EDITORIAL 7 - VICTOR GOMES PEREIRA
 

Eu acho que!

A destabilização.

Victor Gomes Pereira

27.10.2012

O plano internacional de destabilização do Estado guineense infelizmente não data de hoje, aliás, é nossa convicção, apoiada em factos, que a atual situação política de impasse que se vive perante a comunidade internacional obedece à lógica de um estratagema montado pela CPLP, com Portugal e Cabo Verde, no pelotão da frente.

O esquema de batalha geopolítica contra a CEDEAO, foi encetada pela CPLP em ordem a forçar um mal dissimulado diálogo inclusivo, como forma de servir objetivos inconfessos para incluir forças internacionais que lhes são afetas na monitorização do atual processo, para assim poderem intervir e forçar o regresso das suas marionetas, para a continuidade da manipulação do poder.

Da direita lusa fascista e saudosista que insiste em vergar a Guiné-Bissau da sua veleidade independentista, não se podia esperar outra coisa. O que na verdade, é novidade e não deixa de ser lamentável é a incursão leviana e grosseira do governo cabo-verdiano nesta matéria, e sobretudo, pela forma com que tenta substituir-se aos legítimos governantes nos assuntos internos guineenses.

E só se pode entender como mórbidos e falsos os desvarios do Primeiro-ministro cabo-verdiano, quando se refere à Guiné-Bissau, como sendo um narco-estado, porque eles se inserem na lógica da comunicação negativa a que já nos habituou, e que têm com finalidade diabolizar o Estado guineense. Numa situação de veracidade de factos, Cabo Verde não pode e nem tem moral para falar de tráfico de droga, porque é do conhecimento público os benefícios económicos que a transação ilícita de estupefacientes trouxe para aquele arquipélago nos últimos anos.

Se já não nos bastavam as intromissões abusivas e patéticas em forma de caixa-de-ressonância do primeiro-ministro José Maria Neves claramente alinhadas às teses do ministro luso Paulinho das Feiras, que a todo o custo tenta manter o seu posto no governo de Portugal, ao que tudo indica, a palavra de ordem agora em Cabo Verde, e é ilustrativa a última intervenção do Presidente Jorge Carlos Fonseca, insere-se também na lógica das pretensões de uma intervenção à CPLP.

De Cabo Verde estas posições são ainda mais lamentáveis, porque se trata de um País, cuja independência, como se sabe, foi forjada também com o sacrifício e sangue de milhares de guineenses tombados durante a luta de libertação. E mais lamentável ainda se torna quando sabemos que estas memórias estão a ser seletivamente apagadas por interesses obscuros à volta da manutenção de parcerias estratégicas especiais que apenas se quedam na obtenção de vistos para território europeu.

As declarações de Lisboa e Praia mostram claramente o grau de cumplicidade dos respetivos governos no apoio e quiçá no envolvimento nas movimentações de 21 de Outubro. Por isso não nos admira o somatório de alguma verve imprópria, a roçar a hostilidade por parte de governantes cabo-verdianos, porque o problema reside numa espécie de paternalismo intelectual a que o PAIGC os habituou.

De Bissau não levarão nada, disso podem estar certos,

Aliás esta azáfama em coartar as rédeas à CEDEAO no processo de transição guineense não faz sentido, e se a memória é curta, estamos aqui exatamente para lembrar, que se as tropas da CEDEAO se encontram hoje na Guiné-Bissau, foi graças à pressão internacional como pretexto de uma alegada proteção à retirada da MISSANG.

Quem não deve não teme. E as tropas angolanas teriam continuado se não tivessem extravasado o âmbito das suas competências, e se não estivessem alinhadas na estratégia golpista de Carlos Gomes Júnior de tentar aniquilar a liderança das forças armadas guineenses. Saliente-se que a chefia da MISSANG deixou cair a máscara, quando recusou entregar as armas destinadas ao treinamento das forças guineenses. Também curiosa ainda é a constatação de que o referido armamento só integrava viaturas com o volante no lado direito, contrariamente as usadas pelas forças armadas angolanas.

O que os países africanos de expressão portuguesa, incluindo Timor se esquecem, ou não querem lembrar, é que o fardo dos nossos antigos combatentes que agora pende sobre o nosso país, não é senão a consequência da internacionalização solidária e voluntária das nossas tropas nos seus teatros de guerra, para que hoje também fossem livres e independentes. Daí que também esta atitude amoral de incompreensão e até de agressão, não seja bem-vinda no nosso país.

Outro grande problema em torno desta questão é a repercussão interna desta tese conspirativa, agora concretizada na tentativa falhada do assalto ao aquartelamento dos para-comandos na base aérea de Bissalanca. Portugal, Cabo Verde e demais países, estão de tal modo cegos na estratégia diabólica de perturbar o processo guineense, que já não olham a meios para atingir os seus fins, o que infelizmente tem ajudado Carlos Gomes Júnior na sua saga de matanças.

A CPLP há muito que deixou de ter legitimidade e autoridade para, sequer falar, quanto mais arbitrar este problema. Portanto, não nos venham falar de missões de averiguação no terreno, porque não serão toleradas.     

A famigerada questão da inclusão

A questão da Frenagolpe que foi dissimuladamente privada do uso das instalações do PAIGC para depois surgir em força, depois desta tentativa falhada de golpe Estado do dia 21 de Outubro protagonizado pelo capitão Pansau Ntchamá, mostra claramente a pseudo vontade de diálogo da parte da atual direção dos independentistas.

É preciso que as pessoas entendam de uma vez por todas, que o PAIGC está, na realidade, representado neste governo até ao mais alto nível. Se existe um problema de representatividade, as alas em discórdia que se entendam dentro de instâncias próprias do partido, e não tentem escamotear a verdade com mentiras sobre a inclusão. É do domínio público que o PAIGC é um partido que não consegue sobreviver sem estar no poder. Daí a razão de todos estas intranquilidades.

Para finalizar, aproveitamos esta tribuna para denunciar atos incompatíveis com o exercício da democracia, e por isso condenamos veementemente todo e qualquer ato visando a destabilização do atual processo de transição, assim como condenamos atos violentos de ressabiamento concretizados em punições extrajudiciais contra todo e qualquer cidadão.

Obrigado

Até daqui a quinze dias

Bissau, 27 de Outubro de 2012

Victor Pereira

Jornalista

 

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