O CHÃO É O SEU PARTIDO

In: http://www.incomunidade.com/v51/art.php?art=252

Três volumes intitulados O meu Partido é a Guiné-Bissau, com cerca de mil e quinhentas páginas, no total, é a obra que agora me chega às mãos e eu já conhecia fragmentariamente, da Internet, em sites como Projecto Guiné-Bissau Contributo, em http://www.didinho.org/ e até mesmo no TriploV, em cuja lista de autores temos o prazer e a honra de contar com a colaboração episódica do Didinho. Num momento em que se estabelece parceria do TriploV com a Associação 25 de Abril, no caso a propósito do nosso Projeto “Sarmento Pimentel”, é oportuno que eu faça uma pequena reflexão sobre a responsabilidade política que nos advém de tais alianças. E o principal da reflexão gira em torno de “nha tchon”, “o meu chão”, em tradução literal do guineense, que em versão mais funda seria “a minha pátria”. É esse o significado mais impressivo do título de Didinho, ao recusar a efemeridade e fragmentação de grupos ideológicos de tipo partidário. Ele ocupa-se da Guiné-Bissau, preocupa-se com os guineenses e assume-se como independente de partidos, o que não equivale, espero, a uma voz a pregar no deserto.

Comecemos entretanto pelo Didinho, que em tempos já me pregou sustos valentes com justa causa, quando a ele me aliei na divulgação de temas que na altura se carregavam de dinamite. Didinho é o petit nom de Fernando Casimiro. É apenas assim, com um diminutivo – em crioulo, julgo que se diz “nome de casa” -, que ele assina textos sobre a Guiné-Bissau tão importantes como os do seu conterrâneo e ideal, Amílcar Cabral. E é só com esse diminutivo que ele se apresenta a nós como uma das vozes mais persistentes da oposição aos sucessivos e inglórios governos da Guiné-Bissau nos últimos tempos. Não se tratando de oposição para efeitos narcísicos, como tantas vezes vemos na Televisão. Pelo contrário, o Didinho frequentemente apresenta soluções e modos de atuar, não se limita a pavonear a cauda.

Características principais deste homem, a meus olhos: a coragem, a temeridade, o desejo inquebrantável de oferecer o seu contributo para a emergência de um país que ainda não corresponde ao ideado, de nome Guiné-Bissau. Tarefa difícil, mesmo perigosa, pois o Didinho sofre corte de palavra não só por parte do sistema político guineense como por parte dos meios de comunicação portugueses, como ele mesmo conta, por exempo no vol. II da sua obra. Todos o sabemos: o poder pessoal é muito difícil de conquistar se somos uma voz a pregar no deserto. Integrados numa instituição, a exemplo dos partidos, já não só é mais fácil como o poder consegue às vezes escrever-se com maiúscula. Justamente: o Didinho não quer esse tipo de alianças, prefere a sua independência política, moral e intelectual, e é bem possível que só pela minha mente passe a ideia de o ver como governante.

Numa notícia ligeira como esta, é impraticável fazer o balanço da obra e sequer distinguir algumas linhas de ação mais relevantes do que outras. Na maior parte, os artigos referem-se diretamente às circunstâncias da governação guineense; começam pelo Presidente Kumba Yalá, passam pelas situações atrozes dos princípios e fim de Nino Vieira, para terminarem na atualidade. É indiscutível que Didinho tem um rumo político, democrático, firmeza de caráter, cultura política e sobretudo desejo de ação. Se tais qualidades e muitas outras tornam o Homem incorruptível, quando alcança o Poder, eis uma dúvida minha.

No meio de tanta ideia lançada à arena pública pelo Didinho, chamo uma à tona, não só por abrir o conjunto dos três livros, como por eu lhe ser bastante sensível. É o apelo, aliás desafio que faz à Comunidade Europeia para que, sem indevida ingerência em assuntos privados dos países, tome posição quanto ao futuro da Guné-Bissau, pois é inútil pregarem-se e defenderem-se ideias de governo quando não há modo de governar, quando não há condições económicas para fazer eleições, quando nem sequer há cadernos eleitorais atualizados a semanas do sempre sebastiânico ato eleitoral.

O que faz correr o Didinho? Ambição política pessoal? É certo que ele faz parte de um núcleo de potenciais quadros superiores na diáspora – vive em Portugal – cuja ação seria benéfica na Guiné, caso regressassem ao seu, ou nosso “tchon”, para assumir o “mana” e o “nossa Guiné-Bissau” que o fraterno autor me atribuiu nas dedicatórias. Mas ambição é algo que remete para uma superfície, um horizonte no qual pode ou não existir um ponto de acesso, mas além do qual não há mais nada. O que move fica aquém, num impulso inicial, com raízes no fundo de nós e não pendentes de outras plantas, como acontece com certas epífitas. E é neste ponto que a minha reflexão toma vulto, ao atentar na densidade emocional da expressão “nha tchon”, a minha terra, aquela em que criei raízes, aquele chão que, além de dar comida, também alimenta a nossa capacidade de sonhar, idear e projetar.

É na infância e adolescência que criamos um mundo de afetos ligados aos pais, parentes e amigos, aos lugares, com os seus tempos da chuva e seco, com as suas cronologias de sábado e domingo, Natal e Carnaval, às coisas que a percepção sensorial assimila, como o sabor dos mangos e chabéu, a contemplação dos rápidos e extasiantes crepúsculos, o aroma do capim molhado pelas primeiras chuvas do ano, a quentura da mancarra torrada na esquina por Nha Francisca. Tudo isso nos acompanha ao longo da vida e constitui o nosso lastro emocional. Se estamos longe, queremos voltar. Na idade adulta já não criamos paraísos, a noção de pátria dimensiona-se em espaços mentais carentes de afetividade. Pátria com sentido de “paraíso onde vivem o pai e a mãe” só existe no imaginário de infância.

Eu admiro o Didinho, aliás Fernando Jorge Gomes da Fonseca Casimiro, nascido em Bissau em 1961. Admiro e temo por ele, porque sempre o vejo a lutar pelo nosso “tchon”, que é mais do que pátria e país. Admiro-o porque a sua tarefa é hercúlea; temo porque  os obstáculos a vencer podem ser-lhe fatais.

O chão é o seu partido

DIDINHO
O meu Partido é a Guiné-Bissau
Colectânea de Textos Editoriais
2016, Euedito, 3 vols
Contacto: geral@euedito.com

 

 

 

Agradecimentos – Fim da Campanha de angariação de fundos para apoiar a judoca olímpica Taciana Lima Baldé

A 07.06.2016 lançamos uma Campanha de angariação de fundos para apoiar a nossa tetra-campeã africana e judoca olímpica, Taciana Lima Baldé, a fim de apoiar a sua fase final de preparação tendo em vista a sua participação nos Jogos Olímpicos Rio 2016.

Jogos Olímpicos cuja sessão de abertura será no próximo dia 5 de Agosto, sendo que a nossa Campeã, Taciana Lima Baldé iniciará a sua participação no dia 6 de Agosto, viajando hoje 31.07 à noite, para o Rio de Janeiro.

Assim sendo, queremos anunciar o fim da nossa Campanha de angariação de fundos para apoiar a fase final de preparação da nossa judoca olímpica Taciana Lima Baldé, aproveitando para agradecer a todos quantos acudiram de forma amiga, patriótica e solidária, à nossa solicitação.

Muito obrigado!

A título de registo, recebemos contribuição financeira de 11 pessoas, no montante total de € 2983,00 – Dois mil novecentos e oitenta e três Euros.

A nossa Campeã, Taciana Lima Baldé, aproveita a oportunidade para endereçar a todos uma mensagem pessoal que aqui partilhamos.

Uma vez mais muito obrigado!

Didinho 31.07.2016

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TacianaLimaBalde

“Olá a todos meus amigos que de uma forma ou outra contribuíram com a campanha de solidariedade esportiva. Estou a embarcar para os Jogos Olímpicos e queria agradecer de coração a todos que contribuíram para que esse sonho seja realizado. Foram muitos anos para chegar até aqui e vocês na reta final foram de grande importância para que tudo ocorresse da melhor forma possível. Conto com a torcida de todos vocês, enviem as melhores energias possíveis para que o objetivo final seja alcançado. Abraço a todos e um obrigada do tamanho do mundo. ” – Taciana Lima Baldé 31.07.2016

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Campanha de angariação de fundos para apoiar a atleta olímpica guineense, Taciana Lima Baldé

 

Campanha de angariação de fundos para apoiar a atleta olímpica guineense, Taciana Lima Baldé

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TACIANA LIMA BALDÉ

Judoca – Atleta Olímpica

CAMPANHA DE ANGARIAÇÃO DE FUNDOS PARA APOIAR A ATLETA OLÍMPICA GUINEENSE, TACIANA LIMA BALDÉ, QUE REPRESENTARÁ A GUINÉ-BISSAU NA MODALIDADE DE JUDO, NOS JOGOS OLÍMPICOS – RIO 2016 EM AGOSTO PRÓXIMO

Estimados compatriotas

Prezados amigos da Guiné-Bissau

TacianaLimaBaldeMeu nome é Taciana Rezende de Lima Baldé, atleta de Judo da Guiné-Bissau, TETRACAMPEÃ AFRICANA, 1ª no RANKING AFRICANO e atual 10ª do RANKING OLÍMPICO E MUNDIAL, qualificada para os JOGOS OLÍMPICOS DO RIO DE JANEIRO que têm inicio no dia 5 de Agosto de 2016.

Venho, através desta carta, fazer uma solicitação de apoio para finalizar a minha preparação para os Jogos do Rio de Janeiro.

Tendo em conta o actual momento da minha preparação, lanço um pedido de apoio num total de € 10.000.00 – Dez mil Euros, montante que irá englobar gastos com competições, estágios, treinos, fisioterapia, preparação física e psicológica para que possamos alcançar a tão sonhada MEDALHA OLÍMPICA para a GUINÉ-BISSAU.

Desde que iniciei a minha jornada e a tão sonhada qualificação Olímpica na modalidade de Judo, que se restringe apenas às 14 melhores atletas do Ranking Mundial, sendo que me encontro na 10ª posição, obtive as seguintes medalhas:

2013

  • Campeã de África – Moçambique
  • Campeã Taça do Mundo de Lisboa
  • Campeã Taça do Mundo de Port Louis

2014

  • Campeã Jogos da Lusofonia – Índia
  • Vice Campeã Taça do Mundo de Roma
  • Medalha de Bronze Taça do Mundo da Polónia
  • Medalha de Bronze no Grand Prix da Turquia
  • Campeã de África Ilhas Maurícias
  • Medalha de Bronze Grand Slam da Rússia
  • Medalha de Bronze no Grand Prix da Croácia
  • Medalha de Bronze no Grand Slam de Abu Dhabi
  • Campeã da Taça do Mundo de Port Louis

2015

  • Medalha de Bronze Grand Prix da Turquia
  • Medalha de Bronze Grand Prix da Hungria
  • Medalha de Bronze nos Jogos Africanos no Congo
  • Campeã da Taça do Mundo de Lisboa

2016

  • Vice Campeã Grand Prix da Geórgia
  • Campeã de África na Tunísia

TOTALIZANDO :

8 MEDALHAS DE OURO

2 MEDALHAS DE PRATA

8 MEDALHAS DE BRONZE

Conto com os vossos apoios.

Antecipadamente grata, queiram aceitar os meus melhores cumprimentos.

Taciana Lima 07.06.2016

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Dados bancários para transferência de fundos

Banco Millenium

Nome do titular da conta: TACIANA REZENDE DE LIMA

Nº de Conta: 45458655211

NIB: 0033 0000 45458655211 05

IBAN: PT50 0033 0000 4545 8655 2110 5

SWIFT: BCOMPTPL

Descritivo da transferência: Solidariedade desportiva

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FCDidinhoA Guiné-Bissau estará representada, pela primeira vez, na modalidade de Judo, nos próximos Jogos Olímpicos – Rio 2016, através de Taciana Lima Baldé, atleta que ocupa o 1º lugar no ranking africano na categoria de – 48 kg, e o 10º lugar no ranking mundial e olímpico.

Atleta de craveira mundial, regista um brilhante palmarés desde que passou a representar a Guiné-Bissau em 2013, tendo desde essa altura e até ao presente ano de 2016 conquistado 8 medalhas de ouro, 2 medalhas de prata e 8 medalhas de bronze em competições africanas e mundiais.

Através de uma conversa recente com Taciana Lima Baldé, fiquei a saber que precisa de apoios financeiros para a fase de conclusão da sua preparação rumo aos Jogos Olímpicos – Rio 2016, numa altura em que o tempo escasseia e ela precisa de facto, ser apoiada por todos nós, Cidadãos Guineenses, Amigos da Guiné-Bissau, mas também por todos os desportistas, sobretudo, os judocas e os amantes do Judo.

É do conhecimento de todos, as dificuldades que os atletas de alta competição da Guiné-Bissau enfrentam, devido à falta de apoios do Estado, para se prepararem convenientemente.

Infelizmente, as promessas de apoio do Estado a Taciana Lima Baldé até então não foram materializadas, o que fez com que decidisse solicitar apoios financeiros para concluir a sua preparação até à realização dos Jogos Olímpicos.

Taciana Lima Baldé tem sido apoiada até aqui pelos cidadãos guineenses Paulo Gomes e Hermenegildo Lamba.

Tratando-se de uma atleta olímpica que tem dado grandes destaques à Guiné-Bissau, bem como grandes alegrias aos Guineenses, devemos apoiá-la, cada um com o que lhe for possível, pois o importante será a soma total do que cada um disponibilizar.

Decidi apoiar a promoção desta causa, porque a Taciana Lima Baldé merece!

Outrossim, porque sou um dos primeiros praticantes de Judo na Guiné-Bissau do pós-independência, tendo sido um dos Treinadores da Escola Nacional de Judo, a par dos saudosos Cândido Cabral “Tchias” e João Manuel Jacob Leite de Magalhães, quiçá, conhecedor profundo das dificuldades pelas quais passam atletas de modalidades como o Judo, na Guiné-Bissau.

A nossa Taciana Lima Baldé está em contagem decrescente para os Jogos Olímpicos – Rio 2016 e precisa do apoio de todos nós. Independentemente do montante que cada um puder disponibilizar, importa ter presente a visão e os ensinamentos de Madre Teresa de Calcutá, na mesma perspectiva do apoio de cada um de nós à nossa Taciana Lima Baldé. “Eu sei que o meu trabalho é uma gota no oceano, mas sem ele o oceano seria menor.” Madre Teresa de Calcutá

O convite em jeito de desafio está lançado.

Vamos apoiar Taciana Lima Baldé!

Fernando Casimiro (Didinho) 07.06.2016

Ex-Treinador da Escola Nacional de Judo da Guiné-Bissau

Participante no Estágio Internacional da União Africana de Judo para Treinadores e Árbitros de Judo – Argel 1981

Atleta internacional pela Guiné-Bissau no Torneio Internacional de Judo da Zona 2 da África Ocidental – Dakar 1981


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Saiba mais sobre Taciana Lima Baldé

Judoca Taciana Baldé conquista medalha de ouro e sagra-se tetracampeã africana –http://www.odemocratagb.com/judoca-taciana-balde-conquista-medalha-de-ouro-e-sagra-se-tetracampea-africana/

Paulo Gomes and Partners apoiam Taciana Lima Baldé –  http://www.pgandpartners.com/#!sponsoring/c1djk

Hermenegildo Lamba apoia Taciana Lima Baldé através da sua empresa Krioulo Flavour http://kriouloflavour.bigcartel.com/

Judoca que trocou Brasil pela Guiné-Bissau entre os melhores do mundo – http://www.dw.com/pt/judoca-que-trocou-brasil-pela-guin%C3%A9-bissau-entre-os-melhores-do-mundo/a-16798342

Grande Entrevista GTV – Taciana Lima Baldé https://www.youtube.com/watch?v=n8ZOcIFgiwA

Breve análise sobre os Partidos Políticos

Os Partidos Políticos devem trabalhar permanentemente as suas ideologias, tendo em conta a identificação dos seus membros com a ideologia que os sustenta e orienta, visando sobretudo a conquista e o exercício do poder, em nome e ao serviço do Povo.

Essa identificação permite clarificar até que ponto há ou não assimilação da causa partidária por parte dos militantes (tendo em conta as linhas mestras constantes nos respectivos Estatutos, ou nos seus programas e manifestos eleitorais) e em função dos dados recolhidos, tirar ilações e tomar medidas correctivas se for o caso.

A melhor forma de se incutir a disciplina num Partido político ou em qualquer organização, passa pelo exemplo de quem dirige.

Quem dirige deve ser o primeiro a respeitar os Estatutos e a transmitir aos demais a necessidade desse respeito.

Quem dirige deve ser o primeiro a respeitar os demais, para que deles também receba respeito, mereça confiança e apoio na sua liderança.

A unidade na diversidade, tendo em conta o respeito pelo pluralismo de opinião no seio dos Partidos Políticos, deve ser encarada como vector principal na democratização interna dos próprios Partidos Políticos.

Não podemos falar de Estado Democrático quando os Partidos Políticos não se regem por práticas democráticas.

A penalização ainda que conste nos Estatutos deve ser considerada e aplicada apenas em casos extremos, pois que, o erro de qualquer um deve merecer avaliação, tendo em conta o princípio da recuperação da pessoa e o reforço da unidade no seio do Partido e não a sua fragmentação, através de “alas”.

Os Partidos Políticos devem investir no reforço de capacidades dos seus militantes/dirigentes, bem como na promoção dum ambiente de respeito, confiança e colaboração permanentes.

Trabalhar o Partido apenas face a conjunturas internas adversas não é a melhor forma de fortalecer os mecanismos estruturantes do Partido, nem de promover a necessária harmonização dos seus membros.

Positiva e construtivamente.

Didinho 21.12.2015

O papel dos blogs na Guiné-Bissau: ontem, hoje e amanhã

Escrever ou falar sobre blogs implica necessariamente escrever e falar sobre sites, ainda que de forma sucinta, para uma melhor compreensão do significado quer dum quer doutro, bem como do que os distingue, tendo em conta a natureza e o conceito base que lhes é comum, ou seja, a alocação e disponibilidade de ambos no espaço Web.

Um blog é um tipo de site de natureza pessoal (ao alcance de qualquer interessado já que não requer conhecimentos técnicos para a sua construção, por ser disponibilizado com todas as ferramentas e orientações pelo fornecedor de serviço) com características e particularidades próprias que lhe permitem ser uma página dinâmica, interactiva e cujo conteúdo pode ser rapidamente e facilmente actualizado.

Um site numa perspectiva tradicional e abrangente é um conjunto de páginas alocadas no espaço Web onde existe uma página principal/inicial que se relaciona com várias outras ditas sub-páginas ou secções. Por ser mais complexo que o blog requer conhecimentos técnicos para a sua construção. Ainda que possa ser de cariz pessoal, um site pela amplitude do seu conteúdo, quiçá, pelas suas características e particularidades assume maior relevo para assumir o papel de uma plataforma de natureza institucional ou corporativa.

A evolução das tecnologias no âmbito da criação de ferramentas para construção de sites e blogs tem contribuído para uma complementaridade cada vez mais frutífera na utilização gratuita quer de blogs quer de sites e na disponibilização de mais e melhores meios/mecanismos de comunicação entre produtores e consumidores de conteúdos.

Para uma abordagem conceitual mais ampla sobre blogs e sites sugiro-vos a leitura dos seguintes links:

Blog
Site
Entrando concretamente no tema proposto “O papel dos blogs na Guiné-Bissau: ontem, hoje e amanhã” importa salientar antes de mais, e independentemente de todo e qualquer tipo de juízo contrário, a importância quer dos blogs quer dos sites na ligação dos guineenses ao mundo global, por um lado, e à própria Guiné-Bissau por outro, sobretudo a partir de 2003 aos dias de hoje.

Para esta abordagem debruçamos sobre um Projecto de Cidadania criado em 10 de Maio de 2003 designado como “Projecto Guiné-Bissau CONTRIBUTO”, idealizado e dirigido por Fernando Casimiro (Didinho) como uma estrutura virtual devidamente fundamentada tendo em conta as causas que motivaram a sua criação por um lado e, por outro, a definição de uma declaração onde estabelece uma visão, uma missão e objectivos fundamentais do Projecto.

Ainda que o Projecto CONTRIBUTO tenha sido criado em Maio de 2003 só a 26 de Maio de 2004 é que foi lançado o seu primeiro site na Internet através do portal Sapo http://didinho.no.sapo.pt

Na ausência duma plataforma própria, a forma encontrada para transmitir a mensagem, os objectivos etc. foi a de utilizar espaços públicos de opinião na Internet.

As únicas portas abertas eram os fóruns de discussão existentes nalguns sites que, no entanto, e apesar de várias solicitações nesse sentido, nunca aceitaram publicar nenhum texto de opinião do fundador do Projecto Guiné-Bissau: CONTRIBUTO nos espaços reservados à publicação de artigos de opinião.

Naquela altura (2003) havia poucos sites que abordavam assuntos da África lusófona pese embora haver desde a década de 90 umas poucas plataformas de serviço às comunidades (destaco o Notícias Lusófonas criado em 1997) que funcionavam tipo jornais digitais, disponibilizando conteúdos informativos bem como fóruns de discussão para as diversas comunidades lusófonas e, onde por exemplo, vários guineenses e amigos da Guiné-Bissau compartilharam notícias e vivências do conflito militar de 1998/9.

Em 2003 havia um jornal digital, o Africanidade, que tinha algo mais e melhor que a maioria dos espaços virtuais da lusofonia e que serviu de “montra” para a divulgação dos trabalhos do Projecto CONTRIBUTO através do seu fórum de discussão. De referir que da equipa fundadora do Africanidade faziam parte 2 jovens da Guiné-Bissau: Watna Almeida e Karan Dabó, bem como outros doutras nacionalidades/origens. Teve sucesso como órgão de comunicação social que era e acabou por ser vendido, redundando num posterior fracasso e desaparecimento.

Com o lançamento em Maio de 2004 do site do Projecto Guiné-Bissau: CONTRIBUTO lançou-se igualmente a semente que iria promover a proliferação de espaços virtuais sobre a Guiné-Bissau, para lá da visão, missão e objectivos definidos e estabelecidos estrategicamente pelo fundador do CONTRIBUTO.

Em 2003 o Google adquiriu o Blogger a maior plataforma gratuita para criação de blogs o que permitiu que milhões de usuários de contas do Google aproveitassem a onda de euforia da nova moda que eram os blogs, para criarem seus espaços pessoais para os fins a que se propunham.

Foi dessa forma também que surgiram os primeiros blogs focados na Guiné-Bissau, contudo, exceptuando os jornalistas Umaro Djau e António Aly Silva, que sabiam concretamente o que queriam com a criação dos seus blogs, a maioria que surgiu muito depois navegava na onda da euforia de que, se fulano tem um site ou um blog eu também posso ter.

O certo é que a Guiné-Bissau e os guineenses beneficiaram e de que maneira com o surgimento das plataformas virtuais, sobretudo no preenchimento de múltiplas lacunas de obrigação do Estado para com os cidadãos, por exemplo, no âmbito da informação e divulgação de assuntos de interesse público.

Basta vermos que nos dias de hoje, em finais de 2015 há blogs e sites que noticiam, informam, divulgam e promovem tudo e mais alguma coisa como se estivessem ao serviço das instituições do Estado.

O site www.didinho.org do Projecto Guiné-Bissau CONTRIBUTO foi idealizado numa perspectiva funcional de usufruir de todas as particularidades de um site mas também, das funcionalidades e características de suporte de um blog. É que apesar do Projecto CONTRIBUTO ter uma orientação pessoal, não é uma plataforma de cariz pessoal e isso é evidente na vertente comunitária das suas diversas secções temáticas e na extensa lista dos seus colaboradores.

Um site dinâmico, com actualizações frequentes, com várias ferramentas de interacção entre colunistas e leitores que manifesta a razão da criação do Projecto e declara a sua visão, a sua missão e os seus objectivos.

Os blogs e os sites ajudaram a resgatar a memória colectiva, mas também, a levar a Guiné-Bissau e as suas realidades ao Mundo através da Internet.

Através de blogs e sites guineenses foram desenvolvidos trabalhos sérios, sustentados e consistentes tendo em conta a participação cidadã na mudança necessária para acabar com as ditaduras, as guerras e as instabilidades, por um lado e, criar condições para a afirmação da democracia, da paz, da estabilidade e o desenvolvimento, por outro.

Diria através da minha experiência e vivência que os blogs e sites sobre a Guiné-Bissau (importa referir que não só cidadãos guineenses criaram essas plataformas, mas também vários amigos da Guiné-Bissau de várias nacionalidades) funcionaram bem e numa perspectiva de todos e cada qual à sua maneira, servirem a Guiné-Bissau e os guineenses, até que os “donos” do poder começaram a ver a Força que essas plataformas constituíam, tornando-se (na maneira de ver deles) numa ameaça para os seus fins de se servirem da Guiné-Bissau ao invés de a servirem.

Em 2005 com o regresso do General João Bernardo Vieira ao poder na Guiné-Bissau começou a era de ameaças de morte aos administradores e aos colunistas de blogs e sites, complementada com uma estratégia de denigração de imagem dos mesmos, com a cumplicidade de anónimos e personalidades conhecidas da praça de Bissau que aproveitavam os mesmos espaços virtuais existentes para esses fins.

Os “donos” do poder tinham dado conta que a sociedade guineense estava a despertar por via da sensibilização, da consciencialização e da participação cidadã através das plataformas virtuais.

Digamos que de 2005 a 2014 os principais blogs e sites focados na Guiné-Bissau foram encarados por diversos actores, entre políticos, governantes e militares como sendo mecanismos capazes de causar agitação social no país dada a forte vertente de intervenção social e política que os caracterizava.

Por via disso, das várias estratégias elaboradas para destruir as plataformas virtuais inconvenientes para esses actores do poder, sem resultados concretos, houve uma estratégia que conseguiu ainda assim, alguns resultados: a estratégia da intriga que dividiu e fragmentou blogs e sites e, consequentemente, aproximou editores de blogs e sites aos “donos” do poder, resultando dessa aproximação, um “contrato” de prestação de serviços com contrapartidas várias.

Foi assim que se sucederam várias disputas de protagonismo promovidas por intrigas encomendadas, para desgastar e desacreditar este ou aquele, a fim de sair de cena com a sua plataforma virtual.

Assistimos a situações de autêntica venda de consciência de proprietários de alguns blogs que ora estavam a favor deste e contra aquele e vice-versa.

Novos blogs e sites foram criados, promovidos e sustentados financeiramente, pelos “donos” do poder para a defesa dos seus interesses e como arma de arremesso contra os designados “inimigos da Guiné-Bissau”.

Mesmo chegados à reposição da normalidade constitucional com as eleições presidenciais e legislativas de 2014 continuamos a assistir a um aproveitamento dos blogs pelas instâncias do poder nas suas disputas de protagonismo.

Ei-los como forças beligerantes de um exército fraccionado. Uns e outros com fulano ou beltrano como Comandante em Chefe…

Transformaram-se naquilo que se costuma dizer “carne para canhão”.

Os blogs deixaram de ser coerentes e de estar ao serviço da Guiné-Bissau e dos guineenses, nos moldes em que “nasceram”; os seus propósitos passaram a ser apenas a satisfação dos interesses dos seus proprietários em função das solicitações que recebem deste ou daquele, para este ou aquele fim. Chegam mesmo a promover os piores cenários para a Guiné-Bissau, porque há quem lhes orienta nesse sentido a troco de contrapartidas várias.

Volvidos 12 anos da era virtual continuada de blogs e sites focados na Guiné-Bissau, os poucos sobreviventes não precisam mais de se darem a conhecer, pois o tempo encarregou-se de os identificar, definir e caracterizar.

Ainda assim, apesar das evidências do descrédito e da perda de influência dos blogs junto das comunidades guineenses, o certo é que o país continua a ter poucas estruturas de informação e comunicação capazes de disponibilizar de forma rápida notícias e todo o tipo de informações de interesse público tal como os blogs conseguem disponibilizar, ainda que de forma dúbia e muitas vezes, de forma irresponsável. Por isso e dada a estagnação generalizada do país, estou em crer que os blogs e sites vão ressuscitando ainda por largos anos na Guiné-Bissau.

As redes sociais, sobretudo a utilização do Facebook por milhares de guineenses em todo o mundo também tem contribuído imenso para a queda de popularidade e influência dos blogs e dos sites. O Facebook consegue ser mais versátil, mais acessível à edição e publicação de textos/mensagens; mais rápido na partilha de qualquer assunto do que os blogs e sites, permitindo uma maior e melhor interactividade entre os usuários.

Nos dias que correm também assistimos ao facto de blogs e jornais guineenses online passarem dias e dias sem assuntos da Guiné-Bissau para reproduzirem nos seus espaços, recorrendo frequentemente a Agências de Notícias estrangeiras para a obtenção de notícias, inclusive sobre a própria Guiné-Bissau, para partilhar.

Sendo um dos pioneiros da era dos blogs e sites focados na Guiné-Bissau, sinto orgulho por tudo de positivo que conseguimos realizar e continuaremos a realizar, em prol da Guiné-Bissau e dos guineenses ,mas também sinto tristeza pela via que alguns proprietários de blogs decidiram seguir, em prol dos seus interesses pessoais. Não quero com isto dizer que não pudessem usar suas plataformas para actividades lucrativas de âmbito empresarial/corporativo. Apenas acho que não deviam e não devem continuar a usar os seus espaços para viverem à custa da Guiné-Bissau e dos guineenses, muitas vezes, promovendo intrigas e instabilidade, pondo em causa a paz e a unidade nacional.

Didinho 03.12.2015

Este trabalho foi proposto pela Rádio Jovem

Projecto Guiné-Bissau: CONTRIBUTO – UMA RECAPITULAÇÃO NECESSÁRIA

O meu regresso a Bissau vinte e sete anos depois (1)

Os guineenses devem, definitivamente, deixar de lado todas as disputas pelo poder, motivadas por ambições desmedidas com base em interesses pessoais ou de grupos, e juntar esforços, vontades, sensibilidades, capacidades, conhecimentos, experiências, determinação, honestidade e humildade, se de facto, ainda querem resgatar um país em ruínas, quiçá, à beira da falência administrativa do Estado, de tão abandonado e maltratado que tem sido, sobretudo, a partir do golpe de Estado de 14 de Novembro de 1980 aos dias de hoje.

Do que vi por estes dias em Bissau, confesso que não estava preparado para encarar e encaixar o que se diz por todo o lado na Guiné-Bissau, ser a “nossa” realidade…

Sei que estão todos ansiosos e expectantes para saberem como foi um regresso vinte e sete anos depois!

A Comunicação Social guineense e outras, não se interessaram por um regresso anunciado de um filho da terra que, humildade à parte, tem feito alguma coisa pela Guiné-Bissau, e que estando fora do país há 34 anos, a última vez que visitou a Guiné-Bissau foi há 27 anos…

Estou a trabalhar, continuarei a trabalhar nos próximos dias ou semanas sobre a minha visita à Guiné-Bissau e quando tiver tudo pronto, terão oportunidade de conhecer esse trabalho que visa reunir registos de memórias presenciais e vivenciais, de 3 períodos históricos (por mim vivenciados) que passam a ser comparativos, numa perspectiva de transmissão de um legado, também histórico, capaz de demonstrar, dar a conhecer e educar, sobretudo os nossos jovens nascidos depois do golpe de Estado de 14 de Novembro de 1980 no sentido de que, a NOSSA REALIDADE; a REALIDADE GUINEENSE, não se identifica, nem de perto, nem de longe, com o que hoje se “apresenta” como sendo o nosso país; a nossa cultura e a nossa realidade, isto, porque alguns assim querem que passe a ser.

Temos obrigação, enquanto guineenses que viveram o período colonial; o pós independência e o primeiro golpe de Estado na Guiné-Bissau, ou seja, aqueles que vivenciaram três períodos de referência marcante, por isso, de necessidade comparativa, de fazermos a nossa parte, de partilharmos as nossas memórias e deixar um manual de leitura, de consulta e pesquisa, aos nossos jovens e a todos quantos, nos dias de hoje, aprenderam a conhecer a Guiné-Bissau de uma certa vivência de luxo, no lixo…quando também já houve uma Guiné-Bissau de pobreza, mas na dignidade…!

Didinho 24.09.2015

Nota: Viajei para Bissau a 16 de Setembro e regressei a Portugal a 24 de Setembro.

Foto de Fernando Casimiro.
Foto de Fernando Casimiro.
Foto de Fernando Casimiro.
Foto de Fernando Casimiro.