ACREDITAÇÃO DO LABORATÓRIO NACIONAL DAS PESCAS DA GUINÉ-BISSAU E A EXPORTAÇÃO DO PESCADO: SITUAÇÃO ATUAL E PERSPECTIVAS

ACREDITAÇÃO DO LABORATÓRIO NACIONAL DAS PESCAS DA GUINÉ-BISSAU E A EXPORTAÇÃO DO PESCADO: SITUAÇÃO ATUAL E PERSPECTIVAS

Hermenegildo Robalo

Quais são os requisitos exigidos pela Guiné-Bissau, para a importação dos produtos da pesca?

Qualquer que seja a empresa de pesca estrangeira que queira exportar os seus produtos de pesca para o nosso país, deve consultar, previamente as leis vigentes na Guiné-Bissau nessa matéria, nomeadamente o Regulamento de Inspeção do Pescado.

O Regulamento de Inspeção do Pescado da Guiné-Bissau (RIP), instituído pelo Decreto-Lei n° 9/2011 de 07 de junho, estabelece inequivocamente os requisitos exigidos nos seus artigos 28°, 29° e 30° respetivamente, os Requisitos Sanitários, Inspeção do Pescado Importado e o Controlo de Pescado Importado.

O exportador deve apresentar um certificado sanitário emitido pela autoridade competente do país de origem do produto para a sua comercialização no nosso país.

De uma forma geral, todos os países do mundo, tem as suas regras para importação dos produtos da pesca e/ou géneros alimentícios. Em certos casos, essas regras são mais exigentes e restritivas no que noutros.

Caso as empresas de pesca da Guiné-Bissau, queiram exportar o seu pescado, devem conformar-se, com os requisitos impostos, pelo país do destino.

As empresas de pesca da Guiné-Bissau, que exportam os seus produtos da pesca para a nossa sub-região e para a Ásia, têm cumprido:

  1. Com as leis vigentes no nosso país, RIP (por isso obtêm a certificação sanitária dos seus produtos para a exportação) e;
  2. Com as leis vigentes nos diferentes países de destino dos seus produtos.

PORQUE É QUE AS EMPRESAS DE PESCA NACIONAIS NÃO CONSEGUIRAM ATÉ AGORA, EXPORTAR OS SEUS PRODUTOS DA PESCA PARA O MERCADO DA UNIÃO EUROPEIA?

A orientação para a exportação dos produtos da pesca da Guiné-Bissau, para o mercado da União Europeia, deve-se ao facto de mantermos um acordo de pesca desde a década de 80, agora chamado de Acordo de Parceria de Pesca Durável (APPD).

A União Europeia é um dos maiores consumidores do pescado do mundo. Contando para isso com um mercado competitivo e exigente em matéria das importações de géneros alimentícios, incluindo o pescado.

Em 2011, a harmonização da legislação guineense sobretudo com os novos pacotes higiene da União Europeia, permitiu a Guiné-Bissau ter uma legislação em matéria higio-sanitária e controlo de qualidade dos produtos da pesca, igual ou equivalente as da União Europeia, abrindo-se o leque para a exportação desses produtos para outras regiões, que é o que acontece atualmente com algumas empresas na Guiné-Bissau.

Deve-se antes de mais referir, que as exportações dos produtos de pesca, das empresas guineenses para a sub-região e Ásia, têm-se cingido basicamente nos produtos da pesca artesanal, sobretudo através das três empresas instaladas localmente em Cacine, Cacheu e Buba que exportam pescado congelado, via contentores frigoríficos através do porto de Bissau, diretamente para a Ásia.

Os registos estatísticos das exportações certificadas pela Autoridade Competente da Guiné-Bissau (AC), em matéria de inspeção higio-sanitária e controlo de qualidade dos produtos da pesca, indicam um aumento progressivo, a partir de 2014, com uma quantidade total de 1.939.280 Kg, portanto rondando quase 2.000 toneladas, até 2017.

Anos Países Quantidade/Kg
2014 Coreia do Sul 210.679
Senegal 23.886
2015 Coreia do Sul 174.669
Senegal 43.431
2016 Coreia do Sul 300.671
Senegal 32.507
Serra Leoa 500.000
2017 Coreia do Sul 613.567
Senegal 39.870
Total Geral 1.939.280

Fonte: Serviço Nacional de Inspeção e Controlo de Qualidade do Pescado (SNIPCQ-AC)

Para compreendermos o que realmente se passa com as exportações dos produtos da pesca da Guiné-Bissau para o mercado da União Europeia, deve-se elencar, na minha perspetiva, o que realmente tem falhado nesse domínio:

  1. EMPRESAS DE PESCA/INFRAESTRUTURAS DE CONSERVAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO EM TERRA

Analisando o setor empresarial guineense no seu todo, e, particularmente o setor pesqueiro, constata-se que, as empresas de pesca nacionais, estão completamente descapitalizadas e consequentemente impossibilitadas de introduzir melhorias mínimas exigidas pela Autoridade Competente guineense para o licenciamento sanitário dos seus estabelecimentos.

Quase 20 anos depois da exclusão do nosso país, da lista dos países terceiros que podem exportar os seus produtos da pesca para o mercado da União Europeia, concretamente desde 31 de dezembro de 2000, por decisão da Comissão 2000/17/EC de 14 de fevereiro, a Autoridade Competente da Guiné-Bissau, não pode eleger uma única empresa nacional, que cumpra os requisitos necessários nacionais (RIP), harmonizados com os requisitos da UE, para ser inscrita nessa lista.

Países do nosso espaço comum, nomeadamente a Gâmbia, Cabo-Verde, Senegal e Mauritânia têm no mínimo, 5 empresas nessa lista, que estão autorizadas a exportar pescado para o mercado europeu.

Analisando o quadro em baixo, surge naturalmente a pergunta, como foi isto possível noutros países? Outros países, comprovadamente com menos recursos haliêuticos de interesse comercial que a Guiné-Bissau.

PAÍS N° DE EMPRESAS E/OU NAVIOS
GUINÉ-BISSAU 0
GAMBIA 5
SENEGAL 156
MAURITÂNIA 160
CABO-VERDE 10

Fonte: União Europeia – Lista de países/estabelecimentos, navios congeladores autorizados a exportar para a UE.

Esta situação, reflete sobretudo, de uma maneira ou de outra, o ciclo de instabilidade que se tem verificado no país e influencia diretamente todas as iniciativas de estruturação do setor produtivo nacional em geral e do setor das pescas em particular.

No que tange as infraestruturas de conservação e transformação, poder-se fazer a mesma constatação que as empresas nacionais. Nenhuma estrutura no país reúne os requisitos de conservação e transformação, necessários à exportação para o mercado da União Europeia, RIP, Capítulo V Condições Gerais Aplicáveis aos Estabelecimentos em Terra.

Um cenário deveras preocupante para as autoridades e gestores do setor. O país não consegue, embora possuindo recursos haliêuticos de fazer inveja.

  1. PORTOS DE PESCA

A existência de um porto de pesca industrial funcional para desembarque do pescado e estreitamente ligado as infraestruturas adequadas de conservação e transformação em terra em terra que possam ser licenciados pela autoridade competente da Guiné-Bissau em matéria inspeção hígio- sanitário é indispensável.

Idem para o porto de pesca artesanal que possa servir de referência.

Na medida do possível, e por condições de higiene, não é recomendável a junção de um porto de pesca artesanal e um porto de pesca industrial, ambos devem ser licenciados para essas operações, mas possuem características completamente distintas.

Mais uma vez, todos os países do nosso espaço comum, possuem um porto certificado pela Autoridade Competente dos respetivos países, como adequados para desembarque dos produtos da pesca.

  1. FROTA NACIONAL DE PESCA

Não existe uma frota nacional de pescas. Este ponto está intimamente ligado com os anteriores, sobretudo no que se refere aos empresários nacionais de pesca ou empresas nacionais de pesca.

É uma questão deveras importante, na medida em que vai marcar este processo nos próximos anos.

A situação que se tem verificado com a frota da União Europeia na zona de pesca da Guiné-Bissau, espelha-se nos esquemas em baixo, relativamente as exportações para atum, peixe demersal e camarão respetivamente conforme as figuras 1 e 2 em baixo:

 

Figura 1: Circuito de exportação dos tunídeos capturados pela frota da UE na zona de pesca da Guiné-Bissau

 

Figura 2: Circuito de exportação de peixes demersais e camarão realizadas pela frota da UE na de pesca da Guiné-Bissau

Fonte DG MARE: Évaluation rétrospective et prospective du protocole de l’accord de partenariat dans le secteur de la pêche entre l’Union européenne et la République de Guinée-Bissau, Novembre 2016

LABORATÓRIO NACIONAL DAS PESCAS, ACREDITAÇÃO NA NORMA ISO/IEC 17025 E EXPORTAÇÃO

No âmbito da qualidade dos resultados dos ensaios analíticos existe a norma ISO/IEC 17025 – “Requisitos para a competência de laboratórios de ensaio e calibração” –  que se traduz num conjunto de condutas técnicas definidas por Consenso Internacional, para a padronização de procedimentos a realizar nos laboratórios de modo a assegurar o cumprimento das regras das boas práticas relativas ao controlo de qualidade.

A aplicação destes requisitos permite aos laboratórios a acreditação de ensaios, pelo organismo nacional ou internacional de acreditação, e, o reconhecimento da sua competência técnica, adquirindo desta forma, maior credibilidade e confiança e garantindo assim a satisfação dos seus clientes.

É, pois, nesta panorâmica que ganha relevância a acreditação do Laboratório Nacional das Pescas, segundo a norma ISO/IEC 17025, nas vertentes microbiológicas, análises físico-químicas e análises sensoriais aplicadas à área alimentar, nomeadamente do pescado e dos produtos da pesca.

A norma ISO/IEC 17025, contém todos os requisitos que devem cumprir os laboratórios de ensaios que desejam demonstrar que possuem:

  • Um Sistema de Qualidade;
  • São tecnicamente competentes e;
  • São capazes de gerar resultados tecnicamente válidos.

Possibilitando assim um reconhecimento mútuo com laboratórios de todo o mundo.

A ILAC (Cooperação Internacional para Acreditação dos Laboratórios), é a entidade mundial onde estão reconhecidos todos os organismos de acreditação, permitindo assim um acordo mútuo de reconhecimento dos organismos de acreditação.

ACREDITAÇÃO VERSUS CERTIFICAÇÃO

Acreditação é um procedimento pelo qual um organismo oficial outorga um reconhecimento formal a outro organismo, instituição ou pessoa, para o representar ou executar determinadas tarefas ou funções.

Certificação é uma garantia escrita emitida pela autoridade competente na qual se confirma que um produto, processo ou serviço cumpriu todos os requisitos de qualidade sanitária exigidos.

Resultado do inquérito realizado pela EDES em 2014 (Programa de Cooperação Europeia gerida pela COLEACP para reforço da segurança sanitária dos alimentos nos países áfrica-Caraíbas e Pacífico), em que participaram 33 Laboratórios dos países ACP (Botswana, Etiópia, Gana, Quénia, Tanzânia, Gâmbia, Uganda, Zâmbia, Burkina Faso, Camarões, Costa de Marfim Madagáscar, exceto a Guiné-Bissau vem demonstrar o problema que se põe quanto a Acreditação dos laboratórios de ensaio em África.

Laboratórios Acreditados ou Certificados BPL Sim Não Em curso
N° de respostas sobre 33 9 14 10
% Total de respostas 27% 43% 30%

Fonte: Inquérito 2014 – Laboratórios apoiados pela EDES

Várias questões têm constituído um grande debate, em vários círculos de opinião, se existe ou não esse tal laboratório, funciona ou não funciona, a Guiné-Bissau tem bons recursos pesqueiros e de qualidade porque é que não consegue exportar para a união europeia e contribuir para a economia nacional? Estas e outras questões similares têm suscitado várias dúvidas, mas ninguém fala delas, parece que estamos a varrer para debaixo do tapete.

Tentando analisar este tema, e também, tentando dar exemplos já conhecidos de como as coisas têm funcionado em outras paragens, sobretudo países que começaram este processo muito tempo depois da Guiné-Bissau nós, mas que já exportam para o mercado da União Europeia, como é o caso de Eritreia, por exemplo, depara-se sempre com a seguinte afirmação:

 “O laboratório nacional das pescas, tem um edifício novo, está bem equipado, equipamentos de análises da última geração, já foi inaugurado, e até agora o laboratório das pescas não exporta.”

Um laboratório de ensaios, como o laboratório nacional das pescas, tal como o nome indica, não exporta e nem tem essa competência, para exportar.

Quem exporta, em todos os países do mundo, são as empresas estatais ou privadas. Tal como a castanha de cajú, são as empresas que a exportam, os laboratórios ligados a essa área só vão confirmar a qualidade da castanha.

Três experiencias e três países destacam-se, quanto a abordagem da exportação dos produtos da pesca para a União Europeia a saber, a Mauritânia, o Senegal e Cabo-Verde.

A Mauritânia, país com que temos cooperado em vários domínios na área das pescas, sobretudo a da formação. Três dos nossos médicos veterinários, tornaram-se inspetores de pescado através da formação adquirida na Mauritânia.

A Mauritânia conseguiu resolver este tema de acreditação do laboratório na norma ISO 17025 e/ou exportação, separando a investigação pesqueira (IMROP – Institut Mauritanien de Recherche Oceanographie et des Pêches) e a Inspeção e controlo de qualidade dos produtos da pesca (ONISPA – Office Nacional d’Inspection Sanitaire des Produits de la Pêche et Aquaculture) acreditado pela COFRAC (Confederação Francesa de Acreditação).

Conseguiu desta forma fácil o problema da acreditação do Laboratório. Um dos pontos para exportação para o mercado da União Europeia.

Tem frota nacional, tem porto de pesca, tem infraestruturas de conservação e transformação em terra (Chino-Mauritaniano) e cumprem com todos os requisitos exigidos pelas autoridades competentes da Mauritânia e da União Europeia.

O Cabo-Verde, país com o qual possuímos um protocolo de cooperação entre InLab/Laboratório Nacional das Pescas, sobre envio de amostras para análise, uma vez que InLab é um laboratório acreditado pelo Instituto Português de Acreditação (IPAC).

Em Cabo-Verde, o INDP – Instituto Nacional para o Desenvolvimento das Pescas, não é a autoridade competente em matéria de inspeção higio-sanitária e controlo de qualidade dos produtos da pesca, essa tarefa, embora tutelada pelo Ministério das Pescas de Cabo-Verde, está fora do INDP e possuí a sua autonomia,

O INDP, possui um laboratório de última geração, que também se debate com o problema de acreditação na norma acima referida, por se encontrar debaixo da alçada do INDP e consequentemente do organismo do governo Cabo-verdiano responsável pelo setor das pescas.

Mas Cabo-Verde consegue exportar os seus produtos da pesca para União Europeia. Porquê?

Primeiro, tem investimentos em terra de categoria tanto ao nível das empresas, como a FRECOMAR, com o seu próprio laboratório de controlo de qualidade), como de conservação e transformação, com um investimento de vulto em Mindelo, como um moderníssimo Complexo de frio, exporta através de navios, tal como a Mauritânia e tem um porto de pesca adequado para receber os navios da pesca industrial.

Segundo, tem outros laboratórios acreditados.

Terceiro a Autoridade Competente de Cabo-Verde, não está ancorada ao INDP, que se dedica a investigação pesqueira.

Na vizinha Senegal, as coisas não se passam de forma diferente em relação aos dois países acima citados.

Dakar possuí diferentes laboratórios acreditados para análise do pescado, para citar dois deles, Instituto Pasteur de Dacar e Laboratoire National d’Analise et de Contrôle (LANAC) do Ministério de Comércio do Setor Informal do Consumo e Promoção dos Produtos Locais, acreditado pela COFRAC, na Norma ISO 17025, não estão ancorados ao CRODT (Centre de Recherche Oceanographie de Dakar e Thiaoré) ou outras instituições de investigação pesqueira existentes em Dakar.

Senegal, portanto, exporta os seus produtos da pesca através das empresas de pesca robustas e tem um porto de pesca adequado para o efeito.

No Senegal, a Divisão de Inspeção e Controlo (DIC) é a Autoridade Competente, que é uma divisão da Direção de Industrias de Transformação de Pesca (DITP) do Ministério das Pescas e Economia Marítima.

Para citar um outro exemplo dos modelos agora em uso e admissível, permitindo a acreditação dos laboratórios, é o caso do Moçambique que criou o seu Instituto Nacional de Inspeção do Pescado, com a sua autonomia administrativa e financeira.

A acreditação de um laboratório de ensaios na norma ISO 17025, passa por entre muitos outros aspetos, na imparcialidade na emissão dos boletins de análises.

O Laboratório Nacional das Pescas, antes de propor a sua candidatura a este processo, seja pelo IPAC (Portugal), COFRAC (França), ENAC (Espanha) ou SOAC – Sistema Oeste Africano de Acreditação, que elegeu o Laboratório Nacional das Pescas, como laboratório nacional de referência que reúne as condições para possível acreditação, terá de se desancorar onde está ancorado, não é por acaso, que no quadro da APPD com a União Europeia, tem sido separado, CIPA investigação e CIPA controlo sanitário, um sinal a ter em conta, sobretudo no próximo acordo.

A Acreditação do Laboratório das Pescas, a Frota Nacional de Pesca, os Portos de Pesca e as Indústrias de Pesca, terão inevitavelmente de andar de mãos dadas, se se quiser superar esta meta de exportação dos produtos da pesca da Guiné-Bissau para a UE, que em 2020 completarão, exatamente 20 anos após a nossa exclusão da lista de países terceiros que podem exportar para o mercado Europeu.

Hermenegildo ROBALO – Licenciado em Química Industrial, área de Controlo Químico da Qualidade pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra

Técnico Superior de Controlo de Qualidade no Laboratório Nacional das Pescas

A propósito da proliferação de partidos políticos na Guiné-Bissau

A propósito da proliferação de partidos políticos na Guiné-Bissau

A Guiné-Bissau tem muitos partidos políticos, porque cada um quer fazer parte do dirigismo de um partido, ambicionando, através do partido que faz parte, um lugar no dirigismo político e governativo do Estado.

Claro que é um direito civil e político de cada cidadão envolver-se activamente na actividade política e por isso, há que respeitar!

Porém, a proliferação de partidos políticos na Guiné-Bissau nada tem a ver com fundamentos ideológicos, nem com a defesa de causas nacionais, e em nome do Interesse Nacional.

A prova disso é a quantidade de partidos políticos que nem sequer têm sede própria, nem conseguem organizar e realizar as suas reuniões, os seus congressos, porquanto, ainda que sejam partidos legalizados pelo Supremo Tribunal de Justiça, não há uma fiscalização rigorosa do STJ tendo em conta os fundamentos constitucionais e legais exigidos para a validação dos mesmos.

Partidos políticos que não têm fontes próprias de rendimento, nem são capazes de criar mecanismos internos de auto-financiamento, pois nem a simples colaboração dos seus militantes, através de pagamentos de quotas contributivas consegue ser uma realidade.

Partidos políticos que vivem ou sobrevivem do quê?

Hoje fala-se na Juventude, em jeito de aliciamento, mas quantos jovens guineenses não criaram desde há alguns anos a esta parte os seus partidos políticos?

Aqueles que hoje estão a manipular (alegando sensibilizar) os jovens para a actividade política nos partidos que criaram depois dos jovens que há muito criaram os seus partidos, por que não aderiram a esses partidos liderados e constituídos por jovens?

Não seria mais sensato que assim fosse, se de facto o despertar para a criação de novos partidos políticos tivesse a Juventude como causa a apoiar, a defender, por um lado e, por outro, a ruptura com o sistema bicéfalo (dos mesmos de sempre) do poder político na Guiné-Bissau?

Os próprios jovens que se precipitam a integrar os novos partidos políticos, fazem-no em nome do quê e com que finalidade, quando poderiam juntar-se aos outros jovens de partidos de gente Jovem?

Simplesmente, a resposta está no facto de cada um querer mandar, dirigir, ou fazer parte do núcleo dirigente de algo novo, pois que, poucos aceitam começar como simples militantes, nos partidos já existentes e onde as estruturas do dirigismo já estão preenchidas.

E assim continuaremos na Guiné-Bissau, com a proliferação de partidos políticos e dos seus protagonistas, com estratégias de interesses que dividem mais do que unem.

A banalização da criação de partidos políticos na Guiné-Bissau demonstra até que ponto os guineenses estão, consciente ou inconscientemente, sedentos do poder e do protagonismo consequente, ignorando cada vez mais, a acentuada divisão social que advém das disputas pelo poder e pelo protagonismo que o envolve.

Já que não há ideologias políticas nos partidos políticos da Guiné-Bissau, ao menos, que se faça da Guiné-Bissau, a IDEOLOGIA de todos os partidos políticos!

Como todos sabem, o meu Partido é a Guiné-Bissau!

Positiva e construtivamente.

Didinho 14.06.2018

Nha terra

Os guineenses têm que começar apostar em análises inteligentes, fazendo críticas construtivas, traçando caminhos de solidariedade e progresso.
A minha maior preocupação hoje em dia está relacionada com seguintes sectores:
1) A Justiça – desde a independência esse sector continua a estar fraco e frágil;
2) A Saúde – é péssima, até entristece comentar o estado dos nossos cuidados de saúde e hospitais que, praticamente, não existem. Isso é triste e lamentável num estado independente e soberano;
3) A Educação – com greves constantes, o nosso Sistema de ensino tem se fragilizado por completo;
4) A Agricultura – pelo menos tem uma perna para dar uns passos – embora coxos – devido aos muitos constrangimentos neste sector vital da nossa Economia;
5) A Energia – continua a ser uma dor da cabeça endémica no país, em pleno sec. XXI e num estado soberano;
6) As Infra-estruturas, praticamente não existem… portanto não vou falar nada, não há muito mais para dizer sobre isso…;
Perante o quadro sombrio acima descrito, gostaria de lançar no ar seguintes questões, para reflexão:
1. Temos ou não governantes e para que servem?
2. Há ou não técnicos e quadros superiores e para que servem?
3. Há ou não vergonha na cara dos nossos governantes e políticos?
4. Porque existem tantos partidos políticos, se eles não servem para nada ao povo, nem cumprem a sua missão?
5. Porque os líderes políticos guineenses são autênticas meretrizes, mudando de partidos como se estivessem a trocar de roupas?
Apelo a uma comunicação verdadeira entre governantes e líderes políticos.
Chamo atenção especial para o sector da JUSTIÇA, sendo a boa administração da Justiça a única forma de combater a impunidade e desencorajar a corrupção, porque se a justiça funciona em pleno, a maioria dos nossos governantes ou políticos não pode se candidatar ou exercer as funções no aparelho de estado (tendo contas por prestar à Justiça), dai a inexistência da moral, a que os nossos políticos e governantes se referem invariavelmente.
Sabemos que, quando a impunidade reina num país, não se pode esperar a estabilidade sócio-política e, consequentemente o desenvolvimento sustentável e prospero do País.
O sucesso da edificação de qualquer projecto-nação depende da capacidade que os líderes têm em reagir de uma forma assertiva perante convulsões, instabilidade e problemas sociais, fazendo funcionar a JUSTIÇA, eficazmente e com maior celeridade.
Posto tudo isso, deve-se fomentar e produzir consensos, o que não é fácil, pois dá muito trabalho, mas é o caminho necessário.
Fundamentalmente, os líderes têm que ter a capacidade para transformar e eliminar os obstáculos, abrindo vias para progresso.
Este povo tem grandes e legitimas expectativas nos seus governantes e líderes partidários, isso deve merecer respeito de todos e de cada um de governantes.
“Sinceramente é povo ca mereci és tipos de maltrato (este povo não merece este tipo de maltrato), é povo cansa dja (o povo está cansado), basta sabi boca (basta de conversas bonitas), basta mon cumprido (basta roubos abusivos no aparelho de estado), basta ladrões sem vergonha na cara, basta mentirosos, que passam o tempo só a enganar inocentes, etc., etc.
Quando um líder não consegue produzir consenso, deve analisar a sua estratégia de comunicação com o grupo que o rodeia, também os que rodeiam, devem aceitar o que vem a ser a decisão, para o bem do povo, da justiça e do desenvolvimento.
Um dos grandes problemas da Guine é a fragilidade e debilidade da oposição política que, praticamente, não existe.
Aponto esta questão, porque a fragilidade da oposição é o um dos maiores problemas do nosso povo que, apesar de tantos partidos políticos, mesmo assim continua a ser frágil.
Sinceramente na Guine, não há partidos políticos sérios e capazes, lamento muito a falta de coerência por parte dos nossos líderes e políticos, muitos lutam mais pelos seus interesses pessoais, ou até interesse do partido, do que interesse da nação ou do povo.
A oposição sempre está com as mãos debaixo da mesa a pedir esmolas ou pedir posições ou pastas no governo…
Considero que, enquanto estes governantes de “mãos cumpridas” se mantiverem ou estiverem no poder, ou na oposição, com estas atitudes, a Guine, não poderá ter perspectivas boas, para o futuro, infelizmente.
Gostaria de pedir ao povo guineenses que confie mais em si próprio, em vez de estar a gastar energias e perder tempo atrás dos políticos e governantes incapazes.
Considero que as eleições (e a governação) nunca poderão resultar numa alternância de poder, porque os dirigentes políticos e governantes são como “marido e esposa”,
A Comissão Nacional de Eleições e tribunais são deles.
Entramos nas incertezas políticas e não há sinais que apontem para a resolução desse impasse que afastou o país do seu rumo.
A corrupção é generalizada, principalmente entre os agentes do sistema judicial. A impunidade é cada vez maior. A instabilidade política é elevadíssima e os crimes do passado ainda estão por julgar.
Considero que, apesar das revelações assustadoras, o sistema de justiça tem tido dificuldades em obter a atenção das autoridades, com vista às reformas necessárias.
Entretanto o país é deixado à margem da luta contra o crime organizado e transnacional. A justiça guineense é cada vez mais distante do povo., a quem deve servir, além de ser um dos pilares fundamentais do Estado Independente e Soberano.

Bem-haja!
SANCUM CAMARA, Ph.D

Didinho – Dados biográficos

Didinho

 

Dados biográficos

 

A vida só tem sentido se, para além de nós, outros também puderem viver… Didinho

 

Didinho (Fernando Jorge Gomes da Fonseca Casimiro) nasceu em Bissau, República da Guiné-Bissau, em 15 de agosto de 1961 onde fez os seus estudos primários e secundários. Desportista polivalente, foi professor de Judo, tendo participado nalgumas manifestações nacionais e internacionais da modalidade. Em novembro de 1981, deixou Bissau, rumo a Angola, onde veio a ingressar na marinha mercante grega, tendo em 1984 atingido o posto de Oficial Maquinista Naval. Viajou um pouco por todo o Mundo, registando um histórico de 70 países visitados. Após deixar a marinha mercante em 1988, fixou residência em Portugal, onde trabalhou na área de Manutenção Industrial e Metalomecânica até maio de 2015. Empenhado no desenvolvimento e promoção do seu país, criou em 2003 o Projeto “Guiné-Bissau: Contributo” com o objectivo de sensibilizar a opinião nacional e internacional para os problemas da Guiné-Bissau e de contribuir para a busca de soluções para os mesmos. Frequentou o curso de licenciatura em Ciências Sociais, tendo a Ciência Política e a Administração Pública como áreas de especialização. É Consultor para assuntos Políticos, Comunicação e Informação. Autor de vários artigos, nomeadamente sobre a Guiné-Bissau, colabora com diversos órgãos de informação. Humanista, pensador, escritor, poeta, fotógrafo, ativista social, analista e cidadão político, assim é a abrangência multifacetada de um homem simples e apaixonado pela Vida.

A 10 de maio de 2017 anunciou a sua candidatura às eleições presidenciais na Guiné-Bissau, previstas para 2019

É sócio efetivo nº 1441 da Associação Portuguesa de Escritores desde 23 de maio de 2017

A 09 de Maio de 2018 publicou o seu primeiro livro de poesia, intitulado MINHA TERRA, MEU UMBIGO, sua 4.ª obra literária, depois de:

1 – O MEU PARTIDO É A GUINÉ-BISSAU – COLECTÂNEA DE TEXTOS EDITORIAIS – VOL. I – 16.08.2016

2 – O MEU PARTIDO É A GUINÉ-BISSAU – COLECTÂNEA DE TEXTOS EDITORIAIS – VOL. II – 22.08.2016 – EUEDITO.

3 – O MEU PARTIDO É A GUINÉ-BISSAU – COLECTÂNEA DE TEXTOS EDITORIAIS – VOL. III – 08.10.2016 – EUEDITO.

A sua próxima obra literária intitulada MEUS PENSAMENTOS, MINHAS SEMENTES PARA A GUINÉ-BISSAU deverá ser publicada até agosto de 2018

 

Fernando Casimiro

 

Didinho – Escritor

 

Didinho – Candidato presidencial

 

Contatos:

didinhocasimiro@gmail.com

+351 962454392

+44 7404476794

WhatsApp – Fernando Casimiro +351 962454392

 

Não tenhamos medo de fazer uma nova revolução na Guiné-Bissau. Não uma revolução com armas de fogo, mas a revolução da consciência cívica, a revolução de mentalidades, que dará ao nosso povo o direito à liberdade do saber, do conhecimento e, quiçá, do pensamento e da ação! É urgente fazer ver aos guineenses que o medo de mudar ontem, é a razão dos males de hoje e o medo de mudar hoje, será a razão dos males de amanhã… Didinho

 

—————————————————-

English version

 

Didinho

Biographical data

 

Life only makes sense if besides ourselves, others can also live… Didinho

 

Didinho (Fernando Jorge Gomes da Fonseca Casimiro) was born in Bissau, Republic of Guinea-Bissau, on August 15, 1961 where he did his primary and secondary studies. A multi-purpose sportsman, he taught Judo and participated in some national and international events of the sport. In November 1981, he left Bissau to Angola, where he joined the Greek merchant navy, and in 1984 he reached the rank of Naval Officer. He traveled a bit around the world, registering a history of 70 countries visited. After leaving the merchant navy in 1988, he settled in Portugal, where he worked in the area of ​​industrial and metallurgical maintenance until may 2015. He was involved in the development and promotion of his country and created in 2003 the “Projecto Guiné-Bissau: Contributo” awareness of Guinea-Bissau’s problems and to contribute to the search for solutions to them. He attended the degree course in Social Sciences, with Political Science and Public Administration as areas of specialization. He is a Consultant for Political Affairs, Communication and Information. Author of several articles, especially on Guinea-Bissau, he collaborates with several information organs. Humanist, thinker, writer, poet, photographer, social activist, analyst and political citizen, this is the multifaceted scope of a simple and passionate man for Life.

On May 10, 2017, he announced his candidacy for the presidential elections in Guinea-Bissau, scheduled for 2019

He has been a full member of the Portuguese Writers Association with the no. 1441 since May 23, 2017

On May 9, 2018 he published his first book of poetry entitled MINHA TERRA, MEU UMBIGO – MY LAND, MY UMBILICUS a set of 57 poems (13 in kriol and 44 in portuguese edition) his 4th literary work, after:

1 – O MEU PARTIDO É A GUINÉ-BISSAU – COLECTÂNEA DE TEXTOS EDITORIAIS – VOL. I – 16.08.2016 EUEDITO (portuguese edition) – MY PARTY IS GUINEA-BISSAU – COLLECTION OF EDITORIAL TEXTS – VOL. I – 16.08.2016

2 – O MEU PARTIDO É A GUINÉ-BISSAU – VOL. II – 22.08.2016 EUEDITO (portuguese edition) – MY PARTY IS GUINEA-BISSAU – COLLECTION OF EDITORIAL TEXTS – VOL. II – 22.08.2016 – EUEDITO.

3 – O MEU PARTIDO É A GUINÉ-BISSAU – VOL. III – 08.10.2016 EUEDITO (portuguese edition) – MY PARTY IS GUINEA-BISSAU – COLLECTION OF EDITORIAL TEXTS – VOL. III – 08.10.2016 – EUEDITO.

His next literary work entitled MEUS PENSAMENTOS, MINHAS SEMENTES PARA A GUINÉ-BISSAU – MY THOUGHTS, MY SEEDS FOR GUINEA-BISSAU, should be published until August 2018

 

Fernando Casimiro

 

Didinho – Escritor

 

Didinho – Candidato presidencial

 

Contacts:

didinhocasimiro@gmail.com

+351 962454392

+44 7404476794

WhatsApp – Fernando Casimiro +351 962454392

Let us not be afraid to make a new revolution in Guinea-Bissau. Not a revolution with firearms, but the revolution of civic consciousness, the revolution of mentalities, which will give our people the right for the freedom of wisdom, knowledge and, perhaps, of thought and action! It is urgent to make Guineans see that the fear of changing yesterday is the reason for today’s ills and the fear of changing today will be the reason for tomorrow’s ills … Didinho

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Minha Terra, Meu Umbigo – Poesia em kriol e em português

 

DEDICATÓRIA

À Guiné-Bissau, minha terra, meu umbigo; meu primeiro compromisso e meu maior desafio.

À mana Timi, minha esposa, minha companheira, meu suporte na vida e para a vida. Mulher, sem ti, nada sou…!

AGRADECIMENTOS

Ao Povo Guineense e aos Amigos da Guiné-Bissau.
A todos quantos têm contribuído para o meu processo de aprendizagem e consequente evolução.
A todos quantos direta ou indiretamente me ajudaram ou têm ajudado a ultrapassar, por diversas formas, as dificuldades do dia a dia ao longo dos anos, neste mundo de moribundos sobreviventes…
À minha família, minha força, meu sentir, minha poesia de vida.

APRESENTAÇÃO

A OBRA

É com enorme satisfação que publico este primeiro livro de poesia, intitulado Minha Terra, Meu Umbigo, porém, é igualmente enorme a expectativa relativamente ao seu alcance, encaixe e satisfação, pelo leitor.

Não é fácil definir o que é a poesia, mas por fazer parte da vida das pessoas, situa-se, a meu ver, num entrelaçar de pensamentos, sonhos, sentimentos e emoções, de alguém, que decide partilhar o seu eu (ou mesmo, o eu dos outros), sobre o que pensa, sente, sonha, vê e ouve, levando suas marcas da vida, reais ou imaginárias, a um público alvo que sente e vive a poesia como um nutriente essencial e especial para a sua forma de ser e de estar na vida, neste nosso mundo em que na verdade, somos todos poetas, cada um ao seu estilo, mesmo quando se decide ser poeta no silêncio da poesia das palavras, tornando-se assim num poeta gestual através das ferramentas motoras do nosso corpo.

Poesia é a Liberdade
Da vida que marca
Com voz ou no silêncio
É a luz que brilha
No olhar e na mente
Mostrando caminhos
É a beleza da Natureza

É a Arte de todas as artes
É desenhar pintar e compor
O coração órgão do Amor
De nossas vidas noutras vidas
Na alegria ou na tristeza
Que a Vida nos proporciona
Poesia é o Hino da Humanidade
Na vertente cantada ou instrumental

Minha Terra, Meu Umbigo é uma obra poética que inclui 57 poemas, dos quais 13 em kriol, minha língua materna e língua nacional do meu país, a Guiné-Bissau e, 44 em português, nossa língua oficial.

Escrever poemas em kriol é uma sensação fantástica, pois permite-nos sentir e descrever de forma ímpar e emotiva, as marcas da nossa identidade, incluindo todas as suas realidades, sobretudo, nas vertentes social e cultural que nos identificam e caracterizam como povo.

Permite-nos igualmente abordar com mais e melhor imaginação, a poesia de intervenção focada na ação política, na qual o sarcasmo e a ironia marcam profundamente os conteúdos.

Aproveito a oportunidade para felicitar todos os poetas guineenses que ao longo dos anos têm publicado livros de poesia em kriol, ajudando desta forma na valorização, divulgação, sustentação e afirmação da Guinendadi, ou seja, de tudo quanto nos identifica enquanto Povo Guineense, quiçá, na promoção da Unidade Nacional, através do kriol, o maior e o mais importante património sociocultural da convergência identitária nacional.

Assumo doravante investir mais na promoção e consequente divulgação escrita do nosso kriol e, igualmente, na sensibilização sobre a necessidade de se trabalhar a sua vertente científica enquanto língua nacional, por forma a ser estruturada, padronizada e oficializada.

Minha Terra, Meu Umbigo é um livro de poesia de desabafos, sonhos, olhares, pensamentos, sentimentos e emoções do autor, sobre diversas realidades e conjunturas da vida, sendo o foco a Guiné-Bissau, seu país natal, e que pretende que seja também a poesia do leitor, em função da sua sensibilidade, do seu encaixe e da sua satisfação com o conteúdo ora partilhado.

O AUTOR

Didinho (Fernando Jorge Gomes da Fonseca Casimiro) nasceu em Bissau, República da Guiné-Bissau, em 15 de agosto de 1961.

Fundou em 2003 o Projeto “Guiné-Bissau: Contributo” com o objetivo de sensibilizar a opinião nacional e internacional para os problemas da Guiné-Bissau e de contribuir para a busca de soluções para os mesmos.

Autor de vários artigos, nomeadamente sobre a Guiné-Bissau, colabora com diversos órgãos de informação de vários países do mundo.

Humanista, pensador, escritor, poeta, fotógrafo, ativista social, analista e cidadão político, assim é a abrangência multifacetada de um homem simples e apaixonado pela Vida.

É sócio efetivo nº 1441 da Associação Portuguesa de Escritores desde 23 de maio de 2017

Em 2016 publicou 3 obras literárias:

O MEU PARTIDO É A GUINÉ-BISSAU – COLECTÂNEA DE TEXTOS EDITORIAIS – VOL. I 16.08.2016 – EUEDITO.

O MEU PARTIDO É A GUINÉ-BISSAU – COLECTÂNEA DE TEXTOS EDITORIAIS – VOL. II 22.08.2016 – EUEDITO.

O MEU PARTIDO É A GUINÉ-BISSAU – COLECTÂNEA DE TEXTOS EDITORIAIS – VOL. III 08.10.2016 – EUEDITO.

Didinho

08.05.2018

Até sempre irmão Ricardo de Castro Fernandes Pellegrin “El Kady”!

“(…) Porque a morte é a nossa derradeira sinfonia da vida.” Ricardo Castro Fernandes “El Kady”

 

Foi a 20 de Fevereiro de 2008 que tomei contacto pela primeira vez com Ricardo de Castro Fernandes Pellegrin “El Kady” e desde então passamos a ser grandes amigos, pese embora e apesar de manifestarmos interesse nesse sentido, não nos termos chegado a conhecer pessoalmente até ao seu falecimento.

De igual forma tornei-me amigo da sua companheira Sandra Miot e durante anos falamos com frequência por telefone, eles no Canadá e eu em Portugal.

Falávamos muito sobre a nossa Guiné-Bissau, mas também, do Haiti, o país da Sandra. Fizemos planos para a institucionalização do nosso Projecto Guiné-Bissau CONTRIBUTO do qual o Ricardo passou a ser um influente colaborador e da cooperação com a sua Orfeus Creations registada no Canadá.

Perdemos contacto desde 2014 no entanto, procurei sempre saber de ambos, sem resposta.

Recentemente consegui comunicar com a Sandra, dando-lhe conta de há muito não ter notícias deles, porém, nessa comunicação ela não me falou do falecimento do Ricardo. Só ontem, 10 de Março a Sandra me deu a conhecer que ainda está de luto, pelo falecimento do Ricardo a 12 de Setembro de 2015!

Foi uma notícia triste, de choque, de dor. Que perda!

Ricardo era um excelente ser humano, bem humorado, um educador, um poeta e um génio criativo musical com uma voz fantástica.

Um sonhador que levou a conhecer a sua/nossa Guiné-Bissau a vários destinos no seu percurso de “cigano” pelo mundo fora até se fixar no Canadá entre 1974/75.

Em jeito de homenagem póstuma ao nosso irmão Ricardo de Castro Fernandes Pellegrin “El Kady” e em nome do Projecto Guiné-Bissau CONTRIBUTO, partilhamos hoje registos de 4 links relacionados com ele enquanto nosso colaborador, amigo e irmão.

Descansa em paz irmão El Kady!

À nossa irmã Sandra Miot toda a nossa solidariedade, independentemente do Ricardo ter falecido a 12.09.2015.

Didinho 11.03.2018


Nascido na Guiné-Bissau, Ricardo Pellegrin El Kady emigrou para o Canada em 1975 adoptando depois a cidadania deste país. É músico-autor-compositor e pioneiro da «World Music» no Quebeque onde reside. Em 2000 foi galardoado com medalha de ouro como melhor autor-compositor no «SONG EXPO Benelux International 2000» na categoria «World Music». 

É licenciado em Letras e especializado em psico-sociologia. Trabalha, há muitos anos como formador e educador de adultos.


Ricardo Pellegrin El Kady

ELKADYSAMI, O APOIO QUE VEM DO CANADÁ!

A poesia de Ricardo Pellegrin El Kady

Sobre a GNR de Vilamoura e a historinha macabra segundo eles: “Que todos os pretos


Sobre Ricardo de Castro Fernandes Pellegrin “El Kady”

El Kady, la trace d’un pionnier

Hommage à El Kady

PELLEGRIN EL KADY / LOKETO

Musique africaine au Canada

ERMONS (IRMÃOS) GUINEENSES

 

 

ERMONS (IRMÃOS) GUINEENSES

 

Quando a Guiné-Bissau perde (e há muito que está a perder) perdem todos os guineenses! Didinho

 

ERMONS (IRMÃOS) GUINEENSES é o título de um pequeno, simples e abrangente poema que escrevi no dia 14 de Outubro de 2017 visando apelar, alertar, sensibilizar, mobilizar e consciencializar os meus irmãos guineenses para a necessidade de revermos e resgatarmos os princípios e os valores vivenciais, educacionais e civilizacionais da Cultura ancestral que caracteriza a nossa Guinendadi, quiçá, a riqueza da nossa Identidade Sócio-Cultural, porquanto termo-nos desviado e afastado desses princípios e valores, pois só assim se percebe, a cada dia que passa, a nossa falência (de princípios e valores), enquanto Povo, e consequentemente, os seus reflexos no falhanço do nosso Estado.

ERMONS GUINEENSES

Nô tchoma n´utru

Nô djubi n´utru

Nô barça n´utru

Nô obi n´utru

Na seriedade

Ku amizade

Nô n´tindi n´utru

Nô barça n´utru

Nô purda n´utru

Nô rispita n´utru

Nô n´tindi n´utru

Pa nô Guiné

O poema mereceu prontamente o interesse do músico e compositor guineense Fernando Carvalho, que se predispôs a musicá-lo, a exemplo do que já tinha feito com outros 3 poemas da minha autoria musicados nos seus últimos 2 álbuns musicais.

Fernando Carvalho surpreende-nos com o estilo musical, “Reggae” com que faz passar a mensagem aos Ermons (irmãos) Guineenses num dueto com o também cantor e produtor guineense Djipson Voz d’Ouro.

Duas vozes emotivas, distintas e maravilhosas, que se predispuseram a entrar no interior mais profundo dos Ermons Guineenses, visando partilhar a mensagem da Reconciliação no seu vasto conceito e mexer positivamente com as suas sensibilidades, enquanto seres humanos e Guineenses.

Um refrão musical que se tolera bem tendo em conta a frescura com que é apresentado e o objectivo de fazer passar a mensagem aos Ermons Guineenses utilizando a metodologia da repetição, por via da sua importância pedagógica e terapêutica no indivíduo.

Urge Reconciliar os Ermons Guineenses, resgatar e promover os princípios e os valores vivenciais, educacionais e civilizacionais da Cultura ancestral que caracteriza a nossa Guinendadi, entretanto invertidos e ou, adulterados!

Positiva e construtivamente.

Didinho 11.02.2018

 

ERMONS GUINEENSES: Letra de Fernando Casimiro (Didinho); composição musical de Fernando Carvalho; interpretação: Fernando Carvalho e Djipson Voz D´Ouro – cantor/produtor.

Fernando Carvalho
Djipson Voz D’ Ouro
Didinho

 

Não aceitemos mais, enquanto guineenses, que uns e outros, a bem dos seus interesses, nos dividam, enfraquecendo-nos; nos intriguem, virando-nos uns contra os outros, quando o que está em causa é o Interesse Nacional, quiçá, a soma dos Interesses de todos os Guineenses e não apenas, de um grupo ou grupos de guineenses! A Guiné apenas precisa do compromisso dos seus filhos para que tudo o “resto” seja uma realidade! Didinho

 

Carta aberta ao Presidente da República da Guiné-Bissau

Excelentíssimo Senhor Presidente da República Dr. José Mário Vaz, aceite os meus mais sinceros desejos de que esta minha mensagem lhe encontre de boa saúde e que seja coroado de lucidez para continuar a dirigir os destinos da Guiné-Bissau, assim como foi a vontade do povo nas urnas.

Gozando da liberdade de expressão, que sua excelência pode-se orgulhar de estar a deixar lições de mestria aos seus antecessores e aos que lhe seguirão, venho energicamente manifestar a minha perda de fé, que Deus resolverá os nossos problemas.

Quem também perdeu a credibilidade no decorrer desta crise, em apresentar uma saída democrática são as instituições internacionais, em especial a CEDEAO, visto que insistem em que seja cumprido um acordo que viola gravemente a constituição da República do povo da Guiné-Bissau.

Sem legitimidade, está a na nossa Sociedade Civil em representar o nosso povo, que devido a acções de algumas organizações, em clara defesa de interesses políticos, vêm sendo instrumentalizados pelos autores desta crise para tirar dividendos e simular um falso apoio do povo.

Com tudo isto, se mantém inabalável o meu amor pela Guiné-Bissau e pelos guineenses.

É por amor à Guiné-Bissau que junto as minhas letras para Criar Consciência e Crítica neste espaço virtual que reflete a minha real responsabilidade com a minha pátria.

Sua excelência dirige os destinos de um povo injustiçado que colocou os culpados dessa injustiça no poder, com políticas que não andam nem desandam, colocando-nos vergonhosamente o falso rótulo de um Estado falhado, que depois de cíclicas crises, vive há quase 3 anos a patinar numa crise de luta pelo poder, que por interesses de grupinhos, decidiram internacionalizar crise alegadamente em busca de soluções para a sua resolução.

Sua excelência o Dr. José Mário Vaz, é o primeiro Presidente da República da Guiné-Bissau a fazer o povo guineense saborear a liberdade de expressão e a perder o temor de ser mais uma vítima das arquitecturas de assassinatos, perseguições, desaparecimentos e agressões que nas últimas décadas tem sido a fórmula usada pelos políticos para afastarem os seus opositores e tentarem perpetuar-se no poder.

Venho apelar à sua excelência o Dr. José Mário Vaz que aceite o desafio, de ser o primeiro Presidente da República da Guiné-Bissau, a convocar a classe guineense de tecnocratas espalhados pelo Mundo, a se organizarem para a busca interna de soluções para esta crise.

As muralhas que foram erguidas nesta crise são enormes, e requerem a abdicação do individualismo, o haurir do patriotismo e o erguer do sentido de estado para que se possam ser desmoronadas. A fusão destas qualidades encontra-se imbuída em muitos dos nossos recursos humanos.

O povo guineense pode orgulho-se de ter uma classe intelectual com uma experiência invejável e com uma formação útil para os desafios que atravessamos, necessitando apenas de os colocarem ao serviço da sua pátria.

Sua excelência Sr. Presidente da República o Dr. José Mário Vaz, é chegada a altura de dar oportunidade a distintos cidadãos guineenses que aqui apresento: Huco Monteiro, Luís Vicente, Fernando Casimiro, Joaquim Silva Tavares ( Joca ), Dr. Carlos Antonio Gomes (Caló), Saliatu Saliatu Sali Costa, Salimo Mané, Braima Darame, Edson Incopté, Mamadu Saibana Baldé, Magda Nely Robalo, Carlos Cardoso (Caló),Joao Carlos Gomes, a pensarem a Guiné-Bissau e a apresentarem uma solução sustentável para esta crise, que não comprometa a nossa paz social, através de uma valência puramente nacional.

Muitos destes quadros, para a sua formação, tiveram o apoio do Estado guineense, por isso, têm obrigação de colocar o seu intelecto e os seus contactos ao serviço da Guiné-Bissau.

Peço-lhe humildemente que ponha de lado todo o receio de perda de protagonismo pessoal ou político e dê oportunidade a estes filhos da nação de Cabral, para através das suas experiências no acompanhamento das diversas crises guineenses, sensibilizarem os seus irmãos para o projecto de mudança que a Guiné-Bissau carece, visando a harmonia, a estabilidade política, a paz social e o bem estar colectivo.

É chegada a altura de inverter esta política de transpor fronteiras para ir buscar soluções que nos têm ancorado na vontade e na função do contexto que a comunidade internacional considerar conveniente.
É chegada a altura de valorizar os nossos intelectuais e dar sentido à frase do fundador da nossa nacionalidade (Amílcar Cabral), “pensar pelas nossas próprias cabeças”.

Sua excelência Sr. Presidente da Republica, a Guiné-Bissau oferece condições a todos os políticos, para criarem mecanismos onde todos os guineenses possam viver com dignidade. A Guiné-Bissau dispõe de recursos para que todos os guineenses possam estudar em escolas como as que os filhos de políticos estudam.

A Guiné-Bissau dispõe de recursos para que todos os guineenses possam ter acesso a um sistema de saúde equiparado aos que os políticos recorrem quando estão doentes. É preciso criar urgentemente um clima de estabilidade, unir o povo e exigir resultados que beneficiem o povo.

Afirmo que continuarei a defender esta pátria assim como o rio Geba continua a correr para ir desaguar no Oceano Atlântico, contornando vários obstáculos sem nunca desistir.

Sua excelência, estou certo que esta árdua fase que atravessamos não será eterna, assim como o Sr. Presidente da República não se eternizará no Poder, mas poderá ter acções que ficarão gravadas na nossa memória para sempre.

Termino a minha mensagem desejando-lhe festas felizes e renovo o meu desejo de que esta minha mensagem lhe vá encontrar de boa saúde e que seja abençoado com lucidez para continuar a dirigir os destinos da Guiné-Bissau, assim como foi a vontade do povo nas urnas.

Cordialmente
Gaio Martins Batista Gomes

Foto de Gaio Martins Batista Gomes.
 20.12.2017

Um Tributo da Guiné-Bissau a Eugénio Tavares

Um tributo da Guiné-Bissau à Eugénio Tavares

Semente de amor da Ilha Brava de Cabo Verde para o mundo

Se me perguntassem porquê um tributo da Guiné-Bissau à Eugénio Tavares e estivesse mal disposto responderia, porque quero! E se apenas não quisesse entrar em muita conversa, responderia, porque o amor é universal!. Mas na verdade não é apenas por estas duas razões,  é também porque é um tributo merecido àquele que também foi um dos nossos, como poderão compreender mais adiante. Da minha parte apenas quero cumprir o sagrado dever de explicar o que sei e entendo que deve ser do conhecimento de todos aqueles que ainda não o soubessem, sobretudo os mais novos.  Vou então por isso tentar contar esta história para aqueles que ainda não tinham ouvido falar dela e nunca tiveram oportunidade de conhecê-la.

Eis que, nas proximidades da década de sessenta  do século XVIII, um italiano chamado Geovanni Battista Nozolini, casou-se com uma espanhola das Ilhas Canárias, de nome Barbara Riam; tiveram um filho a quem foi posto o nome de André Joseph Nicolas Maria de Candelária de los Santos Nozolini  (André Nozolini), nascido em Tenerife em 1761.  André Nozolini, estando já em Cabo Verde, casou-se com Gertrudes Maria Livramento Henriques (Gertrudes Henriques), nascida em 1775 na Ilha de Fogo (Cabo Verde)

Gertrudes Henriques era filha  do Capitão-Mor da Ilha de Fogo, Marcelino José  Jorge Távora  Henriques, natural de Aveiro (Portugal) e de Maria do Monte Fortunata da Fonseca Mendes Rosado (1749-1842), natural da Ilha do Fogo.  Esta Maria do Monte Fortunata da Fonseca MendesRosado erafilha de José  Cláudio Mendes Rosado (que era administrador da Companhia Grão Pará e Maranhão ) e de Isabel Caetana da Fonseca; ambos eram naturais de Algarve.

André Nozolini e Gertrudes Henriques geraram 5 filhos:Maria Soledade (de nome completo Maria Soledade Nozolini) (1791), José  Marcelino (1792), Maria Ascensão (1793), Maria das Dores (1796), e Caetano (de nome completo Caetano José Nozolini) (1801). Este último viria ser um histórico da Guiné como veremos mais adiante.

Maria Soledade Nozolini, irmã portanto de José Marcelino, Caetano José  Nozolini e de mais outras duas irmãs, iria casar-se com D. Juan José  Roiz (de Espanha) com quem gerarou também 5 filhas: Isabel, Maria Ascensão, Maria Soledade, Gertrudes e Eugênia (esta última de nome completo Eugênia Nozolini Roiz).

Eugênia Nozolini Roiz, também natural de Fogo, casou-se com Francisco de Paula Tavares, natural de Santarém (Portugal) pelo que foi-lhe acrescentada o apelido Tavares do marido e passou a chamar-se assim Eugenia Nozolini Roiz Tavares.

Francisco de Paula Tavares que fora um abastado comerciante em Cacheu e Geba na Guiné e sua mulher Eugênia Nozolini Roiz Tavares tiveram 2 filhos naturais da Guiné, Henrique (1863) e Henriqueta (1866). E quando Eugênia Nozolini Roiz Tavares estava grávida do terceiro filho que ira chamar-se Eugénio de Paula Tavares (Eugénio Tavares) começa o drama familiar.

A mãe  Eugênia Nozolini Roiz Tavares adoece e a família decide que fosse ela e a pequena Henriqueta para Cabo Verde junto dos demais familiares na Ilha de Fogo, enquanto o marido, Francisco de Paula Tavares ficou na Guiné com o mais velho dos irmãos, o Henrique. Mas o drama não larga a família, a mãe Eugênia não melhora na Ilha do Fogo e vai para a Ilha Brava que era considerada mais salubre e onde residia João José de Sena e outros familiares Bravenses. Este João José de Sena é um dos descendente de José Pedro de Sena que fora Capitão-Mor da Ilha Brava enviado pelo rei de Portugal, D. José (1750-1777), para administrar os negócios do reino.

Chegado o momento do parto, nasceu Eugénio Tavares mas morre a mãeEugênia Nozolini Roiz Tavares, deixando o recém-nascido, órfão de mãe, aos cuidados do médico José Martins de Vera Cruz e da irmã deste, D. Eugênia  Martins Vera Cruz Medina e Vasconcelos. Os irmãos Vera Cruz  seriam assim os pais adotivos do recém-nascido, enquanto a irmã deste, a pequena Henriqueta, continuaria sob custódia de João José de Sena.

Pouco tempo depois também morre na Guiné o pai dos menores e o Henrique, mais velho de Henriqueta e Eugénio, é  mandado para Portugal. O drama familiar culminou assim com os pais falecidos e os irmãos menores dispersos. E não podia ter sido pior! Mas como se costuma dizer na Guiné sufridur ta padi fidalgo (do sofrimento nasce o fidalgo), assim mesmo vai ser.

Na sequência deste percurso dramático logo no início de sua vida, Eugénio Tavares iria ter a oportunidade de ser educado pelos Vera Cruz, e desde cedo aprendeu a chamar à D. Eugênia Martins Vera Cruz Medina e Vasconcelos, sua mãe adotiva e madrinha de (Badinha), e foi dela que recebeu o maior afeto e foi à ela que dedicou esta belo poema:

 

És maravilha de Mulher duplamente Mãe;

Não mais santa mãe do fruto do seu ventre, que no sentimento da sua alma

Não mais amorosa mãe dos próprios filhos, que mãe sublime dos filhos alheios

Amo-te ó  minha mãe

E bendita seja a fonte inexaurida de bondade maternal que emana do seu espirito

Tudo com origem no amor, nada com origem no sangue.

 

D. Eugênia Martins Vera Cruz Medina e Vasconcelos, a (Badinha) de Eugénio Tavares era viúva do poeta madeirense Sérvulo de Paula Medina e Vasconcelos que se tinha exilado em Cabo Verde por oposição ao rei de Portugal. Terá  isto a ver com a inclinação poética e contestatária de Eugénio Tavares?

Onde não restou dúvida fio na influencia que tiveram também tiveram  na educação de Eugénio Tavares algumas personalidades do meio intelectual bravense como Guilherme Dantas, um intelectual muito admirado, Augusto Barreto, um respeitado poeta lírico e romântico e Maria Luísa Sena Barcellos conhecida como a primeira poetisa de Cabo Verde, e que é irmã de Cristiano José de Sena Barcellos, autor de “Subsídio para a história de Cabo Verde e Guiné”, além de outros temas na mesma linha.

Tendo sido concebido na Guiné, nascido na Ilha Brava (Cabo Verde) e passado pelo pior e o melhor dos períodos da vida, a Guiné esteve muitas vezes presente na trajetória dos antepassados de Eugénio Tavares em pelo menos 4 gerações:

Marcelino José  Jorge Távora Henriques (a quem os populares do Fogo batizaram como “Nho Capitão), trisavó  de Eugénio Tavares do lado materno, e que era  natural de Aveiro Portugal, antes de chegar a Capitão-Mor na Ilha de Fogo, fora Alferes-Tenente na praça de Cacheu (Guiné) quando o seu irmão José Távora  era Capitão-Mor da mesma praça.

Seu tio-avó  Caetano José Nozolini, natural de Fogo e que fora militar que atingiu a patente de Tenente-Coronel, adotou definitivamente a Guiné como sua terra e ali casou-se com Nhara Aurélia Correia ou “Mãe  Aurélia Correia”, fidalga conhecida e trada como rainha bijagó de Orango. Ambos tiveram 4 filhos, todos nascidos em Bissau: Eugénia Aurélia Nozolini (1823), Gertrudes Leopoldina Nozolini (1827),  Gertrudes Aurélia Maria Correia  Nozolini (1835) e José Caetano Nozolini (1836).

Caetano José  Nozolini chegou a assumir altos cargos na Guiné, tais como os de Capitão-Mor e de Governador, além de ter sido um grande comerciante que no seu tempo dominou o comércio  de Geba, Bissau e Bolama, assim como de outras feitorias e outros rios da Guiné.

Seria ele Caetano José Nozolini o indicado pelo então e único Governador natural da Guiné, Honório Pereira Barreto, para  fundar a povoação  de Bolama em 1838, a partir da localidade batizada com o nome de Novo Mindelo, na ponta oeste da ilha). Bolama viria a ser capital da Guiné após uma longa disputa entre Portugal e Inglaterra, disputa que iria ser definitivamente encerrada com a arbitragem e sentença de Ulisses Grant, então presidente dos Estados Unidos de América. A nova capital da Guiné iria receber por isso uma estátua deste presidente americano.

Um primo de segundo grau de Eugénio Tavares também chamado Caetano José Nozolini (1850),   (mesmo nome do tio-avó de ambos), e que é 8 anos mais velho que Eugénio Tavares, seguindo também carreira militar, teria igualmente prestado serviços militares na Guiné por volta de 1880, como oficial do exército português. Este seria filho de Roberto José Nozolini (1820) e neto direto de José Marcelino Nozolini (1792).

O pai adotivo de Eugénio Tavares, o médico José Martins de Vera Cruz, que era também militar, proprietário, empresário e armador, nasceu e morreu na Ilha Brava (1828-1920).  Diplomou-se como médico na Escola Médico-Cirurgica de Funchal, exerceu clinica na Ilha Brava e na Ilha do Sal e prestou serviços na Guiné onde se distinguiu no combate à cólera e febre amarela, merecendo por tais serviços as honras de Primeiro Grau de Torre e Espada, em Junho de 1870.

Este seu pai adotivo mereceu ainda outras honras, tais como a de Cavaleiro da Ordem Militar de S. Bento de Aviz, de Medalha de Prata de classe de Comportamento Exemplar, além de Comenda de Ordem Militar do Nosso Senhor Jesus Cristo.

Na sua ilha natal, Brava, chegou a ser presidente de Camara sucessivamente eleito até 1901, e nesta função consta que foi ele que idealizou muitas das infraestruturas que deu à Ilha Brava as feições que chegaram aos nossos dias, inclusive o Jardim da Praça que recebera mais tarde o nome do Jardim Eugénio Tavares em honra a este seu filho pródigo.

Casado com a mulher da sua vida, Guiomar Leça Tavares, o nosso poeta, compositor e  jornalista  Eugénio Tavares, não deixou descendentes mas deixou sementes de amor, porque nele o amor encontrou um terreno fértil onde germinou e por isso a sua vida deve ser celebrada. Esta celebração não deve pertencer só a Ilha Brava ou Cabo Verde, mas deve também pertence à Guiné, à Portugal às Ilhas Canárias ou Espanha, à Itália  e ao mundo, porque o amor é universal, e é acima de tudo, uma dadiva de Deus.

Amor é  a virtude de não discriminação, é o prazer de querer e ser querido ou de amar e ser amado, é o espirito de solidariedade, de tolerância, de paz e reconciliação, de dedicação à  causa do combate à fome, à miséria, à doença, à ignorância, à marginalização, à ambição desmedida; é enfim a dedicação à causa de entendimento entre os homens, preservação da natureza e da vida na terra.

Amor é precisamente o segredo de Deus para a proteção da vida, basta ver que é por ele que as mães suportam e toleram os choros e cheiros dos seus bebés. E quando o amor escasseia como acontece no mundo de hoje, o primeiro que se deve fazer é procurar a sua semente, multiplicá-la e distribuí-la.

O nosso poeta Eugénio Tavares, tendo merecido muito elogios, como o de ter sido poeta lírico e suavíssimo, prosador elegante em português e crioulo, filólogo da língua crioula, entre outros adjetivos elogiosos,  deixou este poema que é um verdadeiro hino de amor, escrito na língua crioula que nos e comum, poema esse que foi cantada e imortalizada numa monumental morna cabo-verdiana intitulada “força de cretcheu”.

Estas são as razões do porquê do tributo da Guiné-Bissau à Eugénio Tavares.

 

(Agradeço desde já as informações disponibilizadas em vários sites dedicados à vida e obra de Eugénio de Paula Tavares e peço desculpas antecipadas para quaisquer eventuais imprecisões  ou lapsos no conteúdo ou na forma de apresentação pela qual optei.)

 

Carlos António Gomes (carlosagomes@iol.pt)

30.10.2017

Réforme d’État et modernisation administrative en Guinée-Bissau

 

Politólogo, nascido na Guiné-Bissau, Avelino Gomes da Costa, recebeu sua instrução primária e secundária no arquipélago dos bijagós (ilha de Bubaque) e posteriormente no liceu « Dr. Agostinho Neto » em Bissau, onde conclui o 11°ano.

Em 2002, após ter passado por um exame de admissão,  ingressou-se no Instituto Camões em Bissau para cursar a Licenciatura em língua portuguesa e culturas. O referido curso veio a ser interrompido em fevereiro de 2005 na sequência duma vaga que lhe foi atribuído no âmbito do programa Convênio de Graduação (PEC-G), para prosseguir seus estudos superiores em Ciências políticas na Universidade de Brasília-UnB (República federativa do Brasil). Ali conclui brilhantemente sua Graduação em 2009.

A sua passagem por esta instituição universitária, também foi marcada pela prática e experiência pedagógica exercida no âmbito da monitoria em várias disciplinas à saber: política brasileira 1, teoria política clássica, introdução à ciência política, teoria política moderna e teoria política contemporânea.

Depois de cumprido todas às formalidades inerentes ao processo de Colação de Grau em fevereiro de 2009, decidiu porém, no mês de abril seguir-se rumo à França em busca de novas oportunidades para ampliar seu horizonte acadêmico. Em Paris, ambicioso e apaixonado pela Ciência política, Avelino Gomes da Costa foi admitido no segundo ciclo na Universidade Panthéon Assas – Paris 2, antes de obter em 2012 seu diploma de Maîtrise en science politique, spécialité : Travail Politique et Parlementaire na Universidade de Nanterre La Défense Paris 10. Em 2013, obteve igualmente com sucesso seu diploma de Master 2 en science politique à double finalité recherche et professionnel, parcours : nouveaux objets de l’action publique na Universidade de Paris 8. Ele é ainda titular em 2015, de um Diplôme Universitaire post-Master no domínio de Direito na Universidade de Sorbonne Paris 1, cuja dissertação foi apresentada e defendida sob título ‘‘Le contentieux de l’élection présidentielle de 2005 en Guinée-Bissau: quel apport pour l’édifice de l’état de droit et démocratie ?’’.

Engajado no movimento associativo desde seu país natal, Avelino Gomes da Costa foi, e é ainda membro e dirigente de várias organizações na Guiné-Bissau,  Brasil e França.


 

Résumé

L’ouvrage Réforme d’État et modernisation administrative en Guinée-Bissau dresse un cadre de réflexion et d’analyse qui explore la subtilité et la complexité du processus de la réforme dans la fonction publique en Guinée-Bissau. Entre le volontarisme gouvernemental et l’ingénierie politique contextuelle, le recensement par l’empreinte biométrique a traduit un premier tournant historique. La réforme menée par le gouvernement, d’emblée, était non seulement destinée à combattre la fraude administrative, mais, elle avait aussi un autre volet d’orientation politique qui place au cœur d’agenda, les enjeux des ressources humaines et le besoin de moderniser l’administration publique par sa formule (E-@Gouvernement), afin de construire ou reconstruire la capacité réactive de l’État ou rendre l’administration publique plus efficace face aux demandes sociales.

Biographie de Avelino Gomes da Costa

Politologue, né en Guinée-Bissau, Avelino Gomes da Costa fût scolarisé dans l’enseignement primaire et secondaire en archipel des Bijagos (île de Bubaque), puis au lycée Dr. Agostinho Neto à Bissau où où il obtient son baccalauréat. En 2002, il réussit l’examen d’admission pour une formation de Licence en littérature et culture portugaise à l’Institut Camões, qu’il quittera seulement en février de 2005 après avoir été sélectionné dans le cadre du programme « PEC-G » (Programa Estudante Convênio de Graduação en portugais), afin de poursuivre ses études supérieures en science politique à l’Université de Brasilia (capitale fédérale de la république fédérative du Brésil), où il sort brillamment diplômé en 2009. Il laisse toutefois l’image d’excellence académique durant cette période, ce qui lui a permis ainsi, par le biais du processus sélective à l’université d’exercer les activités d’enseignement en tant que moniteur des disciplines : politique basilienne 1 ; théorie politique classique ; introduction à la science politique ; théorie politique moderne ; théorie politique contemporaine. Après avoir clôturé cette étape par la remise de son diplôme en février, il rejoint la France en avril de la même année. À Paris, ambitieux et passionné par la science politique, il est admis au deuxième cycle à l’université Panthéon Assas – Paris 2, avant d’obtenir en 2012 une Maîtrise de science politique, spécialité : travail politique et parlementaire à l’université Paris Ouest Nanterre La Défense. En 2013, il obtient avec succès son diplôme du Master 2 en science politique à double finalité : recherche et professionnel, parcours : nouveaux objets de l’action publique à l’université Paris 8. Il est aussi titulaire en 2015, d’un diplôme d’université post-master dans le domaine de Droit à l’université Paris 1 Panthéon-Sorbonne. Engagé dans le mouvement associatif depuis son pays natal, il est dirigeant et membre à divers niveaux, de plusieurs organisations en Guinée-Bissau, Brésil et France.

Informações a conferir nos sites:

https://www.edilivre.com/catalog/product/view/id/627984/s/reforme-d-etat-et-modernisation-administrative-en-guinee-bissau-avelino-gomes-da-costa/category/1566/#.WTRkNOvyhdg

http://www.electoral.fr/?p=7881

https://www.amazon.fr/Reforme-etat-modernisation-administrative-guinee-bissau/dp/2332853162?SubscriptionId=AKIAJ35C3MBOPQ2XDURQ&tag=senegalaise08-21&linkCode=xm2&camp=2025&creative=165953&creativeASIN=2332853162

http://livre.fnac.com/a10297396/Avelino-Gomes-Da-Costa-Reforme-d-Etat-et-modernisation-administrative-en-Guinee-Bissau

http://www.lecteurs.com/livre/reforme-detat-et-modernisation-administrative-en-guinee-bissau/4690982

https://www.librairie-plumeetfabulettes.fr/livre/11052409-reforme-d-etat-et-modernisation-administrative–avelino-gomes-da-cos-edilivre-aparis

http://www.scoop.it/t/droit-electoral