ENTRE O QUE SOMOS E O QUE FIZEMOS

Com tudo o que somos, enquanto recursos humanos; com tudo quanto o nosso rico e apetecível país, a Guiné-Bissau, possui em matéria de recursos naturais, o que é que conseguimos fazer volvidos quase 44 anos da proclamação da nossa independência, senão, disputar o poder pelo poder, promovendo a instabilidade política, a divisão social e, consequentemente, inviabilizar o desenvolvimento, ou seja, negar o bem-estar comum e a afirmação do nosso país no concerto das Nações?

Positiva e construtivamente.

Didinho 21.03.2017

 

DECISÕES DE UM GOVERNO NA ILEGALIDADE

O país não pode parar, é certo, mas não é legal que um governo que não tendo sido legitimado pelo Parlamento tome decisões que apenas um governo com legitimidade e com base na legalidade das suas tarefas e funções pode tomar.

Estão a ser tomadas decisões precipitadas, sem suporte legal, em áreas de grande impacto político e económico sobretudo (que terão certamente repercussões sociais, mais cedo ou mais tarde) sem nenhuma fiscalização parlamentar face à disfuncionalidade do Parlamento, mas também, do Tribunal de Contas e do próprio Ministério Público da Guiné-Bissau.

O Presidente da República enquanto garante da Constituição da República, infelizmente, assiste a tudo isso, como se nada fosse…

Infelizmente, a promoção da instabilidade na Guiné-Bissau serviu sempre para “legitimar” o saque das riquezas do nosso rico e fragilizado país e o consequente enriquecimento de um punhado de gananciosos!

Positiva e construtivamente.

Didinho 19.03.2017

 

A LEGITIMIDADE DO PODER POLÍTICO

É a Constituição, e são  as Leis da República, que sustentam juridicamente a legitimidade do poder político dirigente da Guiné-Bissau. Os políticos guineenses ao serviço do Estado, sobretudo, os eleitos pelo povo eleitor (Presidente da República e Deputados da Nação) não devem nem podem continuar a desrespeitar os compromissos assumidos no acto de juramento aquando da tomada de posse dos seus cargos.

Didinho 18.03.2017

 

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O ACTUAL VAZIO POLÍTICO NA GUINÉ-BISSAU

Algumas considerações sobre o actual vazio político na Guiné-Bissau

1 – A Presidência Aberta

Na minha perspectiva, uma presidência aberta, mais do que um meio de promoção da figura do Presidente da República, deve ser um meio de facilitação da comunicação directa entre o Povo e o Presidente da República.

Uma presidência aberta deve servir mais, para o Presidente da República ouvir o Povo, tomar nota das suas opiniões, reivindicações e sugestões, tendo em conta as suas constatações, dificuldades e preocupações.

Uma presidência aberta, na minha perspectiva, não deve servir para manipular consciências, instrumentalizar o nosso Povo, em função das intervenções previamente elaboradas pelo Presidente da República.

Os problemas do país, concretamente a crise política guineense, deve ser abordado pelo Presidente da República numa perspectiva e abrangência nacionais, ou seja, sempre que necessário, através de uma Comunicação ao País e não numa presidência aberta.

Não faço ideia quanto custou a organização e realização da recente presidência aberta na zona leste do país, contudo, pelo que se deu a observar, não foram poucos os milhões de Francos CFA gastos no evento, que certamente seriam melhor aplicados em acções concretas de interesse das populações.

Não é preciso gastar rios de dinheiro dos cofres do tesouro público para se falar da corrupção, para repetir justificações sobre demissões de governos. Isso faz-se numa comunicação ao país, com partilha nas rádios, nos jornais e na Televisão.

Uma presidência aberta visa ouvir, auscultar, o Povo, as Comunidades locais, que devem ser os principais protagonistas.

O que vimos e ouvimos, foi um Presidente da República figura central de uma presidência aberta que deveria ter nas populações do leste do pais, a razão de ser da sua organização e realização.

2 – A (ir)responsabilidade do PRS enquanto partido que “sustenta” o actual governo

Não posso aceitar que o PRS permita que o ainda Primeiro-ministro, nomeado pelo Presidente da República, sem soluções para apresentar o seu programa de governo e o Orçamento Geral do Estado em tempo legal, o que o torna duplamente ilegal, também por via da argumentação da sua nomeação com base no acordo de Conacri, entre em discursos de âmbito político usando e abusando de uma certa impreparação política, tal a ausência de ética política nas suas recentes intervenções quer sobre abordagens internas, quer sobre abordagens com referências a instituições e personalidades externas.

Um Primeiro-ministro que não sendo parte da estrutura política do partido que apoia o governo, não deve entrar em disputas políticas, tentando atingir outros partidos políticos.

Deve sim, ficar à margem das disputas políticas e tentar encontrar uma solução de harmonia entre os diversos partidos políticos, sobretudo, com assento parlamentar, para conseguir um consenso, um pacto político capaz de desbloquear o Parlamento e viabilizar a governação, quiçá, o país.

Temos visto e ouvido nas últimas semanas, com espanto e preocupação, um Primeiro-ministro desenquadrado com o exercício do cargo, convencido de ter poderes e competências, constitucionais e legais, que na verdade não tem.

Se de facto, o ainda governo, é apoiado pelo PRS, onde está a responsabilidade política e governativa do PRS, que nunca se preocupou com o processo político e governativo do ainda governo, permitindo que o Primeiro-ministro ponha em causa a própria sustentação da governação pelo PRS?

3 – Depois da primeira sessão recente do Conselho de Estado, mais uma sessão, dada a conhecer através de um Comunicado, do Presidente da República e assinado pelo próprio Presidente da República da Guiné-Bissau.

O que é feito do Sr. Fernando Mendonça, Conselheiro e Porta-voz do Presidente da República, que nunca mais assinou ou apresentou um comunicado da Presidência da República, sendo que os últimos comunicados, ao que tudo indica, são feitos e rubricados pelo próprio Presidente da República?

Foi exonerado, demitido o Sr. Fernando Mendonça?

Se foi ou não, na sua ausência, não há quem o possa substituir?

Tem que ser o Presidente da República a elaborar os comunicados da Presidência da República?

Sobre a segunda sessão do Conselho de Estado, constatamos até que ponto existem fortes contradições nos diversos posicionamentos de políticos guineenses face à crise política, com base nas competências dos órgãos de soberania.

Se a Assembleia Nacional Popular, o nosso Parlamento, está bloqueado há tantos meses, sem que se consiga agendar e realizar uma sessão plenária e sendo o Parlamento um órgão colegial, que precisa de decisões por maioria dos seus membros, como é que o Presidente da Assembleia Nacional Popular, enquanto membro do Conselho de Estado decide apresentar uma proposta para a resolução da crise política, em nome do órgão de soberania colegial que é o Parlamento, sem conhecimento e consentimento de todos os Deputados da Nação?

Se o Parlamento tem estado bloqueado; se os Deputados não se têm reunido em conformidade com a agenda e o calendário prévio e legal das sessões parlamentares, como pode o Presidente da Assembleia Nacional Popular levar ao Conselho de Estado uma proposta que não foi apresentada, discutida, votada e validada pelos Deputados da Nação?

Como pode também o próprio Presidente da República, o suposto garante da Constituição da República, aceitar receber uma proposta que não foi elaborada com base numa visão colegial, de legitimidade constitucional?

Na minha perspectiva, o agendamento e realização da segunda sessão do Conselho de Estado é mais um dos muitos erros do Presidente da República, que continua com a sua agenda de promoção e afirmação de um presidencialismo de Estado contrário à definição constitucional do nosso sistema político.

Já que o Presidente da República continua a fazer afirmações públicas de que o actual governo, mesmo tendo entrado em ilegalidade com a não apresentação, discussão e aprovação do seu programa de governo, vai continuar em funções até final da legislatura, sem dissolução do Parlamento e consequentemente queda do governo, sugeria que em nome da legalidade democrática e no respeito pela Constituição da República da Guiné-Bissau, algum cidadão residente na Guiné-Bissau avançasse com um pedido de fiscalização da constitucionalidade junto do Supremo Tribunal de Justiça da Guiné-Bissau, sobre a legalidade e legitimidade do ainda governo.

Positiva e construtivamente.

Didinho 18.03.2017

 

POSTURA

O Presidente do PAIGC deveria também reconhecer, assumir, os seus erros (e têm sido muitos) entre a inexperiência e a premeditação, ao longo desta crise política.

Aconselhamos, criticamos e sugerimos, por diversas vezes, de forma responsável, positiva e construtiva o Presidente do PAIGC e ex-Primeiro-ministro, Engº Domingos Simões Pereira, sobre o que achamos das suas diversas intervenções, atitudes e posicionamentos, contrários ao espírito do diálogo, da tolerância, quiçá,  do respeito pela diferença, mas não só, como também, pelo respeito ao bom nome e à boa imagem do país.

Um Presidente de um partido político, por sinal, o maior partido político da Guiné-Bissau, que já foi Primeiro-ministro e almeja continuar na senda do dirigismo nacional, não deve pôr as suas aspirações acima da imagem, da afirmação e do Interesse Nacional.

Não é segredo para ninguém que o Presidente do PAIGC tem posto em causa o seu próprio país, numa estratégia errada e maquiavélica de confrontação de vida ou de morte, com o Presidente da República e o actual governo.

Se o Presidente do PAIGC quisesse, de facto, continuar a reivindicar a legitimidade e a legalidade democrática da vitória do PAIGC nas eleições legislativas de 2014, há muito que deveria reconsiderar o erro crasso da expulsão dos 15 deputados eleitos pelas listas do seu partido, como sugerimos, antes de a CEDEAO sugerir a reintegração dos 15 deputados no PAIGC, sem condições prévias.

Na ausência de uma postura de hombridade, do tipo, reconhecer os erros e corrigi-los, o Presidente do PAIGC preferiu sempre sacrificar o país de todos nós, nas suas viagens ao estrangeiro, levantando dúvidas, fazendo acusações e insinuações que mais do que prejudicar fulano ou beltrano, prejudicam o país e o nosso povo.

O Presidente do PAIGC, que também é Deputado da Nação, tenta passar a imagem de ser um cidadão corajoso, face às acusações e insinuações que tem feito, mas qualquer cidadão com um mínimo de lucidez sabe que o Presidente do PAIGC, acusa e faz insinuações porque é Deputado da Nação e beneficia de imunidade parlamentar, que impede de ser inquirido, sem o levantamento da imunidade parlamentar.

O Presidente do PAIGC não deve esperar que as relações institucionais entre o Presidente da República e o partido que lidera sejam facilitadas, com ataques, acusações e insinuações contra o Estado em geral e, contra o Chefe do Estado em particular, numa campanha irresponsável com o conluio de alguma imprensa internacional afecta ao lobby do Presidente do PAIGC.

O Presidente da República cometeu vários erros, mas não se deve insistir na questão da demissão do Governo liderado pelo então Primeiro-ministro Engº Domingos Simões Pereira, como factor de continuidade da crise política.

A Constituição da República dá poderes ao Presidente da República para demitir o Governo. Aconteceu, vira-se a página e segue-se em frente.

O que não se deve fazer é promover o bloqueio do país, prejudicando todo um povo, numa disputa irresponsável em defesa de interesses pessoais e de grupos.

É o Sr. Presidente do PAIGC tão corajoso, responsável e digno, ao ponto de solicitar ele próprio o levantamento da sua imunidade parlamentar, para ser ouvido sobre as diversas acusações e insinuações que tem feito, comprometendo mais o país do que propriamente os seus adversários?

É o Sr. Presidente do PAIGC tão corajoso,  responsável e digno ao ponto de solicitar ele próprio o levantamento da sua imunidade parlamentar para ser ouvido sobre acusações ou insinuações que também pendem contra ele?

Deve ou não o Presidente do PAIGC ser mais comedido, mais positivo e construtivo nas suas comunicações com os seus camaradas do partido tendo em conta o reflexo positivo na nossa sociedade?

Positiva e construtivamente.

Didinho 13.03.2017

 

ALERTA SOBRE ESTRATÉGIAS DA DIVISÃO SOCIAL NA GUINÉ-BISSAU

Não fosse a divisão social promovida pelos políticos e governantes guineenses, através da actual crise política, certamente não teríamos tantos blogues, tantos movimentos disto ou daquilo.

É preciso entender que o Povo quando devidamente esclarecido, não faz manifestações de cariz político, mas sim, de cariz social, assentes em reivindicações, onde se incluem as necessidades colectivas e os Direitos Fundamentais, face ao incumprimento dos políticos e governantes com o juramento de servirem o Povo que representam.

Vemos manifestações de partes distintas de um todo profundamente dividido, que é o Povo Guineense, assentes em reivindicações de natureza política, explícita ou implicitamente, em defesa, ou a favor de alas políticas em confrontação numa crise política que cada vez mais leva o Povo à confrontação social.

É urgente pararmos com isso!

Dos palcos políticos institucionais passamos para o palco virtual e mais recentemente para a acção no terreno, nas ruas, ignorando que não se está a promover manifestações sustentadas pela defesa de causas nacionais e que de manifestação em manifestação de um lado e do outro, poderemos estar a preparar as condições para uma convulsão social de consequências imprevisíveis.

Vamos parar para reflectir sobre as consequências que esta teimosia dos políticos pode ter para com a Unidade Nacional, quiçá para a Guiné-Bissau e para todos os Guineenses?

Positiva e construtivamente.

Didinho 10.03.2017

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Não aceitemos mais, enquanto guineenses, que uns e outros, a bem dos seus interesses, nos dividam, enfraquecendo-nos; nos intriguem, virando-nos uns contra os outros, quando o que está em causa é o Interesse Nacional, quiçá, a soma dos Interesses de todos os Guineenses e não apenas, de um grupo ou grupos de guineenses! A Guiné apenas precisa do compromisso dos seus filhos para que tudo o “resto” seja uma realidade! Didinho 10.04.2014

 

“Política, Caráter e Liderança: Tudo em torno da Verdade”

 

Iaia Maria Turé (IMT), Distinguished International Student

Sociólogo e Administrador Público

PhD Candidate, School of Public Administration and Policy, Remin University of China

 

“Política, Caráter e Liderança: Tudo em torno da Verdade”

A verdade e o exercício do poder

Para o político as convicções representam a verdade; se cultivasse a dúvida não teria domínio sobre a realidade e a ação sob a realidade é a sua razão de ser. 

Às vezes sucede que afirmar as próprias convicções se transforma não apenas em obstáculo ao exercício do poder como em obstáculo para lá chegar.

O político tem de ter isso em conta, tem de saber adaptar-se e terá, porventura, de dissimular sem contudo abandonar os seus objetivos. Aliás, quem terá o direito de exigir dele que torne públicas as suas intenções, antes dos outros?

Revelar os seus propósitos, quando os outros os disfarçam, seria uma atitude de grande risco que resultaria em pura perda.

Para o verdadeiro político – o político que quer ficar na memória das pessoas – a conquista e o exercício do poder não são um fim em si mesmo, mas apenas um meio; o que verdadeiramente conta é traduzir em atos as intenções que proclamou. E que não funcione como um cata-vento das ideias do dia-a-dia.

O importante é que a realidade tenha passado a ser diferente do que era. É esse o critério de aferição da verdade.

Para deixar marca não basta o cinismo utilitário. É preciso acreditar em qualquer coisa, dedicar-se a ela e triunfar. 

 A relação entre a verdade e o exercício do poder deve estar à distância certa entre o Cassandra que se compraz em antecipar os perigos e a complacência demagógica que máscara os riscos e disfarça as dificuldades para mais facilmente atrair os votos e mais se fazer aplaudir.

Não é só por não ser sincera, meritória ou corajosa que uma afirmação ou uma ação não merecem apoio; não o mereceu porque se apregoam falsos otimismos e alimentam ilusões. 

O que marca a diferença entre mentiras que são úteis e mentiras que são perigosas é o sucesso que se consegue. Quando fica satisfeito com o resultado, o povo esquece, mas, quando o desiludem, passa a alimentar uma raiva sem quartel contra quem o enganou e, depois, vota-o ao esquecimento que é a sanção suprema. 

Inovação na política

Para tornar mais duradoura a adesão do povo o político terá de afirmar sempre os mesmos princípios e de referir as mesmas convicções. Repetir-se não será exprimir um pensamento que fixa limites, que indica o sentido e que dá segurança aos que necessitam de saber com quem contam? No caso de as decepções e os fracassos o forçarem a retirar-se durante algum tempo, deverá voltar e, porque já tem a sua imagem na opinião pública, não deverá afastar-se dela. Mas, falando de liberdade, de justiça, de autoridade, de segurança, de generosidade, de patriotismo, não credível quem quer; cada um tem a sua originalidade; os políticos não são trocáveis entre si; cada qual tem a sua personalidade com características próprias marcantes. Não se modificam facilmente  a imagem, sob o risco de graves inconvenientes.

 No entanto não é contra-indicado inventar para se adaptar as mudanças dos tempos. O povo pode compreendê-lo porque, também ele, sem ter consciência disso, não se fixa para sempre à mesma maneira de reagir. O político poderá, consequentemente, posicionar-se na vanguarda, sem qualquer perigo, se o povo ainda não tomou consciência das inexorabilidade dos tempos como sejam, a título de  exemplos: no passado, emancipação das colónias, hoje a adaptação das leis as novas realidades e aos novos costumes. Poderia fazer-se uma antologia de opiniões contraditórias dos políticos sobre a Europa, sobre o conceito de Estado e de Nação sobre a liberdade e sobre o moral. O problema não é andar nem demasiado depressa, nem demasiada devagar, nem contra a corrente e de não parecer constrangido ou forçado. O político tem de se esforçar por ser natural. O povo vê com bons olhos que mude de opinião desde que o faça ao ritmo da evolução geral das formas de pensar. 

Político informado

É fácil para o político dar a imagem de mais inteligente que o comum dos mortais: estando mais informado do que eles e mais ao corrente das intenções dos seus camaradas/companheiros e dos seus rivais, tendo mais experiência em lidar com as realidades, a sua visão é necessariamente mais perspicaz, o seu discernimento mais seguro e a sua decisão tem mais probabilidade de ser justa.

À inteligência não é uma qualidade abstrata mas assenta no conhecimento da realidade. O risco está em pretender saber tudo a respeito dos homens e das coisas, sem se limitar ao que é essencial; as cabeças tipos navios de guerra não são as mais lúcidas. 

A Política e as promessas

Tornar-se lembrado através do silêncio é uma arte difícil. Só está ao alcance dos políticos de excepção cujo passado lhes confere um estatuto especial e cujo silêncio pesa em razão do que significa. Regra geral, pedir a confiança do povo obriga a dizer-lhe os objetivos em jogo, pelo menos nos casos em que se deseja, de facto, o poder. 

Então: prometer apenas quando se está seguro de poder cumprir?

E como se pode estar seguro de o poder fazer? 

O político terá de ter cuidado: quando formula desejos, as pessoas tomam isso como compromisso.

Que seja económico nas palavras!

Ninguém estará disposto a desculpá-lo e, se se mantiver no poder durante muito tempo, toda a gente lhe há-de lembrar os compromissos que assumiu ou os serviços que lhe prestaram.  

Ser fiel às promessas

O objetivo inicial pode permanecer imutável, mas os meios para lá chegar podem variar em função das relações de força e da situação do momento.

O povo admite que os métodos mudem, mas não os fins, de que os métodos são instrumentos: se foi criada riqueza  e essa riqueza foi distribuída de modo mais justo em benefício de todos, que importa ao povo que isso tenha sido através da ação do Estado ou através do jogos das relações?

Da mesma forma, se o objetivo é conseguir a paz, o fim de um conflito, a emancipação das colónias, que importa ao povo que o político o tenha conseguido através do recurso à força ou através da negociação de acordo com as circunstâncias? 

O povo andará sempre bem ao ser indiferente aos meios utilizados pelo político? A guerra e a negociação não são a mesma coisa, conforme o demonstra a experiência dos franceses na Indochina e na Argélia, e hoje no Cáucaso e ontem na Europa Oriental.

E quanto ao progresso e ao desenvolvimento, de que formas os fomentam as nacionalizações das empresas e o controlo geral da economia?

Os métodos escolhidos não revelam apenas de opções ideológicas mas de interesses diversos ou opostos e, até, de uma moral diferente. 

Pense o que pensar lá no fundo, o político não se pode mostrar realista de modo demasiado frio; imaginar que, conquistado o poder, nada mais importa é que todos os jogos lhe são permitidos e todas as contradições autorizadas, é outorgar-se um facilitismo que rapidamente se transformará em inabilidade.

Respeitar a palavra é tão útil à sua ação como à sua reputação e é mais importante do que possam pensar os cínicos. 

O povo tende a pensar que não é enganado e que as promessas feitas para conquistar a sua adesão serão cumpridas. É como se fosse um contrato moral.

O povo quer acreditar que o governante é pessoa estimável e com princípios.

Respeitar a palavra não é ser obstinado quando as circunstâncias se alteram. Nessa altura, o político deverá explicar as dificuldades que encontra, os obstáculos que se opõem e o obrigam a deferir – ou mesmo renunciar  – aquilo com que se tinha comprometido, e terá de se mostrar persuasivo, o que não será fácil.

Mudar de opinião é muito perigoso; se a isso for obrigado, deverá reconhecê-lo francamente e explicar as razões. É, até, uma forma de criar alguma convivência entre ele e o povo e de o levar a partilhar as perplexidades do poder.

O importante é tonar-se compreendido. Se for assim, se pretender fazer coincidir o que faz com que o diz, quando todos vêem o que é o contrário, toda confiança nele se vai. O pior: o político pode transformar-se em motivo de chacota, e, então, nada pior. 

Os fracassos dos políticos têm origem nas esperanças traídas. Há melhor demonstração disso do que a história da democracia em África e particularmente, na Guiné-Bissau ao longo dos anos – 1994-2015?

Nenhum governo, nenhuma maioria no poder, qualquer que tenha sido, ganhou e/ou conquistou o coração do seu povo ao nível esperado. A esperada boa governação: Construção e a Produção (desenvolvimento social). A ineficácia governativa passou a ser a moda.                                                

Comprometer-se, como fizeram os políticos desde 1994, a lutar contra a injustiça, desigualdade, dominação da minoria a maioria, a atenuar a {fratura social} justifica-se desde que se esteja decidido a desencadear todos os meios para atingir um tal objetivo. Caso contrário, se vinte anos depois, o desemprego é aflitivo, a fome aumentou, as desigualdade se acentuam, a precariedade das condições de vida piorou, então a {fratura social} continua em aberto e cada um de nós sabe-o bem. Recorrer a fórmulas que não são traduzidas em atos tem riscos, pois sabemos bem que essa tradução nunca aparece de repente. 

A boa verdade é que, na política, nada está garantido para toda a vida. Mesmo que conseguissem ser fiéis às suas promessas, os políticos não são eternos: a opinião pública cansa-se, os seus entusiasmos mudam e os seus desejos renovam- se, ao mesmo tempo que o poder esgota a imaginação de quem detém, o que passa a não saber responder a novas aspirações. 

Nem escrupuloso de mais nos métodos, nem imprudente

Nenhum político escapa a isto: o poder suja as mãos. O exercício do poder não pode ser conforme os princípios da moral comum. A hipótese é confiar os golpes da mão – mas sem se enganar – a quem mostrar prazer e capacidade para isso. Não faltam candidatos. Mas não se pense que, desse modo, o político esquiva-se às responsabilidades: ele é responsável pelo que faz e também pelo o que fazem em seu nome e no seu interesse, quer tenha quer não tenha conhecimento disso. Por vezes, tem dificuldades em admiti-lo mas, na maior parte dos casos, acomoda-se. A vida de quem tem o poder está cheia destes escolhos. 

 Jogos do dinheiro, ajustes das contas por vezes violentos, os complôs, as calúnias, os compromissos mais variados, as mentiras, correspondem a outras tantas toperzas. Serão elas inevitáveis?

É mais prudente recusar alinhar em algumas delas, mesmo correndo o risco de perder vantagens. Isso é preferível à desonra. 

 Quando não há respeito pela moral, a preocupação de salvaguardar os seus próprios interesses deverá levar o político a ter cuidado: os especialistas de golpes de mão muitas vezes sabem demais, chegam a inventar, julgando que, desse modo, ficam garantidos contra o perigo e até contra o seu próprio chefe, em relação ao qual tentam levar a melhor.

O chefe tem, então, de escolher: ou protege os seus comparsas, remetendo-se ao silêncio cúmplice, ou abate-os; em todo caso, seria ingénuo acreditar na sua boa-fé e na sua fidelidade, sejam quais forem as circunstâncias.

Como acreditar na boa-fé e na fidelidade de homens de mão sempre prontos  a tudo?

Só o receio e as cautelas que devem inspirar a sua ação poderão permitir-lhe estar de sobreaviso contra a traição dos que estão sempre prontos para lhe fazer as vontades.

Onde irá parar se não se mostrar temível? 

Política e Liderança 

“Semi-presidencialista, o sistema político vigente na Guiné-Bissau “Semi-presidencialismo”. No meu entender, neste sistema político, o Presidente da República deve ser, no essencial, um árbitro do jogo político e não um jogador ao nível dos partidos políticos.

Uma solução e não um problema para o país.

Não é o Presidente da República que governa, é o governo que governa.

O Presidente da República deve, no entanto, utilizar a sua magistratura de modo a conseguir que as pontes sejam necessárias entre os partidos, a relação dos partidos com a sociedade, possa funcionar de uma forma mais harmoniosa.

O presidente da República deve: fomentar a unidade nacional, politicamente imparcial e empenhado e atuante em termos sociais, promover as convergências políticas e “redundar” cultura de compromissos e, por fim, “incentivar o frutuoso relacionamento entre órgãos de soberania e agentes políticos, económicos e sociais.

O presidente da República deve ser uma pessoa “muito querida de todos, pela sua maneira de ser, pela sua integridade, pela sua modéstia e acessibilidade”. 

“O Presidente da República não pode e nem deve ter um programa próprio. O programa do Presidente é a constituição. O Presidente não pode nem deve ser contrapoder. Não é concorrente do governo e da Assembleia da República. Deve coadjuvar. Sobretudo um governo em situação complexa” (Jurista Português, Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente de Portugal)”.

Ainda no meu ponto de vista, o presidente da República deve ser uma pessoa de grandes qualidades morais, políticas e diplomáticas, capaz de dialogar, ouvir, estabelecer consensos. E isso é essencial para ser presidente. O mais alto cargo da nação tem de ser ocupado por quem “se possa levar a sério”. 

Guiné-Bissau “De orgulho para vergonha”

 A Guiné-Bissau  – “De orgulho para vergonha”, conquistamos a independência com respeito e honra e reconquistamos a nossa dignidade humana, encantamos com a solenidade e entusiasmo, colocamos a Guiné-Bissau no mapa e fomos reconhecidos no mundo inteiro (Orgulho). Com a independência conquistada, ficamos a desfazer no lugar de fazer, destruir quando devíamos construir, em vez de formar um Estado, destruímos toda a sociedade, hoje temos um país socialmente destroçado, economicamente depauperado, financeiramente bloqueado e atolado na banca. 

Olhando para atrás, parece que estamos a ir na direção errada.

Todas as conquistas da Guiné-Bissau são postas em causa.

Há mais de quatro décadas de independência que a classe política continua a ser o maior entrave ao desenvolvimento do país, problemas intra e inter-partidos, o que vem provar que, perante uma dimensão muito significativa, não foram encontradas respostas organizadas.

Infelizmente, a governação política na Guiné-Bissau parece ser uma brincadeira, ninguém assume a responsabilidade, porque ninguém é responsabilizado, o que faz me pensar as crianças num recreio escolar. Quando há um disparate, nunca ninguém teve a culpa, nunca ninguém é responsável (Vergonha). “História da Guiné-Bissau nos últimos anos é um teatro de erros.”

Respeito a democracia e ao voto popular

Na democracia, o povo é, solenemente, o dono do próprio destino, de acordo com o Abraham Lincoln: “a democracia é o governo do povo, pelo povo, para o povo.

Por esta razão, seria importante que os políticos tomassem a consciência de que, “o voto é a ferramenta base da democracia e da nossa representação enquanto cidadãos e enquanto políticos”. Apesar de termos outras formas de nos exprimirmos, mas continua a ser o voto que nos liga ao poder”. Em democracia não há nada mais precioso do que a vontade do povo. Por isso, temos que respeitar e dar importância para a soberania popular.

Segundo o consagrado filósofo grego, Aristóteles: “Uma das características da liberdade reside em ser governado e governar à vez. A justiça democrática consiste na igualdade segundo o número e não segundo o mérito. De tal noção de justiça resulta que a soberania estará necessariamente no povo e que a opinião da maioria deverá ser o fim a conseguir e deverá ser a justiça. (…) Como resultado disso, nas democracias, os pobres são mais poderosos do que os ricos: são em maior número e a autoridade soberana está na maioria. Esse é, pois, um sinal de liberdade que todos os democratas colocam como marca do regime (…). É que a igualdade não consiste em os pobres possuírem mais poder do que os ricos ou serem os únicos detentores da soberania, mas terem todos, uns e outros, por igual, de acordo com o número. Deste modo poderiam considerar que estavam asseguradas na Constituição a igualdade e a liberdade.

(Aristóteles, A Política, III)

Falta de valores na política actual 

Hoje infelizmente, estamos numa sociedade e com nova era (estranha) em que se aprofunda a crise da soberania, em que se assiste a uma alteração de valores e modos de conduta dos políticos, das populações e da sociedade em geral, em que a ideologia já não constitui referência.

No passado havia uma convivência política muito ligada a uma ideologia , a princípios, a valores que, de forma absolutamente altruísta, defendíamos. Mas, esse tempo passou, vai passando à medida que vamos desaparecendo. “A maioria das pessoas que neste momento está nos partidos (incluindo os seus dirigentes) não sabe o que é isso de ideologia, dos princípios e dos valores porque não conheceram o que era a ausência deles. Os partidos políticos transformaram-se, maioritariamente, em agências de empregado e do maior empregador.”  Agora ninguém fala da carreira profissional e/ou  de “carreirismo”.

Neste momento tenho sempre sérias dúvidas quando vejo um político muito interessado nos partidos. Nunca percebo bem se está aí porque está a defender um princípio, e um valor no qual acredita. Ou está aí para defender o seu emprego e garantir a sua sobrevivência? Hoje nota-se claramente que, a classe política ficou sem agenda, e aparentemente, também está sem ideologia. 

Crise Política internacional 

Visivelmente, estamos a assistir no mundo a uma multiplicação de conflitos políticos, religiosos, culturais e sociais, ao mesmo tempo que velhos conflitos não têm solução, o que quer dizer que a comunidade internacional perdeu capacidade de prevenção de conflitos e de solução para conflitos.

A possibilidade de prevenir, conter e resolver os conflitos está hoje consideravelmente diminuída. Há uma impunidade crescente de quem começa conflitos, de quem viola o direito internacional humanitário, de quem faz as mais horríveis violações de direitos humanos. E há imprevisibilidade crescente em relação a que acontecimentos que se desenvolvem com consequências humanitárias trágicas, umas das quais é o dramático número de refugiados nos últimos anos na Europa.  

Um mundo sem líder. Temos um mundo sem liderança desde a invasão dos Estados Unidos da América ao Iraque em 20 de Março de 2003.

Nos tempos da Guerra Fria, havia “um mundo bipolar”, que, “em momentos decisivos, quando a coisa se tomava demasiadamente perigosa, normalmente, o pior era evitado” e, mais tarde, houve, ” a hegemonia de uma única potência no mundo, os Estados Unidos”, que determinavam  o rumo dos conflitos. 

“Hoje já não temos um mundo bipolar, ainda não temos sequer um mundo multipolar, temos um mundo caótico, de alguma forma, em que as relações de poderes não são claras. E, mesmo que tivéssemos um mundo multipolar, é muito perigosa a multipolaridade quando não há “GOVERNANCE AND LEADERSHIP”.

E, agora temos uma Europa acabada e desintegrada, sem força, sem jeito, sem dinheiro, notavelmente sem respostas organizadas para encontrar soluções políticas e económicas de problemas que enfrenta: crise económica em Portugal, na Grécia, Irlanda e em Espanha.

Crise política, económica e militar na Ucrânia, perante a anexação da Crimeia pela Federação Russa. Problema do terrorismo aos desafios internacionais, e ainda, o mais recente problema de imigração de refugiados Sírios e de imigrantes Africanos que atravessam o mediterrâneo todos os dias para a Europa.

Uma Europa vendo a sua união mergulhando numa crise séria, com a possível saída do Reino Unido da União Europeia “BREXIT”.

Uma Europa com mini-states e super-states dentro da sua união, com os mini-states impostos a seguir os princípios fundadores da união, enquanto os super-states a serem privilegiados com “Special Status”. 

O grande problema da União Europeia é como e quando vai sair da crise.

Quando haverá tempo, condições, circunstâncias económicas, políticas, institucionais que permitam um ‘salto’ para um ‘céu aberto’, para um tempo não de céu nublado mas de céu limpo.

“A união Europeia parece um coração partido. Ex: um carro quando parte a caixa de velocidades. Você está a acelerar, não entra a caixa de velocidades e o carro não anda. E o carro é bom, os materiais são bons. Mas partiu-se a caixa de velocidades. O dono vai ter que empurrar o carro. Vai sair sarilhos”. E com tempestade perfeita lá fora, o dono vai ter que empurrar o carro. 

Com os Estados Unidos da América descapitalizado, o mundo ocidental, representado pela Europa está em declínio, hoje temos uma Europa fracassada enquanto potência mundial, que joga o jogo que sempre jogou na humanidade, cada um joga no seu lado. Desde a Europa de Leste até ao Oriente médio, os mais poderosos, ricos, os mais empreendedores, os mais guerreiros, os mais violentos, têm a tendência de impor a sua lei.  A hegemonia de séculos vai desaparecendo.  

Democracia Forçada e Mudança no Mundo Árabe 

“Depois da Primavera Árabe os líderes têm medo do povo. Isso é bom”. Houve algumas mudanças nos países Árabes (Tunísia, Líbia, Egipto, Síria e Marrocos), um dos aspectos positivos é que em todos estes países, o povo deixou de temer os governos. Antes, se o Presidente ou o Rei dissesse que 5+4= 12, simplesmente, as pessoas diziam 12, ou davam mais 13 e 14 para satisfazer o líderes. Agora são os líderes que temem o povo e isto é um desenvolvimento para a democracia.  E, é um bom exemplo para seguir na Guiné-Bissau.

Obrigado a todos pelo tempo dispensado!

Iaia Maria Turé

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  • Doutorando em Administração Pública – Especializando na “Governação Participativa” School of Public Administration and Policy, Remin University of China. China
  • Mestrado em Sociologia em 2014 – Especializado em “Relações Públicas e Humanas” School of Culture and Social Development, Southwest University. China
  • BA em Administração Pública em 2011 – Especializado em “Gestão de Assuntos Públicos” School of Political Science and Public Administration, Southwest University. China

 

Outras referências:

ESPERANÇA DE VER UMA NOVA GUINÉ-BISSAU”  11. 04. 2014   http://www.ordijda.blogspot.pt

http://ordidja.blogspot.pt/2014/04/esperanca-de-ver-uma-nova-guine-bissau.html?m=1

OPTIMISMO 2011    02.01.2011   –   http://www.didinho.org

A LIBERDADE CONQUISTADA CONTRA O DOMÍNIO PORTUGUÊS É UMA HONRA 22.09.2010    – http://www.didinho.org

” A HONESTIDADE FAZ PARTE DA POLÍTICA MODERNA” 20.07.2010   –   http://www.didinho.org

“NADA VALE UMA PALAVRA, SEM UM SENTIMENTO VERDADEIRO” 02.05.2010  –   http://www.didinho.org