FINALMENTE O PAIGC VERGOU!

Por: Fernando Casimiro (Didinho)
05.10.2006
O PAIGC vergou para mal das aspirações do povo guineense e dos ideais que defende em nome de Amilcar Cabral.
Reconciliar o partido não é aceitar imposições de nenhum Tribunal.
Como Pode um partido ter um presidente no activo, que foi primeiro-ministro saído de eleições e que foi demitido por um Presidente da República também saído de eleições, quer queiramos reconhecê-lo, quer não, tendo esse mesmo dito Presidente da República, contra a lógica dos interesses do país e da ética política, nomeado um vice-presidente do partido para o cargo de primeiro-ministro, cargo esse prontamente aceite.
Como pode o PAIGC gerir a governação que a vitória eleitoral lhe concedeu nas urnas, sabendo que a estratégia de governação deve ser definida pelo seu presidente?
Que sustento garante esta reconciliação com pés de barro, quando hierarquicamente o presidente do partido está abaixo do seu vice-presidente na defesa dos interesses do partido, no que à governação diz respeito?
Para que servem os estatutos do PAIGC?
Quem manda no PAIGC?
Onde está a disciplina interna do partido?
Como pode um militante do PAIGC pertencer a um Fórum englobando outras forças políticas e que definiu o mapa da Assembleia Nacional Popular que não o mapa saído do resultado eleitoral e cujos interesses desse militante prejudicaram os interesses do partido a que pertence e os interesses do povo que votou nesse partido?
Os dirigentes do PAIGC com o estatuto de deputados da nação, conseguiram esse estatuto como independentes, como militantes de um Fórum que não concorreu a nenhuma eleição, ou foi por serem militantes do PAIGC?
Nesta situação estão vários dirigentes do PAIGC!
Porque estar a preparar-se para desafios futuros quando o momento presente está cheio de desafios que o PAIGC devia assumir como essenciais para a sua credibilidade e dinâmica nas relações com o eleitorado que o elegeu nas últimas legislativas?
Porque deixou-se convencer o PAIGC que reconciliar é dizer sim a tudo?
Sou apartidário, desculpem-me esta intromissão, mas o PAIGC, quer queiramos, quer não e, apesar de todos os desvios da sua linha de orientação, é o maior e melhor estruturado partido político da Guiné-Bissau.
É o partido que simboliza Cabral, criado por ele, apesar de há muito deixar de reflectir a imagem de marca de Amílcar Cabral:” O nosso partido deve lutar cada dia mais pela conquista dos direitos e pela defesa dos interesses do nosso povo”.
O PAIGC vergou, transmitindo um péssimo exemplo do que é a luta pela verdade e pela afirmação dos ideais partidários.
O PAIGC vergou, dando mostras de não saber tirar partido da sua expressão de maior partido político guineense.
O PAIGC vergou, dando mostras de não ter capacidade de mobilização dos seus militantes e simpatizantes para lutar pelos seus direitos enquanto partido político.
O PAIGC vergou, em nome da reconciliação que está na moda.
O PAIGC vergou, sem levar em conta que com este acto, traiu o seu próprio eleitorado e, porque não, o próprio povo guineense.
O PAIGC vergou, mostrando ser um partido sem argumentos para defender as suas causas e, muito menos a causa nacional.
Das várias acções levadas à Justiça, o PAIGC perdeu-as todas!
O tempo encarregar-se-á de julgar o próprio PAIGC!
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Intervenção do camarada Presidente do PAIGC, Carlos Gomes Júnior, na reunião extraordinária do Comité Central do PAIGC, de 4 de Outubro de 2006
Caros camaradas Vice-Presidentes do PAIGC;
Caros camaradas membros do Comite Central do PAIGC,
Quero manifestar a nossa satisfação pela forma correcta, responsável, disciplinada e de um responsável militantismo que marcou ontem os trabalhos da reunião extraordinária do Bureau Político.
Tal como ontem afirmei, gostaria igualmente de manifestar a nossa satisfação em nome da Direcção Superior do PAIGC em ter entre nos a presença dos camaradas que de Maio de 2005 a esta data estavam fora do nosso convívio e que hoje participam nesta nossa importante reunião.
A reunião extraordinária do Bureau Político que ontem teve lugar recomendou a realização urgente de um profundo debate interno à nível dos órgãos estatutários do PAIGC, de forma a permitir a todos os responsáveis aprofundar uma analise objectiva sobre a situação interna do Partido, com vista a serem ultrapassados definitivamente os problemas existentes e preparar o Partido para os grandes embates que se avizinham.
Se o retorno à família do PAIGC dos nossos camaradas, constitui motivo de satisfação, não é menos verdade que o momento e o facto em si mesmos, merecem uma reflexão clara e objectiva, de forma a tirarmos as ilações que se impõem para continuarmos a fazer deste partido, o instrumento de luta para a materialização das legitimas esperanças do nosso povo ao bem-estar e progresso.
Uma das lições mais importantes que devemos reter com todos estes acontecimentos que nos dividiram, é a necessidade de reforçarmos a nossa coesão interna e consolidar a unidade no seio do partido a todos os níveis.
Por isso, impõem-se preparar o Partido cada vez melhor para fazer face aos grandes desafios que se avizinham.
Neste quadro, a preparação e realização do VII Congresso Ordinário a ter lugar em Gabú constitui uma meta importante, cuja prossecução impõe a todos nós um maior empenho e um elevado espirito de camaradagem.
O meu apelo vai no sentido de todos juntos procedermos à uma reflexão de forma a tomarmos em devida conta as lições que este percurso trouxe para o PAIGC.
Quero uma vez mais reafirmar as minhas fundadas e legitimas esperanças de que sairemos desta reunião do Comité Central com mais energias, mais ideias renovadoras, imbuídos de um elevado sentido de responsabilidade, para arrumarmos e nos tornarmos mais solidários e unidos para vencer as inúmeras e complexas batalhas que nos aguardam.
Viva a Unidade Interna do PAIGC!
Viva o PAIGC! |
Deliberações e Recomendações da reunião extraordinária do Comité Central do PAIGC, realizada no dia 04 de Outubro de 2006, no salão “Amílcar Cabral”, da Sede Nacional do PAIGC.
Considerações gerais
A reunião teve o seu iniciou com a plena comprovação da existência de quórum com a presença de 187 dos 355 membros do Comité Central.
Foi apresentada e votada por maioria, com dois votos contra, a equipa responsável para secretariar a presente reunião extraordinária do Comité Central, sendo a mesma integrada pelos camaradas Seco Intchassó (Presidente), Roberto Cacheu, Maria de Lurdes Vaz e António Óscar Barbosa “Cancan”.
De seguida foi apresentada e a provada por maioria dos presentes, com um voto contra, a ordem do dia dos trabalhos, com os seguintes assuntos:
O Presidente do PAIGC, camarada Carlos Gomes Júnior, dirigiu-se ao Comité Central, destacando na sua intervenção:
Seguidamente, a camarada Hadja Satú Camará apresentou o relatório preliminar relacionado com as actividades desenvolvidas pela Comissão Nacional do 50º Aniversário do PAIGC, que mereceu uma elogiosa referência da parte de quase todos os intervenientes.
O Camarada Gustavo Naonta, Secretário Permanente a. i. apresentou a nova composição da Comissão Permanente do Bureau Político do PAIGC que veio a ser aprovada por maioria, com 1 voto contra, 5 abstenções e que passando a ter a seguinte composição:
1. Carlos Gomes Júnior – Presidente do PAIGC 2. Aristides Gomes – 1º Vice-Presidente do PAIGC 3. Satu Câmara – 3ª Vice-Presidente do PAIGC 4. Martinho Dafa Cabi - 4º Vice-Presidente do PAIGC 5. Augusto Olivais – Secretário Permanente do PAIGC 6. Daniel Gomes – Porta-voz do PAIGC 7. Isabel Buscardini 8. Francisco Benante 9. Manuel Saturnino da Costa 10. Hélder Proença 11. Eugénia Saldanha 12. Gustavo Naonta 13. Rui Araújo Gomes 14. Mário Mendes 15. Marciano Silva Barbeiro 16. Soares Sambú 17. Teodora Inácia Gomes 18. Armando Ramos 19. Aristides Ocante da Silva 20. Antónia Mendes Teixeira 21. Satú Djassi 22. Fátima Fati 23. Luís Oliveira Sanca 24. Alberto Baptista Lopes 25.
Por inerência, devido as suas funções, fazem parte deste órgão, sem direito a voto, os seguintes camaradas:
o António Lacerda, Presidente C.N.C.V. do PAIGC; o João Sediba Sane, Líder da Bancada Parlamentar do PAIGC
Em matéria de Recomendações, a reunião extraordinária do Bureau Político e aprovadas pela reunião extraordinária do Comité Central:
· Accionar pela Direcção do Partido, os mecanismos tendentes a fazer com que a estátua de Amilcar Cabral, seja colocada numa das principais artérias da cidade de Bissau;
· Levar a cabo acções no sentido de uma rápida recuperação da casa onde nasceu o fundador da nossa nacionalidade, Camarada Amílcar Cabral e nela instalar um museu;
· Promover, após a reintegração efectiva verificada nas reuniões dos órgãos estatutários, nomeadamente o Bureau Político e Comité Central, realizada respectivamente a 3 e 4 de Outubro de 2006, dos camaradas que foram alvo de suspensão e que foram reintegrados por decisão do nosso ultimo Comité Central realizado nos dias 1, 2 e 9 de Junho, facto que também vai em linha de conta com a decisão proferida pelo Tribunal Regional de Bissau, um profundo debate interno, urgente, a nível dos órgãos estatutários do PAIGC, a começar pela próxima reunião da Comissão Permanente, que incida sobre a situação interna do Partido, com vista a serem ultrapassados definitivamente os problemas existentes e preparar o Partido para os grandes embates que se avizinham.
· Aprovar uma Moção de Louvor para a Comissão Nacional do 50º aniversário do PAIGC e destacar neste contexto, o papel relevante e eficaz desempenhada pela camarada Hadja Satú Camará, enquanto Presidente desta;
Feito em Bissau, aos 4 dias do mês de Outubro de 2006. O Comité Central do PAIGC reunido em sessão extraordinária. |