BISSAU

 

Bissau, fica numa planície,

Rodeada de água,

À beira do Geba imenso.

Como todas as cidades,

Tinha casas, igrejas,

Jardins, pessoas, cemitérios.

De Inverno não tinha neve,

Só calor, abrasador,

E ficava envolta em mistério e beleza.

Na Primavera acordava suada,

Maravilhosamente quente,

Verde e nos seus jardins desabrochavam

As vermelhas flores do cajueiro.

Nas noites, por vezes frias e húmidas,

Os namorados, sem distinção de cor,

Passeavam na Marginal, gozando a brisa salgada.

Que fizeram de ti Bissau?

Que deixámos nós fazer de ti Bissau?

És agora o espelho acutilante da nossa vergonha!

A vala comum deste fim de século,

Não mais que terra queimada!

O sangue derramado, geme, nas ruas de Bissau!

Rosas de pólvora negra estalam sem cessar, e

Enquanto se vão amontoando corpos nas esquinas,

E os guardiões deste planeta,

Em nome de todos nós,

Cruzam os braços e dormem descansados!

Só pedimos para ti, a Paz porque anseias, Bissau!

 

 

António Gomes d’Anica

10-7-1998

 

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