ONDE ESTÁ A LIGA GUINEENSE DOS DIREITOS HUMANOS?!

ONDE ESTÁ A LIGA GUINEENSE DOS DIREITOS HUMANOS?!

Onde está a Liga Guineense dos Direitos Humanos, para passar a mensagem às pessoas suspeitas e devidamente contactadas pelas autoridades sanitárias da Guiné-Bissau, relativamente ao coronavírus, no intuito de aceitarem fazer os testes de despistagem?

É mais fácil condenar a acção policial face às medidas restritivas e preventivas decretadas em função do estado de emergência, visando proteger a vida de todos, do que sensibilizar ou repudiar o desrespeito pela vida de todos, por quem é suspeito de poder estar infectado, e, ou, ser foco de transmissão/infecção, da doença?

E se o Estado da Guiné-Bissau decidir agir de forma mais dura contra quem põe em causa a Saúde Pública, quiçá, a Vida de Todos, o que dirá a Liga Guineense dos Direitos Humanos?

Certamente, e por via dos seus posicionamentos politizados, condenará as decisões das autoridades, que visam salvar Vidas, através do respeito de cada ser humano, pela salvaguarda da sua Vida, como factor extensivo para a salvaguarda de Todas as Vidas, num contexto de Pandemia.

É que desde há uns dias que os apelos têm sido lançados e o que se tem verificado é um aumento de número de suspeitos com Coronavírus a recusar fazer o teste, ficando a Liga Guineense dos Direitos Humanos em silêncio, quando poderia sensibilizar e condenar esse comportamento irresponsável e criminoso daqueles que foram orientados no sentido de serem testados.

A Missão da Liga Guineense dos Direitos Humanos não é apenas criticar decisões ou actuações das entidades estatais, mesmo quando contêm lacunas, mas sim, proteger o essencial dos Direitos Humanos e Fundamentais da pessoa humana, e esse ESSENCIAL, é a VIDA HUMANA!

Que a Liga Guineense dos Direitos Humanos, mesmo ficando em casa, faça o seu trabalho de sensibilização, informação e consciencialização das nossas populações, para ajudar a SALVAR VIDAS!

A Liga Guineense dos Direitos Humanos deveria ser um PARCEIRO das autoridades nacionais, sobretudo nesta fase em que nada importa, que não SALVAR VIDAS, e não um adversário das autoridades, sejam quais forem, que dirigem a Guiné-Bissau, visando a prevenção e o combate ao COVID-19!

Positiva e construtivamente.

Didinho 19.04.2020

COVID 19 EM FACE DO IMPACTO SOFRE OS AGENTES ECONÓMICOS INFORMAIS NA GUINÉ-BISSAU

“COVID 19 EM FACE DO IMPACTO SOFRE OS AGENTES ECONÓMICOS INFORMAIS NA GUINÉ-BISSAU”

Por: Santos Fernandes

Na maioria das análises feitas, em decorrência da pandemia de coronavírus, quer sejam (social, sanitária, económica, política) ou talvez (ambiental), vê-se uma certa similitude nas diferentes abordagens.

Porém, no nosso país – Guiné-Bissau – existe uma camada social da população guineense que constitui cerca de 52% da população (as mulheres) que, efetivamente, sente e sentirá, na sua própria pele, os efeitos imediatos e diários das medidas restritivas impostas para o combate a pandemia pelas autoridades políticas.

Até porque, qualquer quarentena é sempre discriminatória, mas difícil para uns grupos sociais do que para outros e impossível para um vasto grupo de cuidadores, cuja missão é tornar possível a quarentena ao conjunto da população (refiro-me especificamente às nossas “bideras”).

São os grupos que têm em comum padecerem de uma especial vulnerabilidade que precede a quarentena e se agrava com ela. Tais grupos constituem aquilo que chamo – “verdadeiras empreendedoras guineenses e principais agentes de atividades geradoras de rendimento às da famílias guineenses”.

Disponho-me analisar, com atenção, a quarentena a partir daquelas mulheres que, a meu ver, mais tem sofrido com estas mudanças económicas e sociais que se impõem depois de terminar a quarentena.

As mulheres guineenses: A quarentena será particularmente difícil para as mulheres e, nalguns casos, pode mesmo ser “perigosa” e “dolorida”.

As mulheres são consideradas “cuidadoras do mundo”, dominam na prestação de cuidados dentro de e fora das famílias.

Dominam em profissões como enfermagem ou assistência social, que estarão na linha de frente da prestação de cuidados a doentes e idosos dentro e fora das instituições. Não se podem defender com uma quarentena para poderem garantir a quarentena de outros.

São elas também que continuam a ter a seu cargo exclusiva ou maioritariamente, cuidando das famílias. Poderia imaginar-se que, havendo mais braços durante a quarentena em casa, as tarefas poderiam ser mais distribuídas. Suspeito que assim não será em face do machismo que impera e, quiçá, se esforça em momentos de crise e de confinamento familiar. Com as crianças e outros familiares em casa durante 24 horas, o stress será maior e certamente recairá mais nas mulheres.

Por outro lado, é sabido que a violência contra as mulheres tende a aumentar em tempos de crise (i.e. na Guiné-Bissau nem o transporte público que facilitasse a circulação das bideras foi salvaguardado ou poupado, fazendo com elas percorressem diariamente milhares de quilómetros, de Prábis, Cumura, Bôr ou Safim à Bissau, vendendo “kusassinhus” e o pão nosso de cada dia da esmagadadora maioria da nossa população).

Uma boa parte dessa violência ocorre no espaço doméstico. O confinamento das famílias em espaços exíguos (muito pequeno) e sem saída pode oferecer mais oportunidades para o exercício da violência contra as mulheres.

Os trabalhadores de rua: Os trabalhadores de rua são um grupo específico dos trabalhadores precários. Os vendedores ambulantes, “kodikaduris” e “kulkaduris” para quem o “negócio”, isto é, a subsistência, depende exclusivamente da rua, de quem nela passa e da sua decisão, sempre imprevisível para o vendedor, de parar e comprar.

De algum muito tempo para cá (com o advento dos efeitos do programa de ajustamento estrutural, imposto pelas instituições de Bretton Woods, nos anos 1980) que essa gente, sobretudo, os jovens guineenses, mais de 60% da população,
vive de pequenos negócios informais.

Quem tem fome não pode ter veleidade de comprar sabão, água ou lixívia a preços que começam a sofrer o peso da especulação (inflação galopante acima de 3%).

Os trabalhadores precários, informais, ditos autónomos: O que significará a quarentena para estes trabalhadores (i.e. condutores de táxis, toca-toca, intermédios de negócio da castanha-de-cajú, etc) que tendem a ser mais rapidamente despedidos sempre que há uma crise económica?

O setor de serviços (restauração, turismo, cafés, entre outros) onde abundam, será uma das áreas mais afetadas.

Na Guiné-Bissau, segundo dados de UNCTA (2015), cerca de 50% da economia guineense é informal e a par desse dados a ONU Habitat considera que cerca de 1,6 mil milhões de pessoas não têm habitação adequada e 25% da população mundial vive em bairros informais, sem infraestruturas, nem saneamento básico, sem acesso a serviços básicos públicos com escassez de água e eletricidade.

Em suma, a pandemia provocará efeitos imediatos nas nossas vidas, mas esses efeitos serão sentidos, principalmente e fundamentalmente, no segmento informal da sociedade guineense, dada à especificidade da nossa economia que é fortemente vulnerável a choques exógenos e estruturalmente dependente da monoprodução de commodities (castanha-de-cajú).

Apenas uma opinião!

Bissau, 20 de Abril de 2020.

Referência:
“A Cruel Pedagogia do Vírus”. Santos, Boaventura de Sousa. Almedina. Abril 2020. p. 12-13

CONTRAIR O CORONAVÍRUS NÃO É SINÓNIMO DE VERGONHA OU DESONRA

CONTRAIR O CORONAVÍRUS NÃO É SINÓNIMO DE VERGONHA OU DESONRA
Todos nós, seres humanos, somos potenciais alvos de infecção/contaminação pelo coronavírus, sendo igualmente, potenciais veículos de transmissão e propagação da doença.
Ninguém procura a doença, ninguém quer ficar doente, seja pelo que for, e muito menos, pelo coronavírus!
Contrair o coronavírus não é sinónimo de vergonha ou desonra, por isso ninguém tem necessidade de justificar seja o que for, mesmo quando um familiar, um amigo, ou conhecido estão infectados ou morrem de coronavírus.
Foram decretadas medidas restritivas e preventivas em todo o Mundo, visando impedir a propagação da doença, quiçá, combatê-la.
Mesmo sabendo que muitos erros foram ou continuam a ser cometidos, e que tem havido muita negligência, não só por parte dos órgãos com poderes de decisão a nível mundial, mas também, de populações de todo o Mundo, que ignoram as campanhas de sensibilização e informação, bem como as medidas de emergência decretadas, temos que continuar a cumprir com as medidas estabelecidas, assumindo cada um, de forma séria, a responsabilidade em cuidar de si, por forma a cuidar de todos!
No caso concreto da Guiné-Bissau, não é segredo para ninguém que o nosso país tem sérias carências estruturais e infra-estruturais em todos os sectores do desenvolvimento social, e sobretudo, a nível da Saúde e da Educação.
Não adianta que responsáveis das Comissões criadas para combater o coronavírus venham dizer publicamente que a Guiné-Bissau tem tudo, a nível de equipamentos e kits de testes laboratoriais, e está a fazer tudo o que países mais avançados do mundo têm e estão a fazer no combate à pandemia COVID-19.
Não é altura de culpar ninguém pelo estado em que se encontra o nosso Estado, e sobretudo, o nosso sector de Saúde, mas também, não é altura de populismos, assentes em afirmações, comparações e justificações desnecessárias e descabidas, visando escamotear a realidade Sanitária e Social do nosso Estado.
Temos assistido através das Conferências diárias sobre Covid-19 na Guiné-Bissau, à passagem de informações sobre os dias em que a equipa de realização e recolha de testes se desloca para outras regiões, o que inviabiliza a elaboração de outros dados de realização, recolha, análise e processamento de testes, por exemplo, em Bissau, a capital. Isso é demonstrativo de que não temos meios logísticos e humanos suficientes para fazer testes, suas recolhas, análises e processamentos de dados nas diversas regiões do país, no mesmo dia, e a consequente divulgação pública dos dados processados. Pelo menos é esta a leitura que faço, ainda que possa estar equivocado.
Voltando à doença e às medidas restritivas e preventivas decretadas, importa que cada um cumpra a sua parte, respeitando essas medidas, pois que, vencer a doença ou continuar à mercê dela e dos seus efeitos catastróficos em todos os domínios de nossas vidas, depende de cada um de nós, em primeira instância, e não de uma maioria, por arrastamento, pois a doença é PESSOAL e TRANSMISSÍVEL!
Cada um de nós sim, para que haja um TODO a cumprir com as medidas decretadas, recomendadas, para se evitar o efeito de contágio em cadeia e assim, vencermos o coronavírus.
Cada um de nós deve respeitar as recomendações para fazer o teste, caso seja suspeito de poder ter contraído o coronavírus, ou de ter estado com alguém que tenha sido diagnosticado com a doença, ou que tenha falecido por coronavírus ou cuja morte é suspeita disso; isto, porque na Guiné-Bissau, muita gente morre e ninguém sabe a causa da morte (autópsias…?) e é logo feito o funeral, muitas vezes nos terrenos anexos às suas residências e sem conhecimento das autoridades de saúde.
Temos que ser mais realistas na forma de encarar a doença, e mais tolerantes para com o pessoal de saúde e todos quantos voluntariamente também têm dado corpo e alma nas diversas frentes de combate ao coronavírus na Guiné-Bissau!
Infelizmente, a doença é mortal e é uma Realidade Global, inclusive, na Guiné-Bissau!
Não assumir a existência da doença na Guiné-Bissau, ou onde quer que seja, é o primeiro grande erro de cada um, para se salvar  a si e ajudar a salvar todos os demais!
Cuide de si, por forma a cuidar de todos! 
Positiva e construtivamente.
Didinho 17.04.2020

A INSUSTENTÁVEL DECISÃO DE FECHAR A CLÍNICA MADRUGADA 

A INSUSTENTÁVEL DECISÃO DE FECHAR A CLÍNICA MADRUGADA

Foi uma enorme surpresa, a notícia do fecho temporário da Clínica Madrugada, ainda por cima pelas razões evocadas. E se fosse o hospital Simão Mendes ou militar?

Iam tomar a mesma decisão?

Isso só aconteceu porque a nossa gente, ou uma boa parte das nossas autoridades administrativas ainda pensa que a clínica Madrugada é estrangeira. Não é verdade, ela é uma instituição sanitária criada por guineenses, para guineenses e gerida por guineenses.

Num momento em que em toda a parte do mundo, estão a aproveitar as instalações sanitárias que existem para criar melhores condições e mecanismos para lutar contra o COVID-19, nós na Guiné-Bissau ainda estamos a lutar por protagonismos.

Será que temos noção e consciência de quantos dos nossos compatriotas morrem por dia por causa da insuficiência respiratória?

Quantos morrem por problemas ligados a pneumonia aguda e por aí fora?

E porque razões a clínica iria negar atender um paciente que procure os seus serviços?

A clínica Madrugada para quem não sabe, é das poucas que oferece condições higiénicas a roçar a excelência no país, e das poucas que presta serviços de atendimento e tratamento em várias áreas sanitárias de qualidade. Para além de prestar serviços sociais às populações, como fornecimento de água potável às famílias que vivem ao redor, tem um campo para a prática de futebol (aliás esse espaço poderia muito bem ser aproveitado para se instalar tendas de acolhimento de pacientes de COVID-19); tem escola desde jardim de infância, primária até secundária, desenvolve agricultura e fabrica pão para a cidade de Bissau, sem ignorar que é único lugar que produz oxigénio e o fornece a todas as outras instalações sanitárias do país.

A Comissão que foi criada para seguir, monitorar e acompanhar a evolução do coronavírus, a que aplaudimos, necessita o mais urgente possível rever essa sua decisão a bem do país. É hora de unirmos as forças e não de nos separarmos por detalhes de coisas.

Fica o conselho de um patriota convito, que conhece de perto a realidade da Clínica Madrugada, e já foi curado de uma profunda pneumonia nesse lugar por médicos e enfermeiros, altamente competentes e profissionais, e que gosta de ver a colaboração e a cooperação institucional a funcionar em lugar de disputas de protagonismo.

Para o bem do país.

Alfredo Handem

14.04.2020

A RAZÃO NEGRA: o passado, o presente e as incertezas do futuro

A RAZÃO NEGRA: o passado, o presente e as incertezas do futuro

Numa altura que o mundo se depara com a pandemia COVID 19 que tem provocado a morte de milhares de seres humanos, em todos os cantos da terra.
Tristemente, constata-se denúncias de casos de discriminação de certas pessoas ou de grupo de países contra os africanos ou pessoas de origem “afro”, nomeadamente a China, país com o qual a maioria dos países africanos tem relação comercial, quiçá, histórica.
Houve inclusivamente “cientistas franceses” que advogam o uso de negros como “cobaias” para primeiras despistagens de novas vacinas.
Ora, estes “pequenos” ensaios e ataques aos negros, me levou à uma longa viagem aos textos do eminente ACHILLE MBEMBE.
Numa primeira instância, a razão negra consiste num conjunto de vozes, anunciados e discursos, saberes, comentários e disparates, cujo objeto é a coisa ou as pessoas “de origem africana” e aquilo que afirmamos ser o seu nome e a sua verdade (os seus atributos e qualidades, o seu destino e significações enquanto segmento empírico do mundo). Composta por múltiplos estratos, esta razão data da antiguidade, pelo menos. As suas fontes gregas, árabes ou egípcias, até chinesas, originaram muitos trabalhos.
A idade moderna é, no entanto, um momento decisivo para a sua formação, devido, por um lado, às narrativas dos viajantes, exploradores, soldados e aventureiros, missionários e colonos e, por outro lado, à elaboração de uma “ciência colonial”, na qual o “africanismo” é o último patamar.
Toda uma gama de intermediários e de instituições, tais como sociedades eruditas, exposições universais, coleções de amadores de “arte primitiva”, colaborou, na devida altura, na constituição desta RAZÃO NEGRA e com a sua transformação em senso comum ou em “habitus”.
Tal razão não passa de um sistema de narrativas e de discursos pretensamente conhecedores. É também um reservatório, ao qual a aritmética da dominação de raça vai buscar os seus álibis. A preocupação com a verdade não lhe será alheia. Mas, a sua função é, antes de mais, codificar as condições de seguimento e de manifestação da questão da raça, à qual chamaremos o Negro ou, mais tarde e já no tempo colonial, o Indígena “Quem é ele?”.
“Como o reconhecemos?”.
“O que o diferencia de nós?”.
“Poderá tornar-se nosso semelhante?”.
“Como governá-lo e para que fins?”.
Neste contexto, a RAZÃO NEGRA designa tanto um conjunto de discursos como de práticas – um trabalho quotidiano que consistiu em inventar, contar, repetir e pôr em circulação fórmulas, textos, rituais, com o objetivo de fazer acontecer o NEGRO enquanto sujeito de raça e exterioridade selvagem, passível, a tal respeito, de desqualificação moral e de instrumentalização prática. Chamemos, a este texto primeiro, “consciência ocidental do negro”.
Procurando responder à questão “Quem é?”, esforça-se para nomear uma realidade que lhe é exterior e que ele tende a situar relativamente a um eu tido como centro de qualquer significação. A partir desta posição, tudo o que não é idêntico a si, apenas pode ser anormal (i.e a mídia brasileira em matéria de COVID 19 praticamente não fala de casos africanos, em maior ou menor graus, serà por que tem havido até agora poucas “mortes” no continente negro?
A segunda escrita apresenta alguns traços distintivos, que devem sucintamente recordar-se. Em primeiro lugar, o esforço por instaurar um arquivo. Um arquivo é, sabemo-lo, indispensável para restituir os negros à sua história, mas é uma tarefa especificamente complicada. Na realidade, tudo o que os Negros viveram como história não tem forçosamente de ter deixado vestígios; e, nos lugares onde foram produzidos, esses vestígios não foram preservados. Assim, impõe-se saber: na ausência de vestígios e de fontes com factos historiográficos, como se escreve a história? Rapidamente começou a criar-se ideia de que a escrita da história dos Negros só pode ser feita com base em fragmentos, convocados para relatar uma experiência em si mesma fragmentada, a de um povo pontilhado, lutando para se definir não como um compósito absurdo, mas como uma comunidade cujas manchas de sangue são visíveis em toda a modernidade.
No ocidente, a realidade é a de um grupo composto por escravos e homens de cor livres que vivem, na maior parte dos casos, nas zonas cinzentas de uma cidadania nominal, no meio de um estado que, apesar dr celebrar a liberdade e a democracia, é, fundamentalmente, um estado esclavagista.
O gesto histórico por excelência consistirá doravante em passar do estatuto de escravo ao de cidadão “como os outros”.
O horizonte é a participação plena e inteira na história empírica da liberdade – uma liberdade que não é divisível, no seio de uma “humanidade global”. Esta é, portanto, outra vertente da RAZÃO NEGRA – aquela em que a escrita procura conjurar o demônio do texto primeiro e a estrutura de submissão que ele carrega; aquela em que essa mesma escrita luta por evocar, salvar, ativar e reatualizar a sua experiência originária (a tradição) e reencontrar a verdade de si, já não fora de si, mas a partir do seu próprio território.

Santos Fernandes

Fonte: CRÍTICA DA RAZÃO NEGRA, ACHILLE MBEMBE, ANTÍGONA, Março 2017.

LUZ AO FUNDO DO TÚNEL?

LUZ AO FUNDO DO TÚNEL?

Desde a nossa última abordagem, as coisas pioraram, principalmente em Nova Iorque. Infelizmente, como há muito que fazer em Las Vegas, não pude ir a Nova Iorque para ajudar os meus colegas intensivistas na frente da batalha.

O número de mortos em Nova Iorque tem muitas explicações, mas há duas explicações que importa salientar:

1 – A ideia descabida dos Afro-americanos de que o Covid-19 não afecta os Afro-americanos.

Infelizmente, a cruel realidade é que está a afectar esta comunidade, e de que maneira!

2 – Devido às condições socioeconómicas, as minorias são afectadas por doenças crónicas, como a diabetes e a obesidade!

Isto explica a alta mortalidade causada pelo coronavírus no seio dos Afro-americanos e dos Índios (nativos americanos).

Em Las Vegas, ainda não saímos do túnel, mas já vemos luz no fundo…

No primeiro relatório que fiz, falei do primeiro caso com COVID-19, doente que foi entubado no hospital (tinha que ser por um originário da Guiné – como diz a lenda, até que desenterrem o navio que foi enterrado na praça do império, a má sorte vai nos acompanhar até ao fim do mundo – Só a brincar! Nunca acreditei nesta lenda. O homem é o arquitecto do seu próprio destino!).

Este paciente, volvidos 30 dias, foi finalmente extubado por mim (acreditam no destino?).

Depois da extubação, telefonei à filha dele (sobrevivente do coronavírus), que definitivamente pediu um favor: para não lhe dizer que a mãe (a esposa do paciente) falecera há 2 semanas no nosso hospital, no quarto adjacente, vítima do coronavírus.

Há 2 dias, também extubei uma nossa enfermeira, vítima do Covid-19. Ela está bem e já está caminhando com o fisioterapeuta.

Tem sido uma aventura, não sei se a posso denominar de científica, tratar pacientes com Covid-19.  Entre experimentar com cloroquina, azitromicina, corticosteroides (uma semana sim, outra semana não), mudança no modo de usar o ventilador, usar ou não usar o BiPAP etc., finalmente parece que estamos a ter resultados positivos.

Todos os dias, temos discussões internas entre os intensivistas no nosso hospital e webinars e discussões via telefone com colegas do Columbia Presbyterian em NY, New Orleães, New Jersey, Harvard, Wuhan (China), Japan, the The Alfred hospital (Melbourne),etc.
Tudo para aprender e ensinar com experiências Individuais e colectivas.

É nestes momentos de crise que o melhor da humanidade vem acima: a solidariedade entre os profissionais de saúde; solidariedade e agradecimento aos profissionais de saúde; enfermeiras, médicos, arriscando a vida todos os dias …

A minha rotina, para não pôr a minha família em perigo: quando chego a casa, telefono ao meu filho ou à minha esposa, a partir da garagem, tiro o meu uniforme, ponho tudo num saco de plástico para lavar e vou imediatamente ao duche, sem falar com ninguém e sem tocar nada ou ninguém.

Todo o cuidado é pouco!

Alguns amigos têm telefonado e enviado fotografias horríveis da situação em Las Vegas!

Não, não estamos tão mal assim!

Fiquem descansados! A maioria das pessoas está bem e vamos derrotar este vírus!

Até breve.

Joaquim Silva Tavares – Djoca

Las Vegas 13.04.2020

Zona em frente ao hospital com entrada proibida a visitantes

Saiba mais sobre o  Professor Doutor Joaquim Silva Tavares

MOMENTOS POÉTICOS

COVID-19 ILAÇÕES

Sem a Natureza não há Nada!

Sem Pessoas não há Economia!

Preocupemo-nos pois

Com a Natureza

Com as Pessoas

E com a Economia…

Didinho 10.04.2020


A NOSSA DOR...

Quando souberes
Do que não padeço
E que me faz sofrer
Será provavelmente
A vez de eu saber
Do que não padeces
E que te fará sofrer
Entre a dor e a agonia
De ventos daqui e de acolá
Que nos despertam para a Vida
Na hora certa para a morte
Semeada e colhida a monte
Num chão colorido e paradisíaco
Feito mundo terra e pó
De mortais extra-terráqueos
Que nunca o amaram…

Didinho 06.04.2020

MÁSCARAS DE PROTEÇÃO NASAL E BUCAL, FAÇA VOCÊ MESMO. OS MENINOS DA SECUNDÁRIA TAMBÉM PODEM FAZER

MÁSCARAS DE PROTEÇÃO NASAL E BUCAL, FAÇA VOCÊ MESMO.

OS MENINOS DA SECUNDÁRIA TAMBÉM PODEM FAZER

Três condições são precisas para começar a fazer máscara de proteção nasal e bucal, a saber: ter claro os objetivos que se pretende com elas, escolher os materiais apropriados em função desses objetivos e dominar procedimentos ou técnica de confeção dos modelos pretendidos. Pode-se então colocar as seguintes questões: porquê, para quê e como fazer você mesmo uma máscara de proteção nasal e bucal?

A resposta as duas primeiras questões é que, nestes dias de ‘fique em casa’ por imperativo de saúde de todos, devido a  atual pandemia de coronavírus (SARS Cov2) causa da doença COVID-19 que não tem poupado muitas vidas humanas, o momento torna-se propício ao ensino-aprendizagem de como fazer máscaras de proteção de boca e nariz, mesmo sem ter uma máquina de costura, ou tê-la e ainda não saber mexer nela, tendo contudo a certeza que deve existir muitas casas onde uma máquina de costura não faz parte dos utensílios disponíveis.

E porque o saber não ocupa lugar, porque ensinar ou aprender é sempre útil, sem importar a idade ou o tempo, e ainda porque a necessidade é um fator de motivação.

Tendo em conta que a sensação de impotência e inatividade gera ansiedade e stress, perante grandes sofrimentos individuais ou coletivos, como é o caso da atual pandemia que por estes dias está a atormentar o mundo inteiro e para a qual ainda não foi encontrada uma solução garantida.

Por estas razões, e porque preparar-se para ajudar de alguma forma, dar qualquer contributo no combate ou na minimização dos efeitos negativos, ou na minimização das limitações e dos prejuízos inerentes as causas do sofrimento, ajuda em parte a aliviar o desconforto geral e beneficia a nossa saúde mental.

Mas afinal que objetivos e vantagens se pretende com as máscaras que protegem o nariz e a boca? Esta é a pergunta cuja resposta, mesmo dada as crianças, pode ser fator motivacional para elas também se interessarem por estas máscaras, para compreenderem situações concretas em que o seu uso é recomendo,  para aprenderem a usá-la para uma eventual situação em que possa ser necessário, e até mesmo para aprender a confecioná-las.

Os diferentes tipos de máscaras nasal e bucal são feitos com materiais de diversas qualidades, com ou sem acessórios, sob diferentes designs ou formas. São concebidas com objetivo de proteger o nariz e a boca contra poeiras, pó ambiental, cinzas de queimadas e pós-industriais diversos, como pó do cimento e de carvão. Também podem ser concebidas com objetivos de proteger contra ácaros, pólen, bactérias, vírus ou outros microrganismos presentes no ar que respiramos ou nas gotículas projetadas involuntariamente pela tosse ou espirros de pessoas infetadas com doenças contagiosas, como são os casos das gripes e da tuberculose pulmonar.

E porque respiramos pelo nariz e pela boca procurando apenas o oxigénio do ar e não quaisquer outros contaminantes, existem máscaras profissionais especificas com filtros de proteção contra líquidos, aquosos ou oleosos, contra partículas sólidas diversas, contra fumos de soldadura ou metálicos, contra vapores, aerossóis e gases, sejam gases ácidos e outros gases industriais diversos como do amoníaco, do formaldeído, do óxido de azoto, do dióxido de enxofre, do fluoreto de hidrogénio, etc., todos eles tóxicos para organismo humano mas que também são úteis e indispensáveis nas industrias que produzem muitas coisas que necessitamos e utilizamos frequentemente. A proteção contra partículas e gases radioativos também exige uso de máscaras com filtros específicos.

O uso da máscara pode ter, portanto, as seguintes finalidades:

a) a de proteger contra agressão externa quem lhe é recomendado seu uso;

b) a de proteger os outros da doença contagiosa de quem tenha que usá-la;

c) a de proteger nos dois sentidos.

A qualidade de uma máscara nasal e bucal depende sobretudo do material e acessórios utilizados na sua confeção e eventualmente do seu design, em conformidade com a finalidade pretendida. A qualidade é avaliada em função da capacidade de proteção ou segurança que confere, da sua respirabilidade e do seu conforto, sem excluir a sua possibilidade de reutilização e durabilidade.

Enquanto segue a recomendação ‘fique em casa’ aproveite para, entre outras tarefas, explicar as crianças acerca das máscaras nasal e bucal cujo uso de repente se generalizou, ajudando-as  assim a compreender melhor o momento atual do nosso mundo, para logo que tiver oportunidade, ensiná-las a fazer máscaras nasal e bucal simples, fazendo-as junto com elas, e com os meios ao seu alcance. Isto como tarefa alternativa e complementar ao estudo, dever escolar e doméstico. Vendo e fazendo que se aprende!

Se concordar com aquele espírito de que à perfeição só  se chega corrigindo erros e defeitos, e que de uma ideia pode nascer outras; e se estiver motivada ou motivado, pode então ensaiar a fazer 2 modelos de máscaras de proteção nasal e bucal a pensar que, na ausência de melhor, aquelas máscaras que conseguir fazer, com tecido apropriado e reutilizável, depois de lavada e passada a ferro, pode ter alguma utilidade.

 

VAMOS FAZER ENTÃO DOIS MODELOS / MÃOS À OBRA

MATERIAIS NECESSÁRIOS

(componentes da máscara e instrumentos de trabalho é o mesmo para os dois modelos)

Componentes da máscara nasal e bucal

– Tecido apropriado (ver detalhes em nota finais e recomendações)

– Linha (preferentemente da cor do tecido)

– Elástico para fixação

Instrumentos de trabalho necessários

– Agulha (s) (ou máquina de costura, se tiver possibilidade de usá-la)

– Tesoura

– Régua (preferível em vez de fita métrica)

– Papel tamanho A4 (é melhor papel mais firme ou cartão com mesmo tamanho)

– Ferro de passar roupa

 

Procedimento para fazer modelo 1 ‘Bico de Passarinho’

1 – A partir dos vértices do papel A4, marque 4 cm nas arrestas e trace uma linha entre os dois pontos, depois corte nessa linha eliminando os vértices iniciais. Fica assim com a forma e medidas standard para corte do tecido para uma máscara. (Ver Fig.)

2 – Nas 2 arrestas menores (as de largura) dobre bainhas de 1 cm uma primeira vez e uma segunda vez. Não faça dobra nas arrestas maiores (as do comprimento). Vinque as arrestas dobradas com ajuda de ferro de passar roupa. (Ver Fig.)

3 – Dobre o molde ao meio pelo comprimento e de maneira a continuar a ver as dobras da bainha. (Ver Fig.)

4 – Dobre juntando para cima os ‘vértices do fundo de saco’ por cima do tecido restante (Ver Fig.)

5 – Depois dobre as arrestas superiores a cada lado e fica com molde de um triângulo com dois lados iguais em V, e fechados e um lado aberto (abertura da máscara). (Ver Fig.)

6 – Dê pontos e cosa com agulha e linha (ou à máquina) toda as junções do tecido de forma a consolidar o modelo, começando pelas principais junções. Reforce estas junções principais. (Ver Fig.)

7 – Fixe o elástico já cortado à medida e de forma a passar atrás das orelhas e a unir um vértice ao outro da máscara. (Ver Fig.)

 

 

Procedimento para fazer máscara modelo 2 ‘Bico de Pato’

O ponto 1 é idêntico em ambos os modelos.

2) Nas 4 arrestas maiores, dobre bainhas de 1 cm uma primeira vez e uma segunda vez. Vinque essas bainhas dobradas com ajuda de ferro de passar roupa. (Ver Fig.)

3) Dobre o molde ao meio, pela largura, e de maneira a continuar a ver as dobras da bainha. (Ver Fig.)

4) Dobre elevando os ‘vértices do fundo de saco’ até nivelar todas as arrestas e fica com o modelo feito.  (Ver Fig.)

5) Dê pontos e cosa com agulha e linha (ou à máquina) toda as junções do tecido de forma a consolidar o modelo, começando pelas principais junções. Reforce estas junções principais. (Ver Fig.)

6) Fixe o elástico já cortado à medida, de forma a passar atrás das orelhas e a unir um vértice ao outro da máscara. (Ver Fig.)

PARA FAZER MASCARES DE DIFERENTES TAMANHOS

Para modelo 1 ‘Bico de Passarinho’

                           (O diâmetro de abertura da máscara depende da largura do corte e a profundidade depende do comprimento)

 

Tamanho de Máscara

 

Diâmetro de Abertura

 

 Profundidade Comprimento do tecido  

Largura do tecido

 

19 19 cm 9,5 cm 29 cm 19 cm
20 20 cm 9,7 cm 30 cm 20 cm
21 21 cm 10,5 cm 31 cm 21 cm
22 22 cm 11 cm 32 22 cm
23 23 cm 11,5 cm 33 cm 23 cm

 

Para modelo 2 ‘Bico de Pato’

(O diâmetro de abertura da máscara depende do comprimento do corte e a profundidade depende da largura)

 

Tamanho de Máscara

 

Diâmetro de Abertura

 

Profundidade

 

Comprimento do tecido

 

Largura do tecido

 

19 19 cm 8,0 cm 23 cm 18 cm
20 20 cm 8,5 cm 24 cm 19 cm
21 21 cm 9,0 cm 25 cm 20 cm
22 22 cm 9,5 cm 26 cm 21 cm
23 23 cm 10,0 cm 27 cm 22 cm

NOTAS FINAIS, RECOMENDAÇÕES E INFORMAÇÕES DIVERSAS

Acerca do tecido apropriado

Tem que ser hipoalérgico, que não desprende partículas, e ao mesmo tempo, um tecido sob o qual se consegue respirar; e quanto maior capacidade de proteção contra partículas de diferentes naturezas tiver, melhor.

Para máscaras cirúrgicas descartáveis são usados tecidos TNT ou TST (tecido não tecido ou tecido sem tecido).

Acerca da qualidade (eficiência de proteção) das máscaras

 Dependendo da sua capacidade de filtragem e penetração, existem diferentes tipos de máscaras:

Máscaras PFF1 protegem em 80% (são vulneráveis em 20%)

Máscaras PFF2 protegem em 94 % (são vulneráveis em 6 %)

Máscaras cirúrgicas (N95) protegem em 95% (são vulneráveis em 5%)

Máscaras PFF3 protegem em 99 % (são vulneráveis em 1%)

Máscaras P3 (têm filtro de proteção contra partículas líquidas, bactérias, vírus, dióxido de enxofre e óxido de azoto).          

Máscaras P3R e HF (são recomendados contra partículas sólidas e líquidas, gás de fluoreto de hidrogénio, vapores orgânicos, gases ácidos);

Máscaras K1 6054 (são recomendados contra amoníaco e derivados, gases ácidos, formaldeído);

Máscaras P1R 5911, P2R5925, P3R5935 com filtro de gás e vapor (são recomendados contra amoníaco e derivados, gases ácidos, formaldeído, partículas sólidas e líquidas).

Existem máscaras especiais com dispositivos purificadores do ar para uso de equipas de emergência contra agentes contaminantes químicos, biológicos ou radiológicos.

Contra coronavírus são recomendados os respiradores N95 ou PFF2, ou de qualidade superior, especialmente para os profissionais de saúde da linha de frente.

A higiene necessária no uso e manipulação das máscaras resulta extremamente importante, sobretudo quando o que se pretende é proteger-se contra agentes biológicos (bactérias e vírus).

Tenha presente que o uso das máscaras exige algum treino em relação a sua manipulação e higiene, e no contexto atual deve-se ter em conta que não exclui outras medidas, mas pelo contrario, deve ser encarado como um complemento de medidas como o uso correto e higiénico das luvas, o distanciamento social (permanência à distância de 2 metros de outras pessoas, sempre que possível) e medidas de isolamento social (‘fique em casa’, evite aglomeração ou ajuntamento de pessoas).

Estas medidas são difíceis para qualquer um, mas são extremamente úteis para poupar vidas, apesar dos danos que faz à economia. Mas a economia é feita essencialmente pelas pessoas e para as pessoas. Felizmente são encaradas como medidas necessárias, de carácter temporária e transitória, para que a vida continue.

Na próxima oportunidade daremos algumas notas acerca dos gases úteis, mas que podem ser perigosos para a saúde, que também exigem proteção com máscaras especificas para aqueles que estão expostos constantemente, seja por razões profissionais ou outras.

Agradecemos antecipadamente quaisquer observações ou contribuições no sentido de melhorar os procedimentos sugeridos ou o conteúdo das informações.

Dr. Carlos António Gomes – Médico

carlosagomes66@gmail.com

04.04.2020

 

FIQUE EM CASA!

FIQUE EM CASA!
De regresso a Portugal, à minha casa e à minha família, desde o passado dia 21 de Março (proveniente da Bélgica, país onde tenho estado a trabalhar há oito meses), por razões que têm a ver com as medidas restritivas e preventivas decretadas pelo Governo belga, sobretudo, em matéria do distanciamento social, face à pandemia COVID-19, que limita, entre outros, a distância entre pessoas a um mínimo de metro e meio, o que, no exercício de actividades profissionais em equipa, é difícil de concretizar, entrei em isolamento profilático ao abrigo das recomendações da Direcção-Geral da Saúde, de Portugal que estabelece que:
“Independentemente da nacionalidade e do país de origem, quando entra em Portugal, é recomendado o isolamento profilático pelo período de 14 dias.”
Cumpridos esses 14 dias de isolamento profilático, de forma rigorosa e sem quaisquer sintomas de algum mal-estar relacionado com o meu estado de saúde, entrei na fase de cumprimento do estado de emergência decretado em Portugal, e que foi prolongado até 17 de Abril.
Estado de emergência que, contrariamente ao isolamento profilático, já me permite, por exemplo, sair à rua para ir comprar bens essenciais e regressar de imediato a casa, bem como, ir correr ou caminhar, respeitando o distanciamento social e todas as recomendações sanitárias no intuito de prevenir o contágio, por um lado, e, por outro, a propagação da doença.
O apelo “FIQUE EM CASA” é para respeitar e cumprir, até porque as excepções não fogem às regras, entre o Direito e o Dever do Cidadão, face ao estado de emergência em vigor.
Temos que ser prudentes, responsáveis e sensíveis para com a pandemia COVID-19, no intuito de evitarmos o contágio e, ou, a propagação da doença. Por isso e enquanto não há cura para a doença, a prevenção é a cura; o cumprimento das medidas restritivas, é a cura.
Não esperemos que a doença nos atinja, ou aos nossos familiares e amigos próximos, para nos despertarmos para a sua existência e consequência letal, pois será certamente tarde…
Positiva e construtivamente.
Didinho 06.04.2020

COVID-19: RESPEITAR O ESTADO DE EMERGÊNCIA!

COVID-19: RESPEITAR O ESTADO DE EMERGÊNCIA!

Reivindicar a defesa e a salvaguarda dos Direitos Fundamentais, mesmo na particularidade do decreto de um estado de emergência, é de se apoiar, porém, espera-se da parte de Todos, o devido Respeito pelas medidas restritivas decretadas, no âmbito da prevenção e da salvaguarda da Saúde e do Bem-estar de Todos.

Aqueles que se prontificam a criticar a actuação das forças de segurança, no cumprimento das normas decretadas pelo estado de emergência, também devem sensibilizar e informar os cidadãos quer sobre a pandemia COVID-19, quer sobre as medidas restritivas e preventivas decretadas.

Se há horários estabelecidos para a saída das pessoas à rua, para que possam vender seus produtos, ou fazer suas compras e regressarem às suas casas, há que respeitar esses horários, em nome da Saúde e do Bem-estar de Todos Nós!

Não desafiemos as autoridades policiais, para criarmos casos de politização da situação delicada que estamos a enfrentar por causa da pandemia COVID-19.

Dizer que as pessoas têm que ir à rua abastecer, não colide com as restrições impostas, que definem um período temporal para que todos tenham essa possibilidade.

Agora, dizer que as pessoas têm que estar na rua, porque é lá que garantem suas sobrevivências, não acho ser sensato.

Que me desculpem, mas não é por uma questão de insensibilidade, antes pelo contrário, a rua não emprega ninguém, e consequentemente, não paga salário a ninguém!

Se a nossa realidade social e cultural é distinta da de todos os demais países, até compreendo e aceito, mas há como dar a conhecer a quem decretou o actual estado de emergência, as deficiências e as lacunas do decreto relativamente a esse estado de emergência, para que essas deficiências e lacunas sejam corrigidas, melhoradas, para que facilitem ao invés de prejudicar, o comportamento e as atitudes individuais, de cada um, com ramificações entre as diversas Comunidades Populacionais da Guiné-Bissau, que constituem o nosso Povo!

Positiva e construtivamente.

Didinho 06.04.2020