Um lusófono que merece destaque: Fernando Casimiro
Continuando com o propósito de revelar os portugueses que merecem destaque, optei desta vez por um lusófono, natural da Guiné-Bissau, mas que vive entre nós, pois como lutador pelos direitos humanos teve de fugir de lá e refugiar-se na “pátria-mãe”, onde continua a lutar pela liberdade e dignidade da sua pátria e pelo progresso da humanidade. Conheci-o há 1 ano e desde então tenho acompanhado a sua luta para que a G.B. deixe de ser um país em permanente conflito, onde infelizmente campeia a fome, a doença e a morte e ora, segundo notícias fidedignas de várias fontes, está à beira de ser um “narco-estado”, isto é, um autêntico “paraíso” para os narcotraficantes, especialmente de cocaína, fazendo da Guiné-Bissau um entreposto de estupefacientes para a Europa, a começar por Portugal e Espanha.
Trata-se de FERNANDO CASIMIRO, também conhecido entre os seus por “Didinho”. Para além de exercer em Portugal uma profissão num ramo industrial, mercê das denúncias que há muito vem fazendo contra Nino Vieira, viu morrer em Bissau um seu irmão em condições estranhas, nunca investigadas e ele próprio sofreu várias ameaças de morte em Portugal. Olhando para aquele infeliz país irmão e acompanhando o que se tem passado na Guiné-Bissau, onde campeia a corrupção e a “lei do mais forte”, sem ofensa para ele, atrevo-me a classificá-lo como o “último moicano” guineense, parafraseando o título de um velho filme americano, até por eu próprio me considerar um “moicano”, para quem a vida, a liberdade, a justiça, a dignidade, a solidariedade, a honra e a responsabilidade, não são palavras vãs!
Efectivamente, Fernando Casimiro, quase só, continua a lutar por uma Guiné melhor, mais livre e mais justa, onde valha a pena viver. Para o confirmarem, sugiro-vos que consultem o seu excelente site, onde ele escreve quase todos os dias, “clicando" em: “www.didinho.org”.
A sua luta mais recente é a defesa da vida do seu compatriota Mário Sá Gomes, um dirigente da Liga Guineense dos Direitos Humanos que, por ter denunciado a rede de narcotráfico da G.B., foi de imediato mandado deter pelas “autoridades” guineenses e só não está preso e quiçá morto por se ter refugiado na sede da representação da ONU naquele país. Atrevo-me aqui a perguntar ao nosso Embaixador em Bissau e ao nosso Ministro dos Negócios Estrangeiros, do que é que Portugal está à espera para lhe conceder asilo político? (se há anos recebemos o Nino, por esmagadora maioria de razão devemos protecção a este homem!).
Fernando Casimiro já colocou na Internet uma petição de solidariedade para defesa da vida do referido Mário Sá Gomes, que podem ler e subscrever, querendo, usando o seguinte link: http://www.petitiononline.com/mod_perl/signed.cgi?didinho
Por fim, vou dar a palavra a Fernando Casimiro, pois ele escreve para os guineenses, mas, se lermos bem, ele também se dirige aos portugueses e restantes lusófonos. Passo a citá-lo:
“ENTRE A SOLIDARIEDADE E A INDIFERENÇA
Não me limito a fazer só a minha parte!
Tento, igualmente, incentivar cada um a fazer a sua, em função da sua consciência, compromisso e responsabilidade para com o país.
A SOLIDARIEDADE é um gesto nobre, o maior, o mais sentido e preciso em todo o mundo!
A INDIFERENÇA contraria o espírito e o conceito de SOLIDARIEDADE, por isso, sou contra a INDIFERENÇA e lamento pelos INDIFERENTES!
Por nós próprios, porque ninguém vive sozinho neste mundo, devemos ser SOLIDÁRIOS!
A vida só tem sentido se, para além de nós, outros também puderem viver..."
Fernando Casimiro (Didinho)
