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mente aplicados,
respectivamente, à primeira e segunda formas de controlo
(Barnes 1996, Piault 1987,
Suret-Canale 1980). O papel de intermediários
representado pelos chefes
durante o período colonial, mesmo que destituídos
de
poder,
veio a revelar-se determinante para o seu afastamento nos novos
estados independentes.
No contexto da nova ordem
mundial criada após a 2.ª Guerra
Mundial preparam-se os processos
de independência dos países africanos,
que viriam a concretizar-se nos
anos 50 e 60 (constituindo o caso português
uma excepção). Na África
Ocidental uma das consequências das reformas
administrativas então
empreendidas consistiu na substituição dos chefes
locais por funcionários
administrativos, habitualmente recrutados entre os
membros da elite escolarizada
nacional e inseridos numa nova lógica de
estado (Bayart 1989,
Suret-Canale 1980).
Esta tendência acentuou-se após
a independência, quando os novos
países procuraram criar
estados-nação que ultrapassassem as divisões locais.
Os exemplos sucederam-se por
toda a África Ocidental: na Guiné-Conacri,
depois de um período de
manipulação dos chefes tradicionais pela adminis-
tração colonial, que tivera uma
influência directa na indigitação e empos-
samento de muitos deles e lhes
atribuíra, inclusive, uma remuneração oficial
(desde 1934), a instituição foi
definitivamente abolida em 1957 e considerada
“ineficaz” (Suret-Canale 1980:
210-212); na Nigéria, nos anos que se seguiram
à independência, foram retiradas
as prerrogativas dos chefes tradicionais
(Barnes 1996: 27), fenómeno que
Jean-François Bayart considerou esten-
der-se a todos os novos estados
africanos (Bayart 1989: 215). Todavia, decor-
ridas quatro décadas sobre os
processos de independência, e contrariando
as expectativas desse período,
tem-se vindo a assistir à renovação de
chefados de origem pré-colonial,
colonial ou mesmo à criação de novos
chefados em numerosos países da
África Ocidental.
Para van Rouveroy van Nieuwaal,
que tem vindo a dedicar-se ao
estudo das autoridades
tradicionais na África Ocidental, nomeadamente no
Togo e no Gana (van Dijk e van
Nieuwaal 1999; van Nieuwaal 1999), estas
representam uma ligação única
entre o estado e a sociedade civil. Os chefes
possuem uma dupla base de
poder,
por um lado o que lhes advém do seu
envolvimento em projectos de
desenvolvimento ou de implantação de
políticas estatais e, por outro,
o que decorre da sua legitimação num
enquadramento sociocultural
local (o direito costumeiro). O autor valoriza o
papel de intermediários entre os
interesses do estado e os da população que
os chefes assumem, reconhecendo
a ambiguidade da sua posição face ao
estado, uma vez que a sua
actuação é controlada pela legislação e meios
estatais, conquanto o estado
procure obter alguma da sua legitimação através
dos chefes. Reiteradamente, van
Rouveroy van Nieuwaal tem vindo a referir
o papel de funcionários estatais
que os chefes assumem em alguns contextos