JOSÉ BACAR

 

 

José Carlos Cócamaro
 

PÁTRIA  MÃE !

Tu me viste no ventre 

Tu me viste nascer

Crescer me viste

Ressurgir eu  te vi

Ressurgir das entranhas coloniais.

 

Os teus filhos se revoltaram

Irrequietos, se levantaram

Levantaram-se firmes

Firmes numa certeza

Firmes na esperança de vencer.

 

Pátria Mãe, na árdua caminhada,

A vitória era único destino

A vitória era a Liberdade

A Liberdade é hoje.

 

Pátria Mãe, tu vives na Memória Nacional

Tu vives na Memória dos Mortos

Que te honraram com suas vidas

E por tua causa foram.

 

Foram e nunca mais voltarão

Nunca mais ouviremos suas vozes

Nunca mais ouviremos o eco de suas vozes

O eco de suas gargalhadas

Gargalhadas nos labirintos afins.

 

Nunca mais sentiremos bater o seu coração

Bater de esperança e coragem

Bater de alegria e do dever cumprido

Nunca mais  lhes diremos, Camaradas!

Nunca mais contaremos o passado

 

O passado nos confins de Cubucaré

O passado no coração de Morés

O passado nas masmorras de Tite e afins

O passado nas submarinas da marinha

O passado nas ilhas das galinhas

O passado de reencontro da tua dignidade.

 

Nunca mais ouviremos a cadência de seus pés

Cadência de seus pés nas colinas de Boé

Nas lalas e matas de Nhacra

Nas matas e lalas de Guilege e Guidage

Nas matas históricas do chão de manjaco

Nunca mais mataremos saudades.

 

Mas um dever nos deixaram,

De vivificar a tua história heróica

De preservar as tuas conquistas

De defender a tua integridade moral e física

De construir a nação que Amílcar sonhou edificar

De preservar perenemente a tua dignidade.

 

E assim honrar o sacrifício superior - a morte

A morte dos teus melhores filhos

Que devemos honrar com a acção da cidadania

Honrar a Pátria que Cabral se entregou de corpo e alma

E assim, honrar perenemente a ti, oh Pátria Mãe!

 

21.07.2005

 

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