Breve análise sobre os Partidos Políticos

Os Partidos Políticos devem trabalhar permanentemente as suas ideologias, tendo em conta a identificação dos seus membros com a ideologia que os sustenta e orienta, visando sobretudo a conquista e o exercício do poder, em nome e ao serviço do Povo.

Essa identificação permite clarificar até que ponto há ou não assimilação da causa partidária por parte dos militantes (tendo em conta as linhas mestras constantes nos respectivos Estatutos, ou nos seus programas e manifestos eleitorais) e em função dos dados recolhidos, tirar ilações e tomar medidas correctivas se for o caso.

A melhor forma de se incutir a disciplina num Partido político ou em qualquer organização, passa pelo exemplo de quem dirige.

Quem dirige deve ser o primeiro a respeitar os Estatutos e a transmitir aos demais a necessidade desse respeito.

Quem dirige deve ser o primeiro a respeitar os demais, para que deles também receba respeito, mereça confiança e apoio na sua liderança.

A unidade na diversidade, tendo em conta o respeito pelo pluralismo de opinião no seio dos Partidos Políticos, deve ser encarada como vector principal na democratização interna dos próprios Partidos Políticos.

Não podemos falar de Estado Democrático quando os Partidos Políticos não se regem por práticas democráticas.

A penalização ainda que conste nos Estatutos deve ser considerada e aplicada apenas em casos extremos, pois que, o erro de qualquer um deve merecer avaliação, tendo em conta o princípio da recuperação da pessoa e o reforço da unidade no seio do Partido e não a sua fragmentação, através de “alas”.

Os Partidos Políticos devem investir no reforço de capacidades dos seus militantes/dirigentes, bem como na promoção dum ambiente de respeito, confiança e colaboração permanentes.

Trabalhar o Partido apenas face a conjunturas internas adversas não é a melhor forma de fortalecer os mecanismos estruturantes do Partido, nem de promover a necessária harmonização dos seus membros.

Positiva e construtivamente.

Didinho 21.12.2015

O papel dos blogs na Guiné-Bissau: ontem, hoje e amanhã

Escrever ou falar sobre blogs implica necessariamente escrever e falar sobre sites, ainda que de forma sucinta, para uma melhor compreensão do significado quer dum quer doutro, bem como do que os distingue, tendo em conta a natureza e o conceito base que lhes é comum, ou seja, a alocação e disponibilidade de ambos no espaço Web.

Um blog é um tipo de site de natureza pessoal (ao alcance de qualquer interessado já que não requer conhecimentos técnicos para a sua construção, por ser disponibilizado com todas as ferramentas e orientações pelo fornecedor de serviço) com características e particularidades próprias que lhe permitem ser uma página dinâmica, interactiva e cujo conteúdo pode ser rapidamente e facilmente actualizado.

Um site numa perspectiva tradicional e abrangente é um conjunto de páginas alocadas no espaço Web onde existe uma página principal/inicial que se relaciona com várias outras ditas sub-páginas ou secções. Por ser mais complexo que o blog requer conhecimentos técnicos para a sua construção. Ainda que possa ser de cariz pessoal, um site pela amplitude do seu conteúdo, quiçá, pelas suas características e particularidades assume maior relevo para assumir o papel de uma plataforma de natureza institucional ou corporativa.

A evolução das tecnologias no âmbito da criação de ferramentas para construção de sites e blogs tem contribuído para uma complementaridade cada vez mais frutífera na utilização gratuita quer de blogs quer de sites e na disponibilização de mais e melhores meios/mecanismos de comunicação entre produtores e consumidores de conteúdos.

Para uma abordagem conceitual mais ampla sobre blogs e sites sugiro-vos a leitura dos seguintes links:

Blog
Site
Entrando concretamente no tema proposto “O papel dos blogs na Guiné-Bissau: ontem, hoje e amanhã” importa salientar antes de mais, e independentemente de todo e qualquer tipo de juízo contrário, a importância quer dos blogs quer dos sites na ligação dos guineenses ao mundo global, por um lado, e à própria Guiné-Bissau por outro, sobretudo a partir de 2003 aos dias de hoje.

Para esta abordagem debruçamos sobre um Projecto de Cidadania criado em 10 de Maio de 2003 designado como “Projecto Guiné-Bissau CONTRIBUTO”, idealizado e dirigido por Fernando Casimiro (Didinho) como uma estrutura virtual devidamente fundamentada tendo em conta as causas que motivaram a sua criação por um lado e, por outro, a definição de uma declaração onde estabelece uma visão, uma missão e objectivos fundamentais do Projecto.

Ainda que o Projecto CONTRIBUTO tenha sido criado em Maio de 2003 só a 26 de Maio de 2004 é que foi lançado o seu primeiro site na Internet através do portal Sapo http://didinho.no.sapo.pt

Na ausência duma plataforma própria, a forma encontrada para transmitir a mensagem, os objectivos etc. foi a de utilizar espaços públicos de opinião na Internet.

As únicas portas abertas eram os fóruns de discussão existentes nalguns sites que, no entanto, e apesar de várias solicitações nesse sentido, nunca aceitaram publicar nenhum texto de opinião do fundador do Projecto Guiné-Bissau: CONTRIBUTO nos espaços reservados à publicação de artigos de opinião.

Naquela altura (2003) havia poucos sites que abordavam assuntos da África lusófona pese embora haver desde a década de 90 umas poucas plataformas de serviço às comunidades (destaco o Notícias Lusófonas criado em 1997) que funcionavam tipo jornais digitais, disponibilizando conteúdos informativos bem como fóruns de discussão para as diversas comunidades lusófonas e, onde por exemplo, vários guineenses e amigos da Guiné-Bissau compartilharam notícias e vivências do conflito militar de 1998/9.

Em 2003 havia um jornal digital, o Africanidade, que tinha algo mais e melhor que a maioria dos espaços virtuais da lusofonia e que serviu de “montra” para a divulgação dos trabalhos do Projecto CONTRIBUTO através do seu fórum de discussão. De referir que da equipa fundadora do Africanidade faziam parte 2 jovens da Guiné-Bissau: Watna Almeida e Karan Dabó, bem como outros doutras nacionalidades/origens. Teve sucesso como órgão de comunicação social que era e acabou por ser vendido, redundando num posterior fracasso e desaparecimento.

Com o lançamento em Maio de 2004 do site do Projecto Guiné-Bissau: CONTRIBUTO lançou-se igualmente a semente que iria promover a proliferação de espaços virtuais sobre a Guiné-Bissau, para lá da visão, missão e objectivos definidos e estabelecidos estrategicamente pelo fundador do CONTRIBUTO.

Em 2003 o Google adquiriu o Blogger a maior plataforma gratuita para criação de blogs o que permitiu que milhões de usuários de contas do Google aproveitassem a onda de euforia da nova moda que eram os blogs, para criarem seus espaços pessoais para os fins a que se propunham.

Foi dessa forma também que surgiram os primeiros blogs focados na Guiné-Bissau, contudo, exceptuando os jornalistas Umaro Djau e António Aly Silva, que sabiam concretamente o que queriam com a criação dos seus blogs, a maioria que surgiu muito depois navegava na onda da euforia de que, se fulano tem um site ou um blog eu também posso ter.

O certo é que a Guiné-Bissau e os guineenses beneficiaram e de que maneira com o surgimento das plataformas virtuais, sobretudo no preenchimento de múltiplas lacunas de obrigação do Estado para com os cidadãos, por exemplo, no âmbito da informação e divulgação de assuntos de interesse público.

Basta vermos que nos dias de hoje, em finais de 2015 há blogs e sites que noticiam, informam, divulgam e promovem tudo e mais alguma coisa como se estivessem ao serviço das instituições do Estado.

O site www.didinho.org do Projecto Guiné-Bissau CONTRIBUTO foi idealizado numa perspectiva funcional de usufruir de todas as particularidades de um site mas também, das funcionalidades e características de suporte de um blog. É que apesar do Projecto CONTRIBUTO ter uma orientação pessoal, não é uma plataforma de cariz pessoal e isso é evidente na vertente comunitária das suas diversas secções temáticas e na extensa lista dos seus colaboradores.

Um site dinâmico, com actualizações frequentes, com várias ferramentas de interacção entre colunistas e leitores que manifesta a razão da criação do Projecto e declara a sua visão, a sua missão e os seus objectivos.

Os blogs e os sites ajudaram a resgatar a memória colectiva, mas também, a levar a Guiné-Bissau e as suas realidades ao Mundo através da Internet.

Através de blogs e sites guineenses foram desenvolvidos trabalhos sérios, sustentados e consistentes tendo em conta a participação cidadã na mudança necessária para acabar com as ditaduras, as guerras e as instabilidades, por um lado e, criar condições para a afirmação da democracia, da paz, da estabilidade e o desenvolvimento, por outro.

Diria através da minha experiência e vivência que os blogs e sites sobre a Guiné-Bissau (importa referir que não só cidadãos guineenses criaram essas plataformas, mas também vários amigos da Guiné-Bissau de várias nacionalidades) funcionaram bem e numa perspectiva de todos e cada qual à sua maneira, servirem a Guiné-Bissau e os guineenses, até que os “donos” do poder começaram a ver a Força que essas plataformas constituíam, tornando-se (na maneira de ver deles) numa ameaça para os seus fins de se servirem da Guiné-Bissau ao invés de a servirem.

Em 2005 com o regresso do General João Bernardo Vieira ao poder na Guiné-Bissau começou a era de ameaças de morte aos administradores e aos colunistas de blogs e sites, complementada com uma estratégia de denigração de imagem dos mesmos, com a cumplicidade de anónimos e personalidades conhecidas da praça de Bissau que aproveitavam os mesmos espaços virtuais existentes para esses fins.

Os “donos” do poder tinham dado conta que a sociedade guineense estava a despertar por via da sensibilização, da consciencialização e da participação cidadã através das plataformas virtuais.

Digamos que de 2005 a 2014 os principais blogs e sites focados na Guiné-Bissau foram encarados por diversos actores, entre políticos, governantes e militares como sendo mecanismos capazes de causar agitação social no país dada a forte vertente de intervenção social e política que os caracterizava.

Por via disso, das várias estratégias elaboradas para destruir as plataformas virtuais inconvenientes para esses actores do poder, sem resultados concretos, houve uma estratégia que conseguiu ainda assim, alguns resultados: a estratégia da intriga que dividiu e fragmentou blogs e sites e, consequentemente, aproximou editores de blogs e sites aos “donos” do poder, resultando dessa aproximação, um “contrato” de prestação de serviços com contrapartidas várias.

Foi assim que se sucederam várias disputas de protagonismo promovidas por intrigas encomendadas, para desgastar e desacreditar este ou aquele, a fim de sair de cena com a sua plataforma virtual.

Assistimos a situações de autêntica venda de consciência de proprietários de alguns blogs que ora estavam a favor deste e contra aquele e vice-versa.

Novos blogs e sites foram criados, promovidos e sustentados financeiramente, pelos “donos” do poder para a defesa dos seus interesses e como arma de arremesso contra os designados “inimigos da Guiné-Bissau”.

Mesmo chegados à reposição da normalidade constitucional com as eleições presidenciais e legislativas de 2014 continuamos a assistir a um aproveitamento dos blogs pelas instâncias do poder nas suas disputas de protagonismo.

Ei-los como forças beligerantes de um exército fraccionado. Uns e outros com fulano ou beltrano como Comandante em Chefe…

Transformaram-se naquilo que se costuma dizer “carne para canhão”.

Os blogs deixaram de ser coerentes e de estar ao serviço da Guiné-Bissau e dos guineenses, nos moldes em que “nasceram”; os seus propósitos passaram a ser apenas a satisfação dos interesses dos seus proprietários em função das solicitações que recebem deste ou daquele, para este ou aquele fim. Chegam mesmo a promover os piores cenários para a Guiné-Bissau, porque há quem lhes orienta nesse sentido a troco de contrapartidas várias.

Volvidos 12 anos da era virtual continuada de blogs e sites focados na Guiné-Bissau, os poucos sobreviventes não precisam mais de se darem a conhecer, pois o tempo encarregou-se de os identificar, definir e caracterizar.

Ainda assim, apesar das evidências do descrédito e da perda de influência dos blogs junto das comunidades guineenses, o certo é que o país continua a ter poucas estruturas de informação e comunicação capazes de disponibilizar de forma rápida notícias e todo o tipo de informações de interesse público tal como os blogs conseguem disponibilizar, ainda que de forma dúbia e muitas vezes, de forma irresponsável. Por isso e dada a estagnação generalizada do país, estou em crer que os blogs e sites vão ressuscitando ainda por largos anos na Guiné-Bissau.

As redes sociais, sobretudo a utilização do Facebook por milhares de guineenses em todo o mundo também tem contribuído imenso para a queda de popularidade e influência dos blogs e dos sites. O Facebook consegue ser mais versátil, mais acessível à edição e publicação de textos/mensagens; mais rápido na partilha de qualquer assunto do que os blogs e sites, permitindo uma maior e melhor interactividade entre os usuários.

Nos dias que correm também assistimos ao facto de blogs e jornais guineenses online passarem dias e dias sem assuntos da Guiné-Bissau para reproduzirem nos seus espaços, recorrendo frequentemente a Agências de Notícias estrangeiras para a obtenção de notícias, inclusive sobre a própria Guiné-Bissau, para partilhar.

Sendo um dos pioneiros da era dos blogs e sites focados na Guiné-Bissau, sinto orgulho por tudo de positivo que conseguimos realizar e continuaremos a realizar, em prol da Guiné-Bissau e dos guineenses ,mas também sinto tristeza pela via que alguns proprietários de blogs decidiram seguir, em prol dos seus interesses pessoais. Não quero com isto dizer que não pudessem usar suas plataformas para actividades lucrativas de âmbito empresarial/corporativo. Apenas acho que não deviam e não devem continuar a usar os seus espaços para viverem à custa da Guiné-Bissau e dos guineenses, muitas vezes, promovendo intrigas e instabilidade, pondo em causa a paz e a unidade nacional.

Didinho 03.12.2015

Este trabalho foi proposto pela Rádio Jovem

Projecto Guiné-Bissau: CONTRIBUTO – UMA RECAPITULAÇÃO NECESSÁRIA

O meu regresso a Bissau vinte e sete anos depois (1)

Os guineenses devem, definitivamente, deixar de lado todas as disputas pelo poder, motivadas por ambições desmedidas com base em interesses pessoais ou de grupos, e juntar esforços, vontades, sensibilidades, capacidades, conhecimentos, experiências, determinação, honestidade e humildade, se de facto, ainda querem resgatar um país em ruínas, quiçá, à beira da falência administrativa do Estado, de tão abandonado e maltratado que tem sido, sobretudo, a partir do golpe de Estado de 14 de Novembro de 1980 aos dias de hoje.

Do que vi por estes dias em Bissau, confesso que não estava preparado para encarar e encaixar o que se diz por todo o lado na Guiné-Bissau, ser a “nossa” realidade…

Sei que estão todos ansiosos e expectantes para saberem como foi um regresso vinte e sete anos depois!

A Comunicação Social guineense e outras, não se interessaram por um regresso anunciado de um filho da terra que, humildade à parte, tem feito alguma coisa pela Guiné-Bissau, e que estando fora do país há 34 anos, a última vez que visitou a Guiné-Bissau foi há 27 anos…

Estou a trabalhar, continuarei a trabalhar nos próximos dias ou semanas sobre a minha visita à Guiné-Bissau e quando tiver tudo pronto, terão oportunidade de conhecer esse trabalho que visa reunir registos de memórias presenciais e vivenciais, de 3 períodos históricos (por mim vivenciados) que passam a ser comparativos, numa perspectiva de transmissão de um legado, também histórico, capaz de demonstrar, dar a conhecer e educar, sobretudo os nossos jovens nascidos depois do golpe de Estado de 14 de Novembro de 1980 no sentido de que, a NOSSA REALIDADE; a REALIDADE GUINEENSE, não se identifica, nem de perto, nem de longe, com o que hoje se “apresenta” como sendo o nosso país; a nossa cultura e a nossa realidade, isto, porque alguns assim querem que passe a ser.

Temos obrigação, enquanto guineenses que viveram o período colonial; o pós independência e o primeiro golpe de Estado na Guiné-Bissau, ou seja, aqueles que vivenciaram três períodos de referência marcante, por isso, de necessidade comparativa, de fazermos a nossa parte, de partilharmos as nossas memórias e deixar um manual de leitura, de consulta e pesquisa, aos nossos jovens e a todos quantos, nos dias de hoje, aprenderam a conhecer a Guiné-Bissau de uma certa vivência de luxo, no lixo…quando também já houve uma Guiné-Bissau de pobreza, mas na dignidade…!

Didinho 24.09.2015

Nota: Viajei para Bissau a 16 de Setembro e regressei a Portugal a 24 de Setembro.

Foto de Fernando Casimiro.
Foto de Fernando Casimiro.
Foto de Fernando Casimiro.
Foto de Fernando Casimiro.

 

“Amor de Papé” – Apresentação do novo Álbum de Fernando Carvalho

 

Prefácio “Amor de Papé”

Fernando Carvalho, veterano da música moderna guineense radicado em Portugal há mais de três décadas, economista, professor, patriota, músico e chefe de família por excelência, resolveu lançar mais um álbum, o seu 14º intitulado “Amor de Papé” (Amor de Pai que, no entanto, não contrasta com o Amor de Mãe).

“Amor de Papé” tem no Amor, na Vida, na Esperança e na Saudade, as principais propostas de Fernando Carvalho aos seus fãs e ao público em geral.

Uma diversidade de Ritmos e melodias, para todos os gostos, com que já nos habituou ao longo do seu percurso musical fazem de “Amor de Papé” um trabalho extraordinário, revelador de uma evolução e maturação, temporal, do músico e compositor Fernando Carvalho.

Ritmos e melodias que confirmam a valorização da cultura musical guineense na sua diversidade, por um lado, e na sua abertura à internacionalização, tendo em conta que a Música é a prova maior da sustentação da Globalização, afinal, África é o berço da Humanidade…

Em “Amor de Papé” Fernando Carvalho reúne, em jeito de homenagem, várias personagens da literatura poética, de sua admiração e consideração.

Nas doze músicas que fazem parte do álbum temos presente nas composições de Fernando Carvalho, o reavivar da memória dos seus pais; a eterna saudade da sua Pátria a Guiné-Bissau, sua Cultura e suas Tradições, bem como, das suas gentes.

Fernando Casimiro (Didinho) 26.08.2015

Lideranças

Quando há cada vez mais apostas na promoção de lideranças de excelência em África, sejam lideranças institucionais, empresariais, comunitárias etc. etc., não se compreende que não se explore uma ambiguidade de interpretação ao discurso de que “as pessoas passam e as instituições ficam”.

Sem líderes capazes, não há instituições, empresas ou comunidades sustentáveis!

Não é por acaso que se têm criado vários incentivos em forma de prémios, inclusive monetários, para distinguir as lideranças promotoras da Boa Governação em África.

Ainda que ninguém seja insubstituível, as lideranças reconhecidas como de excelência, pelos resultados conseguidos, ou pela projecção de planos de desenvolvimento, crescimento e bem-estar, quer das instituições, empresas ou comunidades, são igualmente promotoras de mecanismos estruturais capazes de formar e garantir novas lideranças, aptas a assumir qualquer função em qualquer circunstância.

Infelizmente ou felizmente, não temos todos vocação ou capacidade de liderança, por isso, devemos desejar e apostar que as Instituições Nacionais, sobretudo, sejam dirigidas por verdadeiros Líderes, para que possamos ter Melhores Instituições!

Positiva e construtivamente,

Didinho 03.09.2015

A bem da estabilidade na Guiné-Bissau!

A bem da estabilidade da e na Guiné-Bissau penso que devemos todos (continuar a) ajudar a promover uma nova oportunidade para um relacionamento institucional desejável e saudável, ainda possível, repito, ainda possível, entre o Sr. Presidente da República Dr. José Mário Vaz e o ex-Primeiro-ministro e Presidente do PAIGC Eng.º Domingos Simões Pereira.

Os extremismos que provocaram a crise por que passa a Guiné-Bissau, volvidas três semanas, desde o decreto-presidencial 05/2015 que demitiu o Governo chefiado pelo Eng.º Domingos Simões Pereira a 12 de Agosto e o decreto-presidencial 06/2015 de 20.08.2015 que nomeou o Dr. Baciro Djá como novo Primeiro-ministro, empossado a 21.08.2015 pelo Presidente da República, não reflectiram até hoje, 03.09.2015 nenhuma justificação plausível, capaz de sustentar uma quebra de confiança factual, que impeça quer o Sr. Presidente da República quer o ex-Primeiro-ministro demitido, de continuarem a trabalhar juntos, ainda que se reconheça a necessidade de rectificação/correcção de posturas e erros, ou mal entendidos de parte a parte.

Não vejo outra alternativa (para além duma aventura caprichosa e de consequências imprevisíveis) no actual contexto, perante o impasse que se mantém, que não a reconsideração das decisões (afirmações e posicionamentos) de Sua Exa. o Sr. Presidente da República, nomeadamente os decretos 05/2015 e 06/2015 por um lado e, por outro, a reconsideração de posicionamentos e afirmações do Eng.º Domingos Simões Pereira, ex-Primeiro-ministro e Presidente do PAIGC partido com maioria parlamentar, a quem cabe, constitucionalmente, por via da vitória nas eleições legislativas, indicar o nome para a Chefia do Governo.

Podemos até pensar e dizer que, perante o que se tem assistido não há espaço para uma coabitação entre estas personalidades desavindas, mas isso, só seria um argumento válido se essas personalidades estivessem ao serviço de seus interesses pessoais/particulares e não ao serviço da República, do Estado e dos Cidadãos, quiçá, ao Serviço do INTERESSE NACIONAL.

Enquanto servidores da República, do Estado e dos Cidadãos, os nossos irmãos desavindos estão condenados a se entenderem; têm que se entender, a bem do país e do povo guineense; devem reconsiderar tudo o que promoveu/incentivou a desavença, a ruptura e a alegada quebra de confiança entre ambos, pois não fosse pela vontade popular, não teriam chegado ao dirigismo nacional, por isso, devem repensar, reconsiderar, tendo em conta o País e o Povo, afim de reconhecerem e corrigirem os erros que cada um cometeu, e assim, ultrapassarem as diferenças, projectando em comum novas estratégias de relacionamento, com base no respeito pelas competências, funções e poderes que a Constituição da República atribui a cada um para prosseguirem juntos nos Projectos “Mon na lama” e “Terra ranka” que todos os guineenses apoiam, independentemente desta crise demonstrar divisão e tomada de partido por um e outro, o que se compreende até certo ponto, ainda que não seja relevante falar dessa divisão no actual contexto, já que precisamos de união.

Também precisamos de debates; de abordar e discutir os nossos problemas com frontalidade, sem tabus, com respeito, com responsabilidade e numa perspectiva construtiva, de viabilizar e não bloquear o desenvolvimento do País e isso passa também por respeitar os sinais que o povo transmite. É imperativo aferir as diversas manifestações de descontentamento, de desilusão, de revolta silenciosa e pacífica das populações.

Um povo descontente, desiludido e revoltado, por se sentir desrespeitado e desvalorizado é um povo desmotivado; é um povo que não tem condições anímicas, que não sente paz interior e confiança para se dedicar com dignidade e profissionalismo ao seu trabalho e isso reflecte-se na produtividade e consequentemente, em prejuízos para o país.

À data de hoje 03.09.2015 não havendo Governo constituído, depois da nomeação e empossamento de um novo Primeiro-ministro, pelo decreto-presidencial 06/2015 envolto em polémica e do qual resultou um pedido de fiscalização da sua constitucionalidade por parte da Assembleia Nacional Popular e do PAIGC partido vencedor das eleições legislativas, com direito a propor ao Chefe do Estado o nome do Chefe do Governo, sejamos construtivos e honestos e concluiremos que será mais fácil uma reconsideração do Sr. Presidente da República, relativamente ao decreto-presidencial 06/2015 que nomeia um novo Primeiro-ministro (sem ter ouvido os partidos políticos, quando deveria tê-los ouvido como consta na Constituição da República) não avançando com um novo decreto-presidencial que daria posse a um novo governo que, caso o pronunciamento por parte do Supremo Tribunal fosse de reconhecimento de uma inconstitucionalidade do decreto-presidencial 06/2015 obrigaria o Presidente da República a reconsiderar esse decreto-presidencial, o que se traduziria na exoneração do novo primeiro-ministro e na demissão do governo ora constituído.

Também se poderá pensar e dizer que o Supremo Tribunal de Justiça poderá ter um pronunciamento favorável ao decreto-presidencial 06/2015. Claro que também está em aberto essa hipótese, por isso mesmo, já agora, por mais uns dias sem governo, mas na continuidade de se promover iniciativas para a reconciliação das partes desavindas e reconsideração dos erros, em nossa opinião, já cometidos, porque não aguardar pela decisão do Supremo Tribunal de Justiça?

Perante qualquer que venha a ser o posicionamento do Supremo Tribunal de Justiça sobre o assunto, deve-se salvaguardar uma questão deveras importante que é o tráfico de influências que pode condicionar decisões judiciais face a recursos ainda não avaliados, caso haja um avanço em forma de consumação “forçada” de uma decisão “suspensa” precisamente por estar na agenda/ordem do dia do Supremo Tribunal de Justiça, estou-me a referir à formação e empossamento de um novo governo antes de um pronunciamento do Supremo Tribunal de Justiça, o que poderia constituir uma desafio e uma afronta à própria Justiça.

Creio que também deve haver o bom-senso por parte de todos no sentido de não se influenciar a decisão do Supremo Tribunal de Justiça, pois que, algumas declarações proferidas nos últimos dias, ainda que compreensivas num contexto de se continuar a apoiar a Guiné-Bissau e o seu povo, têm a ambiguidade de também darem a entender que o que importa agora e já, é formar o novo governo, pois que, a decisão do Supremo Tribunal de Justiça “já está garantida”…

Espero e desejo, enquanto guineense, que se alcance um entendimento entre as partes desavindas e que cada órgão de soberania continue a desempenhar a sua missão em prol da Guiné-Bissau e dos guineenses.
Espero, desejo e gostaria de ver o Sr. Presidente da República reconciliado com o Primeiro-ministro demitido e a trabalharem de novo juntos nos Projectos “Mon na lama” e “Terra ranka”, o que seria, penso eu, do agrado de todos os guineenses.

Espero, desejo e gostaria de ver compreensão, colaboração e responsabilidade, na formação de um novo governo com pessoas capazes, dignas e acima de quaisquer suspeitas criminais.

Nenhum orgulho pessoal ou outro pode ou deve hipotecar o Interesse Nacional!

A Guiné-Bissau é a soma dos interesses de todos os guineenses E NÃO DOS INTERESSES DE UM GRUPO OU DE GRUPOS DE GUINEENSES!

Positiva e construtivamente,

Didinho 03.09.2015

O Povo é o melhor Conselheiro do Presidente da República!

Discordar de decisões do Presidente da República, ou criticar essas decisões, não é sinónimo de se estar contra o Presidente da República.

O melhor espelho, quiçá, o melhor Conselheiro de um Presidente da República é o Povo, através das suas diversas manifestações em forma de sinais enviados ao seu Presidente.

Por isso, o Presidente da República deve estar suficientemente preparado e atento, todos os dias, para perceber e sentir esses sinais, tendo em conta a forma e o conteúdo dos mesmos e a necessidade de, humilde e respeitosamente, dar a perceber e fazer sentir ao seu Povo de que está, de facto, do seu lado e não o contrário.

Didinho 22.08.2015

Pensar e debater a Guiné-Bissau

Pensar e debater a Guiné-Bissau numa perspectiva cidadã, é um direito e um dever de todos os guineenses e amigos da Guiné-Bissau.
 
Não há unanimidade de pensamento, ainda que possa haver coincidências, convergências e, naturalmente, divergências de pensamento, que devem ser respeitadas, numa reciprocidade de intenções, direitos e deveres!
 
Falando exclusivamente de nós, guineenses, lamento que a ausência de honestidade no assumir do compromisso para com o país, por uns e outros, por influências várias, sustentadas por desvios e vícios sociais ao longo de 42 anos de independência política e ramificadas a laços de parentesco e outros, seja um factor endémico, propiciador da divisão do povo guineense e da consequente promoção directa ou indirecta da instabilidade política, governativa e social do país.
O guineense deve libertar-se das amarras materiais que o mantém prisioneiro de consciência e espírito!
O guineense deve ser capaz de assumir que é um ser humano racional e emotivo, com base na sua independência de pensamento e de acção, quiçá, um ser humano naturalmente livre! Didinho 21.08.2015
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Não tenhamos medo de fazer uma nova revolução na Guiné-Bissau. Não uma revolução com armas de fogo, mas a revolução da consciência cívica, a revolução de mentalidades, que dará ao nosso povo o direito à liberdade do saber, do conhecimento e quiçá, do pensamento e da acção! É urgente libertar o povo guineense do obscurantismo! É urgente fazer ver aos guineenses que o medo de mudar ontem é a razão dos males de hoje e o medo de mudar hoje será a razão dos males de amanhã… Didinho

O Medo não nos pode privar da liberdade!

O medo priva-nos da liberdade… Didinho

O Presidente da República antes de se pronunciar sobre o nome da figura que iria dirigir um novo governo depois de ter demitido o governo do PAIGC (versão inclusiva – chefiado pelo Engº. Domingos Simões) através do decreto presidencial 05/2015, cumpriu os requisitos legais e constitucionais, ouvindo os partidos políticos com assento parlamentar, tal como consta na Constituição da República, depois de lhes ter dado a conhecer sua intenção de formular um convite ao PAIGC partido vencedor das eleições legislativas de 2014 para indicação do nome da figura que iria chefiar um novo governo.

Até aqui, tudo bem, independentemente dos juízos sobre as razões evocadas pelo Sr. Presidente da República para demitir o Governo constitucional do PAIGC chefiado pelo Engº. Domingos Simões Pereira.

Quando todos estavam à espera de uma decisão constitucional do Sr. Presidente da República sobre a indicação pelo PAIGC, enquanto Partido vencedor das últimas eleições legislativas, legalmente e constitucionalmente legitimado para propor um nome para a chefia do Governo, eis que (ainda que o PAIGC tivesse indicado ao Sr. Presidente da República o nome do seu Presidente, tal como consta nos estatutos do PAIGC para a chefia de um novo Governo e que esse nome fosse rejeitado) o Sr. Presidente da República decide, arbitrariamente, ignorando e violando a Constituição da República, mas também, desrespeitando o povo guineense que o elegeu, sobre um novo nome para chefiar o Governo, ainda que esse nome seja figura do PAIGC sem voltar a ouvir os Partidos Políticos com assento parlamentar, ou, sequer, sugerir ao PAIGC um outro nome alternativo para o cargo de Primeiro-ministro.

A decisão do Sr. Presidente da República não só demonstrou desrespeito pela Constituição, pelo povo guineense e pelo PAIGC, mas também, para com todos os Partidos Políticos com assento parlamentar!

Não me venham dizer que o PAIGC iria sempre insistir no nome do Engº. Domingos Simões Pereira, ainda que pudesse fazê-lo;

Não me venham dizer que o nome avançado pelo Sr. Presidente da República vai de encontro a uma decisão constitucional, porquanto a figura escolhida por ele para chefiar o novo Governo é o 3º Vice-Presidente do PAIGC.

Não cabe ao Sr. Presidente da República propor alguém para Primeiro-ministro, esse papel cabe apenas e exclusivamente ao Partido vencedor (com maioria) das eleições legislativas, não é um juízo meu, é o que consta na Constituição da República!

E porque é que não houve nenhuma nota presidencial dirigida ao PAIGC dando conta da rejeição do nome do Engº. Domingos Simões Pereira para a chefia do novo Governo, bem assim, uma nova tentativa de entendimento e viabilização de um Governo a propor pelo PAIGC e não pelo Sr. Presidente da República?

Porque é que o Sr. Presidente da República, mesmo que fossem esgotadas as negociações com o PAIGC, não voltou a convocar os Partidos Políticos com assento parlamentar, para lhes dar conta de uma alegada intransigência do PAIGC em viabilizar um novo nome, consensual e promotor de uma “melhor” coabitação institucional entre o Presidente da República e o Governo?

Porque é que o Sr. Presidente da República, ao abrigo das suas atribuições constantes no Artigo 68º da alínea g) da CRGB (Nomear e exonerar o Primeiro-Ministro, tendo em conta os resultados eleitorais e ouvidas as forças políticas representadas na Assembleia Nacional Popular) não voltou a ouvir os Partidos Políticos com representação parlamentar, antes de decretar o nome do Primeiro-ministro que ele próprio escolheu e empossou?!

Seria difícil convocar os Partidos Políticos e, em nome do Interesse Nacional, todos juntos, reflectirem o melhor para o país?

Como pode afirmar o Sr. Presidente da República que devolveu o poder ao PAIGC nomeando um membro do PAIGC para o cargo de Primeiro-ministro, sem consentimento do próprio PAIGC?

Se fosse uma decisão viabilizada oficialmente pelo PAIGC certamente a figura que ontem tomou posse como chefe do governo seria acompanhada pela direcção superior do PAIGC no acto da sua tomada de posse e, pelos vistos, não foi o que aconteceu…!

Não será mesmo que, na busca de argumentos sustentadores de uma grave crise institucional capaz de pôr em causa o normal funcionamento das instituições, para se demitir um governo, se tenha acabado por colocar o país numa verdadeira Grave Crise política e social…?!

Se os Partidos Políticos com representação Parlamentar não contam para decisões que a Constituição da República lhes reserva legitimidade, então é caso para dizer que alguém violou a Constituição da República!

Se o Partido político vencedor das eleições legislativas não tem direito e autoridade para propor um nome para chefiar o governo, como consta na Constituição da República, sendo esse direito e autoridade usurpado pelo Presidente da República, então, mais vale acabarmos com as eleições legislativas na Guiné-Bissau!

Positiva e construtivamente,

Didinho 21.08.2015

Nossas sementes…

No chão fértil da Guiné-Bissau foram plantadas/cultivadas várias sementes desde 1974 aos dias de hoje. Algumas deram boas colheitas, outras más colheitas e, outras ainda, foram do tipo enxertias, entre boas e más colheitas… Obviamente que os actuais campos de cultivo serão decisivos, em função do tipo de sementes que, doravante quisermos plantar/semear, para que, daqui a uma dúzia de anos, no mínimo, possamos começar a colher mais das boas colheitas, menos das más colheitas e que as experiências de enxertias passem a ser apenas objectos de estudo de um processo de aprendizagem da nossa arte de cultivar… Didinho 08.08.2015

Didinho
Didinho