, estamos a participar numa ampla investigação com a Mayo Clinic relativamente ao uso do plasma de doentes previamente infetados com Covid 19 em doentes presentemente infetados pelo Vírus; como também, num outro trabalho de
investigação no uso do Remdesevir para reduzir o número de dias que os doentes permanecem infetados.

Da forma que esta pandemia está a dizimar os americanos, faz-me lembrar dos meus dias na Guiné-Bissau logo depois da independência, em que se formavam longas filas só para comprar arroz. No mês de março, aqui nos Estados Unidos, tinha que me levantar bem cedo para ir para as filas a fim de poder comprar papel higiénico…!

Isto, acrescido ao stress das unidades de cuidados intensivos bem como o de não levar Covid-19 para casa e pôr em risco a minha família; o “burn-out” – “esgotamento físico e mental “que vem afligindo os intensivistas nos Estados Unidos, e que me levou, juntamente com os meus 2 associados, a contratar temporariamente 2 médicos da Força Aérea para nos aliviarem (isto para uma Companhia como a nossa que tem 12 médicos intensivistas assalariados; e 14 Nurse Practitioners especializadas em cuidados intensivos e que nos acompanham nas rondas e ajudam com entubações, linhas venosas centrais etc.).

Da forma que esta pandemia está a dizimar-nos economicamente, eu seria dos primeiros a saltar para o vosso barco e oferecer-me para participar na vossa investigação…

Ficaria muito desapontado e preocupado se não houvesse polémica sobre a vossa proposta de investigação! Isso só mostra que é uma investigação muito importante, e também mostra que os Guineenses dentro e fora do País se interessam pelo bem-estar dos seus compatriotas.

Esta polémica não acontece só na Guiné-Bissau!

Aqui nos Estados Unidos, o grupo do Dr. Gallo (Global Virus Network) projetou um estudo semelhante, em colaboração com a Cleveland Clinic, a Universidade de Buffalo e Roswell Park Comprehensive Cancer Center: O estudo foi submetido ao Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infectocontagiosas, mas até agora foi adiado devido a questões e preocupações idênticas às que os nossos conterrâneos levantaram com a vossa investigação.

Indo ao estudo que a Amabélia teve a amabilidade de nos fornecer:
Está quase impecável, exceto algumas observações e sugestões que gostaria de fazer, se me permitem:

1 – Na Ficha de Inclusão inicial, na questão: Você já teve COVID-19 (sim ou não): penso que o dado mais objetivo seria fazer o teste do antigénio da COVID-19; Não que não se deve confiar no investigado, mas dos meus (muitos) anos de experiência, doentes e investigados podem “mentir” e, mesmo não mentindo, o período de incubação do Covid-19 pode ir até 14 dias (o investigado pode estar infetado sem o saber).

A minha sugestão é efetivar o teste da COVID-19 desde o início e nos meses seguintes. Sei que será muito dispendioso para o vosso orçamento, mas é a forma mais objetiva de saber se o investigado tem Covid ou não.

2 – Uma outra sugestão será de obter análises sanguíneas para saber da competência imune do indivíduo (como o CD4 count e a simples CBC – conta completa das células no sangue); só perguntar se o indivíduo tem HIV ou alguma imunodeficiência, na minha opinião, não é suficiente.

3 – No consentimento Informado, sugeria que incluíssem alguns parágrafos do Fact Sheet- February 2015 – da Polio Global Eradication Initiative: “Embora extremamente rara, a Vacina Oral da Pólio pode causar paralisia não só no indivíduo mas também em indivíduos na comunidade (750 casos de paralisia entre 2005 a 2015, devido à forma circulante da pólio derivada da vacina) – reforçar que é extremamente rara (750 casos em 10 biliões de vacinas). Isto para proteção legal dos investigadores.

Cara Amabélia,

O design do vosso estudo é meticuloso e impressionante e fico muito orgulhoso que conterrâneos estão criando ou ajudando a criar projetos como este, mas ainda tenho que, respeitosamente, discordar com a implementação do mesmo, neste momento, na Guiné-Bissau:

1 – A Guiné-Bissau, hoje, dia 29 de junho de 2020, 10:18 AM está na posição 116 entre 215 países com COVID-19 dados fornecidos ao Johns Hopkins (1.614 casos e 22 mortes).

Se a sua equipa tivesse planeado este estudo nos Estados Unidos (2.652.320 casos e 128.557 mortos), Brasil (1.352.708 casos e 57.774 mortos), Dinamarca (12.751 casos e 605 mortos), eu compreenderia a pressão e urgência do mesmo.

Eu não importava, devido à concecão inteligente do vosso estudo, recomendá-lo ao nosso hospital; mas, provavelmente, iria levar entre 3 a 6 meses para o nosso comité de ética fazer a sua apreciação e, devido à controvérsia sobre a OPV nos Estados Unidos, não tenho a certeza se o aprovariam;

E muito provavelmente, dentro de 6 a 8 meses, devemos ter uma vacina específica contra a COVID-19.

2 – Em trabalhos de investigação, DEVEMOS ESPERAR PELO MELHOR, MAS ESTAR SEMPRE PREPARADOS PARA O PIOR.

Podem-me chamar de Profeta da Desgraça ou Mensageiro do Demónio, mas: Se um dos investigados apanha paralisia com uma vacina, o efeito não é imediato e pode levar dias:

Temos um serviço de emergência que um familiar pode chamar e a ambulância chegar ao investigado em poucos minutos?

Temos um ventilador reservado para o investigado, caso necessite de ventilador?

Temos intensivistas de urgência 24/7 para acudir ao investigado em caso de necessitar de entubação e com capacidade para manejar o ventilador?

3 – Por motivos enumerados em artigos anteriores e preocupações manifestadas por muitos especialistas de epidemiologia e doenças infectocontagiosas;

a) VDPV (pólio derivada da vacina): encontrada nas fezes de uma criança não vacinada, em Minnesota, com um sistema imune fraco e que apanhou o vírus por contato com outra criança que recebeu a OPV noutro país e viajou para os Estados Unidos em 2005 – www.cdc.gov/vaccines

b) VAPP (pólio associada com vacina): em 2009, um adulto com um sistema imune enfraquecido, apanhou VAPP e morreu de complicações resultantes da Pólio. Isolaram a pólio derivada da vacina e a infeção provavelmente foi transmitida pelo filho/filha que recebeu a OPV 12 anos atrás www.cdc.gov/vaccines

c) Imunodominância – administração de uma vacina viva atenuada pode levar o nosso sistema imunitário a usar todo o seu potencial contra a vacina, deixando o caminho aberto para o coronavírus…!

Sim Amabélia!

Espero ter explicado as razões da minha posição em relação ao vosso trabalho:

1 – Conceção brilhante, muito bem arquitetado, teoria bem fundamentada.

2 – A vacina oral contra a Pólio é SAFE (complicações extremamente raras, e tem salvado milhões de crianças em África e em todo o Mundo).

Cumprimentos a toda a equipa de investigação, incluindo a Christine Benn and Peter Aaby (provavelmente não se lembram de mim, mas se não estou enganado, foram-me introduzidos pelo Carlos Gomes (Caló Captain) em 1993, quando fui à Guiné-Bissau para o funeral do meu pai (João da Silva – Jon Batalon): era de noite, luz de candeeiro ou vela, no Bairro de Belém, ou
Bandim, salvo erro).

Dormiam em esteiras ou colchōes no chão! Extraordinária a ajuda científica que têm dado à Nossa Terra!

Saudações cordiais.

Djoca

29.06.2020


As respostas e os comentários de Amabélia Rodrigues

Amabélia Rodrigues

INVESTIGADORA, GATES MALARIA PARTNERSHIP,
LONDON SCHOOL OF TROPICAL DISEASES, REINO UNIDO
COORDENADORA DO PROJECTO DE SAÚDE DE BANDIM,
GUINÉ-BISSAU

Amabélia Rodrigues é licenciada em saúde pública pela Donetsk University, Ucrânia, e doutorada pelo Statens Serum Institute, Dinamarca. Actualmente dirige, na Guiné-Bissau, o Projecto de Saúde de Bandim que investiga a tuberculose, HIV, diarreia, malária, etc, com foco na saúde materna e da criança. É investigadora da Gates Malária Partnership.


Djoca – Ficaria muito desapontado e preocupado se não houvesse polémica sobre a vossa proposta de investigação! Isso só mostra que é uma investigação muito importante, e também mostra que os Guineenses dentro e fora do País se interessam pelo bem-estar dos seus compatriotas.

Esta polémica não acontece só na Guiné-Bissau! Aqui nos Estados Unidos, o grupo do Dr. Gallo (Global Virus Network) desenhou um estudo semelhante, em colaboração com a Cleveland Clinic, a Universidade de Buffalo e Roswell Park Comprehensive Cancer Center: O estudo foi submetido ao Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infectocontagiosas, mas até agora foi adiado devido a questões e preocupações idênticas às que os nossos conterrâneos levantaram com a vossa investigação.

Amabélia Rodrigues: Estou plenamente de acordo e todas as discussões só enriquecem o nosso trabalho.

Djoca: Indo ao estudo que a Amabélia teve a amabilidade de nos fornecer:

Está quase impecável, exceto algumas observações e sugestões que gostaria de fazer, se me permitem:

1 – Na Ficha de Inclusão inicial, na questão: Você já teve COVID-19 (sim ou não): penso que o dado mais objetivo seria fazer o teste do antigénio da COVID-19; Não que não se deve confiar no investigado, mas dos meus (muitos) anos de experiência, doentes e investigados podem “mentir” e, mesmo não mentindo, o período de incubação do Covid-19 pode ir até 14 dias (o investigado pode estar infetado sem o saber).

A minha sugestão é efetivar o teste do COVID-19 desde o início e nos meses seguintes.

Sei que será muito dispendioso para o vosso orçamento, mas é a forma mais objetiva de saber se o investigado tem Covid ou não.

Amabélia Rodrigues: Concordo plenamente consigo que a forma mais objetiva seria testar os participantes, contudo gostava de deixar as seguintes considerações tendo em conta o contexto:

  1. Infelizmente, o nosso orçamento é limitado e não nos permitiria realizar a combinação de tantos testes;
  2. Os estudos comunitários enfrentam de forma mais acentuada os desafios de realizar a pesquisa em tempos de emergência, especialmente da COVID-19, que é ainda tão pouco conhecida – por isso, reduzimos ao essencial a necessidade de contacto, eliminando qualquer contacto/procedimento físico que necessitaria de cuidados e equipamentos de proteção individual mais adequados;
  3. Para decidir a inclusão (excluir os que já tiveram COVID-19) – seria difícil utilizarmos o requisito de um teste serológico negativo no contexto deste estudo (e pelo que sei a qualidade ainda deixa muito a desejar!), pois as IgG começam a aparecer após uma semana ou mais e não detetaríamos as infeções recentes; os testes de RT-PCR também apresentam falsos negativos, sobretudo se tivermos em conta que seria feito em indivíduos ainda sem quaisquer sintomas. Imagino que detetaríamos seria útil, mas desproporcionalmente oneroso para o resultado a obter;
  4. Pelo atrás exposto, optamos pela declaração feita pelos participantes. Concordo que as respostas dos participantes podem nem sempre ser verdadeiras quanto a terem passado a COVID-19, por isso, para efeitos de exclusão, temos uma série de questões através das quais se pretende capturar doença aguda ou grave;
  5. Para o endpoint – o nosso primary outcome é um composto (óbito, consulta ou hospitalização por infeção), portanto poderá incluir outras infeções, dentre as quais a COVID-19. A suspeita de COVID-19 é um dos secondary outcomes (episódios declarados de sintomas de suspeição da COVID-19, tentando que a definição de caso fosse o mais específico possível. Sendo o estudo randomizado e os braços aleatoriamente definidos, uma possível misclassification devido a respostas não verdadeiras não seria diferencial.

Djoca 2 – Uma outra sugestão será de obter análises sanguíneas para saber da competência imune do indivíduo (como o CD4 count e a simples CBC – conta completa das células no sangue); só perguntar se o indivíduo tem HIV ou alguma imunodeficiência, na minha opinião, não é suficiente.

Amabélia Rodrigues: Concordamos e seria interessante obter estes parâmetros, mas considerações orçamentais e de biossegurança se nos colocam de novo. Sendo o estudo comunitário e, tendo em conta o contexto no qual seria aplicada a vacina se viesse a ser recomendada, utilizamos um conjunto de questões que nos servirão como proxy – hospitalização nos últimos três meses, doença crónica e uso de medicamentos. Não tínhamos incluído no questionário aprovado, mas acrescentar-se-ão duas questões adicionais (utilizadas para diagnosticar imunodeficiência primária): “Dois ou mais episódios de pneumonia num ano” e “Sapinhos persistentes na boca ou micose da pele”.

Testar se a pessoa tem VIH seria pouco ético no contexto atual, pois deveríamos ter capacidade para o pré- e pós- aconselhamento adequado, comunicação do resultado de forma a não exacerbar o ambiente de stress já vivido pela COVID-19 (sendo o HIV ainda muito estigmatizado no país) e ainda garantir o tratamento e apoio psicossocial. Infelizmente, não dispomos de tal capacidade. Os indivíduos imunocomprometidos ativos seriam capturados através de perguntas sobre doenças crónicas e tratamento rotineiramente nos centros de saúde.

Djoca 3 – No consentimento Informado, sugeria que incluíssem alguns parágrafos do Fact Sheet-February 2015 – da Polio Global Eradication Initiative: “Embora extremamente rara, a Vacina Oral da Pólio pode causar paralisia não só no indivíduo mas também em indivíduos na comunidade (750 casos de paralisia entre 2005 a 2015, devido à forma circulante da pólio derivada da vacina) – reforçar que é extremamente rara (750 casos em 10 biliões de vacinas). Isto para proteção legal dos investigadores.

Amabélia Rodrigues: Agradeço pela proposta, incluiremos estes dados ou outros mais recentes após a substituição da OPV trivalente pela OPV bivalente em 2016 retirando o tipo 2 que é o maior responsável pela VDPV.

Djoca – Cara Amabélia:

O design do vosso estudo é meticuloso e impressionante e fico muito orgulhoso que conterrâneos estão criando ou ajudando a criar projetos como este, mas ainda tenho que, respeitosamente, discordar com a implementação do mesmo, neste momento, na Guiné-Bissau:

1 – A Guiné-Bissau, hoje, dia 29 de junho de 2020, 10:18 AM está na posição 116 entre 215 países com COVID-19 dados fornecidos ao Johns Hopkins (1.614 casos e 22 mortes).

Se a tua equipa tivesse planeado este estudo nos Estados Unidos (2.652.320 casos e 128.557 mortos), Brasil (1.352.708 casos e 57.774 mortos), Dinamarca (12.751 casos e 605 mortos), eu compreenderia a pressão e urgência do mesmo.

Eu não importava, devido ao desenho inteligente do vosso estudo, de recomendá-lo ao nosso hospital; mas, provavelmente, iria levar entre 3 a 6 meses para o nosso comité de ética fazer a sua apreciação e, devido à controvérsia sobre a OPV nos Estados Unidos, não tenho a certeza se o iriam aprovar; e muito provavelmente, dentro de 6 a 8 meses, devemos ter uma vacina específica contra a COVID-19.

Amabélia Rodrigues: Agradecemos pelos comentários e respeitamos a sua posição. Gostaria, no entanto, de deixar aqui o nosso ponto de vista:

  • A Guiné-Bissau tem 1614 casos e 24 mortes declaradas:
  • Estes casos e óbitos são os conhecidos (essencialmente de Bissau) – estes dados são claramente subnotificados. Óbitos ocorrem em casa (quem cá vive sabe disso, aliás tem-se comentado com exemplos de parentes, vizinhos, conhecidos) e há casos que não chegam ao conhecimento do pessoal de saúde à semelhança de outras doenças. As pessoas utilizam muito pouco os serviços de saúde, situação esta exacerbada pelo receio de contaminação nestas instituições.

Na verdade, este problema dos números de casos e óbitos é também muito conhecido em vários países, incluindo nos EUA. São multifacetados os fatores que influenciam os números que vêm a público em todos os países, alguns contribuindo para um aumento e outros para a diminuição.

  • No nosso país, apenas para indicar um fator importante, a capacidade de testagem é mínima, somente dois laboratórios (um recentemente adequado) têm capacidade para realizar o teste de RT-PCR. Tenta-se, já há alguns meses, criar a capacidade de testagem em algumas regiões utilizando os aparelhos de GeneXpert para o disgnóstico de VIH e tuberculose já existentes, mas sem sucesso, pois os cartuchos para tal não estão facilmente disponíveis no mercado internacional.
  • Ainda assim, quando olhamos para o número de casos relativamente à população do país, seriam pouco mais de 8 200 casos por um milhão de habitantes para os EUA, 2 200 para a Dinamarca e 841 para a Guiné-Bissau, numa estimativa de 103 183, 181 875 e 762 testes por milhão de habitantes realizados respetivamente (https://www.worldometers.info/coronavirus/)
  • Como epidemiologista, temos seguido com muita cautela esta pandemia, sobretudo porque não existem precedentes/modelos, conhecemo-la muito pouco e ainda pode trazer surpresas. A epidemia em África parece seguir o seu modelo próprio devido provavelmente a vários fatores, mas avança sem uma perspetiva de um fim imediato. Países como os EUA, da Europa e em África tiveram a mesma sensação inicial de que era um problema pouco real e dos “outros”, mas chegou, fez/está fazendo estragos sem fim à vista. Estavam todos desarmados, mesmo os que supostamente tinham bons escudos. Ainda é uma incógnita o que está por vir e, como alguns cientistas bem colocam a hipótese do vírus já ter estado a circular há bem mais tempo do que se supõe, podemos estar perante uma circulação silenciosa com apenas algumas manifestações visíveis.
  • Por lógica, os países de alta renda, nomeadamente os EUA e a Dinamarca, terão menos interesse neste tipo de pesquisa, que presuma a utilização de vacinas antigas como a OPV, do que os nossos países. Têm capacidade para investir e fazer face às necessidades em cuidados secundários e terciários (embora nem sempre evidente, como é o caso dos EUA e outros), em pesquisa de novas vacinas e tratamentos que não estariam facilmente à nossa disposição, se efetivamente houver uma vacina que tenha passado por todas as fases necessárias de avaliação de eficácia e inocuidade.

Por outro lado, a situação epidemiológica e de saúde pública relativamente à poliomielite e à OPV são completamente diferentes. Eliminaram a pólio há vários anos e, por conseguinte, utilizam apenas a vacina inativada (IPV). Por razões de saúde pública, o receio de utilização da OPV num contexto em que apenas a IPV é utilizada é maior, permite replicação, excreção e circulação prolongada do vírus vacinal pois a IPV não confere imunidade da mucosa, aumentando o risco de ressurgimento do vírus da pólio derivado da vacina com capacidade de provocar a doença (VDPV). No nosso caso, o risco é muito remoto (explicarei mais adiante).

No meu entender, a reticência em usar a OPV tem mais a ver com escolhas de saúde pública pois há vários anos eliminaram a pólio e utilizam a IPV (o que não é o nosso caso, nós usamos OPV na rotina e as 1700 doses não fariam nenhuma diferença comparadas às cerca de 250,000 doses aplicadas anualmente às crianças menores de um ano). Quanto a riscos individuais, os EUA recomendam a vacina MMR, que tem uma componente cuja probabilidade de provocar um evento adverso grave é de 1 por 100 000 doses, o que de longe não se compara à probabilidade pós OPV. 

  • Assim, pela nossa fraca capacidade de vigilância, deteção, tratamento, mitigação dos efeitos e por estarmos desprovidos de conhecimentos para prever a evolução desta epidemia, vale a pena investirmos na procura de soluções científicas apropriadas ao nosso contexto epidemiológico e de saúde pública que contribuam para atenuar esta crise. Pensamos que a VPO poderia ser uma dessas intervenções pelas razões que explicarei mais adiante.

Djoca 2 – Em trabalhos de investigação, DEVEMOS ESPERAR PELO MELHOR, MAS ESTAR SEMPRE PREPARADOS PARA O PIOR.

Podem-me chamar de Profeta da Desgraça ou Mensageiro do Demónio, mas:

Se um dos investigados apanha paralisia com uma vacina, o efeito não é imediato e pode levar dias:

Temos um serviço de emergência que um familiar pode chamar e a ambulância chegar ao investigado em poucos minutos?

Temos um ventilador reservado para o investigado, caso necessite de ventilador?

Temos intensivistas de urgência 24/7 para acudir ao investigado em caso de necessitar de entubação e com capacidade para manejar o ventilador?

Amabélia Rodrigues: As infraestruturas e capacidades para os cuidados de emergência são praticamente inexistentes e são essas mesmas capacidades as requeridas para os casos graves de COVID-19 ou outras doenças. No grupo etário de 50 anos e mais, os benefícios parecem sobrepor-se a qualquer hipotético risco raríssimo de evento adverso devido à OPV.

Se colocarmos na balança os riscos e benefícios – 1 caso de PFA em cerca de 3 milhões de doses de OPV (ocorre sobretudo no primeiro contacto, portanto em neonatos e indivíduos com a condição rara de B imunodeficiência) contra mais de 4,5 mortes por 100 infetados, no nosso entender a balança pende inevitavelmente para o provável benefício da OPV.

Djoca 3 – Por motivos enumerados em artigos anteriores e preocupações manifestadas por muitos especialistas de epidemiologia e doenças infectocontagiosas;

  1. a) VDPV (pólio derivada da vacina): encontrada nas fezes de uma criança não vacinada, em Minnesota, com um sistema imune fraco e que apanhou o vírus por contato com outra criança que recebeu a OPV noutro país e viajou para os Estados Unidos em 2005 –cdc.gov/vaccines
  2. b) VAPP (pólio associada com vacina): em 2009, um adulto com um sistema imune enfraquecido, apanhou VAPP e morreu de complicações resultantes da Pólio. Isolaram a pólio derivada da vacina e a infeção provavelmente foi transmitida pelo filho/filha que recebeu a OPV 12 anos atrás – cdc.gov/vaccines

Amabélia Rodrigues: Relativamente à VAPP, como anteriormente discutido, pode provocar um evento adverso muito raro e ocorre essencialmente em indivíduos que “encontram” o vírus pela primeira vez, por isso os neonatos são mais propensos, mas também em indivíduos com B imunodeficiência (http://polioeradication.org/polio-today/polio-prevention/the-virus/vaccine-derived-polio-viruses/).

Não podemos garantir a inexistência de tal efeito em adultos, mas a probabilidade é ínfima no nosso contexto, porque as pessoas das idades a incluir no estudo já terão tido exposição ao poliovírus selvagem durante a sua infância e ao longo dos anos pelas seguintes razões:

  • O vírus selvagem circulava em abundância e a maioria dos infetados não apresenta nenhum sintoma;
  • O vírus vacinal atenuado circula desde 1984 no nosso país, pois:
    • a) O Programa Alargado de Vacinação aplica a vacina OPV trivalente desde 1984 (em 3 doses); posteriormente no âmbito da Iniciativa Global de Erradicação da Pólio passou a ser administrada uma dose “zero” ao nascer, mais três doses à 6ª, 10ª e 14ª semana. Desde 2016, substituiu-se a OPV trivalente pela bivalente (tipos 1 e 3) e a terceira dose à 14ª semana foi substituída pela IPV e este esquema mantém-se até aos dias de hoje com altas coberturas (>85%) de três doses);
    • b) No âmbito da iniciativa de erradicação da pólio, foram realizadas campanhas sincronizadas de vacinação em massa de crianças menores de 5 anos de 2000 a 2018 (excetuando alguns anos). Duas doses de OPV eram administradas com um intervalo de um mês anualmente e atingindo altas coberturas.
  • A imunidade de grupo criada pela OPV é mais do que provável no nosso contexto de higiene e sanitária muito pobres, portanto todos já terão sido expostos.

Quanto ao aparecimento e circulação de VDPV – ocorre sobretudo onde a cobertura vacinal por OPV é baixíssima (onde ocorrem conflitos, locais de difícil acesso, recusa de vacinação por OPV). O uso de apenas IPV propicia a circulação do vírus, pois não oferece imunidade mucosal e perante uma replicação prolongada, a probabilidade de mutação genética e reversão de virulência é maior, embora também seja um fenômeno raro.

Este fenômeno, o aparecimento de VDPV, é mais frequente na componente vacinal do poliovírus do tipo 2 (mais de 40% dos casos). Por esta razão, desde 2016 e de forma sincronizada em vários países que utilizavam a OPV trivalente (os tipos 1, 2 e 3), a OMS coordenou o conhecido “Switch”, substituindo a vacina trivalente pela OPV bivalente (1 e 3) que é utilizada até hoje. Ainda nesse quadro, introduziu-se uma dose de IPV no calendário vacinal. Eu e colegas de Bandim fizemos a monitorização para garantir a qualidade deste evento no país.

Uma grande preocupação da atualidade é a exportação do vírus selvagem (apenas em circulação no Paquistão e Afeganistão) e do cVDPV em circulação através de viagens internacionais. Por esse motivo, as últimas recomendações do Regulamento Sanitário Internacional prevê vacinação (inclusive nos aeroportos caso não se tenha documentação) de todos os residentes e visitantes por um certo período de certos países. Mas, a melhor arma para combater esse fenómeno continua a ser alta cobertura de OPV nos nossos países.

Djoca 3 – c) Imunodominância – administração de uma vacina viva atenuada pode levar o nosso sistema imunitário a usar todo o seu potencial contra a vacina, deixando o caminho aberto para o coronavírus…!

Amabélia Rodrigues: É verdade, não existe o conhecimento sobre possíveis interações e efeitos. Os dados epidemiológicos existentes apontam para um benefício. Os nossos dados observacionais e de experiências naturais, que são abundantes e de longa data, apontam para melhor sobrevivência num ambiente de exposição a muitas infeções, que é o caso das nossas crianças. Os estudos (da Rússia) resumidos na publicação em anexo apontam para uma redução do risco de influenza.

O mecanismo de ação de vacinas vivas (os efeitos não específicos) na imunidade inata começou a ser elucidado, pelo menos para a BCG (artigos on trained immunity em anexo), portanto a plausibilidade biológica existe.

DIDINHO – PUBLICAÇÕES DE 05 DE JUNHO A 23 DE JUNHO DE 2020

EU E A ÁGUA

Muitas vezes olho para a água, insistentemente, porque meus olhos, instruídos pela minha mente, se esforçam para ver algo mais do que até então conseguiram ver, numa água aparentemente límpida…

Didinho 23.06.2020


DESPOLUIR MENTES

Temos que despoluir/desintoxicar nossas mentes e nossos espíritos, enquanto relaxamos, procurando ver o Ponto que é a Vida, no ecrã da escuridão onde nossos olhos, nossos ouvidos, nossa boca, se cruzam, entre o ser e o sentir, que reivindicam Humanidade…!

Didinho 23.06.2020


QUANDO TODOS SABEM, MAS NINGUÉM SABE…

Qualquer dia, e porque julgamos que todos nós somos dotados de capacidade analítica multidisciplinar, não haverá ninguém para ler, ver ou ouvir ninguém, pois cada um estará concentrado no seu “programa”, por escrito, ou audiovisual, ao ponto de não se interessar, ou não ter tempo para ler, ver ou ouvir, o que realmente interessa, importa, daqueles que, sem dúvida, fazem a diferença…

Não podemos todos, ser doutores, engenheiros, professores, jornalistas, apresentadores, escritores, e também, analistas políticos, obviamente.

Um país como a Guiné-Bissau, que só há poucos anos começou a beneficiar da aprendizagem da cidadania política através das novas tecnologias de informação e comunicação, não deve cair no ridículo da banalização do conceito da participação cidadã numa perspectiva política e social, que se confunde entre o patriotismo e o partidarismo.

Há 17 anos que venho estudando esta matéria, e continuo a deparar-me com muitas interrogações sobre o Ego guineense, face à assimilação do conceito de Cidadania focado numa relação de Compromisso, Amor e Fidelidade para com o País, ou, para com outros compromissos…

Se falarmos todos ao mesmo tempo, de assuntos que desconhecemos, não estaremos a promover nenhum despertar de consciências, antes pelo contrário, estaremos a desinformar e a confundir uns e outros, com menos visão, menos capacidade de análise.

Falemos do que realmente sabemos e conhecemos, ou seja do que temos bagagem para abordar, caso contrário, procuremos ler, ver e ouvir aqueles que, de facto, estão melhor preparados para nos fazerem perceber as razões, os porquês, do que não sabemos, do que desconhecemos e certamente, desejamos saber, conhecer!

Admira-me sabermos e conhecermos tudo, só depois de termos dado uma vista d’olhos no que alguém escreveu ou disse, sem termos a dignidade de referenciar a fonte que alimentou a nossa curiosidade.

Pegamos numa abordagem genuína e sem saber no fundo o que o autor quis dar a conhecer, invertemos a ordem das palavras, colocamos inclusive novas palavras com o mesmo significado, para não termos que referenciar e valorizar o autor de quem usurpamos a autenticidade e criatividade do pensamento…

Ultimamente, passamos a ser todos: Intelectuais, Pensadores, Analistas Políticos, Activistas Políticos e Sociais, porque está na moda, e para alguns, resulta em nomeações para o dirigismo do Estado, ou, em contrapartidas financeiras subsidiadas…

Assim não vamos lá!

Não é esta a visão de Cidadania Política que lancei para a Guiné-Bissau quando criei o Projecto Guiné-Bissau CONTRIBUTO no dia 10.05.2003!

Vamos Continuar a Trabalhar por uma Guiné-Bissau Positiva, pois os desafios são cada vez maiores!

Didinho 23.06.2020


QUALQUER DIA…

Qualquer dia, teremos mais Oficiais Generais, do que subalternos/operacionais, nas Forças de Defesa e Segurança.

De igual modo, qualquer dia a Guiné-Bissau será um país onde todos serão “doutores”, não havendo ninguém para TRABALHAR, porque os “doutores” guineenses, não se consideram Técnicos, Profissionais, em suma, TRABALHADORES!

Infelizmente, tanto uns como outros, têm como actividade profissional não declarada, a Política…pois é o que sempre deu, está a dar e continuará a dar, num País RICO, que uns e outros, continuam a fazer POBRE…!

Didinho 22.06.2020


A JUSTIÇA, ESSE FANTASMA QUE NOS ATORMENTA…

Como Mudar uma Sociedade cuja mentalidade é alimentada pelo ressentimento, recalcamento, ódio, espírito de vingança…?

De que Justiça falamos ou propomos, quando na nossa mente, somos nós a justiça, e juízes, para todos os casos, em função dos nossos “julgamentos” de conveniência?

Como é que podemos ser diferentes, pela positiva e para melhor (continuando a alimentar nossas mentes e nossos espíritos, com as injustiças e os crimes do passado, mesmo que não possam ser esquecidos, ignorados), a bem de uma nova postura colectiva assente na reeducação mental e espiritual de todos, para que a necessária Reconciliação entre irmãos desavindos seja uma realidade, e que a Justiça Institucional, que alicerça um Estado de Direito democrático, passe a ser efectivamente, o Garante dos Direitos, dos Deveres e das Liberdades de todos os Cidadãos, numa perspectiva de Igualdade perante a Lei e de Respeito e Submissão pela Lei?

Porque é que gostamos de ir buscar o que cada um fez ou deixou de fazer no passado, mesmo que não tenha sido alguma vez julgado e condenado por algum crime, para no presente, o crucificarmos pelo seu passado, ignorando que cada momento presente é uma realidade distinta?

Como é que queremos mudar tudo o que está mal (sobretudo a Justiça), na Guiné-Bissau, quando temos mentes recalcadas e espíritos doentios, promotores da Injustiça, ou da justiça pelas próprias mãos?

Como falar em fazer Justiça, mas admitir injustiças, alegadamente, porque nunca houve Justiça na Guiné-Bissau e, por isso, que importa se fulano, beltrano ou sicrano que até podem ter cometido crimes, barbaridades, no passado, hoje possam ser vítimas da injustiça, não pelos alegados crimes e barbaridades, do passado, mas por questões que têm a ver com disputas, confrontações, de interesses vários na actual conjuntura política do País?

Sendo cumpridor e defensor das Leis, quero de facto que a Justiça funcione na Guiné-Bissau.

Quero que todos se sujeitem à Constituição e às Leis da República, incluindo as Forças de Defesa e Segurança!

Que todos tenham noção de que têm direitos e deveres, com base no Direito, que regula a vida em Sociedade e por isso, quem infringir a Lei, poderá ser detido, inquirido, absolvido, ou condenado, em função da decisão dos Juízes.

Não se deve é “forçar” detenções, forjar alegadas provas incriminatórias, em nome da Segurança do Estado, da Ordem Pública, e, muito menos, da Justiça e do Estado de Direito!

O País tem um novo Presidente da República; um Governo que leva 100 dias de governação. Têm tudo para fazer a diferença, para melhor, e isso não passa, não pode passar, obviamente, pelo recurso aos métodos do passado que põem em causa os direitos, as liberdades, garantias e deveres fundamentais dos cidadãos!

Positiva e construtivamente.

Didinho 22.06.2020


ABUSO DO PODER

A promoção da “cultura” do abuso do poder na Guiné-Bissau tem que acabar, sob pena de estarmos todos sujeitos aos desmandos de anarquistas que se querem impor como Poder Judicial de um Estado de Direito democrático, independentemente das suas fragilidades institucionais!

Temos que parar com as detenções arbitrárias, por Respeito aos Direitos Fundamentais dos Cidadãos e, consequentemente, pela Constituição e pelas Leis da República da Guiné-Bissau!

Quando o Estado se presta a Humilhar seja qual for o cidadão, alegadamente, em nome da Justiça, esse Estado está apenas a ignorar a sua Responsabilidade para com os seus Cidadãos!

Todo o Cidadão tem Direito à Dignidade e à Liberdade, ainda que condicionada, quando é detido, e a aguardar por formalidades judiciais de audição e acusação, ao abrigo da presunção de inocência.

A Guiné-Bissau não pode retroceder no processo de edificação e consolidação do Estado de Direito democrático!

É imperativo que se ponha fim ao abuso de poder; à violência gratuita, e que destes actos, o País não continue a perder!

Que tudo quanto tenha que ser feito em nome da Ordem Pública e da Segurança do Estado, seja feito em conformidade com o estabelecido na Constituição e nas Leis da República, salvaguardando os Direitos, as Liberdades e Garantias Fundamentais, dos Cidadãos!

Positiva e construtivamente.

Didinho 21.06.2020


O MEU SILÊNCIO

Antes o Silêncio: Consciente ou Inconsciente; explícito ou implícito, do que o Barulho Consciente ou Inconsciente, explícito ou implícito, que impõe a regra do pensamento único, seguidista, chantagista, absolutista e ditatorial, em função dos Interesses e das Conveniências pessoais e, ou, de Grupos!

Não há voz mais poderosa do que a Voz do Silêncio, face ao Barulho feito anarquia, quando, os silenciados, nunca deixaram de ter voz, inclusive, através do Silêncio, perante anarquistas…

A Poesia também se escreve em silêncio, no silêncio do Silêncio, de todos quantos nunca deixaram de ser Livres e, por isso, terem, igualmente, Direito ao Silêncio, como Instrumento de combate ao Barulho encomendado, ou, reactivo, numa perspectiva reaccionária…!

Estou em Silêncio, no meu silêncio; por isso, solicito e agradeço antecipadamente, a compreensão de todos quantos, no usufruto dos mesmos Direitos Fundamentais fazem do barulho, suas vozes…

Ninguém tem nada a cobrar a alguém pelo seu silêncio…

Muitas vezes, aqueles que cobram o silêncio doutros, são os primeiros a ameaçar a vida desses “outros”, quando decidem contar suas versões sobre certas verdades escamoteadas, que os barulhentos de ocasião, fazem questão de silenciar, mesmo que isso signifique matar, não importando a relação familiar, a pertença étnica ou cor da pele, e outros considerandos…

O Silêncio é uma terapia, Global, para a “pandemia” do Barulho…!

Didinho 20.06.2020


O NOSSO RACISMO…

A minha abordagem sobre o Racismo, obriga-me a não ser racista, nem selectivo, quiçá, de conveniência, nem por natureza pessoal.

Independentemente da História colonial, da escravatura e dos processos de libertação e independência dos países e povos africanos, o Racismo e a Xenofobia sempre foram comportamentos humanos, de todas as cores, de todo o Mundo.

Não posso, no século XXI, enquanto ser humano, resumir o Racismo à vertente da História colonial, e entre o acto em si, explícito ou implícito, do branco em relação ao preto.

Enquanto humanos, quiçá, homens e mulheres de todas as cores, temos responsabilidades de, todos juntos promovermos um Mundo Melhor, de Todos, para Todos, em Igualdade, tanto nos Direitos, como nos Deveres.

Fiz referência a 30 ou 40 anos, aos dias de hoje, porque mesmo que a Mudança Comportamental relativamente ao Racismo e aos racistas, seja lenta, os sinais de mudança são encorajadores para a consciencialização sobre o problema e, consequentemente, para a necessidade de se reflectir sobre o que se tem feito e o que mais deve ser feito, para que o Racismo passe a ser uma banalidade entre os humanos.

Porém, se ao invés de olharmos o passado como uma referência para a aprendizagem com os erros então cometidos, pegarmos nesses erros para estimular recalcamentos e despertar ódios, como é que poderemos reduzir o Racismo à insignificância?

Não estaremos a criar condições para mais Racismo; mais ódio; mais intolerância; mais violência, incluindo a praticada por forças da ordem; mais desconfiança; mais desemprego; mais pobreza; menos solidariedade; menos cooperação e menos convivência entre pessoas?

Quando falamos de Racismo, nós, que também somos pretos, mesmo que segregados por outros pretos que se julgam mais pretos e africanos do que outros pretos, não devemos deixar de abordar também, o nosso Racismo, aquele que existe entre nós.

Ter receio de falar sobre isso, também é ser conivente com o Racismo Global, por isso, discordo da visão do Racismo selectivo, ou virado apenas para a retrospectiva colonial e as suas consequências nefastas para África e para os Africanos.

Só Juntos, Unidos e Focados em torno de uma Consciência Global, que garanta o Respeito pelas nossas Diferenças, enquanto Humanos, e consequentemente, Todas as Vidas Humanas, os Direitos (como também os Deveres), Humanos, poderemos contribuir saudavelmente, para mais e melhor Humanidade!

Positiva e construtivamente.

Didinho 12.06.2020


NÃO AO RACISMO E AOS RACISTAS DE TODAS AS CORES!

A revisitação, promoção e instigação do Racismo, numa retrospectiva do passado, ignorando os ganhos do presente, repito: ganhos do presente, em que pretos e cidadãos de todas as cores já ocupam cargos civis, políticos e de governação, em países europeus, por exemplo, o que numa perspectiva inversa não acontece, só pode interessar a grupos de interesses com Agenda própria, visando sobretudo, a continuidade da abordagem sobre o Racismo de há 30 ou 40 anos, por um lado, e, por outro, a negação da promoção dos Direitos civis e políticos que as reformas estruturais e legais têm proporcionado, como veículos de combate ao Racismo e, da promoção da igualdade dos Direitos e dos Deveres dos Cidadãos.

Falamos muito sobre os nossos Direitos, quase que exigindo Direitos Exclusivos, enquanto pretos, a viver em países europeus, ignorando que os Direitos Fundamentais nesses Países, também incluem os seus cidadãos originários, e que, para além dos DIREITOS, HÁ DEVERES!

Queremos mandar na política de Estados Europeus, impondo as nossas regras?

Afinal, para que serviu a luta de libertação Nacional, senão para, como afirmou Amilcar Cabral, passarmos a ser nós, guineenses e africanos, a dirigir os nossos destinos?

Então, hoje achamos que o branco não tem o direito de defender os seus interesses, mesmo abrindo as portas para numa questão legal, pretos constituídos como cidadãos de países europeus, possam usufruir dos Direitos Fundamentais em igualdade de circunstância que cidadãos europeus, brancos ou pretos?

Sim, há cidadãos europeus, porquanto nascidos na Europa, que são pretos, a exemplo de cidadãos africanos, brancos, nascidos em África.

Qual é o nosso problema, quando não aceitamos que africanos brancos ou mulatos assumam cargos de relevo na política e na governação, por exemplo, dos nossos países africanos, mas noutra perspectiva, exigimos que pretos, mesmo não nascidos na Europa, usufruam de TODOS OS DIREITOS CIVIS E POLÍTICOS que o cidadão branco tem no seu país?

Acabaram-se as barracas, que também eram habitadas por brancos;

Casas camarárias foram atribuídas a Todos, brancos, pretos, ciganos, etc., com poucos recursos;

Filhos de brancos, pretos, ciganos e outros, passaram a ter direito em pé de igualdade à Educação, à Saúde, com os subsídios atribuídos por via do mesmo critério;

Cada vez mais pretos e outros, têm acesso à formação académica superior, em todas as áreas do conhecimento, com o devido reconhecimento e enquadramento nas carreiras profissionais;

Cada vez mais temos deputados pretos e outros em parlamentos de países europeus, o que acontece igualmente com ministros, autarcas, etc., etc.

Cada vez mais há casamentos, relacionamentos e miscigenação entre pretos, brancos e outros…

É isso tudo, sinónimo de continuidade do Racismo?

Ou são ganhos de mudanças que não se operam por decreto, e de um dia para o outro, mas que, na verdade, têm sido uma realidade indesmentível?

Quem quer pôr fim a esta constatação…?

Tal como tem sido nos dias de hoje, os erros da Humanidade foram sempre cometidos, consciente ou inconscientemente, por humanos, de todas as cores!

Condenemos o Racismo e todo o tipo de discriminação entre humanos, mas não nos deixemos manipular, dividir e intrigar por interesses políticos e económicos, das elites do Poder Global.

O respeito pelo cidadão depende do comportamento, das atitudes, do cidadão, e não da cor do cidadão.

Respeite-se enquanto cidadão nacional ou estrangeiro, onde quer que esteja, respeitando as Leis do seu País e do País onde estiver, e o Racismo, que existe em todo o Mundo e de todas as cores, não será mais do que uma doença evitável, com a qual temos que nos adaptar, mas também, evitar o contágio e a consequente propagação, por ser altamente contagiosa…

Positiva e construtivamente, diga NÃO AO RACISMO E AOS RACISTAS DE TODAS AS CORES!

TODAS AS VIDAS HUMANAS IMPORTAM, QUE NÃO APENAS AS VIDAS DOS PRETOS!

É discriminatório, no meu entender, o slogan “Black Lives Matter”.

TODAS AS VIDAS HUMANAS, INDEPENDENTEMENTE DA COR, IMPORTAM!

Didinho 11.06.2020


“RACISMOS”

Quase a completar 59 anos de vida, 39 fora da Guiné-Bissau e 32 a residir em Portugal, tendo viajado por mais de 70 países de todo o Mundo, também tenho as minhas vivências e os meus posicionamentos sobre os diversos “Racismos”, que não deixarei de partilhar, em livro, brevemente (Faço Questão), porque andamos a correr atrás do prejuízo, indo ao encontro de estratégias das políticas do poder ou do poder das políticas, manipuladoras e populistas, Globais, que contaminam e enfermam mentalidades e corpos, de seres humanos, em função da cor, etnia, religião, género, etc., quando deveríamos olhar, e ir ao encontro de oportunidades que nos são concedidas todos os dias, pelo Tempo, o eterno Juiz Supremo deste nosso Mundo, e que os nossos pais, por exemplo, não tiveram!

Ainda que cada um tenha a sua vivência, experiência e visão sobre o Racismo conceitual, o importante em cada posicionamento, é cada um olhar-se ao espelho e libertar os seus complexos, os seus fantasmas e pesadelos relativamente ao Racismo.

Estamos, enquanto Africanos, a ser manipulados, desde sempre, por interesses que não se resumem à questão da cor da pele.

A quem interessa o envolvimento dos pretos numa estratégia de disputa do poder político, com base na promoção do Racismo?

A quem interessa que a violência e o medo sejam continuamente associados aos pretos e que, por via disso, sabem o que fazer, como e quando, para atiçar ódios aos africanos?

Vamos continuar a dormir, hipnotizados, embriagados?

A questão do “assédio” político, nos dias de hoje, aos africanos (e seus descendentes), imigrantes ou naturalizados, em diversos países do Mundo, implica a elaboração de estratégias políticas, visando a disputa do poder entre partidos políticos, por um lado, e entre grupos de interesses por outro, e o Racismo numa vertente exclusiva entre o branco e o preto, é o suporte para a conquista de simpatias, votos e, consequentemente, poder, tendo em conta que os africanos naturalizados ou devidamente legalizados, num contexto específico, podem votar e ser decisivos nos desfechos eleitorais, nos países onde estão inseridos.

Ainda sou LIVRE, no pensar e no agir, e modéstia à parte, tenho muito a dizer sobre o Racismo, a começar, pelo Nosso Racismo, Nós, Africanos, uns para com os outros.

Sei que muitos não gostam, inventam uma série de argumentos, mas pouco me importa os murmúrios de quem tem 2 pesos e 2 medidas para o mesmo Problema!

Positiva e construtivamente, vamos enfrentar o Desafio que é o Racismo!

Didinho 09.06.2020


O RACISMO, UMA REALIDADE DA NOSSA HISTÓRIA

É claro e indesmentível que o colonialismo é parte integrante da História da Humanidade, quiçá, da Europa, de África, da Ásia, das Américas e da Oceania.

É claro e indesmentível que, entre algumas consequências do colonialismo, tivemos a escravatura, e continuamos a ter a Mestiçagem e o Racismo.

Tivemos a divisão e a partilha geográfica do Mundo.

Os afro-americanos de que se fala por estes dias, pertencem a que História?

Os que na Guiné-Bissau são considerados “restos dos tugas”, pertencem a que História?

Não é isso, também, História de África?

É claro e indesmentível que, a própria identidade cultural e social dos povos de todo o mundo tem nas línguas coloniais, suportes culturais e sociais identitários que impedem a negação da pertença colonial na História Global, quiçá, da Europa, de África, das Américas, da Ásia e da Oceania.

Quem, suportado pelo conhecimento, e não pelo protagonismo assente na politiquice, para negar tal realidade?

O Racismo não é problema dos negros e das negras?

É problema de quem afinal, que não do ser humano de todas as cores?

O salário das pessoas também é uma questão de Racismo?

Se tens trabalho, e és imigrante, agradece, pela tua dignidade.

Em qualquer país do mundo, incluindo países africanos, os salários são estabelecidos em função das normas legais, com base em critérios legais.

Um empregado de limpeza não tem, obviamente, o mesmo salário que um deputado, e por aí fora… Ou em África é diferente?

Não sabia que os Direitos e os Deveres Fundamentais do Cidadão, elencados nas Constituições dos Estados, assentam na cor da pele, e que, compete aos cidadãos a sua reeducação, sem perceber o que isso, de facto significa…

A rebeldia do manifesto racista por via de um ativismo político e social interesseiro, vai alimentando com incentivos tóxicos a alma de gente carente de força mental e espiritual, manipulando suas consciências, e fugindo ao essencial da abordagem sobre o Racismo e, claro está, sobre as formas e as medidas para o seu combate.

Diria que há uma seita racista de todas as cores, a exemplo de seitas religiosas, que vivem da desgraça das populações para se afirmarem como seus salvadores…

Didinho 07.06.2020


Silêncio!

Proponho/recomendo, Silêncio aos meus Irmãos Guineenses, como medida de prevenção e combate ao vírus da divisão social, propagado pela politiquice de politiqueiros sem partido pela nossa Guiné-Bissau…

Silêncio, para ajudar a despoluir mentes tóxicas;

Silêncio, para o necessário reencontro pessoal e espiritual;

Silêncio, para nos penitenciarmos do ódio, do recalcamento, do espírito de vingança, da violência como solução para os problemas…

Silêncio, para ouvirmos o outro;

Silêncio, para que o outro também nos possa ouvir…

Silêncio, para que nossos olhos falem por nós frente ao espelho, que somos e do qual, fugimos de olhar…

Silêncio, para assumirmos nossas fraquezas, limitações, ignorâncias, mas, sobretudo, para despertarmos para a realidade!

A embriaguez e o hipnotismo, da politiquice, por via da manipulação e instrumentalização social na Guiné-Bissau, devem ser combatidos de forma pedagógica, a bem da Unidade, e do Interesse, Nacionais, para a satisfação do Bem-Estar Comum!

Experimentemos ficar alguns dias sem postagens de âmbito político relacionadas com a Guiné-Bissau, e veremos que a despoluição mental e emocional de muitos de nós, começará a ser uma realidade, que irá, inclusive, melhorar a relação interpessoal, familiar, profissional e outra, de cada um de nós.

Silêncio, sempre que o que tens para dizer pode piorar ao invés de melhorar algo…

De regresso ao meu Silêncio…

Didinho 05.06.2020