CARTA ABERTA AO SR. DOMINGOS SIMÕES PEREIRA

CARTA ABERTA AO SR. DOMINGOS SIMÕES PEREIRA
Caro compatriota, Deputado da Nação e Presidente do PAIGC.
A Guiné-Bissau e os Guineenses aguardam pelo seu Compromisso Pátrio, pela sua Responsabilidade Cidadã, pelo seu Sentido de Estado, para que aceite fazer Parte do CORDÃO da UNIDADE NACIONAL, no intuito de, Todos Juntos, e tendo em conta as nossas realidades sociais e culturais, procurarmos encontrar e cimentar as Melhores Soluções/Medidas – Preventivas, de combate à propagação do Coronavírus na Guiné-Bissau, o ÚNICO INIMIGO COMUM, quer da Guiné-Bissau, quer da Humanidade, nesta fase de nossas vidas.
Por via disso, e perante a sua estratégia política recorrente, assente na demagogia, manipulação e instrumentalização do nosso Povo, com o consequente bloqueio Político, Institucional, Administrativo e Económico do País, solicitamos a sua Contribuição, no sentido de assumir Compromissos e Responsabilidades para com o nosso País e o nosso Povo, e mande “baixar as armas às suas tropas”, face à situação delicada e Global, da Pandemia COVID-19, que implica a União de Esforços de Todos Nós, não só pela nossa Guiné-Bissau, mas pela Humanidade!
Em nome da UNIDADE NACIONAL, visando o combate ao Coronavírus devemos abdicar de fazer Política nesta altura, que não, no âmbito da DEFESA do BEM-COMUM.
Não queremos que os Guineenses continuem divididos por via de manipulações e instrumentalizações políticas, tendo o Presidente do PAIGC como um dos novos activistas políticos e sociais guineenses, quando a Missão e os Objectivos dos Partidos Políticos não é o activismo político em nome pessoal dos seus dirigentes!
Mande baixar as armas às suas tropas, e pare de dividir os Guineenses!
Perante uma Ameaça Global, o ENTENDIMENTO, a UNIÃO, a COOPERAÇÃO e a SOLIDARIEDADE, GLOBAIS, são os principais trunfos na busca de soluções conjuntas sustentáveis e duráveis para o flagelo que mais aflige a Humanidade neste momento, incluindo obviamente, a nossa Guiné-Bissau.
O Secretário-geral da ONU, Engº. António Guterres pediu recentemente um cessar fogo mundial face à Pandemia COVID-19, tendo dito, citamos: “Está na hora de terminar os conflitos armados e de nos concentrarmos na verdadeira luta das nossas vidas… A fúria com que o vírus se está a espalhar mostra que continuar a fazer guerra é loucura”. Fim de citação.
Vamos mais longe para acrescentar ao apelo do Secretário-geral da ONU, a visão de que, para além dos conflitos armados, especificamente, TODOS os CONFLITOS, incluindo os Políticos, Institucionais, Sociais e Culturais, que bloqueiam Estados, suas Instituições e, consequentemente, prejudicam/impedem, a Paz Social, o Progresso e o Bem-Estar das suas populações, alegadamente sustentados em nome de inconsistentes ou incongruentes reivindicações pelo Estado de Direito Democrático, também devem terminar imediatamente, neste momento delicado para a Humanidade.
O momento não é para confrontação, mas sim, para Colaboração!
Nos dias de hoje, a guerra não é necessariamente uma realidade por via de conflitos armados.
Não se morre só por via dos conflitos armados!
Hoje morre-se mais, sobretudo, nos países menos desenvolvidos, e consequentemente, mais fragilizados, pelos efeitos consequentes dos conflitos políticos e institucionais, que bloqueiam Estados e suas Instituições, deixando as populações à mercê das catástrofes naturais, das doenças, da fome, da miséria e da pobreza, extremas.
A Guiné-Bissau não foge à regra, por via dos sucessivos bloqueios políticos e institucionais, que continuam a negar às Populações, o DIREITO À VIDA com DIGNIDADE!
Sr. Domingos Simões Pereira, reconsidere a sua ambição política, quiçá, a sua estratégia de confrontação permanente, visando apenas o poder, quando o que está em causa é o BEM-ESTAR COMUM, o INTERESSE NACIONAL, a HUMANIDADE, tendo em conta a actual conjuntura Global, de UNIÃO e SOLIDARIEDADE.
Aceite disponibilizar os seus conhecimentos, os seus recursos, em suma, as suas influências, ao serviço da Guiné-Bissau e dos Guineenses, nesta fase delicada que atravessamos.
“Liberte” os quadros de Saúde que podem e devem ser úteis à Saúde dos Guineenses, mas que, em nome da fidelidade aos Estatutos do PAIGC, estão reticentes em fazê-lo, por continuarem “reféns” das suas decisões enquanto Presidente do Partido!
Tem insistentemente repetido que possui um programa de combate ao COVID-19. Por que não o disponibiliza à Guiné-Bissau e à Humanidade?
Será por egoísmo, ou será apenas e só, politiquice entre a ignorância do ignorante cada vez mais ignorado, face a uns tantos ignorantes, cada vez mais desprezíveis…?!
Positiva e construtivamente.
Didinho 04.04.2020

COVID-19: A IMPORTÂNCIA DA CONCERTAÇÃO MULTIDISCIPLINAR NA TOMADA DE DECISÕES POLÍTICAS

COVID-19: A IMPORTÂNCIA DA CONCERTAÇÃO MULTIDISCIPLINAR NA TOMADA DE DECISÕES POLÍTICAS

Na Guiné-Bissau, face à pandemia COVID-19 e às decisões tomadas pelas entidades que dirigem o País, será que houve alguma preocupação em consultar Cientistas Guineenses, dentro ou fora da Guiné-Bissau, numa perspectiva Multidisciplinar, antes da tomada de decisões/medidas, restritivas, visando a prevenção e a não propagação do Coronavírus, sem ignorar a nossa realidade cultural e social, entre a fragilidade estrutural e infra-estrutural do Estado e a pobreza extrema que afecta a maioria das nossas Populações?

O poder político não deve ignorar a Ciência, quiçá, os Cientistas, nas tomadas de decisão política, face à conjuntura Global de Emergência, na qual, as decisões políticas devem ser tomadas sim, num contexto de legitimidade, mas, numa vertente de orientação científica multidisciplinar!

Quero para mim, a Guiné-Bissau que desejo para todos os meus irmãos Guineenses!

Positiva e construtivamente.

Didinho 04.04.2020

POLARIZAÇÃO DA SOCIEDADE GUINEENSE ATÉ NA DOENÇA COVID 19: PODE SER O FIM DE TUDO?

POLARIZAÇÃO DA SOCIEDADE GUINEENSE ATÉ NA DOENÇA COVID 19: PODE SER O FIM DE TUDO?

Nesta semana, na sequência das medidas de precaução adotadas contra a pandemia de COVID 19, um grupo de guineenses criou, no whatsapp, um espaço de debate e partilha de informações sobre COVID 19.

Na mesma semana, por coincidência, o executivo chefiado pelo senhor Nuno Gomes Nabiam, na sequência do decreto presidencial do senhor Umaro Sissoco Embaló, tomou uma série de medidas conducentes a prevenir a propagação e a reduzir, consequentemente, os efeitos desta pandemia.

Entre as quais, “desaconselha a aglomeração das pessoas em lugares públicos, inclusivamente nos mercados públicos”.

Nesta mesma semana, o magnata chinês, senhor Jack Má – patrão da Alibaba, fez um donativo à África, em materiais e equipamentos cujos números e rapidez de resposta, ultrapassam qualquer manifestação de intenção.

Em tempo recorde, houve apelos de muita gente, nas redes sociais, solicitando a mobilização de sinergias de quadros guineenses (médicos especialistas) capazes de contribuir para atenuar os efeitos da COVID 19, por outro lado, outros exigiam e apelavam rigorosamente ao cumprimento do papel dos deputados da nação face à situação vigente.

Como a velocidade da luz, verificou-se uma série de reuniões que culminaram na emissão de decretos e despachos de (nomeações e exonerações), uns aplaudindo, e outros estupefatos.

Nestes momentos de surrealismo consentido, realça pensar devagar e quiçá perguntar:

Afinal, a Guiné-Bissau apresenta uma “polarização extrema” até nas questões básicas, por quê?

Amigos polarizados!

Irmãos polarizados!

Tribos polarizadas!

Relações polarizadas!

Supremo Tribunal de Justiça polarizado!

Ministério Público polarizado!

Membros do governo polarizados!

Enfim, esta nossa Guiné-Bissau que uns dizem ser um (país rico), em termos de diversidade e biodiversidade e que nem, o conflito de 7 Junho de 1998, conseguiu dividir, não tem a mesma capacidade para reorientar a sua estratégia e procurar novas formas e modelos de alcançar o desenvolvimento?

O “modus operandi” dos detentores do poder (donos disto tudo) na Guiné-Bissau, em pleno ano 2020, é de longe parecido com o “status quo ante” 12 de Abril de 2012, pelo “amadorismo” e “violência” que continuam a pairar numa sociedade ainda frágil, como dizia Fafali Koudawo.

Sem querer, tenho “perdido” amigos e pessoas com as quais preferia ser diferente no pensamento e no ato, do ponto de vista ideológico, mas que fossemos, também, iguais, por um inimigo público comum – COVID 19.

Desde 2003, ainda na diáspora estudantil, por exemplo, acompanhei, critiquei, apoiei, discordei, quiçá, ficava se fosse preciso, “indiferente” com as opiniões do mentor do projeto “CONTRIBUTO“, senhor Fernando Casimiro. Porém, esse meu posicionamento não me dá o direito de desrespeitar o direito dele – Didinho – ter opinião própria, enquanto guineense e ativista.

No entanto, a política e os políticos guineenses, nos últimos 20 anos, dividiram a sociedade guineense a seu bel-prazer, em conluio com as nossas forças armadas.

Há uma geração que foi da mesma turma, do mesmo ofício, dos mesmos prazeres, recalcados uns para com os outros, que anda em pólos diferentes (por motivos que só eles sabem dizer), mas vivem alimentando um debate polarizado e divisionista aos jovens, ora pró PAIGC, ora pró PRS, ora pró MADEM, etc.

Os da outra (nova) geração, com a qual me identifico, estão a ser instrumentalizados para cumprir uma agenda que não dominam e que não condiz com o seu futuro (e.i tribalização, banalização das referências, fanatismo, radicalização por tudo ou nada, etc).

Sociedade em que opinar ou pensar diferente significa ser conotado com pólo diferente, ou seja, “és nosso ou és da outra caravana”.

Sociedade em que, cada vez mais, perdemos sozinhos em vez de ganharmos juntos, uma vez que quem sabe menos “prefere hostilizar quem sabe mais, ou vice-versa”.

Sociedade na qual, em plena pandemia que grassa o nosso mundo, andamos a hostilizar o (médico ou profissional) mais experimentado, em matéria epidemiológica, no nosso país, em nome dos interesses da polarização a qual pertencemos.

Esta é a triste realidade que a Guiné-Bissau continua a aceitar, em pleno ano 2020, como modelo, e que, cegamente, faz o esforço inocente para seguir.

Pois, os orgulhos (étnico, religioso, partidário, de clã, entre outros) falam mais alto em detrimento daquilo que podia efetivamente ser a nossa maneira, genuinamente, guineense de ser (pepel+manjaco+fula+balanta+mandinga+beafada+bijagós, etc.) lutando juntos e unidos contra o inimigo invisível comum – COVID 19.

Apenas uma opinião!

Santos Fernandes

Bissau, 3 de Abril de 2020.

TEMOS QUE LEVAR A SÉRIO O CORONAVÍRUS

PAREMOS JÁ, ANTES QUE SEJA TARDE!

Deixemos de subestimar o Coronavírus; de ignorar consciente ou inconscientemente os efeitos consequentes do vírus, e as medidas preventivas decretadas pelas autoridades do País, a Bem da Saúde Pública, quiçá, de Todos Nós!

Distanciamento Social Exige-se e Recomenda-se!

Paremos com atitudes de protagonismo, mesmo quando nossas intenções sejam as melhores, no âmbito da Solidariedade para com Todos!

O Coronavírus, infelizmente, é uma Realidade e uma Sentença de morte.

Enquanto País vulnerável, a melhor arma de Combate à Pandemia COVID-19 na Guiné-Bissau, e em todo o Mundo, é a PREVENÇÃO!

Custa tanto informar e sensibilizar os Guineenses para cumprirem com as medidas preventivas decretadas?

A quem interessa a politização e o protagonismo em jeito de campanha eleitoral, e em nome de uma Solidariedade que ao invés de contribuir para combater a pandemia, pode contribuir para propagar a pandemia no nosso País?

Por favor, está na hora de ganharmos Consciência sobre os riscos para Todos, que a nossa irresponsabilidade assente em protagonismos e vaidades já podem estar a causar ao País e às nossas Populações.

PAREMOS JÁ, ANTES QUE SEJA TARDE!

Positiva e construtivamente.

Didinho 01.04.2020


TODO O CUIDADO É POUCO

Os microfones, os telemóveis e outros equipamentos usados pelos profissionais da comunicação social, na Guiné-Bissau e em todo todo o Mundo, também são potenciais focos de contaminação e propagação do Coronavírus.

Que medidas preventivas de saúde e higiene, foram, ou têm sido tomadas, directamente e pessoalmente, pelas pessoas que estão expostas aos riscos directos e, ou, indirectos, face aos seus ambientes de trabalho?

Didinho 01.04.2020

A UNIDADE NACIONAL É UM IMPERATIVO CONSTITUCIONAL

A UNIDADE NACIONAL É UM IMPERATIVO CONSTITUCIONAL

Contribuir para a Unidade Nacional visando a participação de todos na prevenção e no combate ao COVID-19 implica deixar de lado, no actual momento em que vivemos, os Egos, suportados por arrogâncias, intolerâncias, recalcamentos, politiquices e patriotismo barato.

A Cidadania é também, saber promover e divulgar a Concórdia Nacional, em nome da Reconciliação e da Unidade, Nacionais!

Realismo Sim, numa perspectiva Positiva, Construtiva, e não, Negativa e Destrutiva!

Afinal de contas, somos poucos para levarmos avante a tarefa da Construção da Nação Guineense, então, por que razão havemos de continuar sempre de costas voltadas, mesmo quando uma doença põe em causa a nossa própria existência, impondo-nos necessariamente, a UNIDADE NACIONAL como factor congregador de todas as iniciativas para a sua prevenção e o seu combate?

A caminho dos 59 anos de vida, nunca me posicionei para agradar quem quer que seja, mas seria ingénuo, ignorar que, para alguns, que me têm lido ininterruptamente, desde 10.05.2003, para certas abordagens, em função das suas pertenças ideológicas e consequente conveniência, sou bestial, para no momento seguinte, passar a besta, face a uma reflexão que seja contrária às suas ideologias, e conveniências.

Ando nisto diariamente, há 17 anos!

Positiva e construtivamente.

Didinho 01.04.2020


CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DA GUINÉ-BISSAU

TÍTULO 1

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS – DA NATUREZA

E FUNDAMENTOS DO ESTADO

ARTIGO 3°

A República da Guiné-Bissau, é um Estado de democracia constitucionalmente instituída, fundado na unidade nacional e na efectiva participação popular no desempenho, controlo e direcção das actividades públicas, e orientada para a construção de uma sociedade livre e justa.

 

A PROPÓSITO DE DOAÇÕES DE MATERIAIS VISANDO O COMBATE AO COVID-19 NA GUINÉ-BISSAU

A PROPÓSITO DE DOAÇÕES DE MATERIAIS VISANDO O COMBATE AO COVID-19 NA GUINÉ-BISSAU
Estou a pensar nas iniciativas de um vasto número de Deputados da Guiné-Bissau, em nome pessoal ou dos seus partidos políticos, bem como de cidadãos comuns, que se têm desdobrado em campanhas de ajuda às populações e algumas entidades comunitárias, com materiais de protecção, higiene e desinfecção, entre outros, sem se preocuparem com os riscos de contaminação pelo coronavírus.
Há que ter cuidado, sendo que, todo o cuidado é pouco e ninguém sabe quem pode transmitir a doença, ou ser contaminado com a doença, continuando cada um a deslocar-se de um lado para o outro, mesmo com as melhores das intenções, face à ameaça da pandemia COVID-19.
Tenham cuidado com as nossas CRIANÇAS, por favor, não as deixem expostas ao contágio, em nome do que quer que seja. Não as levem para fora de casa por que motivo for e, muito menos, para a “fotografia”, POR FAVOR!
 
Por que esperam as autoridades de Saúde da Guiné-Bissau para sensibilizar todos quantos queiram contribuir/ajudar, com seja o que for, a nível de materiais de protecção, higiene e desinfecção, no intuito de o fazerem através das entidades de saúde competentes e incumbidas para o efeito, onde se podem incluir voluntários afectos às organizações da Sociedade Civil?
Entidades de saúde competentes e incumbidas para o efeito, quiçá, através de pessoas devidamente treinadas, preparadas, equipadas, sensibilizadas e autorizadas para lidar com situações de risco, incluindo voluntários de organizações da Sociedade Civil, face a potenciais focos de contágio pelo coronavírus, evitando assim, criar mais focos de contaminação e propagação da doença entre as diversas comunidades locais de todo o nosso País.
Criar e difundir uma “Corrente Solidária“, disponibilizar os seus dados de informação/contacto, horários de acção etc., para que todos os interessados em contribuir com os seus gestos solidários nesta batalha comum contra o coronavírus possam disponibilizar, nos seus espaços próprios, as suas doações de forma organizada e segura, que seriam recolhidas pelas entidades competentes de saúde, incluindo os voluntários de Organizações da Sociedade Civil, devidamente autorizados e credenciados para o efeito, e entregues às Comunidades Locais, através de formas de distribuição, igualmente seguras e devidamente organizadas.
Não quero falar de potenciais desvios das doações, pois que, devemos todos assumir o Espírito da Responsabilidade Social e Cidadã, sobretudo, no momento delicado em que vivemos, no qual, o BEM-ESTAR COMUM, é o INTERESSE MAIOR que nos deve inspirar, influenciar, sensibilizar, para a visão e o objecto da SOLIDARIEDADE enquanto Princípio e Valor que está acima de todo e qualquer egoísmo, sensacionalismo e protagonismo.
Caros Deputados Guineenses, estimados compatriotas Guineenses, é fundamental que cada um faça a sua parte preventiva, cumprindo com a regra do distanciamento social.
Já todos sabemos as principais medidas de prevenção que devemos seguir, mas nunca é demais repeti-las e, por via da nossa realidade social na Guiné-Bissau, elencar algumas situações que não fazendo parte explícita das medidas preventivas, não deixam de ser pertinentes para evitar a contaminação e propagação do coronavírus no nosso País.
Lavar as mãos com sabão, frequentemente, em casa, ou no trabalho, isto para quem tiver que trabalhar, e logo que regressar a casa.
Evitar sair de casa a não ser para necessidades essenciais;
Evitar estar a menos de metro e meio uns dos outros;
Evitar meios com muita concentração de pessoas;
Usar máscara e luvas, caso as tenha, sempre que estiver em meios/ambientes, de risco;
Evitar, mesmo em casa, comer em conjunto, na mesma tigela, com a mesma colher que se vai passando uns aos outros, alegadamente, em nome da nossa cultura/tradição, ignorando os riscos e as consequências da contaminação e propagação da doença.
Evitar beber no mesmo copo, na mesma caneca ou garrafa, usados por outros, mesmo sendo membros do agregado familiar, e, se for o caso, evitar de introduzir o mesmo copo, a mesma caneca, com que alguém bebeu, no pote com água para consumo em casa. Que se tenha em conta que em momento algum se deve introduzir as mãos dentro do referido pote, na tentativa de abastecer o copo ou a caneca.
Positiva e construtivamente.
Didinho 01.04.2020
P.S. – As imagens que se seguem foram descarregadas através das redes sociais. Por terem sido disponibilizadas ao público, sem nota explícita dos seus autores e dos direitos concernentes, quanto à proibição de suas reproduções/partilhas, decidimos, incluí-las neste trabalho de sensibilização, agradecendo antecipadamente, e em nome da Ética, aos seus autores, por esta nossa “usurpação” em nome do BEM-ESTAR COMUM.
Didinho 01.04.2020

GUINÉ-BISSAU: COVID-19, ENTRE O HOJE E O AMANHÃ DE NOSSAS SOBREVIVÊNCIAS…

GUINÉ-BISSAU: COVID-19 ENTRE O HOJE E O AMANHÃ DE NOSSAS SOBREVIVÊNCIAS…

Tenho acompanhado diversas reflexões em forma de Contributos para a Guiné-Bissau, face à pandemia COVID-19, e em todos elas, vejo preocupação, prudência e receio para com a doença, quer pela realidade que define e caracteriza as nossas fragilidades na área Estruturante da Saúde, por via de vulnerabilidades processadas, geradas/induzidas, a vários níveis/dimensões, e abrangências, tendo como raiz, decisões institucionais/governativas e políticas do dirigismo do nosso Estado, desde que nos proclamamos Independentes e Soberanos; quer pela realidade cultural, social/tradicional, que define e caracteriza as diversas formas de ser e de estar das nossas populações, que compõem um Todo que é o Povo Guineense, que, deve continuar a preservar toda a sua riqueza cultural, social/tradicional, Positiva, e abandonar toda e qualquer prática cultural/tradicional nefasta, com consequências igualmente negativas para a Saúde de Todos Nós, adaptando-se às novas realidades de uma vivência global, face a ameaças globais.

Neste trabalho que hoje vos apresento e que faço questão de dirigir, em forma de proposta, às entidades que têm em mãos o poder do dirigismo do Estado, ignorando consciente e propositadamente as querelas políticas, porque entre uma alegada alteração constitucional que culminou na demissão do anterior governo e a nomeação de um novo governo, o facto é que, há um poder instituído (que pode ser contestado obviamente), que controla e dirige o poder do Estado presentemente, inclusive, a Área da Saúde (que é o que nos importa neste trabalho), e as suas infra-estruturas materiais, bem como os seus recursos humanos.

É a partir dessa evidência que me dirijo às entidades que dirigem actualmente a Guiné-Bissau, enquanto Cidadão Guineense, preocupado com a Saúde e o Bem-Estar de Todos os Guineenses, tendo em conta que os efeitos da pandemia COVID-19 já chegaram ao nosso País, o que significa, igualmente, que as suas consequências não se farão esperar.

Uma das reflexões mais pertinentes que li entre nós Guineenses, é da autoria da Dra. Magda Nely Robalo, Epidemiologista, Distinta Profissional na Área da Saúde, que serviu a Organização Mundial da Saúde durante vários anos, a vários títulos e níveis de representatividade em diversos países africanos, até ser convidada (feliz e louvável iniciativa) para ocupar o cargo de Ministra da Saúde Pública da Guiné-Bissau, cargo que exerceu com a mais alta competência, responsabilidade e sentido de Estado, facto que não passou despercebido a nenhum cidadão guineense.

Do que li do seu artigo intitulado: COVID-19 – É PRECISO ESTAR À FRENTE DA CURVA vi demonstrado, de forma eloquente, o seu Compromisso para com o seu/nosso País, a Guiné-Bissau, e para com o nosso Povo, tendo em conta a sua Missão de ajudar a Salvar Vidas, enquanto Profissional de Saúde.

Fiquei elucidado e convencido das suas capacidades e competências profissionais, bem como da sua vontade, do seu desejo, de continuar disponível a ajudar a Guiné-Bissau, sobretudo, num momento tão delicado, no qual o hoje e o amanhã, de nossas sobrevivências, estão em causa por via da pandemia COVID-19.

Do que li do seu artigo, surgiu-me a ideia de propor, desta forma, às entidades que dirigem a Guiné-Bissau, a criação de um Gabinete de Crise Multidisciplinar, para fazer face à pandemia COVID-19, independentemente de todas as diligências já efectuadas por quem de direito nesta matéria;

Gabinete esse, que deveria ser Coordenada/Dirigida, pela Dra. Magda Nely Robalo, numa perspectiva estrutural fora do contexto político-partidário dos seus integrantes, e apenas numa vertente de utilidade da Saúde Pública, a bem do Interesse Nacional.

Estou certo que a Guiné-Bissau ganharia uma Forte Estrutura de Planeamento e Acção na prevenção e no combate ao coronavírus e não só.

Para além das suas capacidades técnicas enquanto profissional de saúde, a Dra. Magda Nely Robalo é uma ponte de referência entre a Guiné-Bissau, a Organização Mundial de Saúde e, o Mundo em geral, sobejamente conhecida que é, e profunda conhecedora, que também é, da Diplomacia da Saúde, com base na Saúde Global, que também se estende à Guiné-Bissau.

Não podemos, nem devemos desperdiçar os Melhores Quadros Nacionais, concretamente, na Área da Saúde, que é o tema da nossa abordagem de hoje.

Estou certo de que a Dra. Magda Nely Robalo aceitaria o convite de imediato, em nome do Interesse Nacional, desde que salvaguardados aspectos essenciais para a institucionalização, credibilização e funcionamento do Gabinete a ser criado, entre os Termos de Referência, os Objectivos e a Missão do Gabinete.

A meu ver, enquanto Coordenadora/Directora desse Gabinete de Crise, deveria ser-lhe dada autonomia para projectar a Orgânica do Gabinete, bem como, em conjunto com a sua Equipa Multidisciplinar de Trabalho, estabelecer a Missão de Fundo e os Objectivos a alcançar, tendo em conta a prevenção, sensibilização e o combate ao coronavírus.

Todos os Profissionais de Saúde podem ser mais valias para uma Frente Comum, quer os que se encontram na Guiné-Bissau e podem dar os seus Contributos no dia a dia, em contacto com a realidade presencial/factual; quer os que estando fora da Guiné-Bissau, muitos a exercer em Portugal, Brasil, Inglaterra, e até nos Estados Unidos da América, que também podem ajudar de várias formas, por exemplo através de debates por vídeo-conferência, ou formação de quadros profissionais de saúde radicados na Guiné-Bissau, a nível de partilha de experiências na luta contra o coronavírus, incluindo formação na utilização de equipamentos/aparelhos mais sofisticados para o efeito.

Por tudo isto, em nome da Guiné-Bissau, e pela Saúde e o Bem-Estar dos Guineenses, lanço esta proposta às entidades políticas e governativas do nosso País, face ao perigo que o Inimigo Comum Global, a Pandemia COVID-19 representa entre o Hoje e o Amanhã de Nossas Sobrevivências, enquanto Seres Humanos e Guineenses!

A Guiné-Bissau e os Guineenses merecem a União de Esforços e de Competências de Todos os seus Filhos, em nome da nossa CONTINUIDADE/EXISTÊNCIA/REFERÊNCIA/AFIRMAÇÃO, no Mundo!

Unamo-nos, em Prol do INTERESSE NACIONAL, porque hoje, infelizmente, já vamos atrasados…

Positiva e construtivamente, vamos continuar a trabalhar!

Didinho 30.03.2020

COVID-19: É PRECISO ESTAR À FRENTE DA CURVA

COVID-19: É PRECISO ESTAR À FRENTE DA CURVA

Eu juro que não queria escrever nada disto…

A trajectória do COVID-19 na Guiné-Bissau está em curso, depende de nós se a curva vai crescer exponencialmente ou não.
Soubemos hoje à noite, nas entrelinhas de um debate televisivo, que havia mais 6 casos confirmados no país, a juntar-se aos 2 anunciados no dia 25 de março. Ou seja, em 4 dias (entre 25 e 29 de março), multiplicámos por 4 o número de casos. Isto, presumindo-se que os resultados são de facto de 29 de março e não de 26 ou 27 de março (estou a tomar a data de anúncio como sendo a data de confirmação, mas estas 2 datas podem ser diferentes e isso é importante em epidemiologia).

Não sabemos se um dos novos casos seria o terceiro caso inconclusivo da primeira vaga.

Mais importante: não nos disseram se os novos casos são importados (pessoas – Guineenses ou não-que contraíram a doença fora da Guiné-Bissau) ou se já são o resultado de transmissão local (contágio de pessoas residentes, sem história de viagem recente para países com a doença). Não nos disseram se os 6 novos casos resultam dos primeiros 2 casos ou não. Não conhecemos o sexo e a idade das pessoas infectadas. Também não sabemos se são casos graves ou não.

Também não nos disseram se os novos casos estão relacionados uns com os outros ou não, ou seja, se pertencem ao mesmo foco de transmissão ou se já há vários focos de transmissão local. Quantos contactos estão a ser seguidos?

Ora bem, aqui reside a importância da transparência na comunicação de informação útil, completa e em tempo real, em situações de epidemia. Dependendo de como a gestão da informação é feita, conseguiremos ou não tranquilizar a população e obter a sua adesão às medidas de prevenção que estão preconizadas.

Urge definir a liderança política, estratégica, técnica e operacional da epidemia. É necessário clarificar funções e definir métodos de trabalho que sejam produtivos e impactantes. Organização, rigor, disciplina e método são fundamentais.

É imperativo reforçar a vigilância epidemiológica: se não conhecermos a trajetória da epidemia e a sua direção, vamos ter que correr atrás dela em vez de estarmos “ahead of the curve”.

Tendo em conta que cada caso confirmado pode infectar 1 a 2 pessoas (com base em dados da evolução da epidemia noutros continentes), é urgente terminar a formação de médicos, enfermeiros e pessoal de apoio na prevenção e controle de infeção e manejo de casos (para os primeiros), mas é também preciso mobilizar todos os formados em epidemiologia de campo e organizar um “crash course” para formar mais.

Proteger os profissionais da saúde e o pessoal de apoio é de capital importância. Comunicar e reforçar a sensibilização da população para a mudança de comportamento, com estratégias apropriadas e adaptadas ao nosso contexto é no regra de ouro.

Eu volto a jurar que não queria escrever nada disto…

Em cidadania.

Magda Nely Robalo – Epidemiologista

Bissau 29.03.2020

PARTIDARIZAÇÃO DA AGENDA PÚBLICA: CASO CORONAVÍRUS

Partidarização da agenda pública: caso coronavírus

Os impactos da pandemia Covid-19 poderão causar cerca de 25 milhões de desempregados a nível mundial e quebras até 3,4 triliões de dólares em perdas de rendimento dos trabalhadores até ao final do ano. A estimativa foi este mês avançada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), com base num relatório onde são traçados vários cenários sobre o impacto do Covid-19 na economia.

A agência estima um aumento no desemprego mundial que poderá atingir entre 5,3 milhões e 24,7 milhões de pessoas.

Números que acrescem aos 188 milhões que a agência tinha já antecipado no final do ano, quando tornou pública a sua previsão anual.

Segundo a OIT, mitigar estes impactos passará por “uma resposta política coordenada internacionalmente” que assegure a proteção dos trabalhadores, estímulos fiscais e apoio a empregos e salários. Medidas que têm vindo a ser adotadas pelos países.

A OIT recorda que durante a última crise financeira global, o mundo ganhou mais 22 milhões de desempregados e muitos dos trabalhadores sofreram perdas significativas no seu rendimento. Um cenário que poderá repetir-se, sem uma intervenção rápida por parte dos Governos.

A previsão da agência aponta para um crescimento em larga escala do sub-emprego (profissionais a tempo parcial disponíveis para trabalhar mais horas), à medida que a evolução da pandemia obrigue as empresas a avançar para redução de horários de trabalho e salários. E até o autoemprego, que nos países mais desenvolvidos ajuda a minimizar os impactos mais violentos da crise, “poderá não ser alternativa devido às restrições imposta à circulação de pessoas e bens”, antecipa a OIT.

Na Guiné-Bissau, hoje, (29/3/2020), foram anunciados 8 casos de pessoas portadoras do vírus. Antes, porém, havia sido anunciado uma série medidas conducentes à diminuição dos efeitos da pandemia. Na medida em que não é desejável que se transforme num pandemônio. Um líder da oposição (Idriça Djaló), apresentou uma iniciativa que pretende mobilizar todas as forças vivas da nação (sobretudo médicos) em torno dessa causa comum.

Como se não bastasse, há quem ainda insista na “partidarização” da agenda pública do caso coronavírus, na Guiné-Bissau, confundindo a opinião pública nacional. Independentemente da nossa agenda político-partidária, felizmente ou infelizmente o Covid 19 não conhece as cores partidárias, não conhece as confissões religiosas ou ideológicas.

Como disse e bem o líder da oposição, em Portugal, Rui Rio, “devemos fazer a oposição severa a Covid 19, e o Estado deve endividar-se de forma racional se for necessário para fazer face à esta pandemia, evitando entrar em loucuras”…
Por cá, a nível da nossa subregião, o BCEAO anunciou pacote de medidas na ordem de 340 mil milhões FCFA que poderão impactar na atividade bancária, nas famílias e, em consequência, no dinamismo económico como um todo.

A China, através do seu parceiro União Africana, sob patrocínio da fundação Alibaba, decidiu doar equipamentos sanitários para o combate a coronavírus.

O FMI analisa perdão e alívio da dívida de países menos desenvolvidos.

O G20 anunciou apoios de milhares de dólares que visam minimizar os efeitos mundiais da pandemia.

Por toda a parte (do hemisfério sul a hemisfério norte) tem havido uma onda de ações solidárias visando o inimigo invisível comum.

Cuba tem ajudado, com os seus médicos, países que outrora se revelaram potências industrializadas (exemplo de humanismo).

O mundo, muito provavelmente, não será igual como dantes.

Em suma, não há motivos, humanamente falando, para a partidarização desse inimigo invisível.

Até porque é uma pandemia, deixou de ter “dono ou alvo”.

Bissau, 30 de Março de 2020.

Apenas uma opinião!

Santos Fernandes

 

COVID-19: O REALISMO, ENTRE O POSITIVISMO E O NEGATIVISMO DAS INFORMAÇÕES

COVID-19: O REALISMO, ENTRE O POSITIVISMO E O NEGATIVISMO DAS INFORMAÇÕES
Sobre o Coronavírus, e as partilhas, visando informar e sensibilizar as populações, as comunidades, independentemente do impacto emocional que isso possa causar em cada um de nós, importa, no fundo, que cada um, em suma, todos nós, continuemos a ter presente, a realidade da doença, os riscos e as consequências inerentes, e não, uma visão simplista focada num alegado positivismo na forma de encarar a doença, que deve nortear as partilhas das notícias/informações sobre o assunto.
Temos que continuar a procurar conhecer a doença, para sabermos lidar com ela, e isso, implica aceitar os factos em presença, entre os negativos e os positivos, que as entidades de saúde de todo o mundo nos dão a conhecer diariamente, através dos órgãos de comunicação social, numa perspectiva, até, de sabermos se estamos a conseguir conter a pandemia ou não.
Seria extraordinário que os números dos casos reportados diariamente “determinassem” o fim da pandemia, porém, são os números em presença, no dia a dia, até hoje, quer gostemos ou não, se é disso que se trata, que indicam às entidades de saúde, aos profissionais de saúde, aos cientistas de todo o mundo, engajados na busca de soluções para a cura da doença, e a todos nós, seres vivos deste nosso Planeta Terra, sujeitos a contrair o Coronavírus, o ponto de situação em que estamos, chegados à triste realidade em presença.
Compreendo a sensibilidade de cada um, e de todos, mas devemos continuar a lidar com esta doença, com realismo, independentemente do positivismo e, ou, negativismo, dos números que são dados a conhecer diariamente, pelas entidades de saúde de todo o mundo.
Não devemos ter “preferência” em enganarmo-nos, por uma questão de sensibilidade emocional, afectiva, quando os dados estatísticos, diariamente apresentados, são os principais valores, no presente, para  os estudos, as análises e as interpretações, visando a dinamização da prevenção da doença, mas sobretudo, para estudos comparativos, visando novas abordagens científicas, políticas e económicas, sobretudo, para o combate ao COVID-19.
Quanto mais e melhor informados e sensibilizados estivermos todos, sobre a pandemia COVID-19, estaremos todos melhor preparados para prevenir/combater a doença, e isso, não se consegue sem aceitarmos o realismo dos diversos impactos que confluem nas nossas sensibilidades emocionais, afectivas, face aos dados que nos são dados a conhecer diariamente, pelas entidades competentes, de saúde, sobretudo, de todos os países deste nosso Planeta, através dos órgãos de comunicação social.
Positiva e construtivamente, com  realismo, vamos continuar a trabalhar!
Didinho 29.03.2020