CONTRAIR O CORONAVÍRUS NÃO É SINÓNIMO DE VERGONHA OU DESONRA

CONTRAIR O CORONAVÍRUS NÃO É SINÓNIMO DE VERGONHA OU DESONRA
Todos nós, seres humanos, somos potenciais alvos de infecção/contaminação pelo coronavírus, sendo igualmente, potenciais veículos de transmissão e propagação da doença.
Ninguém procura a doença, ninguém quer ficar doente, seja pelo que for, e muito menos, pelo coronavírus!
Contrair o coronavírus não é sinónimo de vergonha ou desonra, por isso ninguém tem necessidade de justificar seja o que for, mesmo quando um familiar, um amigo, ou conhecido estão infectados ou morrem de coronavírus.
Foram decretadas medidas restritivas e preventivas em todo o Mundo, visando impedir a propagação da doença, quiçá, combatê-la.
Mesmo sabendo que muitos erros foram ou continuam a ser cometidos, e que tem havido muita negligência, não só por parte dos órgãos com poderes de decisão a nível mundial, mas também, de populações de todo o Mundo, que ignoram as campanhas de sensibilização e informação, bem como as medidas de emergência decretadas, temos que continuar a cumprir com as medidas estabelecidas, assumindo cada um, de forma séria, a responsabilidade em cuidar de si, por forma a cuidar de todos!
No caso concreto da Guiné-Bissau, não é segredo para ninguém que o nosso país tem sérias carências estruturais e infra-estruturais em todos os sectores do desenvolvimento social, e sobretudo, a nível da Saúde e da Educação.
Não adianta que responsáveis das Comissões criadas para combater o coronavírus venham dizer publicamente que a Guiné-Bissau tem tudo, a nível de equipamentos e kits de testes laboratoriais, e está a fazer tudo o que países mais avançados do mundo têm e estão a fazer no combate à pandemia COVID-19.
Não é altura de culpar ninguém pelo estado em que se encontra o nosso Estado, e sobretudo, o nosso sector de Saúde, mas também, não é altura de populismos, assentes em afirmações, comparações e justificações desnecessárias e descabidas, visando escamotear a realidade Sanitária e Social do nosso Estado.
Temos assistido através das Conferências diárias sobre Covid-19 na Guiné-Bissau, à passagem de informações sobre os dias em que a equipa de realização e recolha de testes se desloca para outras regiões, o que inviabiliza a elaboração de outros dados de realização, recolha, análise e processamento de testes, por exemplo, em Bissau, a capital. Isso é demonstrativo de que não temos meios logísticos e humanos suficientes para fazer testes, suas recolhas, análises e processamentos de dados nas diversas regiões do país, no mesmo dia, e a consequente divulgação pública dos dados processados. Pelo menos é esta a leitura que faço, ainda que possa estar equivocado.
Voltando à doença e às medidas restritivas e preventivas decretadas, importa que cada um cumpra a sua parte, respeitando essas medidas, pois que, vencer a doença ou continuar à mercê dela e dos seus efeitos catastróficos em todos os domínios de nossas vidas, depende de cada um de nós, em primeira instância, e não de uma maioria, por arrastamento, pois a doença é PESSOAL e TRANSMISSÍVEL!
Cada um de nós sim, para que haja um TODO a cumprir com as medidas decretadas, recomendadas, para se evitar o efeito de contágio em cadeia e assim, vencermos o coronavírus.
Cada um de nós deve respeitar as recomendações para fazer o teste, caso seja suspeito de poder ter contraído o coronavírus, ou de ter estado com alguém que tenha sido diagnosticado com a doença, ou que tenha falecido por coronavírus ou cuja morte é suspeita disso; isto, porque na Guiné-Bissau, muita gente morre e ninguém sabe a causa da morte (autópsias…?) e é logo feito o funeral, muitas vezes nos terrenos anexos às suas residências e sem conhecimento das autoridades de saúde.
Temos que ser mais realistas na forma de encarar a doença, e mais tolerantes para com o pessoal de saúde e todos quantos voluntariamente também têm dado corpo e alma nas diversas frentes de combate ao coronavírus na Guiné-Bissau!
Infelizmente, a doença é mortal e é uma Realidade Global, inclusive, na Guiné-Bissau!
Não assumir a existência da doença na Guiné-Bissau, ou onde quer que seja, é o primeiro grande erro de cada um, para se salvar  a si e ajudar a salvar todos os demais!
Cuide de si, por forma a cuidar de todos! 
Positiva e construtivamente.
Didinho 17.04.2020