O CHÃO É O SEU PARTIDO

In: http://www.incomunidade.com/v51/art.php?art=252

Três volumes intitulados O meu Partido é a Guiné-Bissau, com cerca de mil e quinhentas páginas, no total, é a obra que agora me chega às mãos e eu já conhecia fragmentariamente, da Internet, em sites como Projecto Guiné-Bissau Contributo, em http://www.didinho.org/ e até mesmo no TriploV, em cuja lista de autores temos o prazer e a honra de contar com a colaboração episódica do Didinho. Num momento em que se estabelece parceria do TriploV com a Associação 25 de Abril, no caso a propósito do nosso Projeto “Sarmento Pimentel”, é oportuno que eu faça uma pequena reflexão sobre a responsabilidade política que nos advém de tais alianças. E o principal da reflexão gira em torno de “nha tchon”, “o meu chão”, em tradução literal do guineense, que em versão mais funda seria “a minha pátria”. É esse o significado mais impressivo do título de Didinho, ao recusar a efemeridade e fragmentação de grupos ideológicos de tipo partidário. Ele ocupa-se da Guiné-Bissau, preocupa-se com os guineenses e assume-se como independente de partidos, o que não equivale, espero, a uma voz a pregar no deserto.

Comecemos entretanto pelo Didinho, que em tempos já me pregou sustos valentes com justa causa, quando a ele me aliei na divulgação de temas que na altura se carregavam de dinamite. Didinho é o petit nom de Fernando Casimiro. É apenas assim, com um diminutivo – em crioulo, julgo que se diz “nome de casa” -, que ele assina textos sobre a Guiné-Bissau tão importantes como os do seu conterrâneo e ideal, Amílcar Cabral. E é só com esse diminutivo que ele se apresenta a nós como uma das vozes mais persistentes da oposição aos sucessivos e inglórios governos da Guiné-Bissau nos últimos tempos. Não se tratando de oposição para efeitos narcísicos, como tantas vezes vemos na Televisão. Pelo contrário, o Didinho frequentemente apresenta soluções e modos de atuar, não se limita a pavonear a cauda.

Características principais deste homem, a meus olhos: a coragem, a temeridade, o desejo inquebrantável de oferecer o seu contributo para a emergência de um país que ainda não corresponde ao ideado, de nome Guiné-Bissau. Tarefa difícil, mesmo perigosa, pois o Didinho sofre corte de palavra não só por parte do sistema político guineense como por parte dos meios de comunicação portugueses, como ele mesmo conta, por exempo no vol. II da sua obra. Todos o sabemos: o poder pessoal é muito difícil de conquistar se somos uma voz a pregar no deserto. Integrados numa instituição, a exemplo dos partidos, já não só é mais fácil como o poder consegue às vezes escrever-se com maiúscula. Justamente: o Didinho não quer esse tipo de alianças, prefere a sua independência política, moral e intelectual, e é bem possível que só pela minha mente passe a ideia de o ver como governante.

Numa notícia ligeira como esta, é impraticável fazer o balanço da obra e sequer distinguir algumas linhas de ação mais relevantes do que outras. Na maior parte, os artigos referem-se diretamente às circunstâncias da governação guineense; começam pelo Presidente Kumba Yalá, passam pelas situações atrozes dos princípios e fim de Nino Vieira, para terminarem na atualidade. É indiscutível que Didinho tem um rumo político, democrático, firmeza de caráter, cultura política e sobretudo desejo de ação. Se tais qualidades e muitas outras tornam o Homem incorruptível, quando alcança o Poder, eis uma dúvida minha.

No meio de tanta ideia lançada à arena pública pelo Didinho, chamo uma à tona, não só por abrir o conjunto dos três livros, como por eu lhe ser bastante sensível. É o apelo, aliás desafio que faz à Comunidade Europeia para que, sem indevida ingerência em assuntos privados dos países, tome posição quanto ao futuro da Guné-Bissau, pois é inútil pregarem-se e defenderem-se ideias de governo quando não há modo de governar, quando não há condições económicas para fazer eleições, quando nem sequer há cadernos eleitorais atualizados a semanas do sempre sebastiânico ato eleitoral.

O que faz correr o Didinho? Ambição política pessoal? É certo que ele faz parte de um núcleo de potenciais quadros superiores na diáspora – vive em Portugal – cuja ação seria benéfica na Guiné, caso regressassem ao seu, ou nosso “tchon”, para assumir o “mana” e o “nossa Guiné-Bissau” que o fraterno autor me atribuiu nas dedicatórias. Mas ambição é algo que remete para uma superfície, um horizonte no qual pode ou não existir um ponto de acesso, mas além do qual não há mais nada. O que move fica aquém, num impulso inicial, com raízes no fundo de nós e não pendentes de outras plantas, como acontece com certas epífitas. E é neste ponto que a minha reflexão toma vulto, ao atentar na densidade emocional da expressão “nha tchon”, a minha terra, aquela em que criei raízes, aquele chão que, além de dar comida, também alimenta a nossa capacidade de sonhar, idear e projetar.

É na infância e adolescência que criamos um mundo de afetos ligados aos pais, parentes e amigos, aos lugares, com os seus tempos da chuva e seco, com as suas cronologias de sábado e domingo, Natal e Carnaval, às coisas que a percepção sensorial assimila, como o sabor dos mangos e chabéu, a contemplação dos rápidos e extasiantes crepúsculos, o aroma do capim molhado pelas primeiras chuvas do ano, a quentura da mancarra torrada na esquina por Nha Francisca. Tudo isso nos acompanha ao longo da vida e constitui o nosso lastro emocional. Se estamos longe, queremos voltar. Na idade adulta já não criamos paraísos, a noção de pátria dimensiona-se em espaços mentais carentes de afetividade. Pátria com sentido de “paraíso onde vivem o pai e a mãe” só existe no imaginário de infância.

Eu admiro o Didinho, aliás Fernando Jorge Gomes da Fonseca Casimiro, nascido em Bissau em 1961. Admiro e temo por ele, porque sempre o vejo a lutar pelo nosso “tchon”, que é mais do que pátria e país. Admiro-o porque a sua tarefa é hercúlea; temo porque  os obstáculos a vencer podem ser-lhe fatais.

O chão é o seu partido

DIDINHO
O meu Partido é a Guiné-Bissau
Colectânea de Textos Editoriais
2016, Euedito, 3 vols
Contacto: geral@euedito.com

 

 

 

FINANÇAS: RESGATE SELETIVO!

DomingosNhamaAo falar da nossa relação económica com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Acordo Trienal no Âmbito da Facilidade de Crédito Alargado (ECF[1]), é importante frisar que assinamos o primeiro acordo em 27 de Agosto de 1984 e o segundo em 18 de Janeiro de 1987 (Ajustamento Estrutural) com o intuito de financiar o balanço de pagamento (BTC+CCF+EO) e os sucessivos défices do Orçamento Geral do Estado. E para ter acesso aos financiamentos é recomendável cumprir regras relativamente rígidas (regras de condicionalidade), ou seja, empresta quem cumprir as “regras do jogo” e “quem não obedece as regras sofre”. Portanto, estamos a tratar de um contrato sensível que requer sacrifícios sociais e uma certa perda de autoridade na condução da política económica. Por esta razão, é necessário retidão na gestão dos recursos financeiros e fiscalização eficaz na execução dos empréstimos por parte dos Deputados da Nação e do Tribunal de Contas.

No dia 20 de Junho de 2015, ex- Ministro da Economia e Finanças, Sr. Geraldo Martins, solicitou um acordo ao abrigo da ECF de 36 meses, em apoio ao programa de reformas económicas e resolução das dificuldades em balanço de pagamentos e orçamentais. E no dia 10 de Julho de 2015, Sr. Mitsuhiro Furusawa[2], disse no Comunicado de Imprensa nº 15/331, o seguinte: “A decisão das autoridades de não utilizar seus recursos escassos para amparar bancos com problemas é uma medida bem-vinda e coerente com as boas práticas internacionais”. Mesmo perante este compromisso, Sr. Geraldo Martins afiançou que o governo efetuou resgate (bail-out) aos bancos em 2015, comprando “ativos tóxicos”, em outras palavras, fizeram uso supérfluo de dinheiro dos contribuintes que passaram a contrair dívidas dos bancos privados, contrariando por completo as orientações do FMI e do Memorando de Politicas Económicas e Financeiras (MPEF). Nesta senda, o Diretor-geral do Banco da Africa Ocidental (BAO), Rómulo Pires, afirmou categoricamente que a instituição que lidera não recebeu dinheiro de nenhum governo e que não houve resgate – esta declaração nega explicações do governo sobre bail-out. Com esta postura irresponsável os nossos principais parceiros financeiros cancelarem todas as ajudas prometidas para minimizar as nossas fragilidades económicas, o que compromete profundamente nossa capacidade de resolver os obstáculos inerentes ao balanço de pagamento e de honrar os compromissos basilares.

Assim, afirmo que os fundamentos utilizados para efetuar as operações de bail-out são irrealistas, uma vez que menos de 2% da população tem acesso aos serviços bancários. E, por serem bancos pequenos e com pouca capacidade financeira para custear projetos de grande envergadura económica no país, poderiam optar por bail-in e não bail-out, neste caso, os bancos insolventes seriam recapitalizados com recursos do seu próprio passivo, com intento de atenuar os riscos de contágio à economia, sem a necessidade de aportes do governo. Ou seja, deslocariam os encargos de salvar bancos falidos dos contribuintes para os investidores.

Por outro lado, na tabela abaixo, podemos ver que nos últimos anos apresentamos resultados deficitários nas contas de transações correntes que afetam diretamente a Renda Nacional (RN) – que é considerada a mais importante do Balanço de Pagamento – entretanto, isto implica a necessidade de contrairmos empréstimos no exterior (por exemplo: ECF do FMI, aumentando o endividamento do país) e diminuir as reservas do país. De uma forma geral, a decisão de comprar dívidas dos empresários é inapta para despertar “animal spirits” do nosso débil setor privado e, não ajuda estancar o constante financiamento do dificit público com a venda de títulos públicos ao setor privado e o Banco Central.

Tabela: Balanço de Transações Correntes da Guiné-Bissau (2012-2018)
Balança Comercial 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Exportação, FOB 67,1 75,5 85 114,5 122,2 127,1 132,5
Das quais: castanha de caju 60,9 63,1 67,5 97 101,6 105 108,8
Importação, FOB 92,8 90,3 112,5 144,7 159 171 182
Das quais: alimentos -32,2 -31,4 -38,9 -43,1 -45,9 -49,3 -53,2
Produtos petrolíferos -21,7 -21,5 -26,6 -29,5 -31,5 -33,8 -36,4
BC -25,7 -14,8 -27,5 -30,2 -36,8 -43,9 -49,5
    Déficit Déficit Déficit Déficit Déficit Déficit Déficit
Fluxo Real Ent Bens Ent. Bens Ent. Bens Ent. Bens Ent. Bens Ent. Bens Ent. Bens
Fluxo Monetário Saída de USD Saída de USD Saída de USD Saída de USD Saída de USD Saída de USD Saída de USD
Fontes: BCEAO. Estimativas e projeções do FMI
Autor tabela: Domingos NHAMA

 

Balança de Transações Correntes da Guiné-Bissau de (ano…. – ano…..

Na balança comercial podemos verificar que importamos quantidade elevada de alimentos que tem um impacto económico forte, pois, aumenta o nível da pobreza estrutural e da insegurança alimentar. Penso que é crucial reduzir deficit orçamentário por meio de cortes de gastos e avançar com uma reestruturação rápida e eficaz no funcionalismo público. Sou da opinião de que os gastos do governo bem articulados estimulam a demanda agregada e prosperidade no país, além de gerar maior demanda, mais produção, mais emprego e riqueza. Infelizmente, não estamos em condições de gastar de forma desarticulada. Com isto, neste momento, quero dizer que devemos viver dentro das nossas limitações económicas, gastando igual ou menos que a nossa capacidade de arrecadação. Neste sentido, entendo que os empréstimos da ECF poderiam ser canalizados prioritariamente para as atividades que resultem em aumento real de produção que busca garantir autossuficiência alimentar e investimentos produtivos:

  1. Criação do Banco Nacional de Desenvolvimento Agrícola e do Microcrédito (BANDAM);
  2. Recuperação das estruturas de produção de Cumerê (economizaríamos divisas ao reduzir importações de alimentos) e;
  3. Criação de Instituto Nacional de Investimento Privado (INIP) – “braço” técnico para analise, avaliação dos projetos de investimento, acompanhamento e monitorização das atividades económicas.

Para finalizar, penso que é urgente livrarmos da nossa eterna miserabilidade politica que insiste em manter-nos totalmente dependente da ajuda externa, que em várias circunstâncias serve exclusivamente para multiplicar improdutividade que alimenta a corrupção e que sustenta a inercia da máquina pública, inibindo nossa capacidade de criar e conceber projetos de desenvolvimento racional a longo prazo. Este entendimento fundamenta-se no fato de o continente africano ter recebido nos últimos cinco décadas mais de 1 trilhão US$ em ajuda internacional e não conhecemos progressos substâncias. Por isso, devemos ter uma elevada dose de seriedade na gestão pública, maturidade politica e um excelente preparo académico para propor nova agenda de relações financeiras e definir pautas que visam as nossas vantagens comparativas.

É exatamente neste contexto que devemos concentrar as nossas energias e capacidades, em desenvolver o nosso potencial agrícola, em outras palavras, transformar o “MON NA LAMA” num projeto de desenvolvimento de curto, medio e longo prazo – como sendo, elemento dinamizador da indústria, serviços e de comércio internacional para financiar o nosso desenvolvimento. Nesta precária realidade, indubitavelmente, é incompreensível a compra da dívida dos devedores sem capacidade produtiva, sem condições de criar empregos e renda. Ou seja, com a extinção do “serpentî n´ghulî dinheiro”, surgiu o “resgate seletivo”.

 

Domingos NHAMA LACERDA VAZ COSTA

Economista

[1] A ECF proporciona assistência financeira a todos os países habilitados a receber apoio ao abrigo do Fundo Fiduciário para a Redução da Pobreza e o Crescimento (PRGT), do FMI, e que enfrentem problemas prolongados da balança de pagamentos (ou seja, quando existe a expectativa de que a resolução dos desequilíbrios macroeconómicos subjacentes se estenderia até o médio ou longo prazo). Apoia programas económicos formulados pelos próprios países que visam a avançar rumo a uma posição macroeconómica estável e sustentável, compatível com a redução da pobreza e o crescimento forte e duradouro. O acesso ao financiamento no âmbito da ECF é definido caso a caso, tomando em conta a necessidade da balança de pagamentos do país e o vigor do seu programa económico, e é orientado por normas de acesso.

[2] Director-Geral Adjunto e Presidente do Conselho de Administração do FMI em exercício

Agradecimentos – Fim da Campanha de angariação de fundos para apoiar a judoca olímpica Taciana Lima Baldé

A 07.06.2016 lançamos uma Campanha de angariação de fundos para apoiar a nossa tetra-campeã africana e judoca olímpica, Taciana Lima Baldé, a fim de apoiar a sua fase final de preparação tendo em vista a sua participação nos Jogos Olímpicos Rio 2016.

Jogos Olímpicos cuja sessão de abertura será no próximo dia 5 de Agosto, sendo que a nossa Campeã, Taciana Lima Baldé iniciará a sua participação no dia 6 de Agosto, viajando hoje 31.07 à noite, para o Rio de Janeiro.

Assim sendo, queremos anunciar o fim da nossa Campanha de angariação de fundos para apoiar a fase final de preparação da nossa judoca olímpica Taciana Lima Baldé, aproveitando para agradecer a todos quantos acudiram de forma amiga, patriótica e solidária, à nossa solicitação.

Muito obrigado!

A título de registo, recebemos contribuição financeira de 11 pessoas, no montante total de € 2983,00 – Dois mil novecentos e oitenta e três Euros.

A nossa Campeã, Taciana Lima Baldé, aproveita a oportunidade para endereçar a todos uma mensagem pessoal que aqui partilhamos.

Uma vez mais muito obrigado!

Didinho 31.07.2016

————————————————–

TacianaLimaBalde

“Olá a todos meus amigos que de uma forma ou outra contribuíram com a campanha de solidariedade esportiva. Estou a embarcar para os Jogos Olímpicos e queria agradecer de coração a todos que contribuíram para que esse sonho seja realizado. Foram muitos anos para chegar até aqui e vocês na reta final foram de grande importância para que tudo ocorresse da melhor forma possível. Conto com a torcida de todos vocês, enviem as melhores energias possíveis para que o objetivo final seja alcançado. Abraço a todos e um obrigada do tamanho do mundo. ” – Taciana Lima Baldé 31.07.2016

————————————————–

Campanha de angariação de fundos para apoiar a atleta olímpica guineense, Taciana Lima Baldé

 

Campanha de angariação de fundos para apoiar a atleta olímpica guineense, Taciana Lima Baldé

Taciana1

TACIANA LIMA BALDÉ

Judoca – Atleta Olímpica

CAMPANHA DE ANGARIAÇÃO DE FUNDOS PARA APOIAR A ATLETA OLÍMPICA GUINEENSE, TACIANA LIMA BALDÉ, QUE REPRESENTARÁ A GUINÉ-BISSAU NA MODALIDADE DE JUDO, NOS JOGOS OLÍMPICOS – RIO 2016 EM AGOSTO PRÓXIMO

Estimados compatriotas

Prezados amigos da Guiné-Bissau

TacianaLimaBaldeMeu nome é Taciana Rezende de Lima Baldé, atleta de Judo da Guiné-Bissau, TETRACAMPEÃ AFRICANA, 1ª no RANKING AFRICANO e atual 10ª do RANKING OLÍMPICO E MUNDIAL, qualificada para os JOGOS OLÍMPICOS DO RIO DE JANEIRO que têm inicio no dia 5 de Agosto de 2016.

Venho, através desta carta, fazer uma solicitação de apoio para finalizar a minha preparação para os Jogos do Rio de Janeiro.

Tendo em conta o actual momento da minha preparação, lanço um pedido de apoio num total de € 10.000.00 – Dez mil Euros, montante que irá englobar gastos com competições, estágios, treinos, fisioterapia, preparação física e psicológica para que possamos alcançar a tão sonhada MEDALHA OLÍMPICA para a GUINÉ-BISSAU.

Desde que iniciei a minha jornada e a tão sonhada qualificação Olímpica na modalidade de Judo, que se restringe apenas às 14 melhores atletas do Ranking Mundial, sendo que me encontro na 10ª posição, obtive as seguintes medalhas:

2013

  • Campeã de África – Moçambique
  • Campeã Taça do Mundo de Lisboa
  • Campeã Taça do Mundo de Port Louis

2014

  • Campeã Jogos da Lusofonia – Índia
  • Vice Campeã Taça do Mundo de Roma
  • Medalha de Bronze Taça do Mundo da Polónia
  • Medalha de Bronze no Grand Prix da Turquia
  • Campeã de África Ilhas Maurícias
  • Medalha de Bronze Grand Slam da Rússia
  • Medalha de Bronze no Grand Prix da Croácia
  • Medalha de Bronze no Grand Slam de Abu Dhabi
  • Campeã da Taça do Mundo de Port Louis

2015

  • Medalha de Bronze Grand Prix da Turquia
  • Medalha de Bronze Grand Prix da Hungria
  • Medalha de Bronze nos Jogos Africanos no Congo
  • Campeã da Taça do Mundo de Lisboa

2016

  • Vice Campeã Grand Prix da Geórgia
  • Campeã de África na Tunísia

TOTALIZANDO :

8 MEDALHAS DE OURO

2 MEDALHAS DE PRATA

8 MEDALHAS DE BRONZE

Conto com os vossos apoios.

Antecipadamente grata, queiram aceitar os meus melhores cumprimentos.

Taciana Lima 07.06.2016

————————————————————————————————–

Dados bancários para transferência de fundos

Banco Millenium

Nome do titular da conta: TACIANA REZENDE DE LIMA

Nº de Conta: 45458655211

NIB: 0033 0000 45458655211 05

IBAN: PT50 0033 0000 4545 8655 2110 5

SWIFT: BCOMPTPL

Descritivo da transferência: Solidariedade desportiva

————————————————————————————————–

FCDidinhoA Guiné-Bissau estará representada, pela primeira vez, na modalidade de Judo, nos próximos Jogos Olímpicos – Rio 2016, através de Taciana Lima Baldé, atleta que ocupa o 1º lugar no ranking africano na categoria de – 48 kg, e o 10º lugar no ranking mundial e olímpico.

Atleta de craveira mundial, regista um brilhante palmarés desde que passou a representar a Guiné-Bissau em 2013, tendo desde essa altura e até ao presente ano de 2016 conquistado 8 medalhas de ouro, 2 medalhas de prata e 8 medalhas de bronze em competições africanas e mundiais.

Através de uma conversa recente com Taciana Lima Baldé, fiquei a saber que precisa de apoios financeiros para a fase de conclusão da sua preparação rumo aos Jogos Olímpicos – Rio 2016, numa altura em que o tempo escasseia e ela precisa de facto, ser apoiada por todos nós, Cidadãos Guineenses, Amigos da Guiné-Bissau, mas também por todos os desportistas, sobretudo, os judocas e os amantes do Judo.

É do conhecimento de todos, as dificuldades que os atletas de alta competição da Guiné-Bissau enfrentam, devido à falta de apoios do Estado, para se prepararem convenientemente.

Infelizmente, as promessas de apoio do Estado a Taciana Lima Baldé até então não foram materializadas, o que fez com que decidisse solicitar apoios financeiros para concluir a sua preparação até à realização dos Jogos Olímpicos.

Taciana Lima Baldé tem sido apoiada até aqui pelos cidadãos guineenses Paulo Gomes e Hermenegildo Lamba.

Tratando-se de uma atleta olímpica que tem dado grandes destaques à Guiné-Bissau, bem como grandes alegrias aos Guineenses, devemos apoiá-la, cada um com o que lhe for possível, pois o importante será a soma total do que cada um disponibilizar.

Decidi apoiar a promoção desta causa, porque a Taciana Lima Baldé merece!

Outrossim, porque sou um dos primeiros praticantes de Judo na Guiné-Bissau do pós-independência, tendo sido um dos Treinadores da Escola Nacional de Judo, a par dos saudosos Cândido Cabral “Tchias” e João Manuel Jacob Leite de Magalhães, quiçá, conhecedor profundo das dificuldades pelas quais passam atletas de modalidades como o Judo, na Guiné-Bissau.

A nossa Taciana Lima Baldé está em contagem decrescente para os Jogos Olímpicos – Rio 2016 e precisa do apoio de todos nós. Independentemente do montante que cada um puder disponibilizar, importa ter presente a visão e os ensinamentos de Madre Teresa de Calcutá, na mesma perspectiva do apoio de cada um de nós à nossa Taciana Lima Baldé. “Eu sei que o meu trabalho é uma gota no oceano, mas sem ele o oceano seria menor.” Madre Teresa de Calcutá

O convite em jeito de desafio está lançado.

Vamos apoiar Taciana Lima Baldé!

Fernando Casimiro (Didinho) 07.06.2016

Ex-Treinador da Escola Nacional de Judo da Guiné-Bissau

Participante no Estágio Internacional da União Africana de Judo para Treinadores e Árbitros de Judo – Argel 1981

Atleta internacional pela Guiné-Bissau no Torneio Internacional de Judo da Zona 2 da África Ocidental – Dakar 1981


Taciana4

Taciana2

Taciana5

————————————————————————————————–

Saiba mais sobre Taciana Lima Baldé

Judoca Taciana Baldé conquista medalha de ouro e sagra-se tetracampeã africana –http://www.odemocratagb.com/judoca-taciana-balde-conquista-medalha-de-ouro-e-sagra-se-tetracampea-africana/

Paulo Gomes and Partners apoiam Taciana Lima Baldé –  http://www.pgandpartners.com/#!sponsoring/c1djk

Hermenegildo Lamba apoia Taciana Lima Baldé através da sua empresa Krioulo Flavour http://kriouloflavour.bigcartel.com/

Judoca que trocou Brasil pela Guiné-Bissau entre os melhores do mundo – http://www.dw.com/pt/judoca-que-trocou-brasil-pela-guin%C3%A9-bissau-entre-os-melhores-do-mundo/a-16798342

Grande Entrevista GTV – Taciana Lima Baldé https://www.youtube.com/watch?v=n8ZOcIFgiwA

PAIGC: IRRESPONSABILIDADE E PARANOIA DAS ELEIÇÕES GERAIS

Compreendo e aceito que a nossa crise política é extremamente sensível e requer uma elevada dose de imparcialidade, sentido de estado, coerência, responsabilidade e sensatez na tomada de decisões capazes de fazer vincar a estabilidade, paz e harmonia, na construção de um país que ambiciona ter instituições credíveis, que inspira confiança politica e económica. Por isso, assumo que tenho um compromisso inquebrável com a causa nacional e com o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC). Nesta senda, estou proibido de desviar do debate político por vários motivos, e, sem delongas, apresento três: primeiro, na qualidade de cidadão e no exercício da cidadania ativa e construtiva; segundo, enquanto militante do PAIGC (delegado mais novo/jovem do histórico VIIº Congresso Ordinário de Gabu, em Julho de 2008) e terceiro, como membro efetivo de Diretoria Nacional da Campanha Eleitoral do PAIGC, 2014. Portanto, partilho este pequeno e sincero contributo que tem como pano de fundo as práticas e avaliação do desempenho político da atual Direção do Partido (órgãos nacionais) – que solicita e acredita desesperadamente que as eleições antecipadas é um imperativo para libertar o processo e salvar os resultados das urnas.

Particularmente, afirmo energicamente que disputamos últimas eleições gerais sem grandes recursos financeiros, de maneira desgastada e completamente desunida. Portanto, em nome da velha tradição elegemos a depravação política, como fito para atingir os objetivos obscuros que caracterizam os militantes ambulantes e desprovidos da ideologia partidária. Mesmo assim, contamos com o apoio civilizado e inquestionável de uma população sofrida e pouco instruída, que veio de uma penosa transição politica depois do Golpe de Estado, de 12 de Abril de 2012. Neste contexto que é genuinamente nosso, deparávamos com um panorama político que gritava por uma mudança radical e que o país volte a reencontrar o caminho da estabilidade e legitimidade dos órgãos da soberania.

Nesta base, em 2014, o PAIGC conquistou 281.408 votos validos, traduzidos em 57 deputados da nação (mandatos popular) para governar: aprovar isoladamente todos os instrumentos legais de governação e defender os interesses nacionais – sem grandes sobressaltos interno, isto é, só e só, se aceitarmos que o nosso partido é um mundo puramente democrático e de manifestações ideológicas, sustentada na logica de crítica e autocritica.

E, se consideramos os últimos resultados eleitorais, podemos com muito realismo e desapego ao arcabouço demagogo e fanático partidário, avaliar o real desempenho da atual Direção do Partido em comparação com resultados das eleições de 2008.

Perceberemos claramente que perdemos o título da mais alta conquista desde abertura democrática ao alcançar uma maioria de dois terços na Assembleia Nacional Popular (ANP) guineense, pois, elegemos 67 dos 100 deputados. Incontestavelmente, se tivéssemos mantido este resultado, mesmo com abstenções dos 15 deputados da nação durante a votação do Programa do Governo, em Dezembro de 2015, teríamos garantido a sua aprovação com 52 votos a favor do programa, isto é, contando exclusivamente com os mandatos apresentados na lista do PAIGC. Este dado é extremamente importante e confirma que a Direção do Partido teve um desempenho eleitoral desastroso e, também, vê-se que há uma ausência total de um projeto comum de governação (Presidência e Governo). Neste vazio de propostas concretas, pouco se fez para construir pontes que levam-nos a uma verdadeira reconciliação interna e consensos necessários para governar e perseguir os objetivos consistentes, em torno do Programa Maior.

Porém, acredito que é importante perpetuarmos cultura do debate franco e de concertação permanente para edificação de um ambiente coabitável entre os militantes e simpatizantes, pois, ideologicamente admitimos que a UNIÃO faz a força e a divisão enfraquece-nos e impede-nos de alcançar os objetivos definidos para o curto, o medio e o longo prazo. Apesar de várias chamadas de atenção, vê-se nitidamente um comportamento duvidoso, rancoroso e trama plutocrata da atual Direção Superior que persegue aquilo que é menos digno para o partido, uma vez que, a opção selecionada para resolver os problemas internos resume-se em expulsar os deputados da nação que não votaram o Programa do Governo. Conduta típica de liderança com um forte pendor tirano e menos racionalidade!

Se a Direção do Partido tivesse privilegiado diálogo e articulações robustas no campo político, não teria cometido o erro monumental, mas, convenhamos, é quase impossível esperar decisões e medidas coesas de uma gestão partidária inteiramente desorganizada.

No decurso da nossa crise interna, fomos surpreendidos com uma das atrapalhadas memorável do Concelho Nacional de Jurisdição (CNJ) que optou por seguir andanças que ignoram por completo o peso político dos Círculos Eleitorais (2, 3, 4, 5, 7, 8, 9, 12, 16, 19, 24 e 27) representados nas seguintes regiões: Quinara, Biombo, Oio, SAB, Gabu, Cacheu e Bafatá – onde disputamos 90 deputados e elegemos 46 deputados da nação ou mandatos popular que equivalem 96.668 votos. E, se focarmos exclusivamente nos 15 deputados da nação que foram expulsos do partido, veremos que, de acordo com o Método de Hondt, conseguimos 35.890 votos para legitimar os 15 deputados da nação para os 4 anos da IXª legislatura.

Em outras leituras, se os 15 deputados da nação fossem um partido político na disputa eleitoral, seriam o 3º partido mais votado e a 3ª maior força politica na ANP, em outras palavras, teriam maior peso político que os seguintes partidos: PSGB, FDS, PUSD, UPG, PRN, UM (10.803, votos | 1 deputado), PCD (19.757 votos | 2 deputados), RGB, PSD, PND (28.581 votos | 1 deputado), MP, PT e PRID.

Perante os factos, afirmo que atual Direção do Partido tomou decisões suicidas. Atira no lixo os 35.890 votos do povo, e automaticamente coloca na rua todas conquistas eleitorais e a sagrada credibilidade dos libertadores, que outrora, inspirava confiança e alimentava toda uma nação de esperança de que é possível construir o nosso país na base da UNIDADE, LUTA E PROGRESSO. Infelizmente, nos dias que correm, é notável o baixo nível de competência em debater exaustivamente assuntos que determinam o grau de maturidade política do PAIGC.

Esta incapacidade faz-nos pensar que a nossa atual Direção Superior está determinado em trocar o nome do nosso glorioso partido para: Partido Africano Incapaz de Governar sem Consensos (PAIGC). Devemos assumir os nossos erros e sermos capazes de aceitar que não podemos transferir os problemas internos para nação e, nem deve ser o motivo de bloqueio institucional e divisão social. Por isso, não podemos permitir que a incompetência da Direção Superior sejam as bases para convocação das eleições antecipadas fora de quadro legal. Precisamos, urgentemente, de uma liderança jovem e sem compromissos com o submundo politico!

Termino com algumas linhas do nosso ÚNICO E ETERNO ENGENHEIRO DO PAIGC

Chegou o momento de acabarmos com responsáveis ou dirigentes que não são capazes de se entender com os seus camaradas numa Frente ou num Comité Inter-Regional. (…) Chegou o momento de acabarmos com responsáveis e dirigentes que não mostram em cada acto seu, amor pelo nosso Partido

Mas somos nós que temos de acabar com isso. Chegou o momento de acabarmos completamente com o medo dos responsáveis ou dirigentes do Partido. E quem abusa da autoridade está a cometer um crime pior do que os dos colonialistas portugueses.

A autoridade tem que ser baseada no trabalho sério, no bom cumprimento do dever, e na conduta ou comportamento exemplar para toda a gente. Cada dia temos que exigir mais dos nossos responsáveis. Amílcar Lopes Cabral

Domingos NHAMA LACERDA VAZ COSTA – Economista

“Política, Caráter e Liderança: Tudo em torno da Verdade”

 

Iaia Maria Turé (IMT), Distinguished International Student

Sociólogo e Administrador Público

PhD Candidate, School of Public Administration and Policy, Remin University of China

 

“Política, Caráter e Liderança: Tudo em torno da Verdade”

A verdade e o exercício do poder

Para o político as convicções representam a verdade; se cultivasse a dúvida não teria domínio sobre a realidade e a ação sob a realidade é a sua razão de ser. 

Às vezes sucede que afirmar as próprias convicções se transforma não apenas em obstáculo ao exercício do poder como em obstáculo para lá chegar.

O político tem de ter isso em conta, tem de saber adaptar-se e terá, porventura, de dissimular sem contudo abandonar os seus objetivos. Aliás, quem terá o direito de exigir dele que torne públicas as suas intenções, antes dos outros?

Revelar os seus propósitos, quando os outros os disfarçam, seria uma atitude de grande risco que resultaria em pura perda.

Para o verdadeiro político – o político que quer ficar na memória das pessoas – a conquista e o exercício do poder não são um fim em si mesmo, mas apenas um meio; o que verdadeiramente conta é traduzir em atos as intenções que proclamou. E que não funcione como um cata-vento das ideias do dia-a-dia.

O importante é que a realidade tenha passado a ser diferente do que era. É esse o critério de aferição da verdade.

Para deixar marca não basta o cinismo utilitário. É preciso acreditar em qualquer coisa, dedicar-se a ela e triunfar. 

 A relação entre a verdade e o exercício do poder deve estar à distância certa entre o Cassandra que se compraz em antecipar os perigos e a complacência demagógica que máscara os riscos e disfarça as dificuldades para mais facilmente atrair os votos e mais se fazer aplaudir.

Não é só por não ser sincera, meritória ou corajosa que uma afirmação ou uma ação não merecem apoio; não o mereceu porque se apregoam falsos otimismos e alimentam ilusões. 

O que marca a diferença entre mentiras que são úteis e mentiras que são perigosas é o sucesso que se consegue. Quando fica satisfeito com o resultado, o povo esquece, mas, quando o desiludem, passa a alimentar uma raiva sem quartel contra quem o enganou e, depois, vota-o ao esquecimento que é a sanção suprema. 

Inovação na política

Para tornar mais duradoura a adesão do povo o político terá de afirmar sempre os mesmos princípios e de referir as mesmas convicções. Repetir-se não será exprimir um pensamento que fixa limites, que indica o sentido e que dá segurança aos que necessitam de saber com quem contam? No caso de as decepções e os fracassos o forçarem a retirar-se durante algum tempo, deverá voltar e, porque já tem a sua imagem na opinião pública, não deverá afastar-se dela. Mas, falando de liberdade, de justiça, de autoridade, de segurança, de generosidade, de patriotismo, não credível quem quer; cada um tem a sua originalidade; os políticos não são trocáveis entre si; cada qual tem a sua personalidade com características próprias marcantes. Não se modificam facilmente  a imagem, sob o risco de graves inconvenientes.

 No entanto não é contra-indicado inventar para se adaptar as mudanças dos tempos. O povo pode compreendê-lo porque, também ele, sem ter consciência disso, não se fixa para sempre à mesma maneira de reagir. O político poderá, consequentemente, posicionar-se na vanguarda, sem qualquer perigo, se o povo ainda não tomou consciência das inexorabilidade dos tempos como sejam, a título de  exemplos: no passado, emancipação das colónias, hoje a adaptação das leis as novas realidades e aos novos costumes. Poderia fazer-se uma antologia de opiniões contraditórias dos políticos sobre a Europa, sobre o conceito de Estado e de Nação sobre a liberdade e sobre o moral. O problema não é andar nem demasiado depressa, nem demasiada devagar, nem contra a corrente e de não parecer constrangido ou forçado. O político tem de se esforçar por ser natural. O povo vê com bons olhos que mude de opinião desde que o faça ao ritmo da evolução geral das formas de pensar. 

Político informado

É fácil para o político dar a imagem de mais inteligente que o comum dos mortais: estando mais informado do que eles e mais ao corrente das intenções dos seus camaradas/companheiros e dos seus rivais, tendo mais experiência em lidar com as realidades, a sua visão é necessariamente mais perspicaz, o seu discernimento mais seguro e a sua decisão tem mais probabilidade de ser justa.

À inteligência não é uma qualidade abstrata mas assenta no conhecimento da realidade. O risco está em pretender saber tudo a respeito dos homens e das coisas, sem se limitar ao que é essencial; as cabeças tipos navios de guerra não são as mais lúcidas. 

A Política e as promessas

Tornar-se lembrado através do silêncio é uma arte difícil. Só está ao alcance dos políticos de excepção cujo passado lhes confere um estatuto especial e cujo silêncio pesa em razão do que significa. Regra geral, pedir a confiança do povo obriga a dizer-lhe os objetivos em jogo, pelo menos nos casos em que se deseja, de facto, o poder. 

Então: prometer apenas quando se está seguro de poder cumprir?

E como se pode estar seguro de o poder fazer? 

O político terá de ter cuidado: quando formula desejos, as pessoas tomam isso como compromisso.

Que seja económico nas palavras!

Ninguém estará disposto a desculpá-lo e, se se mantiver no poder durante muito tempo, toda a gente lhe há-de lembrar os compromissos que assumiu ou os serviços que lhe prestaram.  

Ser fiel às promessas

O objetivo inicial pode permanecer imutável, mas os meios para lá chegar podem variar em função das relações de força e da situação do momento.

O povo admite que os métodos mudem, mas não os fins, de que os métodos são instrumentos: se foi criada riqueza  e essa riqueza foi distribuída de modo mais justo em benefício de todos, que importa ao povo que isso tenha sido através da ação do Estado ou através do jogos das relações?

Da mesma forma, se o objetivo é conseguir a paz, o fim de um conflito, a emancipação das colónias, que importa ao povo que o político o tenha conseguido através do recurso à força ou através da negociação de acordo com as circunstâncias? 

O povo andará sempre bem ao ser indiferente aos meios utilizados pelo político? A guerra e a negociação não são a mesma coisa, conforme o demonstra a experiência dos franceses na Indochina e na Argélia, e hoje no Cáucaso e ontem na Europa Oriental.

E quanto ao progresso e ao desenvolvimento, de que formas os fomentam as nacionalizações das empresas e o controlo geral da economia?

Os métodos escolhidos não revelam apenas de opções ideológicas mas de interesses diversos ou opostos e, até, de uma moral diferente. 

Pense o que pensar lá no fundo, o político não se pode mostrar realista de modo demasiado frio; imaginar que, conquistado o poder, nada mais importa é que todos os jogos lhe são permitidos e todas as contradições autorizadas, é outorgar-se um facilitismo que rapidamente se transformará em inabilidade.

Respeitar a palavra é tão útil à sua ação como à sua reputação e é mais importante do que possam pensar os cínicos. 

O povo tende a pensar que não é enganado e que as promessas feitas para conquistar a sua adesão serão cumpridas. É como se fosse um contrato moral.

O povo quer acreditar que o governante é pessoa estimável e com princípios.

Respeitar a palavra não é ser obstinado quando as circunstâncias se alteram. Nessa altura, o político deverá explicar as dificuldades que encontra, os obstáculos que se opõem e o obrigam a deferir – ou mesmo renunciar  – aquilo com que se tinha comprometido, e terá de se mostrar persuasivo, o que não será fácil.

Mudar de opinião é muito perigoso; se a isso for obrigado, deverá reconhecê-lo francamente e explicar as razões. É, até, uma forma de criar alguma convivência entre ele e o povo e de o levar a partilhar as perplexidades do poder.

O importante é tonar-se compreendido. Se for assim, se pretender fazer coincidir o que faz com que o diz, quando todos vêem o que é o contrário, toda confiança nele se vai. O pior: o político pode transformar-se em motivo de chacota, e, então, nada pior. 

Os fracassos dos políticos têm origem nas esperanças traídas. Há melhor demonstração disso do que a história da democracia em África e particularmente, na Guiné-Bissau ao longo dos anos – 1994-2015?

Nenhum governo, nenhuma maioria no poder, qualquer que tenha sido, ganhou e/ou conquistou o coração do seu povo ao nível esperado. A esperada boa governação: Construção e a Produção (desenvolvimento social). A ineficácia governativa passou a ser a moda.                                                

Comprometer-se, como fizeram os políticos desde 1994, a lutar contra a injustiça, desigualdade, dominação da minoria a maioria, a atenuar a {fratura social} justifica-se desde que se esteja decidido a desencadear todos os meios para atingir um tal objetivo. Caso contrário, se vinte anos depois, o desemprego é aflitivo, a fome aumentou, as desigualdade se acentuam, a precariedade das condições de vida piorou, então a {fratura social} continua em aberto e cada um de nós sabe-o bem. Recorrer a fórmulas que não são traduzidas em atos tem riscos, pois sabemos bem que essa tradução nunca aparece de repente. 

A boa verdade é que, na política, nada está garantido para toda a vida. Mesmo que conseguissem ser fiéis às suas promessas, os políticos não são eternos: a opinião pública cansa-se, os seus entusiasmos mudam e os seus desejos renovam- se, ao mesmo tempo que o poder esgota a imaginação de quem detém, o que passa a não saber responder a novas aspirações. 

Nem escrupuloso de mais nos métodos, nem imprudente

Nenhum político escapa a isto: o poder suja as mãos. O exercício do poder não pode ser conforme os princípios da moral comum. A hipótese é confiar os golpes da mão – mas sem se enganar – a quem mostrar prazer e capacidade para isso. Não faltam candidatos. Mas não se pense que, desse modo, o político esquiva-se às responsabilidades: ele é responsável pelo que faz e também pelo o que fazem em seu nome e no seu interesse, quer tenha quer não tenha conhecimento disso. Por vezes, tem dificuldades em admiti-lo mas, na maior parte dos casos, acomoda-se. A vida de quem tem o poder está cheia destes escolhos. 

 Jogos do dinheiro, ajustes das contas por vezes violentos, os complôs, as calúnias, os compromissos mais variados, as mentiras, correspondem a outras tantas toperzas. Serão elas inevitáveis?

É mais prudente recusar alinhar em algumas delas, mesmo correndo o risco de perder vantagens. Isso é preferível à desonra. 

 Quando não há respeito pela moral, a preocupação de salvaguardar os seus próprios interesses deverá levar o político a ter cuidado: os especialistas de golpes de mão muitas vezes sabem demais, chegam a inventar, julgando que, desse modo, ficam garantidos contra o perigo e até contra o seu próprio chefe, em relação ao qual tentam levar a melhor.

O chefe tem, então, de escolher: ou protege os seus comparsas, remetendo-se ao silêncio cúmplice, ou abate-os; em todo caso, seria ingénuo acreditar na sua boa-fé e na sua fidelidade, sejam quais forem as circunstâncias.

Como acreditar na boa-fé e na fidelidade de homens de mão sempre prontos  a tudo?

Só o receio e as cautelas que devem inspirar a sua ação poderão permitir-lhe estar de sobreaviso contra a traição dos que estão sempre prontos para lhe fazer as vontades.

Onde irá parar se não se mostrar temível? 

Política e Liderança 

“Semi-presidencialista, o sistema político vigente na Guiné-Bissau “Semi-presidencialismo”. No meu entender, neste sistema político, o Presidente da República deve ser, no essencial, um árbitro do jogo político e não um jogador ao nível dos partidos políticos.

Uma solução e não um problema para o país.

Não é o Presidente da República que governa, é o governo que governa.

O Presidente da República deve, no entanto, utilizar a sua magistratura de modo a conseguir que as pontes sejam necessárias entre os partidos, a relação dos partidos com a sociedade, possa funcionar de uma forma mais harmoniosa.

O presidente da República deve: fomentar a unidade nacional, politicamente imparcial e empenhado e atuante em termos sociais, promover as convergências políticas e “redundar” cultura de compromissos e, por fim, “incentivar o frutuoso relacionamento entre órgãos de soberania e agentes políticos, económicos e sociais.

O presidente da República deve ser uma pessoa “muito querida de todos, pela sua maneira de ser, pela sua integridade, pela sua modéstia e acessibilidade”. 

“O Presidente da República não pode e nem deve ter um programa próprio. O programa do Presidente é a constituição. O Presidente não pode nem deve ser contrapoder. Não é concorrente do governo e da Assembleia da República. Deve coadjuvar. Sobretudo um governo em situação complexa” (Jurista Português, Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente de Portugal)”.

Ainda no meu ponto de vista, o presidente da República deve ser uma pessoa de grandes qualidades morais, políticas e diplomáticas, capaz de dialogar, ouvir, estabelecer consensos. E isso é essencial para ser presidente. O mais alto cargo da nação tem de ser ocupado por quem “se possa levar a sério”. 

Guiné-Bissau “De orgulho para vergonha”

 A Guiné-Bissau  – “De orgulho para vergonha”, conquistamos a independência com respeito e honra e reconquistamos a nossa dignidade humana, encantamos com a solenidade e entusiasmo, colocamos a Guiné-Bissau no mapa e fomos reconhecidos no mundo inteiro (Orgulho). Com a independência conquistada, ficamos a desfazer no lugar de fazer, destruir quando devíamos construir, em vez de formar um Estado, destruímos toda a sociedade, hoje temos um país socialmente destroçado, economicamente depauperado, financeiramente bloqueado e atolado na banca. 

Olhando para atrás, parece que estamos a ir na direção errada.

Todas as conquistas da Guiné-Bissau são postas em causa.

Há mais de quatro décadas de independência que a classe política continua a ser o maior entrave ao desenvolvimento do país, problemas intra e inter-partidos, o que vem provar que, perante uma dimensão muito significativa, não foram encontradas respostas organizadas.

Infelizmente, a governação política na Guiné-Bissau parece ser uma brincadeira, ninguém assume a responsabilidade, porque ninguém é responsabilizado, o que faz me pensar as crianças num recreio escolar. Quando há um disparate, nunca ninguém teve a culpa, nunca ninguém é responsável (Vergonha). “História da Guiné-Bissau nos últimos anos é um teatro de erros.”

Respeito a democracia e ao voto popular

Na democracia, o povo é, solenemente, o dono do próprio destino, de acordo com o Abraham Lincoln: “a democracia é o governo do povo, pelo povo, para o povo.

Por esta razão, seria importante que os políticos tomassem a consciência de que, “o voto é a ferramenta base da democracia e da nossa representação enquanto cidadãos e enquanto políticos”. Apesar de termos outras formas de nos exprimirmos, mas continua a ser o voto que nos liga ao poder”. Em democracia não há nada mais precioso do que a vontade do povo. Por isso, temos que respeitar e dar importância para a soberania popular.

Segundo o consagrado filósofo grego, Aristóteles: “Uma das características da liberdade reside em ser governado e governar à vez. A justiça democrática consiste na igualdade segundo o número e não segundo o mérito. De tal noção de justiça resulta que a soberania estará necessariamente no povo e que a opinião da maioria deverá ser o fim a conseguir e deverá ser a justiça. (…) Como resultado disso, nas democracias, os pobres são mais poderosos do que os ricos: são em maior número e a autoridade soberana está na maioria. Esse é, pois, um sinal de liberdade que todos os democratas colocam como marca do regime (…). É que a igualdade não consiste em os pobres possuírem mais poder do que os ricos ou serem os únicos detentores da soberania, mas terem todos, uns e outros, por igual, de acordo com o número. Deste modo poderiam considerar que estavam asseguradas na Constituição a igualdade e a liberdade.

(Aristóteles, A Política, III)

Falta de valores na política actual 

Hoje infelizmente, estamos numa sociedade e com nova era (estranha) em que se aprofunda a crise da soberania, em que se assiste a uma alteração de valores e modos de conduta dos políticos, das populações e da sociedade em geral, em que a ideologia já não constitui referência.

No passado havia uma convivência política muito ligada a uma ideologia , a princípios, a valores que, de forma absolutamente altruísta, defendíamos. Mas, esse tempo passou, vai passando à medida que vamos desaparecendo. “A maioria das pessoas que neste momento está nos partidos (incluindo os seus dirigentes) não sabe o que é isso de ideologia, dos princípios e dos valores porque não conheceram o que era a ausência deles. Os partidos políticos transformaram-se, maioritariamente, em agências de empregado e do maior empregador.”  Agora ninguém fala da carreira profissional e/ou  de “carreirismo”.

Neste momento tenho sempre sérias dúvidas quando vejo um político muito interessado nos partidos. Nunca percebo bem se está aí porque está a defender um princípio, e um valor no qual acredita. Ou está aí para defender o seu emprego e garantir a sua sobrevivência? Hoje nota-se claramente que, a classe política ficou sem agenda, e aparentemente, também está sem ideologia. 

Crise Política internacional 

Visivelmente, estamos a assistir no mundo a uma multiplicação de conflitos políticos, religiosos, culturais e sociais, ao mesmo tempo que velhos conflitos não têm solução, o que quer dizer que a comunidade internacional perdeu capacidade de prevenção de conflitos e de solução para conflitos.

A possibilidade de prevenir, conter e resolver os conflitos está hoje consideravelmente diminuída. Há uma impunidade crescente de quem começa conflitos, de quem viola o direito internacional humanitário, de quem faz as mais horríveis violações de direitos humanos. E há imprevisibilidade crescente em relação a que acontecimentos que se desenvolvem com consequências humanitárias trágicas, umas das quais é o dramático número de refugiados nos últimos anos na Europa.  

Um mundo sem líder. Temos um mundo sem liderança desde a invasão dos Estados Unidos da América ao Iraque em 20 de Março de 2003.

Nos tempos da Guerra Fria, havia “um mundo bipolar”, que, “em momentos decisivos, quando a coisa se tomava demasiadamente perigosa, normalmente, o pior era evitado” e, mais tarde, houve, ” a hegemonia de uma única potência no mundo, os Estados Unidos”, que determinavam  o rumo dos conflitos. 

“Hoje já não temos um mundo bipolar, ainda não temos sequer um mundo multipolar, temos um mundo caótico, de alguma forma, em que as relações de poderes não são claras. E, mesmo que tivéssemos um mundo multipolar, é muito perigosa a multipolaridade quando não há “GOVERNANCE AND LEADERSHIP”.

E, agora temos uma Europa acabada e desintegrada, sem força, sem jeito, sem dinheiro, notavelmente sem respostas organizadas para encontrar soluções políticas e económicas de problemas que enfrenta: crise económica em Portugal, na Grécia, Irlanda e em Espanha.

Crise política, económica e militar na Ucrânia, perante a anexação da Crimeia pela Federação Russa. Problema do terrorismo aos desafios internacionais, e ainda, o mais recente problema de imigração de refugiados Sírios e de imigrantes Africanos que atravessam o mediterrâneo todos os dias para a Europa.

Uma Europa vendo a sua união mergulhando numa crise séria, com a possível saída do Reino Unido da União Europeia “BREXIT”.

Uma Europa com mini-states e super-states dentro da sua união, com os mini-states impostos a seguir os princípios fundadores da união, enquanto os super-states a serem privilegiados com “Special Status”. 

O grande problema da União Europeia é como e quando vai sair da crise.

Quando haverá tempo, condições, circunstâncias económicas, políticas, institucionais que permitam um ‘salto’ para um ‘céu aberto’, para um tempo não de céu nublado mas de céu limpo.

“A união Europeia parece um coração partido. Ex: um carro quando parte a caixa de velocidades. Você está a acelerar, não entra a caixa de velocidades e o carro não anda. E o carro é bom, os materiais são bons. Mas partiu-se a caixa de velocidades. O dono vai ter que empurrar o carro. Vai sair sarilhos”. E com tempestade perfeita lá fora, o dono vai ter que empurrar o carro. 

Com os Estados Unidos da América descapitalizado, o mundo ocidental, representado pela Europa está em declínio, hoje temos uma Europa fracassada enquanto potência mundial, que joga o jogo que sempre jogou na humanidade, cada um joga no seu lado. Desde a Europa de Leste até ao Oriente médio, os mais poderosos, ricos, os mais empreendedores, os mais guerreiros, os mais violentos, têm a tendência de impor a sua lei.  A hegemonia de séculos vai desaparecendo.  

Democracia Forçada e Mudança no Mundo Árabe 

“Depois da Primavera Árabe os líderes têm medo do povo. Isso é bom”. Houve algumas mudanças nos países Árabes (Tunísia, Líbia, Egipto, Síria e Marrocos), um dos aspectos positivos é que em todos estes países, o povo deixou de temer os governos. Antes, se o Presidente ou o Rei dissesse que 5+4= 12, simplesmente, as pessoas diziam 12, ou davam mais 13 e 14 para satisfazer o líderes. Agora são os líderes que temem o povo e isto é um desenvolvimento para a democracia.  E, é um bom exemplo para seguir na Guiné-Bissau.

Obrigado a todos pelo tempo dispensado!

Iaia Maria Turé

—————————————————–

  • Doutorando em Administração Pública – Especializando na “Governação Participativa” School of Public Administration and Policy, Remin University of China. China
  • Mestrado em Sociologia em 2014 – Especializado em “Relações Públicas e Humanas” School of Culture and Social Development, Southwest University. China
  • BA em Administração Pública em 2011 – Especializado em “Gestão de Assuntos Públicos” School of Political Science and Public Administration, Southwest University. China

 

Outras referências:

ESPERANÇA DE VER UMA NOVA GUINÉ-BISSAU”  11. 04. 2014   http://www.ordijda.blogspot.pt

http://ordidja.blogspot.pt/2014/04/esperanca-de-ver-uma-nova-guine-bissau.html?m=1

OPTIMISMO 2011    02.01.2011   –   http://www.didinho.org

A LIBERDADE CONQUISTADA CONTRA O DOMÍNIO PORTUGUÊS É UMA HONRA 22.09.2010    – http://www.didinho.org

” A HONESTIDADE FAZ PARTE DA POLÍTICA MODERNA” 20.07.2010   –   http://www.didinho.org

“NADA VALE UMA PALAVRA, SEM UM SENTIMENTO VERDADEIRO” 02.05.2010  –   http://www.didinho.org