MÁSCARAS DE PROTEÇÃO NASAL E BUCAL, FAÇA VOCÊ MESMO. OS MENINOS DA SECUNDÁRIA TAMBÉM PODEM FAZER

MÁSCARAS DE PROTEÇÃO NASAL E BUCAL, FAÇA VOCÊ MESMO.

OS MENINOS DA SECUNDÁRIA TAMBÉM PODEM FAZER

Três condições são precisas para começar a fazer máscara de proteção nasal e bucal, a saber: ter claro os objetivos que se pretende com elas, escolher os materiais apropriados em função desses objetivos e dominar procedimentos ou técnica de confeção dos modelos pretendidos. Pode-se então colocar as seguintes questões: porquê, para quê e como fazer você mesmo uma máscara de proteção nasal e bucal?

A resposta as duas primeiras questões é que, nestes dias de ‘fique em casa’ por imperativo de saúde de todos, devido a  atual pandemia de coronavírus (SARS Cov2) causa da doença COVID-19 que não tem poupado muitas vidas humanas, o momento torna-se propício ao ensino-aprendizagem de como fazer máscaras de proteção de boca e nariz, mesmo sem ter uma máquina de costura, ou tê-la e ainda não saber mexer nela, tendo contudo a certeza que deve existir muitas casas onde uma máquina de costura não faz parte dos utensílios disponíveis.

E porque o saber não ocupa lugar, porque ensinar ou aprender é sempre útil, sem importar a idade ou o tempo, e ainda porque a necessidade é um fator de motivação.

Tendo em conta que a sensação de impotência e inatividade gera ansiedade e stress, perante grandes sofrimentos individuais ou coletivos, como é o caso da atual pandemia que por estes dias está a atormentar o mundo inteiro e para a qual ainda não foi encontrada uma solução garantida.

Por estas razões, e porque preparar-se para ajudar de alguma forma, dar qualquer contributo no combate ou na minimização dos efeitos negativos, ou na minimização das limitações e dos prejuízos inerentes as causas do sofrimento, ajuda em parte a aliviar o desconforto geral e beneficia a nossa saúde mental.

Mas afinal que objetivos e vantagens se pretende com as máscaras que protegem o nariz e a boca? Esta é a pergunta cuja resposta, mesmo dada as crianças, pode ser fator motivacional para elas também se interessarem por estas máscaras, para compreenderem situações concretas em que o seu uso é recomendo,  para aprenderem a usá-la para uma eventual situação em que possa ser necessário, e até mesmo para aprender a confecioná-las.

Os diferentes tipos de máscaras nasal e bucal são feitos com materiais de diversas qualidades, com ou sem acessórios, sob diferentes designs ou formas. São concebidas com objetivo de proteger o nariz e a boca contra poeiras, pó ambiental, cinzas de queimadas e pós-industriais diversos, como pó do cimento e de carvão. Também podem ser concebidas com objetivos de proteger contra ácaros, pólen, bactérias, vírus ou outros microrganismos presentes no ar que respiramos ou nas gotículas projetadas involuntariamente pela tosse ou espirros de pessoas infetadas com doenças contagiosas, como são os casos das gripes e da tuberculose pulmonar.

E porque respiramos pelo nariz e pela boca procurando apenas o oxigénio do ar e não quaisquer outros contaminantes, existem máscaras profissionais especificas com filtros de proteção contra líquidos, aquosos ou oleosos, contra partículas sólidas diversas, contra fumos de soldadura ou metálicos, contra vapores, aerossóis e gases, sejam gases ácidos e outros gases industriais diversos como do amoníaco, do formaldeído, do óxido de azoto, do dióxido de enxofre, do fluoreto de hidrogénio, etc., todos eles tóxicos para organismo humano mas que também são úteis e indispensáveis nas industrias que produzem muitas coisas que necessitamos e utilizamos frequentemente. A proteção contra partículas e gases radioativos também exige uso de máscaras com filtros específicos.

O uso da máscara pode ter, portanto, as seguintes finalidades:

a) a de proteger contra agressão externa quem lhe é recomendado seu uso;

b) a de proteger os outros da doença contagiosa de quem tenha que usá-la;

c) a de proteger nos dois sentidos.

A qualidade de uma máscara nasal e bucal depende sobretudo do material e acessórios utilizados na sua confeção e eventualmente do seu design, em conformidade com a finalidade pretendida. A qualidade é avaliada em função da capacidade de proteção ou segurança que confere, da sua respirabilidade e do seu conforto, sem excluir a sua possibilidade de reutilização e durabilidade.

Enquanto segue a recomendação ‘fique em casa’ aproveite para, entre outras tarefas, explicar as crianças acerca das máscaras nasal e bucal cujo uso de repente se generalizou, ajudando-as  assim a compreender melhor o momento atual do nosso mundo, para logo que tiver oportunidade, ensiná-las a fazer máscaras nasal e bucal simples, fazendo-as junto com elas, e com os meios ao seu alcance. Isto como tarefa alternativa e complementar ao estudo, dever escolar e doméstico. Vendo e fazendo que se aprende!

Se concordar com aquele espírito de que à perfeição só  se chega corrigindo erros e defeitos, e que de uma ideia pode nascer outras; e se estiver motivada ou motivado, pode então ensaiar a fazer 2 modelos de máscaras de proteção nasal e bucal a pensar que, na ausência de melhor, aquelas máscaras que conseguir fazer, com tecido apropriado e reutilizável, depois de lavada e passada a ferro, pode ter alguma utilidade.

 

VAMOS FAZER ENTÃO DOIS MODELOS / MÃOS À OBRA

MATERIAIS NECESSÁRIOS

(componentes da máscara e instrumentos de trabalho é o mesmo para os dois modelos)

Componentes da máscara nasal e bucal

– Tecido apropriado (ver detalhes em nota finais e recomendações)

– Linha (preferentemente da cor do tecido)

– Elástico para fixação

Instrumentos de trabalho necessários

– Agulha (s) (ou máquina de costura, se tiver possibilidade de usá-la)

– Tesoura

– Régua (preferível em vez de fita métrica)

– Papel tamanho A4 (é melhor papel mais firme ou cartão com mesmo tamanho)

– Ferro de passar roupa

 

Procedimento para fazer modelo 1 ‘Bico de Passarinho’

1 – A partir dos vértices do papel A4, marque 4 cm nas arrestas e trace uma linha entre os dois pontos, depois corte nessa linha eliminando os vértices iniciais. Fica assim com a forma e medidas standard para corte do tecido para uma máscara. (Ver Fig.)

2 – Nas 2 arrestas menores (as de largura) dobre bainhas de 1 cm uma primeira vez e uma segunda vez. Não faça dobra nas arrestas maiores (as do comprimento). Vinque as arrestas dobradas com ajuda de ferro de passar roupa. (Ver Fig.)

3 – Dobre o molde ao meio pelo comprimento e de maneira a continuar a ver as dobras da bainha. (Ver Fig.)

4 – Dobre juntando para cima os ‘vértices do fundo de saco’ por cima do tecido restante (Ver Fig.)

5 – Depois dobre as arrestas superiores a cada lado e fica com molde de um triângulo com dois lados iguais em V, e fechados e um lado aberto (abertura da máscara). (Ver Fig.)

6 – Dê pontos e cosa com agulha e linha (ou à máquina) toda as junções do tecido de forma a consolidar o modelo, começando pelas principais junções. Reforce estas junções principais. (Ver Fig.)

7 – Fixe o elástico já cortado à medida e de forma a passar atrás das orelhas e a unir um vértice ao outro da máscara. (Ver Fig.)

 

 

Procedimento para fazer máscara modelo 2 ‘Bico de Pato’

O ponto 1 é idêntico em ambos os modelos.

2) Nas 4 arrestas maiores, dobre bainhas de 1 cm uma primeira vez e uma segunda vez. Vinque essas bainhas dobradas com ajuda de ferro de passar roupa. (Ver Fig.)

3) Dobre o molde ao meio, pela largura, e de maneira a continuar a ver as dobras da bainha. (Ver Fig.)

4) Dobre elevando os ‘vértices do fundo de saco’ até nivelar todas as arrestas e fica com o modelo feito.  (Ver Fig.)

5) Dê pontos e cosa com agulha e linha (ou à máquina) toda as junções do tecido de forma a consolidar o modelo, começando pelas principais junções. Reforce estas junções principais. (Ver Fig.)

6) Fixe o elástico já cortado à medida, de forma a passar atrás das orelhas e a unir um vértice ao outro da máscara. (Ver Fig.)

PARA FAZER MASCARES DE DIFERENTES TAMANHOS

Para modelo 1 ‘Bico de Passarinho’

                           (O diâmetro de abertura da máscara depende da largura do corte e a profundidade depende do comprimento)

 

Tamanho de Máscara

 

Diâmetro de Abertura

 

 Profundidade Comprimento do tecido  

Largura do tecido

 

19 19 cm 9,5 cm 29 cm 19 cm
20 20 cm 9,7 cm 30 cm 20 cm
21 21 cm 10,5 cm 31 cm 21 cm
22 22 cm 11 cm 32 22 cm
23 23 cm 11,5 cm 33 cm 23 cm

 

Para modelo 2 ‘Bico de Pato’

(O diâmetro de abertura da máscara depende do comprimento do corte e a profundidade depende da largura)

 

Tamanho de Máscara

 

Diâmetro de Abertura

 

Profundidade

 

Comprimento do tecido

 

Largura do tecido

 

19 19 cm 8,0 cm 23 cm 18 cm
20 20 cm 8,5 cm 24 cm 19 cm
21 21 cm 9,0 cm 25 cm 20 cm
22 22 cm 9,5 cm 26 cm 21 cm
23 23 cm 10,0 cm 27 cm 22 cm

NOTAS FINAIS, RECOMENDAÇÕES E INFORMAÇÕES DIVERSAS

Acerca do tecido apropriado

Tem que ser hipoalérgico, que não desprende partículas, e ao mesmo tempo, um tecido sob o qual se consegue respirar; e quanto maior capacidade de proteção contra partículas de diferentes naturezas tiver, melhor.

Para máscaras cirúrgicas descartáveis são usados tecidos TNT ou TST (tecido não tecido ou tecido sem tecido).

Acerca da qualidade (eficiência de proteção) das máscaras

 Dependendo da sua capacidade de filtragem e penetração, existem diferentes tipos de máscaras:

Máscaras PFF1 protegem em 80% (são vulneráveis em 20%)

Máscaras PFF2 protegem em 94 % (são vulneráveis em 6 %)

Máscaras cirúrgicas (N95) protegem em 95% (são vulneráveis em 5%)

Máscaras PFF3 protegem em 99 % (são vulneráveis em 1%)

Máscaras P3 (têm filtro de proteção contra partículas líquidas, bactérias, vírus, dióxido de enxofre e óxido de azoto).          

Máscaras P3R e HF (são recomendados contra partículas sólidas e líquidas, gás de fluoreto de hidrogénio, vapores orgânicos, gases ácidos);

Máscaras K1 6054 (são recomendados contra amoníaco e derivados, gases ácidos, formaldeído);

Máscaras P1R 5911, P2R5925, P3R5935 com filtro de gás e vapor (são recomendados contra amoníaco e derivados, gases ácidos, formaldeído, partículas sólidas e líquidas).

Existem máscaras especiais com dispositivos purificadores do ar para uso de equipas de emergência contra agentes contaminantes químicos, biológicos ou radiológicos.

Contra coronavírus são recomendados os respiradores N95 ou PFF2, ou de qualidade superior, especialmente para os profissionais de saúde da linha de frente.

A higiene necessária no uso e manipulação das máscaras resulta extremamente importante, sobretudo quando o que se pretende é proteger-se contra agentes biológicos (bactérias e vírus).

Tenha presente que o uso das máscaras exige algum treino em relação a sua manipulação e higiene, e no contexto atual deve-se ter em conta que não exclui outras medidas, mas pelo contrario, deve ser encarado como um complemento de medidas como o uso correto e higiénico das luvas, o distanciamento social (permanência à distância de 2 metros de outras pessoas, sempre que possível) e medidas de isolamento social (‘fique em casa’, evite aglomeração ou ajuntamento de pessoas).

Estas medidas são difíceis para qualquer um, mas são extremamente úteis para poupar vidas, apesar dos danos que faz à economia. Mas a economia é feita essencialmente pelas pessoas e para as pessoas. Felizmente são encaradas como medidas necessárias, de carácter temporária e transitória, para que a vida continue.

Na próxima oportunidade daremos algumas notas acerca dos gases úteis, mas que podem ser perigosos para a saúde, que também exigem proteção com máscaras especificas para aqueles que estão expostos constantemente, seja por razões profissionais ou outras.

Agradecemos antecipadamente quaisquer observações ou contribuições no sentido de melhorar os procedimentos sugeridos ou o conteúdo das informações.

Dr. Carlos António Gomes – Médico

carlosagomes66@gmail.com

04.04.2020

 

Fernando Casimiro

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Didinho Didinho (Fernando Jorge Gomes da Fonseca Casimiro) nasceu em Bissau, República da Guiné-Bissau, em 15 de agosto de 1961 onde fez os seus estudos primários e secundários. Desportista polivalente, foi professor de Judo, tendo participado nalgumas manifestações nacionais e internacionais da modalidade. Em novembro de 1981, deixou Bissau, rumo a Angola, onde veio a ingressar na marinha mercante grega, tendo em 1984 atingido o posto de Oficial Maquinista Naval. Viajou um pouco por todo o Mundo, registando um histórico de 70 países visitados. Após deixar a marinha mercante em 1988, fixou residência em Portugal, onde trabalhou na área de Manutenção Industrial e Metalomecânica até maio de 2015. Empenhado no desenvolvimento e promoção do seu país, criou em 2003 o Projeto “Guiné-Bissau: Contributo” com o objetivo de sensibilizar a opinião nacional e internacional para os problemas da Guiné-Bissau e de contribuir para a busca de soluções para os mesmos. Frequentou o curso de licenciatura em Ciências Sociais, tendo a Ciência Política e a Administração Pública como áreas de especialização. É Consultor para assuntos Políticos, Comunicação e Informação. Autor de vários artigos, nomeadamente sobre a Guiné-Bissau, colabora com diversos órgãos de informação. Humanista, pensador, escritor, poeta, fotógrafo, ativista social, analista e cidadão político, assim é a abrangência multifacetada de um homem simples e apaixonado pela Vida. A 10 de maio de 2017 anunciou a sua candidatura às eleições presidenciais na Guiné-Bissau, previstas para 2019 É sócio efetivo nº 1441 da Associação Portuguesa de Escritores desde 23 de maio de 2017 A 09 de Maio de 2018 publicou o seu primeiro livro de poesia, intitulado MINHA TERRA, MEU UMBIGO, sua 4ª obra literária, depois de: 1 - O MEU PARTIDO É A GUINÉ-BISSAU - COLECTÂNEA DE TEXTOS EDITORIAIS - VOL. I - 16.08.2016 2 - O MEU PARTIDO É A GUINÉ-BISSAU - COLECTÂNEA DE TEXTOS EDITORIAIS - VOL. II - 22.08.2016 - EUEDITO. 3 - O MEU PARTIDO É A GUINÉ-BISSAU - COLECTÂNEA DE TEXTOS EDITORIAIS - VOL. III - 08.10.2016 - EUEDITO. A sua próxima obra literária intitulada MEUS PENSAMENTOS, MINHAS SEMENTES PARA A GUINÉ-BISSAU deverá ser publicada oportunamente. Contatos: didinhocasimiro@gmail.com +351 962454392 WhatsApp – Fernando Casimiro +351 962454392