QUE OS GUINEENSES
APRENDAM, DE VEZ, QUE O MAL MENOR NÃO É SOLUÇÃO!
Braima Camará
Guiné-Bissau: O Delfim do Presidente
2010-04-29 21:50:17
Bissau - Apontado por
muitos como o futuro homem forte do PAIGC, Braima Camará é o nome cada vez
mais ouvido como o «delfim» do Presidente da República Malam Bacai Sanha,
preparando-se para suceder a Carlos Gomes Júnior na liderança do partido e
do Governo guineense.
Eleito deputado nas últimas eleições legislativas de 2008, Braima
Camará acumula estas funções com as de
presidente da Câmara de Comércio
Indústria e Artesanato da Guiné-Bissau, cargo para o qual foi eleito
em Janeiro de 2010, com a estrondosa percentagem de 96 por cento.
Considerado um empresário de sucesso na Guiné-Bissau, com interesses vários
na exploração da castanha de caju, principal produto de exportação do país,
e proprietário do luxuoso Hotel
Malaika em Bissau, Braima Camará foi ainda Conselheiro Económico e para o
Investimento Privado do ex-Presidente da República, «Nino» Vieira. Braima
Camará é, ainda, um dos Conselheiros Presidenciais de Malam Bacai Sanhá.
A aproximação ao actual Presidente
fortaleceu-se durante a campanha eleitoral que levou Malam Bacai Sanhá a
ocupar o cargo mais elevado da Guiné-Bissau em 2009. Quando a meio da
campanha, os assessores do agora Presidente começaram a demonstrar alguma
preocupação face às dificuldades
financeiras enfrentadas pela candidatura de Sanhá, Braima Camará surgiu em
cena, assumindo-se então como o principal financiador guineense do futuro
Presidente, garantindo com isso, o acesso aos mais altos círculos de
influência do país.
Mas se o futuro se afigura auspicioso,
o passado de Braima Camará estará
para sempre ligado à detenção por tráfico de droga de que foi alvo em 1993
em Portugal. Na altura, o agora deputado foi julgado e condenado por tráfico
de heroína, tendo cumprido pena de prisão em Portugal entre 1995 e 1999.
Esta detenção por narcotráfico em Portugal foi utilizada por alguns dos seus
adversários políticos que contestavam a sua inclusão nas listas de
candidatos a deputados nas últimas legislativas. No entanto, estas queixas
acabaram por ser ignoradas, sendo Camará eleito pelo 24/o Circulo eleitoral
de Bissau.
Cumprida a pena em Portugal por
narcotráfico, Braima Camará regressou a Bissau para dar início à sua nova
vida como empresário e deputado e, agora, amigo de Malam Bacai Sanhá.
Rodrigo Nunes
(c) PNN Portuguese News Network
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Fernando Casimiro
(Didinho)
didinho@sapo.pt
30.04.2010
Alguém
tem dúvidas de que somos mesmo um narcoestado?
Não conheço o Rodrigo Nunes, não sei se é guineense ou não;
se vive na Guiné-Bissau ou não, mas nada disso me importa. O que me importa é
elogiar a sua coragem e determinação, em busca da verdade, para esclarecer os
guineenses e todo o mundo, sobre o que se passa na Guiné-Bissau.
Confesso que, desde os acontecimentos do passado dia 01 de
Abril na Guiné-Bissau, tenho lido com gosto os seus escritos publicados no
jornal Bissau Digital, pois muito do que escreve vai de encontro ao que eu e
outras pessoas também têm dado a conhecer.
Com base no seu mais recente trabalho, vou dar aos
guineenses a minha visão do que
representa para mim o que o Rodrigo escreveu e que há muito
é do meu conhecimento.
Gostaria de começar dizendo aos guineenses que, o que
estamos a assistir, o que ainda assistiremos (tudo pela negativa) é por nossa
própria culpa!
Aquando das eleições presidenciais antecipadas ganhas por
Malam Bacai Sanhá, elaborei o perfil de todos os candidatos, com base nos
registos dos seus percursos na vida política ao longo dos anos.
Os guineenses resolveram dar o benefício da dúvida a 2
candidatos, que passaram à segunda volta. Malam Bacai Sanhá e Mohamed "Kumba"
Yalá Embaló, recusando esse mesmo benefício da dúvida a Henrique Rosa, por
razões que envergonham, pois houve pessoas que durante a campanha presidencial,
utilizaram a questão da cor da pele, para pedirem ao nosso povo para não votar
no candidato Henrique Pereira Rosa...
Com a passagem à segunda volta, entre Malam e Kumba, surgiu
um slogan interessante: votar no mal menor.
Ora, estava-se precisamente a reconhecer que ambos os
candidatos não preenchiam requisitos para o desempenho das funções de Presidente
da República e como um deles teria que ser eleito, que se votasse então no
mal menor.
Foi com tristeza que ouvi muita gente formada,
ostentando títulos académicos, pedir votos para o mal menor,
que se reconhecia na pessoa do candidato Malam Bacai Sanhá.
Toda essa gente tinha votado em Malam Bacai Sanhá na
primeira volta, porque o candidato Henrique Rosa não era considerado puro
guineense, como se pôde ouvir na altura.
Em conversa com algumas pessoas questionei-lhes o seguinte:
Acham que o país deve ser confrontado com o mal menor, na
escolha do Presidente da República?
O mal menor não se evita?
É que essa gente, não votou no candidato Henrique Pereira
Rosa na primeira volta, por ele não ser a pessoa mais capacitada para presidir
os destinos do país, mas sim, por considerarem que ele não é
puro guineense e ter a cor da pele que tem...
Ora, abdicando de alguém capaz, obviamente que a disputa dos
menos capazes iria impor a tese do mal menor e foi o que
aconteceu, infelizmente, para mal do país, como se tem verificado.
Quero aqui, chamar a atenção do Ministério Público guineense
e de todo o povo guineense para o seguinte:
Desde que se têm realizado eleições presidenciais ou
legislativas na Guiné-Bissau, ninguém investigou a origem dos meios financeiros
dos partidos políticos concorrentes às legislativas, ou dos candidatos
independentes ou apoiados por partidos, nas presidenciais.
Os partidos políticos não são geradores de negócio, se
eventualmente os seus militantes deveriam pagar quotas, acontece que na
Guiné-Bissau ninguém paga quotas nos partidos políticos e mesmo que pagassem, os
valores das quotas não dariam para as grandes despesas à volta das campanhas
eleitorais.
Mesmo atendendo ao subsídio atribuído aos partidos ou
candidatos, isso também só sucede depois de realizadas as eleições e os valores,
não cobrem todos os gastos das campanhas.
Então, como é possível gastarem-se tantos milhões nas
campanhas eleitorais?
Como é que o Ministério Público guineense fica impávido e
sereno perante a demonstração de um enorme poder financeiro dos partidos
políticos, poder esse injustificado perante a realidade factual dos partidos
políticos guineenses?!
Quem dá dinheiro aos partidos e candidatos na altura das
eleições e porquê?
Escrevi sobre a campanha de Malam Bacai Sanhá em 2005, em
que solicitou apoios à Líbia, oferecendo como contrapartidas, o que a Líbia
exigisse a nível dos seus interesses na Guiné-Bissau.
Muitos não gostaram de ler essa minha denúncia, mas
perguntei, como é que um candidato a um cargo pessoal, oferece como
contrapartidas o que é do Estado e não propriedade dele?
Mas Malam Bacai Sanhá não foi o primeiro a fazer isso. Nino
Vieira fê-lo sempre, Kumba Yalá igualmente.
Internamente, os apoios desde 2005 passaram a ser
conseguidos em troca de contrapartidas aos narcotraficantes, já instalados no
país, após o regresso de Nino Vieira.
Quando nos dias de hoje se fala em Braima Camará, importa
salientar que, foi Nino Vieira quem o indicou para Presidente da Câmara de
Comércio há uns anos.
Sabia o povo guineense que Braima Camará teve uma tomada de
posse como Presidente da Câmara de Comércio, digna da tomada de posse de um
Chefe de Estado?
O Presidente Nino Vieira fez questão de convidar o corpo
diplomático acreditado em Bissau, entoou-se o hino nacional, houve hastear da
bandeira nacional e discurso oficial...
Mas porquê?
Quem é Braima Camará, para merecer tudo isso?
Mas era ele também conselheiro económico do próprio
Presidente da República, João Bernardo "Nino" Vieira. Qual a bagagem de Braima
Camará, para ser conselheiro económico do Presidente da República? Que República
é afinal a Guiné-Bissau, que abdica de quadros de elevado prestígio, para ter
como conselheiro presidencial, na área económica, alguém que nada sabe sobre o
assunto e envolto no narcotráfico?
É aqui que se começa a perceber a importância da relação de
promiscuidade devido ao narcotráfico, entre o Presidente Nino Vieira e o seu
expert na matéria, Braima Camará, tendo sido escolhida a Câmara do Comércio,
como instituição destinada a promover ficticiamente investimentos e, em função
disso, branquear capitais.
Na Guiné-Bissau todos sabem dessa relação, todos sabem quem
é Braima Camará!
Se entrou para a política em 2008, concretamente para o
PAIGC de Carlos Gomes Jr., todos sabiam quem ele era, aceitaram-no, pelo
dinheiro, pelo dinheiro proveniente de onde ou do quê?
Onde saiu ele com dinheiro para construir um hotel de luxo
em Bissau, para construir ou comprar tantas casas em Bissau?
Se todos conhecem o seu passado, tendo estado detido durante
4 anos em Portugal, por tráfico de heroína, como foi possível terem-no colocado
nas altas esferas da sociedade e da política?
Por que razão o ex-Presidente Nino Vieira, que conhecia o
seu passado, o tinha como seu conselheiro?
Por que razão o PAIGC admitiu-o nas suas fileiras, logo como
candidato a deputado, quando não tinha nenhum passado no partido e havendo
melhores e mais antigos militantes do que ele no próprio PAIGC?
Mas não foi o único, o PAIGC admitiu outros indivíduos como
militantes de ocasião, logo para posições de destaque. Um desses exemplos foi
Baciro Dabó.
Pessoas referenciadas com o narcotráfico, que movimentam
muito dinheiro, financiando o partido.
Carlos Gomes Jr. sabia e continua a saber de tudo isso, pois
o PAIGC tem sido financiado através de militantes de ocasião, que como
contrapartida saltam para a ribalta da alta sociedade.
Que Braima Camará e outro deputado do PAIGC também
referenciado como narcotraficante, apoiaram financeiramente a segunda volta da
campanha do então candidato Malam Bacai Sanhá, desde essa altura se ficou a
saber, como se ficou a saber que, Malam Bacai Sanhá estava a hipotecar o
interesse nacional aos interesses do narcotráfico.
E é pelo erro do mal menor que o país está
hoje a cair de podre, pois todo o poder está envolvido directa ou indirectamente
no narcotráfico, por isso assentar-nos bem a designação de
narcoestado.
Com todo o ambiente de promiscuidade e cumplicidade nas
estruturas do poder, há quem continue a não ver, a não perceber que, se o Malam
Bacai Sanhá está a mostrar a sua verdadeira face, merecendo o lamento e o
arrependimento de todos quantos votaram nele, não se deve vitimizar Carlos Gomes
Jr., pois este também é cúmplice do mal, desde sempre!
Carlos Gomes Jr., serviu e serviu-se do ex-Presidente João
Bernardo Vieira, aproveitando para se tornar rico à custa da Guiné-Bissau.
Carlos Gomes Jr., sempre soube dos crimes de sangue e
económicos perpetrados pelo ex-Presidente João Bernardo Vieira, mas nunca
denunciou nada do que sabia e sabe!
Carlos Gomes Jr., sabia e sabe quem são os narcotraficantes
guineenses, tem com eles relações de proximidade, de forma camuflada, através do
empresariado.
Todo o poder na Guiné-Bissau está podre. Não se pode
continuar a reivindicar a tese do mal menor,
para responsabilizar uns e desresponsabilizar outros! Não há criminosos bons ou
menos bons. Há simplesmente criminosos!
Não houve recentemente um acordo entre o Governo de Carlos
Gomes Jr., e a Câmara do Comércio, presidida por Braima Camará, dando conta do
pagamento dos prejuízos da guerra de 98/99 aos empresários?
Que empresas, quais as pessoas, que tiveram ou têm direito a
esse pagamento de prejuízos da guerra e quais os montantes? Alguém viu alguma
lista, o Governo esclareceu algo sobre o assunto...?
Quantas estratégias de branqueamento de capitais não têm
sido levadas a cabo através da Câmara de Comércio, com a cumplicidade do Governo
de Carlos Gomes Jr.?
A Câmara de Comércio aparece este ano com capacidade para
dominar a campanha da castanha de caju. O que se sabe oficialmente sobre as
capacidades financeiras da Câmara do Comércio e como se conseguiu essa
capacidade financeira, tomando como referência a situação económica da
Guiné-Bissau?
Não é estranho o facto de Braima Camará ser também, nos dias
de hoje, conselheiro do actual Presidente da República Malam Bacai Sanhá,
viajando para o exterior como emissário do Presidente para explicar a situação
político-militar da Guiné-Bissau, depois de 01 de Abril passado?
O Presidente Malam Bacai Sanhá não sabe quem é Braima
Camará?
Ai Deus, nosso Senhor vinde em nossa ajuda! A quem foi que
entregamos o país...
E agora, perante cenários horríveis de tudo o que está em
jogo e pode vir a acontecer na Guiné-Bissau, não posso deixar de apelar
a todos os guineenses de bem e aos amigos da Guiné-Bissau, que se manifestem
solicitando às Nações Unidas uma conferência internacional de urgência para uma
análise profunda da real situação da Guiné-Bissau como
narcoestado, os perigos e consequências que
representa esse facto, quer para o povo guineense, quer para os povos e países
vizinhos, mas também, para a segurança mundial, se considerarmos a utilização
dos rendimentos do narcotráfico para o financiamento do terrorismo
internacional, no intuito de se equacionar o resgate, seja como for, do Estado,
que deixou de existir na sua concepção universal, passando a ser utilizado por
forças do mal!
Eu não permitirei que destruam mais a Guiné-Bissau.
E tu?
Vais continuar indiferente?
GUINÉ-BISSAU:
PRESIDENCIAIS DE 28 DE JUNHO DE 2009 -
ANÁLISE POLÍTICA
19.06.2009
Vamos continuar a trabalhar!

E a Justiça, Sr. Procurador-geral da
República?!
E a Justiça?!
 VAMOS CONTINUAR A
TRABALHAR!
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Guiné-Bissau
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