Luís Vera (Vieira?) da Fonseca: SI BU TEN

Vendo e ouvindo a entrevista de Manu Dibango à RFI em Outubro de 2019 fiquei curioso sobre a referência que faz, por diversas vezes, a um tal de Fonseca, originário de Casamance.

Na verdade, na minha juventude, ainda na Guiné-Bissau, já tinha ouvido alguém falar de um tal de Fonseca, não como originário de Casamance, mas sim, da Guiné-Bissau, como sendo autor de uma composição musical muito conhecida, “Le Boucheron”, interpretada por Franklim Boukaka e também, por Manu Dibango, numa versão intitulada “Ayé África”, que no entanto, nunca pude confirmar.

Hoje, depois de ouvir Manu Dibango falar sobre Fonseca, cujo nome completo é Luís Vera ( seria Vieira ?) da Fonseca, decidi pesquisar sobre tal personalidade, tendo encontrado um rico trabalho sobre diversos músicos, compositores e bandas africanas.

Sobre o Fonseca, cita: “Cette réédition magnifique en est un exemple parfait. Elle n’est même pas datée, et le texte sybillin du producteur-collectionneur Gilles Sala, repris tel quel, ne nous apprend rien sur Luis Vera da Fonseca (même pas s’il est encore en vie) sauf qu’il est (était ?) de mère sénégalaise et de père cap-verdien.”

Mars 2005 : Akendengue, Salif Keita & Kanté Manfila, Ballaké Sissoko, Miguel “Anga” Diaz, Chants Atege, Omar Pene, Cheick Tidiane Seck, J.-Ph. Rykiel, Joe Turner, Faytinga, Fonseca, Franklin Boukaka, Vintage Palmwine, Roots Music, Oscar Peterson.

Prosseguindo as minhas pesquisas, encontrei vários vídeos no Youtube sobre originais de Luis Vera da Fonseca e da sua Banda “Anges Noirs”.

Uma das músicas, que me fez regressar ao passado da minha infância/juventude, na Guiné-Bissau, intitula-se “Sibouten” ou melhor, no nosso kriol “Si bu ten”.

Música que certamente todos os guineenses da minha geração e da geração anterior à minha se recordam, até porque foi reproduzida pelo Conjunto Juventude 71 e mais recentemente, recriada pelo músico e compositor guineense Zé Manel Fortes.

Ao ouvir o original de “Sibouten”, na voz de Luis Vera da Fonseca, fiquei com sérias dúvidas de que, pelo kriol utilizado pelo artista, ele não era, de facto, filho da Guiné-Bissau. A pronúncia, o sotaque, faz-nos supor que Fonseca era de facto, Guineense, da Guiné-Bissau, mesmo tendo nascido em Casamance.

Não quero, porém, com esta suposição, fechar o espaço a outras análises e contribuições, em forma de debate, para a busca de mais elementos sobre Luis Vera (Vieira?) da Fonseca.

Infelizmente, a Guiné-Bissau tem perdido muito ao não fazer questão de pesquisar o passado das suas gentes que saíram para os países vizinhos, mas também, para o Mundo, entre a escravatura, a colonização, a guerra de libertação nacional e, mais recentemente, devido às desilusões com a desvirtualização dos objectivos da Independência Nacional.

Fica o espaço aberto à contribuição de todos sobre o que conseguirem descobrir, com referências de consulta sobre Luis Vera (Vieira?) da Fonseca.

Didinho 25.03.2020

Fernando Casimiro

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Didinho Didinho (Fernando Jorge Gomes da Fonseca Casimiro) nasceu em Bissau, República da Guiné-Bissau, em 15 de agosto de 1961 onde fez os seus estudos primários e secundários. Desportista polivalente, foi professor de Judo, tendo participado nalgumas manifestações nacionais e internacionais da modalidade. Em novembro de 1981, deixou Bissau, rumo a Angola, onde veio a ingressar na marinha mercante grega, tendo em 1984 atingido o posto de Oficial Maquinista Naval. Viajou um pouco por todo o Mundo, registando um histórico de 70 países visitados. Após deixar a marinha mercante em 1988, fixou residência em Portugal, onde trabalhou na área de Manutenção Industrial e Metalomecânica até maio de 2015. Empenhado no desenvolvimento e promoção do seu país, criou em 2003 o Projeto “Guiné-Bissau: Contributo” com o objetivo de sensibilizar a opinião nacional e internacional para os problemas da Guiné-Bissau e de contribuir para a busca de soluções para os mesmos. Frequentou o curso de licenciatura em Ciências Sociais, tendo a Ciência Política e a Administração Pública como áreas de especialização. É Consultor para assuntos Políticos, Comunicação e Informação. Autor de vários artigos, nomeadamente sobre a Guiné-Bissau, colabora com diversos órgãos de informação. Humanista, pensador, escritor, poeta, fotógrafo, ativista social, analista e cidadão político, assim é a abrangência multifacetada de um homem simples e apaixonado pela Vida. A 10 de maio de 2017 anunciou a sua candidatura às eleições presidenciais na Guiné-Bissau, previstas para 2019 É sócio efetivo nº 1441 da Associação Portuguesa de Escritores desde 23 de maio de 2017 A 09 de Maio de 2018 publicou o seu primeiro livro de poesia, intitulado MINHA TERRA, MEU UMBIGO, sua 4ª obra literária, depois de: 1 - O MEU PARTIDO É A GUINÉ-BISSAU - COLECTÂNEA DE TEXTOS EDITORIAIS - VOL. I - 16.08.2016 2 - O MEU PARTIDO É A GUINÉ-BISSAU - COLECTÂNEA DE TEXTOS EDITORIAIS - VOL. II - 22.08.2016 - EUEDITO. 3 - O MEU PARTIDO É A GUINÉ-BISSAU - COLECTÂNEA DE TEXTOS EDITORIAIS - VOL. III - 08.10.2016 - EUEDITO. A sua próxima obra literária intitulada MEUS PENSAMENTOS, MINHAS SEMENTES PARA A GUINÉ-BISSAU deverá ser publicada oportunamente. Contatos: didinhocasimiro@gmail.com +351 962454392 WhatsApp – Fernando Casimiro +351 962454392