Carta aberta ao Presidente da República da Guiné-Bissau

Excelentíssimo Senhor Presidente da República Dr. José Mário Vaz, aceite os meus mais sinceros desejos de que esta minha mensagem lhe encontre de boa saúde e que seja coroado de lucidez para continuar a dirigir os destinos da Guiné-Bissau, assim como foi a vontade do povo nas urnas.

Gozando da liberdade de expressão, que sua excelência pode-se orgulhar de estar a deixar lições de mestria aos seus antecessores e aos que lhe seguirão, venho energicamente manifestar a minha perda de fé, que Deus resolverá os nossos problemas.

Quem também perdeu a credibilidade no decorrer desta crise, em apresentar uma saída democrática são as instituições internacionais, em especial a CEDEAO, visto que insistem em que seja cumprido um acordo que viola gravemente a constituição da República do povo da Guiné-Bissau.

Sem legitimidade, está a na nossa Sociedade Civil em representar o nosso povo, que devido a acções de algumas organizações, em clara defesa de interesses políticos, vêm sendo instrumentalizados pelos autores desta crise para tirar dividendos e simular um falso apoio do povo.

Com tudo isto, se mantém inabalável o meu amor pela Guiné-Bissau e pelos guineenses.

É por amor à Guiné-Bissau que junto as minhas letras para Criar Consciência e Crítica neste espaço virtual que reflete a minha real responsabilidade com a minha pátria.

Sua excelência dirige os destinos de um povo injustiçado que colocou os culpados dessa injustiça no poder, com políticas que não andam nem desandam, colocando-nos vergonhosamente o falso rótulo de um Estado falhado, que depois de cíclicas crises, vive há quase 3 anos a patinar numa crise de luta pelo poder, que por interesses de grupinhos, decidiram internacionalizar crise alegadamente em busca de soluções para a sua resolução.

Sua excelência o Dr. José Mário Vaz, é o primeiro Presidente da República da Guiné-Bissau a fazer o povo guineense saborear a liberdade de expressão e a perder o temor de ser mais uma vítima das arquitecturas de assassinatos, perseguições, desaparecimentos e agressões que nas últimas décadas tem sido a fórmula usada pelos políticos para afastarem os seus opositores e tentarem perpetuar-se no poder.

Venho apelar à sua excelência o Dr. José Mário Vaz que aceite o desafio, de ser o primeiro Presidente da República da Guiné-Bissau, a convocar a classe guineense de tecnocratas espalhados pelo Mundo, a se organizarem para a busca interna de soluções para esta crise.

As muralhas que foram erguidas nesta crise são enormes, e requerem a abdicação do individualismo, o haurir do patriotismo e o erguer do sentido de estado para que se possam ser desmoronadas. A fusão destas qualidades encontra-se imbuída em muitos dos nossos recursos humanos.

O povo guineense pode orgulho-se de ter uma classe intelectual com uma experiência invejável e com uma formação útil para os desafios que atravessamos, necessitando apenas de os colocarem ao serviço da sua pátria.

Sua excelência Sr. Presidente da República o Dr. José Mário Vaz, é chegada a altura de dar oportunidade a distintos cidadãos guineenses que aqui apresento: Huco Monteiro, Luís Vicente, Fernando Casimiro, Joaquim Silva Tavares ( Joca ), Dr. Carlos Antonio Gomes (Caló), Saliatu Saliatu Sali Costa, Salimo Mané, Braima Darame, Edson Incopté, Mamadu Saibana Baldé, Magda Nely Robalo, Carlos Cardoso (Caló),Joao Carlos Gomes, a pensarem a Guiné-Bissau e a apresentarem uma solução sustentável para esta crise, que não comprometa a nossa paz social, através de uma valência puramente nacional.

Muitos destes quadros, para a sua formação, tiveram o apoio do Estado guineense, por isso, têm obrigação de colocar o seu intelecto e os seus contactos ao serviço da Guiné-Bissau.

Peço-lhe humildemente que ponha de lado todo o receio de perda de protagonismo pessoal ou político e dê oportunidade a estes filhos da nação de Cabral, para através das suas experiências no acompanhamento das diversas crises guineenses, sensibilizarem os seus irmãos para o projecto de mudança que a Guiné-Bissau carece, visando a harmonia, a estabilidade política, a paz social e o bem estar colectivo.

É chegada a altura de inverter esta política de transpor fronteiras para ir buscar soluções que nos têm ancorado na vontade e na função do contexto que a comunidade internacional considerar conveniente.
É chegada a altura de valorizar os nossos intelectuais e dar sentido à frase do fundador da nossa nacionalidade (Amílcar Cabral), “pensar pelas nossas próprias cabeças”.

Sua excelência Sr. Presidente da Republica, a Guiné-Bissau oferece condições a todos os políticos, para criarem mecanismos onde todos os guineenses possam viver com dignidade. A Guiné-Bissau dispõe de recursos para que todos os guineenses possam estudar em escolas como as que os filhos de políticos estudam.

A Guiné-Bissau dispõe de recursos para que todos os guineenses possam ter acesso a um sistema de saúde equiparado aos que os políticos recorrem quando estão doentes. É preciso criar urgentemente um clima de estabilidade, unir o povo e exigir resultados que beneficiem o povo.

Afirmo que continuarei a defender esta pátria assim como o rio Geba continua a correr para ir desaguar no Oceano Atlântico, contornando vários obstáculos sem nunca desistir.

Sua excelência, estou certo que esta árdua fase que atravessamos não será eterna, assim como o Sr. Presidente da República não se eternizará no Poder, mas poderá ter acções que ficarão gravadas na nossa memória para sempre.

Termino a minha mensagem desejando-lhe festas felizes e renovo o meu desejo de que esta minha mensagem lhe vá encontrar de boa saúde e que seja abençoado com lucidez para continuar a dirigir os destinos da Guiné-Bissau, assim como foi a vontade do povo nas urnas.

Cordialmente
Gaio Martins Batista Gomes

Foto de Gaio Martins Batista Gomes.
 20.12.2017
Cidadania e Direitos Humanos, Sociedade,

Fernando Casimiro

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Didinho (Fernando Jorge Gomes da Fonseca Casimiro) nasceu em Bissau, República da Guiné-Bissau, em 15 de agosto de 1961 onde fez os seus estudos primários e secundários. Desportista polivalente, foi professor de Judo, tendo participado nalgumas manifestações nacionais e internacionais da modalidade. Em novembro de 1981, deixou Bissau, rumo a Angola, onde veio a ingressar na marinha mercante grega, tendo em 1984 atingido o posto de Oficial Maquinista Naval. Viajou um pouco por todo o Mundo, registando um histórico de 70 países visitados. Após deixar a marinha mercante em 1988, fixou residência em Portugal, onde trabalhou na área de Manutenção Industrial e Metalomecânica até maio de 2015. Empenhado no desenvolvimento e promoção do seu país, criou em 2003 o Projeto “Guiné-Bissau: Contributo” com o objectivo de sensibilizar a opinião nacional e internacional para os problemas da Guiné-Bissau e de contribuir para a busca de soluções para os mesmos. Frequentou o curso de licenciatura em Ciências Sociais, tendo a Ciência Política e a Administração Pública como áreas de especialização. É Consultor para assuntos Políticos, Comunicação e Informação. Autor de vários artigos, nomeadamente sobre a Guiné-Bissau, colabora com diversos órgãos de informação. Humanista, pensador, escritor, poeta, fotógrafo, ativista social, analista e cidadão político, assim é a abrangência multifacetada de um homem simples e apaixonado pela Vida. É sócio efetivo nº 1441 da Associação Portuguesa de Escritores desde 23 de maio de 2017 A 09 de Maio de 2018 publicou o seu primeiro livro de poesia, intitulado MINHA TERRA, MEU UMBIGO, sua 4.ª obra literária, depois de: 1 – O MEU PARTIDO É A GUINÉ-BISSAU – COLECTÂNEA DE TEXTOS EDITORIAIS – VOL. I – 16.08.2016 2 – O MEU PARTIDO É A GUINÉ-BISSAU – COLECTÂNEA DE TEXTOS EDITORIAIS – VOL. II – 22.08.2016 – EUEDITO. 3 – O MEU PARTIDO É A GUINÉ-BISSAU – COLECTÂNEA DE TEXTOS EDITORIAIS – VOL. III – 08.10.2016 – EUEDITO.