MANU DIBANGO

MANU DIBANGO
Nos anos 60, de memória, em Paris, Manu, como a gente  familiarmente lhe chamava, mais jovem ano e meio do que eu começava timidamente mas afincadamente a sua carreira de monstro saxofonista e cantor de voz rouca  frequentando como muitos jovens de então, um circulo de músicos e intelectuais de gauche habituados do Boulevard Saint Germain e mais precisamente do Café de Flore, entre os quais:
Boris Vian, Juliette Gréco, lado muisical; Jean Paul Sartre e companheira Simone de Beauvoir (filosofos émérites pensadores), lado literário. (Sartre recusa a distinção de Nobel da Paz em 1964)!
Années de braise, luta pela descolonização, luta contra a guerra da Indochina (França depois Estados Unidos), luta contra o Imperialismo em Cuba, no Congo-Leopoldville – assassinato de Patrice Lumumba – apoio à Sékou Touré que por várias vezes tentaram assassinar por ter “ousado”  em 1958 votar NON  ao projecto de referendo de De GAULLE que deu a independência à la Guinée, la guerre de l’Algérie, e as colónias portuguesas no limiar duma nova Historia…
Nos anos 50, NASSER que assinou  golpe mortal ao imperialismo franco-britânico nacionalizando o Canal de Suez, Conferencia de Bandoeng, Mahatma Ghandi já tinha derrotado os britânicos reenviados ao Reino Unido… E em Maio de 1968 se desencadeia um Movimento que iria espantar o mundo e nasce um avant et um après Mai 68 !
É neste ambiente de noites quentes do quartier latin de Café de Flore que o jovem  Emmanuel NDjoké Dibango começou atrevidamente a se impor verdadeiramente como Star de la Musique Soul -Soul Makossa- que o lançou definitivamente em 1973., sendo o resto do seu percurso bastante conhecido.
Manu DIBANGO deixa uma obra musical variada sem precedente.
Mereceria de África dos mais elogiosos epítetos !
Do género:  Sois honoré MANU DIBANGO toi qui a su honorer l ‘Afrique 
…e uma estátua de pé com o seu saxo no meio da sua praça natal a cidade de DOUALA – CAMEROUN.
Henri Labery
Dakar 25.03.2020

Lideranças

Quando há cada vez mais apostas na promoção de lideranças de excelência em África, sejam lideranças institucionais, empresariais, comunitárias etc. etc., não se compreende que não se explore uma ambiguidade de interpretação ao discurso de que “as pessoas passam e as instituições ficam”.

Sem líderes capazes, não há instituições, empresas ou comunidades sustentáveis!

Não é por acaso que se têm criado vários incentivos em forma de prémios, inclusive monetários, para distinguir as lideranças promotoras da Boa Governação em África.

Ainda que ninguém seja insubstituível, as lideranças reconhecidas como de excelência, pelos resultados conseguidos, ou pela projecção de planos de desenvolvimento, crescimento e bem-estar, quer das instituições, empresas ou comunidades, são igualmente promotoras de mecanismos estruturais capazes de formar e garantir novas lideranças, aptas a assumir qualquer função em qualquer circunstância.

Infelizmente ou felizmente, não temos todos vocação ou capacidade de liderança, por isso, devemos desejar e apostar que as Instituições Nacionais, sobretudo, sejam dirigidas por verdadeiros Líderes, para que possamos ter Melhores Instituições!

Positiva e construtivamente,

Didinho 03.09.2015