Gisela Casimiro lança a sua primeira obra poética

Num simples prato fundo, a poesia foi servida a todos, acompanhada com música e regada com água, vinho e cerveja, num ambiente de convívio, inspiração e reflexão, entre a simplicidade e a humildade, do, e no, espaço, onde se respirou humanismo, harmonia, amizade, em suma, Solidariedade!

Assim foi ontem, o lançamento de “Erosão”, a primeira obra poética de Gisela Casimiro.

Foi encantador, parabéns, filha!

Os nossos agradecimentos a todos quantos estiveram presentes, bem como aos que, por força dos seus compromissos inadiáveis, não conseguiram marcar presença física, mas fizeram chegar suas energias positivas à Gisela.

A nossa gratidão a Todos!

Didinho 15.11.2018


_sobre este livro

título do primeiro livro de Gisela Casimiro antecipa a melancolia dos poemas, nos quais convivem o desgaste do corpo, a destruição das relações, a morte, o afastamento, a perda. No entanto, até estas destruições parecem sofrer o poder da erosão, porque após a leitura não é o seu gosto que fica, mas o da cicatrização e das luzinhas que nos encaminham para a reconfiguração e a redescoberta do bem-estar. São pequenas receitas para a sobrevivência que Gisela partilha connosco: a ironia, a esperança, o doce de tomate da mãe, as sardas da pele de alguém ou a relação intima com o que a transcende.

Estes poemas testemunham movimentações fisicas e emocionais, são a passagem que a palavra abre da ferida à cicatriz, porque entre muitas outras coisas “o poema é o verbo salvar”.

Direi por isso que esta erosão é sobretudo a promessa de uma forma futura.

André Tecedeiro 

 



Sobre Gisela Casimiro

Como adquirir o livro?

 

Fotos da apresentação de Erosão de Gisela Casimiro

Versão musical de “Minha Terra, Meu Umbigo”

Versão musical do poema “Minha Terra, Meu Umbigo”.

Os meus agradecimentos ao irmão Fernando Carvalho, por mais esta iniciativa, bem como à Banda Sons Tropicais, ao Djipson, ao Filipe Santos e ao Estúdio Equa-Som.

Desfrutem!

Orgulhosamente, Guineense!

Positiva e construtivamente.

Didinho 30.10.2018

MINHA TERRA, MEU UMBIGO

Sei de onde vim
Não sei para onde vou
Sei quando vim
Não sei quando vou
Sei como vim
Não sei como vou
Entre a vida e a morte
A carne e a cinza
A terra e o céu
Que a esperança me acompanhe
Para que a Guiné me receba
Tal como vim tal como desejo ir…

Didinho – Maio 2004

MINHA TERRA, MEU UMBIGO – Letra de Fernando Casimiro (Didinho); Voz principal: Fernando Carvalho; Pré-Produção: “Sons Tropicais”; Arranjos e Produção: Djipson ; Técnico de Som: Filipe Santos; Estúdio Equa-Som

Didinho – Dados biográficos

Didinho

 

Dados biográficos

 

A vida só tem sentido se, para além de nós, outros também puderem viver… Didinho

 

Didinho (Fernando Jorge Gomes da Fonseca Casimiro) nasceu em Bissau, República da Guiné-Bissau, em 15 de agosto de 1961 onde fez os seus estudos primários e secundários. Desportista polivalente, foi professor de Judo, tendo participado nalgumas manifestações nacionais e internacionais da modalidade. Em novembro de 1981, deixou Bissau, rumo a Angola, onde veio a ingressar na marinha mercante grega, tendo em 1984 atingido o posto de Oficial Maquinista Naval. Viajou um pouco por todo o Mundo, registando um histórico de 70 países visitados. Após deixar a marinha mercante em 1988, fixou residência em Portugal, onde trabalhou na área de Manutenção Industrial e Metalomecânica até maio de 2015. Empenhado no desenvolvimento e promoção do seu país, criou em 2003 o Projeto “Guiné-Bissau: Contributo” com o objectivo de sensibilizar a opinião nacional e internacional para os problemas da Guiné-Bissau e de contribuir para a busca de soluções para os mesmos. Frequentou o curso de licenciatura em Ciências Sociais, tendo a Ciência Política e a Administração Pública como áreas de especialização. É Consultor para assuntos Políticos, Comunicação e Informação. Autor de vários artigos, nomeadamente sobre a Guiné-Bissau, colabora com diversos órgãos de informação. Humanista, pensador, escritor, poeta, fotógrafo, ativista social, analista e cidadão político, assim é a abrangência multifacetada de um homem simples e apaixonado pela Vida.

A 10 de maio de 2017 anunciou a sua candidatura às eleições presidenciais na Guiné-Bissau, previstas para 2019

É sócio efetivo nº 1441 da Associação Portuguesa de Escritores desde 23 de maio de 2017

A 09 de Maio de 2018 publicou o seu primeiro livro de poesia, intitulado MINHA TERRA, MEU UMBIGO, sua 4.ª obra literária, depois de:

1 – O MEU PARTIDO É A GUINÉ-BISSAU – COLECTÂNEA DE TEXTOS EDITORIAIS – VOL. I – 16.08.2016

2 – O MEU PARTIDO É A GUINÉ-BISSAU – COLECTÂNEA DE TEXTOS EDITORIAIS – VOL. II – 22.08.2016 – EUEDITO.

3 – O MEU PARTIDO É A GUINÉ-BISSAU – COLECTÂNEA DE TEXTOS EDITORIAIS – VOL. III – 08.10.2016 – EUEDITO.

A sua próxima obra literária intitulada MEUS PENSAMENTOS, MINHAS SEMENTES PARA A GUINÉ-BISSAU deverá ser publicada até agosto de 2018

 

Fernando Casimiro

 

Didinho – Escritor

 

Didinho – Candidato presidencial

 

Contatos:

didinhocasimiro@gmail.com

+351 962454392

+44 7404476794

WhatsApp – Fernando Casimiro +351 962454392

 

Não tenhamos medo de fazer uma nova revolução na Guiné-Bissau. Não uma revolução com armas de fogo, mas a revolução da consciência cívica, a revolução de mentalidades, que dará ao nosso povo o direito à liberdade do saber, do conhecimento e, quiçá, do pensamento e da ação! É urgente fazer ver aos guineenses que o medo de mudar ontem, é a razão dos males de hoje e o medo de mudar hoje, será a razão dos males de amanhã… Didinho

 

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English version

 

Didinho

Biographical data

 

Life only makes sense if besides ourselves, others can also live… Didinho

 

Didinho (Fernando Jorge Gomes da Fonseca Casimiro) was born in Bissau, Republic of Guinea-Bissau, on August 15, 1961 where he did his primary and secondary studies. A multi-purpose sportsman, he taught Judo and participated in some national and international events of the sport. In November 1981, he left Bissau to Angola, where he joined the Greek merchant navy, and in 1984 he reached the rank of Naval Officer. He traveled a bit around the world, registering a history of 70 countries visited. After leaving the merchant navy in 1988, he settled in Portugal, where he worked in the area of ​​industrial and metallurgical maintenance until may 2015. He was involved in the development and promotion of his country and created in 2003 the “Projecto Guiné-Bissau: Contributo” awareness of Guinea-Bissau’s problems and to contribute to the search for solutions to them. He attended the degree course in Social Sciences, with Political Science and Public Administration as areas of specialization. He is a Consultant for Political Affairs, Communication and Information. Author of several articles, especially on Guinea-Bissau, he collaborates with several information organs. Humanist, thinker, writer, poet, photographer, social activist, analyst and political citizen, this is the multifaceted scope of a simple and passionate man for Life.

On May 10, 2017, he announced his candidacy for the presidential elections in Guinea-Bissau, scheduled for 2019

He has been a full member of the Portuguese Writers Association with the no. 1441 since May 23, 2017

On May 9, 2018 he published his first book of poetry entitled MINHA TERRA, MEU UMBIGO – MY LAND, MY UMBILICUS a set of 57 poems (13 in kriol and 44 in portuguese edition) his 4th literary work, after:

1 – O MEU PARTIDO É A GUINÉ-BISSAU – COLECTÂNEA DE TEXTOS EDITORIAIS – VOL. I – 16.08.2016 EUEDITO (portuguese edition) – MY PARTY IS GUINEA-BISSAU – COLLECTION OF EDITORIAL TEXTS – VOL. I – 16.08.2016

2 – O MEU PARTIDO É A GUINÉ-BISSAU – VOL. II – 22.08.2016 EUEDITO (portuguese edition) – MY PARTY IS GUINEA-BISSAU – COLLECTION OF EDITORIAL TEXTS – VOL. II – 22.08.2016 – EUEDITO.

3 – O MEU PARTIDO É A GUINÉ-BISSAU – VOL. III – 08.10.2016 EUEDITO (portuguese edition) – MY PARTY IS GUINEA-BISSAU – COLLECTION OF EDITORIAL TEXTS – VOL. III – 08.10.2016 – EUEDITO.

His next literary work entitled MEUS PENSAMENTOS, MINHAS SEMENTES PARA A GUINÉ-BISSAU – MY THOUGHTS, MY SEEDS FOR GUINEA-BISSAU, should be published until August 2018

 

Fernando Casimiro

 

Didinho – Escritor

 

Didinho – Candidato presidencial

 

Contacts:

didinhocasimiro@gmail.com

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+44 7404476794

WhatsApp – Fernando Casimiro +351 962454392

Let us not be afraid to make a new revolution in Guinea-Bissau. Not a revolution with firearms, but the revolution of civic consciousness, the revolution of mentalities, which will give our people the right for the freedom of wisdom, knowledge and, perhaps, of thought and action! It is urgent to make Guineans see that the fear of changing yesterday is the reason for today’s ills and the fear of changing today will be the reason for tomorrow’s ills … Didinho

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Minha Terra, Meu Umbigo – Poesia em kriol e em português

 

DEDICATÓRIA

À Guiné-Bissau, minha terra, meu umbigo; meu primeiro compromisso e meu maior desafio.

À mana Timi, minha esposa, minha companheira, meu suporte na vida e para a vida. Mulher, sem ti, nada sou…!

AGRADECIMENTOS

Ao Povo Guineense e aos Amigos da Guiné-Bissau.
A todos quantos têm contribuído para o meu processo de aprendizagem e consequente evolução.
A todos quantos direta ou indiretamente me ajudaram ou têm ajudado a ultrapassar, por diversas formas, as dificuldades do dia a dia ao longo dos anos, neste mundo de moribundos sobreviventes…
À minha família, minha força, meu sentir, minha poesia de vida.

APRESENTAÇÃO

A OBRA

É com enorme satisfação que publico este primeiro livro de poesia, intitulado Minha Terra, Meu Umbigo, porém, é igualmente enorme a expectativa relativamente ao seu alcance, encaixe e satisfação, pelo leitor.

Não é fácil definir o que é a poesia, mas por fazer parte da vida das pessoas, situa-se, a meu ver, num entrelaçar de pensamentos, sonhos, sentimentos e emoções, de alguém, que decide partilhar o seu eu (ou mesmo, o eu dos outros), sobre o que pensa, sente, sonha, vê e ouve, levando suas marcas da vida, reais ou imaginárias, a um público alvo que sente e vive a poesia como um nutriente essencial e especial para a sua forma de ser e de estar na vida, neste nosso mundo em que na verdade, somos todos poetas, cada um ao seu estilo, mesmo quando se decide ser poeta no silêncio da poesia das palavras, tornando-se assim num poeta gestual através das ferramentas motoras do nosso corpo.

Poesia é a Liberdade
Da vida que marca
Com voz ou no silêncio
É a luz que brilha
No olhar e na mente
Mostrando caminhos
É a beleza da Natureza

É a Arte de todas as artes
É desenhar pintar e compor
O coração órgão do Amor
De nossas vidas noutras vidas
Na alegria ou na tristeza
Que a Vida nos proporciona
Poesia é o Hino da Humanidade
Na vertente cantada ou instrumental

Minha Terra, Meu Umbigo é uma obra poética que inclui 57 poemas, dos quais 13 em kriol, minha língua materna e língua nacional do meu país, a Guiné-Bissau e, 44 em português, nossa língua oficial.

Escrever poemas em kriol é uma sensação fantástica, pois permite-nos sentir e descrever de forma ímpar e emotiva, as marcas da nossa identidade, incluindo todas as suas realidades, sobretudo, nas vertentes social e cultural que nos identificam e caracterizam como povo.

Permite-nos igualmente abordar com mais e melhor imaginação, a poesia de intervenção focada na ação política, na qual o sarcasmo e a ironia marcam profundamente os conteúdos.

Aproveito a oportunidade para felicitar todos os poetas guineenses que ao longo dos anos têm publicado livros de poesia em kriol, ajudando desta forma na valorização, divulgação, sustentação e afirmação da Guinendadi, ou seja, de tudo quanto nos identifica enquanto Povo Guineense, quiçá, na promoção da Unidade Nacional, através do kriol, o maior e o mais importante património sociocultural da convergência identitária nacional.

Assumo doravante investir mais na promoção e consequente divulgação escrita do nosso kriol e, igualmente, na sensibilização sobre a necessidade de se trabalhar a sua vertente científica enquanto língua nacional, por forma a ser estruturada, padronizada e oficializada.

Minha Terra, Meu Umbigo é um livro de poesia de desabafos, sonhos, olhares, pensamentos, sentimentos e emoções do autor, sobre diversas realidades e conjunturas da vida, sendo o foco a Guiné-Bissau, seu país natal, e que pretende que seja também a poesia do leitor, em função da sua sensibilidade, do seu encaixe e da sua satisfação com o conteúdo ora partilhado.

O AUTOR

Didinho (Fernando Jorge Gomes da Fonseca Casimiro) nasceu em Bissau, República da Guiné-Bissau, em 15 de agosto de 1961.

Fundou em 2003 o Projeto “Guiné-Bissau: Contributo” com o objetivo de sensibilizar a opinião nacional e internacional para os problemas da Guiné-Bissau e de contribuir para a busca de soluções para os mesmos.

Autor de vários artigos, nomeadamente sobre a Guiné-Bissau, colabora com diversos órgãos de informação de vários países do mundo.

Humanista, pensador, escritor, poeta, fotógrafo, ativista social, analista e cidadão político, assim é a abrangência multifacetada de um homem simples e apaixonado pela Vida.

É sócio efetivo nº 1441 da Associação Portuguesa de Escritores desde 23 de maio de 2017

Em 2016 publicou 3 obras literárias:

O MEU PARTIDO É A GUINÉ-BISSAU – COLECTÂNEA DE TEXTOS EDITORIAIS – VOL. I 16.08.2016 – EUEDITO.

O MEU PARTIDO É A GUINÉ-BISSAU – COLECTÂNEA DE TEXTOS EDITORIAIS – VOL. II 22.08.2016 – EUEDITO.

O MEU PARTIDO É A GUINÉ-BISSAU – COLECTÂNEA DE TEXTOS EDITORIAIS – VOL. III 08.10.2016 – EUEDITO.

Didinho

08.05.2018

Até sempre irmão Ricardo de Castro Fernandes Pellegrin “El Kady”!

“(…) Porque a morte é a nossa derradeira sinfonia da vida.” Ricardo Castro Fernandes “El Kady”

 

Foi a 20 de Fevereiro de 2008 que tomei contacto pela primeira vez com Ricardo de Castro Fernandes Pellegrin “El Kady” e desde então passamos a ser grandes amigos, pese embora e apesar de manifestarmos interesse nesse sentido, não nos termos chegado a conhecer pessoalmente até ao seu falecimento.

De igual forma tornei-me amigo da sua companheira Sandra Miot e durante anos falamos com frequência por telefone, eles no Canadá e eu em Portugal.

Falávamos muito sobre a nossa Guiné-Bissau, mas também, do Haiti, o país da Sandra. Fizemos planos para a institucionalização do nosso Projecto Guiné-Bissau CONTRIBUTO do qual o Ricardo passou a ser um influente colaborador e da cooperação com a sua Orfeus Creations registada no Canadá.

Perdemos contacto desde 2014 no entanto, procurei sempre saber de ambos, sem resposta.

Recentemente consegui comunicar com a Sandra, dando-lhe conta de há muito não ter notícias deles, porém, nessa comunicação ela não me falou do falecimento do Ricardo. Só ontem, 10 de Março a Sandra me deu a conhecer que ainda está de luto, pelo falecimento do Ricardo a 12 de Setembro de 2015!

Foi uma notícia triste, de choque, de dor. Que perda!

Ricardo era um excelente ser humano, bem humorado, um educador, um poeta e um génio criativo musical com uma voz fantástica.

Um sonhador que levou a conhecer a sua/nossa Guiné-Bissau a vários destinos no seu percurso de “cigano” pelo mundo fora até se fixar no Canadá entre 1974/75.

Em jeito de homenagem póstuma ao nosso irmão Ricardo de Castro Fernandes Pellegrin “El Kady” e em nome do Projecto Guiné-Bissau CONTRIBUTO, partilhamos hoje registos de 4 links relacionados com ele enquanto nosso colaborador, amigo e irmão.

Descansa em paz irmão El Kady!

À nossa irmã Sandra Miot toda a nossa solidariedade, independentemente do Ricardo ter falecido a 12.09.2015.

Didinho 11.03.2018


Nascido na Guiné-Bissau, Ricardo Pellegrin El Kady emigrou para o Canada em 1975 adoptando depois a cidadania deste país. É músico-autor-compositor e pioneiro da «World Music» no Quebeque onde reside. Em 2000 foi galardoado com medalha de ouro como melhor autor-compositor no «SONG EXPO Benelux International 2000» na categoria «World Music». 

É licenciado em Letras e especializado em psico-sociologia. Trabalha, há muitos anos como formador e educador de adultos.


Ricardo Pellegrin El Kady

ELKADYSAMI, O APOIO QUE VEM DO CANADÁ!

A poesia de Ricardo Pellegrin El Kady

Sobre a GNR de Vilamoura e a historinha macabra segundo eles: “Que todos os pretos


Sobre Ricardo de Castro Fernandes Pellegrin “El Kady”

El Kady, la trace d’un pionnier

Hommage à El Kady

PELLEGRIN EL KADY / LOKETO

Musique africaine au Canada

ERMONS (IRMÃOS) GUINEENSES

 

 

ERMONS (IRMÃOS) GUINEENSES

 

Quando a Guiné-Bissau perde (e há muito que está a perder) perdem todos os guineenses! Didinho

 

ERMONS (IRMÃOS) GUINEENSES é o título de um pequeno, simples e abrangente poema que escrevi no dia 14 de Outubro de 2017 visando apelar, alertar, sensibilizar, mobilizar e consciencializar os meus irmãos guineenses para a necessidade de revermos e resgatarmos os princípios e os valores vivenciais, educacionais e civilizacionais da Cultura ancestral que caracteriza a nossa Guinendadi, quiçá, a riqueza da nossa Identidade Sócio-Cultural, porquanto termo-nos desviado e afastado desses princípios e valores, pois só assim se percebe, a cada dia que passa, a nossa falência (de princípios e valores), enquanto Povo, e consequentemente, os seus reflexos no falhanço do nosso Estado.

ERMONS GUINEENSES

Nô tchoma n´utru

Nô djubi n´utru

Nô barça n´utru

Nô obi n´utru

Na seriedade

Ku amizade

Nô n´tindi n´utru

Nô barça n´utru

Nô purda n´utru

Nô rispita n´utru

Nô n´tindi n´utru

Pa nô Guiné

O poema mereceu prontamente o interesse do músico e compositor guineense Fernando Carvalho, que se predispôs a musicá-lo, a exemplo do que já tinha feito com outros 3 poemas da minha autoria musicados nos seus últimos 2 álbuns musicais.

Fernando Carvalho surpreende-nos com o estilo musical, “Reggae” com que faz passar a mensagem aos Ermons (irmãos) Guineenses num dueto com o também cantor e produtor guineense Djipson Voz d’Ouro.

Duas vozes emotivas, distintas e maravilhosas, que se predispuseram a entrar no interior mais profundo dos Ermons Guineenses, visando partilhar a mensagem da Reconciliação no seu vasto conceito e mexer positivamente com as suas sensibilidades, enquanto seres humanos e Guineenses.

Um refrão musical que se tolera bem tendo em conta a frescura com que é apresentado e o objectivo de fazer passar a mensagem aos Ermons Guineenses utilizando a metodologia da repetição, por via da sua importância pedagógica e terapêutica no indivíduo.

Urge Reconciliar os Ermons Guineenses, resgatar e promover os princípios e os valores vivenciais, educacionais e civilizacionais da Cultura ancestral que caracteriza a nossa Guinendadi, entretanto invertidos e ou, adulterados!

Positiva e construtivamente.

Didinho 11.02.2018

 

ERMONS GUINEENSES: Letra de Fernando Casimiro (Didinho); composição musical de Fernando Carvalho; interpretação: Fernando Carvalho e Djipson Voz D´Ouro – cantor/produtor.

Fernando Carvalho
Djipson Voz D’ Ouro
Didinho

 

Não aceitemos mais, enquanto guineenses, que uns e outros, a bem dos seus interesses, nos dividam, enfraquecendo-nos; nos intriguem, virando-nos uns contra os outros, quando o que está em causa é o Interesse Nacional, quiçá, a soma dos Interesses de todos os Guineenses e não apenas, de um grupo ou grupos de guineenses! A Guiné apenas precisa do compromisso dos seus filhos para que tudo o “resto” seja uma realidade! Didinho

 

Um Tributo da Guiné-Bissau a Eugénio Tavares

Um tributo da Guiné-Bissau à Eugénio Tavares

Semente de amor da Ilha Brava de Cabo Verde para o mundo

Se me perguntassem porquê um tributo da Guiné-Bissau à Eugénio Tavares e estivesse mal disposto responderia, porque quero! E se apenas não quisesse entrar em muita conversa, responderia, porque o amor é universal!. Mas na verdade não é apenas por estas duas razões,  é também porque é um tributo merecido àquele que também foi um dos nossos, como poderão compreender mais adiante. Da minha parte apenas quero cumprir o sagrado dever de explicar o que sei e entendo que deve ser do conhecimento de todos aqueles que ainda não o soubessem, sobretudo os mais novos.  Vou então por isso tentar contar esta história para aqueles que ainda não tinham ouvido falar dela e nunca tiveram oportunidade de conhecê-la.

Eis que, nas proximidades da década de sessenta  do século XVIII, um italiano chamado Geovanni Battista Nozolini, casou-se com uma espanhola das Ilhas Canárias, de nome Barbara Riam; tiveram um filho a quem foi posto o nome de André Joseph Nicolas Maria de Candelária de los Santos Nozolini  (André Nozolini), nascido em Tenerife em 1761.  André Nozolini, estando já em Cabo Verde, casou-se com Gertrudes Maria Livramento Henriques (Gertrudes Henriques), nascida em 1775 na Ilha de Fogo (Cabo Verde)

Gertrudes Henriques era filha  do Capitão-Mor da Ilha de Fogo, Marcelino José  Jorge Távora  Henriques, natural de Aveiro (Portugal) e de Maria do Monte Fortunata da Fonseca Mendes Rosado (1749-1842), natural da Ilha do Fogo.  Esta Maria do Monte Fortunata da Fonseca MendesRosado erafilha de José  Cláudio Mendes Rosado (que era administrador da Companhia Grão Pará e Maranhão ) e de Isabel Caetana da Fonseca; ambos eram naturais de Algarve.

André Nozolini e Gertrudes Henriques geraram 5 filhos:Maria Soledade (de nome completo Maria Soledade Nozolini) (1791), José  Marcelino (1792), Maria Ascensão (1793), Maria das Dores (1796), e Caetano (de nome completo Caetano José Nozolini) (1801). Este último viria ser um histórico da Guiné como veremos mais adiante.

Maria Soledade Nozolini, irmã portanto de José Marcelino, Caetano José  Nozolini e de mais outras duas irmãs, iria casar-se com D. Juan José  Roiz (de Espanha) com quem gerarou também 5 filhas: Isabel, Maria Ascensão, Maria Soledade, Gertrudes e Eugênia (esta última de nome completo Eugênia Nozolini Roiz).

Eugênia Nozolini Roiz, também natural de Fogo, casou-se com Francisco de Paula Tavares, natural de Santarém (Portugal) pelo que foi-lhe acrescentada o apelido Tavares do marido e passou a chamar-se assim Eugenia Nozolini Roiz Tavares.

Francisco de Paula Tavares que fora um abastado comerciante em Cacheu e Geba na Guiné e sua mulher Eugênia Nozolini Roiz Tavares tiveram 2 filhos naturais da Guiné, Henrique (1863) e Henriqueta (1866). E quando Eugênia Nozolini Roiz Tavares estava grávida do terceiro filho que ira chamar-se Eugénio de Paula Tavares (Eugénio Tavares) começa o drama familiar.

A mãe  Eugênia Nozolini Roiz Tavares adoece e a família decide que fosse ela e a pequena Henriqueta para Cabo Verde junto dos demais familiares na Ilha de Fogo, enquanto o marido, Francisco de Paula Tavares ficou na Guiné com o mais velho dos irmãos, o Henrique. Mas o drama não larga a família, a mãe Eugênia não melhora na Ilha do Fogo e vai para a Ilha Brava que era considerada mais salubre e onde residia João José de Sena e outros familiares Bravenses. Este João José de Sena é um dos descendente de José Pedro de Sena que fora Capitão-Mor da Ilha Brava enviado pelo rei de Portugal, D. José (1750-1777), para administrar os negócios do reino.

Chegado o momento do parto, nasceu Eugénio Tavares mas morre a mãeEugênia Nozolini Roiz Tavares, deixando o recém-nascido, órfão de mãe, aos cuidados do médico José Martins de Vera Cruz e da irmã deste, D. Eugênia  Martins Vera Cruz Medina e Vasconcelos. Os irmãos Vera Cruz  seriam assim os pais adotivos do recém-nascido, enquanto a irmã deste, a pequena Henriqueta, continuaria sob custódia de João José de Sena.

Pouco tempo depois também morre na Guiné o pai dos menores e o Henrique, mais velho de Henriqueta e Eugénio, é  mandado para Portugal. O drama familiar culminou assim com os pais falecidos e os irmãos menores dispersos. E não podia ter sido pior! Mas como se costuma dizer na Guiné sufridur ta padi fidalgo (do sofrimento nasce o fidalgo), assim mesmo vai ser.

Na sequência deste percurso dramático logo no início de sua vida, Eugénio Tavares iria ter a oportunidade de ser educado pelos Vera Cruz, e desde cedo aprendeu a chamar à D. Eugênia Martins Vera Cruz Medina e Vasconcelos, sua mãe adotiva e madrinha de (Badinha), e foi dela que recebeu o maior afeto e foi à ela que dedicou esta belo poema:

 

És maravilha de Mulher duplamente Mãe;

Não mais santa mãe do fruto do seu ventre, que no sentimento da sua alma

Não mais amorosa mãe dos próprios filhos, que mãe sublime dos filhos alheios

Amo-te ó  minha mãe

E bendita seja a fonte inexaurida de bondade maternal que emana do seu espirito

Tudo com origem no amor, nada com origem no sangue.

 

D. Eugênia Martins Vera Cruz Medina e Vasconcelos, a (Badinha) de Eugénio Tavares era viúva do poeta madeirense Sérvulo de Paula Medina e Vasconcelos que se tinha exilado em Cabo Verde por oposição ao rei de Portugal. Terá  isto a ver com a inclinação poética e contestatária de Eugénio Tavares?

Onde não restou dúvida fio na influencia que tiveram também tiveram  na educação de Eugénio Tavares algumas personalidades do meio intelectual bravense como Guilherme Dantas, um intelectual muito admirado, Augusto Barreto, um respeitado poeta lírico e romântico e Maria Luísa Sena Barcellos conhecida como a primeira poetisa de Cabo Verde, e que é irmã de Cristiano José de Sena Barcellos, autor de “Subsídio para a história de Cabo Verde e Guiné”, além de outros temas na mesma linha.

Tendo sido concebido na Guiné, nascido na Ilha Brava (Cabo Verde) e passado pelo pior e o melhor dos períodos da vida, a Guiné esteve muitas vezes presente na trajetória dos antepassados de Eugénio Tavares em pelo menos 4 gerações:

Marcelino José  Jorge Távora Henriques (a quem os populares do Fogo batizaram como “Nho Capitão), trisavó  de Eugénio Tavares do lado materno, e que era  natural de Aveiro Portugal, antes de chegar a Capitão-Mor na Ilha de Fogo, fora Alferes-Tenente na praça de Cacheu (Guiné) quando o seu irmão José Távora  era Capitão-Mor da mesma praça.

Seu tio-avó  Caetano José Nozolini, natural de Fogo e que fora militar que atingiu a patente de Tenente-Coronel, adotou definitivamente a Guiné como sua terra e ali casou-se com Nhara Aurélia Correia ou “Mãe  Aurélia Correia”, fidalga conhecida e trada como rainha bijagó de Orango. Ambos tiveram 4 filhos, todos nascidos em Bissau: Eugénia Aurélia Nozolini (1823), Gertrudes Leopoldina Nozolini (1827),  Gertrudes Aurélia Maria Correia  Nozolini (1835) e José Caetano Nozolini (1836).

Caetano José  Nozolini chegou a assumir altos cargos na Guiné, tais como os de Capitão-Mor e de Governador, além de ter sido um grande comerciante que no seu tempo dominou o comércio  de Geba, Bissau e Bolama, assim como de outras feitorias e outros rios da Guiné.

Seria ele Caetano José Nozolini o indicado pelo então e único Governador natural da Guiné, Honório Pereira Barreto, para  fundar a povoação  de Bolama em 1838, a partir da localidade batizada com o nome de Novo Mindelo, na ponta oeste da ilha). Bolama viria a ser capital da Guiné após uma longa disputa entre Portugal e Inglaterra, disputa que iria ser definitivamente encerrada com a arbitragem e sentença de Ulisses Grant, então presidente dos Estados Unidos de América. A nova capital da Guiné iria receber por isso uma estátua deste presidente americano.

Um primo de segundo grau de Eugénio Tavares também chamado Caetano José Nozolini (1850),   (mesmo nome do tio-avó de ambos), e que é 8 anos mais velho que Eugénio Tavares, seguindo também carreira militar, teria igualmente prestado serviços militares na Guiné por volta de 1880, como oficial do exército português. Este seria filho de Roberto José Nozolini (1820) e neto direto de José Marcelino Nozolini (1792).

O pai adotivo de Eugénio Tavares, o médico José Martins de Vera Cruz, que era também militar, proprietário, empresário e armador, nasceu e morreu na Ilha Brava (1828-1920).  Diplomou-se como médico na Escola Médico-Cirurgica de Funchal, exerceu clinica na Ilha Brava e na Ilha do Sal e prestou serviços na Guiné onde se distinguiu no combate à cólera e febre amarela, merecendo por tais serviços as honras de Primeiro Grau de Torre e Espada, em Junho de 1870.

Este seu pai adotivo mereceu ainda outras honras, tais como a de Cavaleiro da Ordem Militar de S. Bento de Aviz, de Medalha de Prata de classe de Comportamento Exemplar, além de Comenda de Ordem Militar do Nosso Senhor Jesus Cristo.

Na sua ilha natal, Brava, chegou a ser presidente de Camara sucessivamente eleito até 1901, e nesta função consta que foi ele que idealizou muitas das infraestruturas que deu à Ilha Brava as feições que chegaram aos nossos dias, inclusive o Jardim da Praça que recebera mais tarde o nome do Jardim Eugénio Tavares em honra a este seu filho pródigo.

Casado com a mulher da sua vida, Guiomar Leça Tavares, o nosso poeta, compositor e  jornalista  Eugénio Tavares, não deixou descendentes mas deixou sementes de amor, porque nele o amor encontrou um terreno fértil onde germinou e por isso a sua vida deve ser celebrada. Esta celebração não deve pertencer só a Ilha Brava ou Cabo Verde, mas deve também pertence à Guiné, à Portugal às Ilhas Canárias ou Espanha, à Itália  e ao mundo, porque o amor é universal, e é acima de tudo, uma dadiva de Deus.

Amor é  a virtude de não discriminação, é o prazer de querer e ser querido ou de amar e ser amado, é o espirito de solidariedade, de tolerância, de paz e reconciliação, de dedicação à  causa do combate à fome, à miséria, à doença, à ignorância, à marginalização, à ambição desmedida; é enfim a dedicação à causa de entendimento entre os homens, preservação da natureza e da vida na terra.

Amor é precisamente o segredo de Deus para a proteção da vida, basta ver que é por ele que as mães suportam e toleram os choros e cheiros dos seus bebés. E quando o amor escasseia como acontece no mundo de hoje, o primeiro que se deve fazer é procurar a sua semente, multiplicá-la e distribuí-la.

O nosso poeta Eugénio Tavares, tendo merecido muito elogios, como o de ter sido poeta lírico e suavíssimo, prosador elegante em português e crioulo, filólogo da língua crioula, entre outros adjetivos elogiosos,  deixou este poema que é um verdadeiro hino de amor, escrito na língua crioula que nos e comum, poema esse que foi cantada e imortalizada numa monumental morna cabo-verdiana intitulada “força de cretcheu”.

Estas são as razões do porquê do tributo da Guiné-Bissau à Eugénio Tavares.

 

(Agradeço desde já as informações disponibilizadas em vários sites dedicados à vida e obra de Eugénio de Paula Tavares e peço desculpas antecipadas para quaisquer eventuais imprecisões  ou lapsos no conteúdo ou na forma de apresentação pela qual optei.)

 

Carlos António Gomes (carlosagomes@iol.pt)

30.10.2017