GUINÉ-BISSAU: QUE IMAGEM?

UM DEBATE NECESSÁRIO E OPORTUNO!

Por: Fernando Casimiro (Didinho)

didinho@sapo.pt

17.03.2009

Fernando Casimiro (Didinho)Recebi há dias uma mensagem do cidadão guineense Apolinário Mendes de Carvalho, partilhando um texto da autoria de Zinda Pinto Cardoso e supostamente, "aprovada" por  cidadãos guineenses, tal com o texto dá a entender.

Tenho muito respeito e consideração pela Zinda Pinto Cardoso, igual respeito pelo Apolinário que me encaminhou a mensagem, bem como pelo cidadão guineense Domingos Simões Pereira que apresentou os seus pontos de vista em relação aos meus.

Debater a imagem da Guiné-Bissau é algo necessário e oportuno, por isso, mesmo tendo-se "fechado" o debate inicial, através da troca de mensagens electrónicas, achei por bem transferir esse debate inicial aqui para o Projecto Guiné-Bissau: CONTRIBUTO, de forma a possibilitar maior envolvimento de guineenses e amigos da Guiné-Bissau no assunto.

Os leitores poderão ler a minha primeira reacção depois de ter recebido a mensagem com o texto em questão e, posteriormente, as trocas de pontos de vista entre o Didinho e o cidadão guineense Domingos Simões Pereira.

Reagi ao conteúdo do texto "BASTA", porque julgo que generaliza a questão de quem anda a denegrir a imagem da Guiné-Bissau ou, se quisermos, de quem beneficia ou prejudica a Guiné-Bissau com as divulgações e denúncias que disponibiliza ao mundo.

O Projecto Guiné-Bissau: CONTRIBUTO será sempre um instrumento assente nos princípios que norteiam a verdade, o que não implica que não respeite os princípios da moralidade. Não somos donos de nenhuma verdade, tal como irónica e desesperadamente alguns têm-nos rotulado, mas posicionamo-nos pela verdade, o que é um princípio salutar!

Ao longo destes 6 anos criticamos; criticamos quase sempre e continuaremos a criticar, mas também elogiamos; elogiamos muito poucas vezes, é verdade, mas elogiaremos mais vezes se houver motivos para tal; denunciamos; denunciamos muitas vezes e continuaremos a denunciar sempre que houver motivos para denúncia; divulgamos sim, divulgamos muitas vezes e continuaremos a divulgar tudo o que é positivo da Guiné-Bissau e dos guineenses!

Sei que a Zinda Pinto Cardoso não é contrária ao espírito deste Projecto, nem se referiu ao Projecto Guiné-Bissau: CONTRIBUTO, mas o seu texto, o apelo lançado, apesar de abordar alguns detalhes referenciais concretos, também engloba os que opinam, denunciam, divulgam imagens por alguns consideradas insultuosas aos nossos governantes e até ao próprio país.

Ninguém estraga a imagem da Guiné-Bissau, mais do que os nossos governantes, políticos e militares!

Se não denunciarmos, se não passarmos a mensagem, se não passarmos as imagens, continuaremos eternamente a enganar o nosso povo!

Neste momento, estamos em condições de dizer que nenhuma estrutura de comunicação consegue transmitir melhor imagem da Guiné-Bissau ao Mundo, do que o Projecto Guiné-Bissau: CONTRIBUTO!

Com as críticas, com as denúncias, com os elogios, com divulgações de diversas actividades de guineenses e da Guiné-Bissau, porque achamos que esta é a via correcta.

Segue o texto de Zinda Pinto Cardoso, bem como os pontos de vista que troquei com o cidadão guineense Domingos Simões Pereira.

Todas as opiniões são bem-vindas, a bem da Guiné-Bissau!

Sejam livres de se pronunciarem sem terem que agradar a quem quer que seja.

Muito obrigado, boa leitura e boa reflexão!

Vamos continuar a trabalhar!


Apolinario Mendes de Carvalho 15 mar (2 dias atrás)

Date: Sat, 14 Mar 2009 15:39:00 -0700
From:
Subject: FW: Enc: Basta
To:

--- El vie, 13/3/09, escribió:

De:
Asunto: FW: Enc: Basta
Para: "
Fecha: viernes, 13 marzo, 2009 1:49

Date: Fri, 13 Mar 2009 03:41:07 -0700
From:
Subject: Enc: Basta
To:

----- Mensagem encaminhada ----
De:
Cc:
Enviadas: Quinta-feira, 12 de Março de 2009 10:42:17
Assunto: FW: Basta


 Verdade seja dita. Por causa de alguns tostões, estamos na lama e infelizmente estamos a dar aos outros a oportunidade de ver o nosso lado podre. Os EUA ergueu-se na droga e até agora estão a viver a custa disso.
O Cabo-verde, todos nós sabemos que não é só da boa imagem que estão a conseguir o que querem, tem algo por detras, mas enfim, nô tenta ganha algum kussa ku nô kansera na nomi di nô terra i pa nô kumpul.

CABRA TA KUMÊ NUNDÉ KI MARADU, MA SI DUNU EL KI BOM BAKIADUR PA UDJU DI KILIS DI FORA.

************ *************** **************
 
Concordo contigo amiga Zinda !
 
A QUEM DE DIREITO
 
 NÓS CIDADÃOS DA GUINÉ-BISSAU,
 
VIMOS ENCARECIDAMENTE SOLICITAR AS AUTORIDADES GUINEENSES, JORNALISTAS,
CAMARA MEN E A TODOS LIGADOS À AREA DA INFORMAÇÃO, FAÇAM QUALQUER COISA
PARA TRAVAR ESTA ONDA DE CIRCULAÇÃO E DE MANIPULACAO DE IMAGENS DA GUINE
BISSAU!
QUE A NOSSA IMAGEM NÃO TEM SIDO DAS MELHORES NOS ULTIMOS 10 ANOS, TODOS
ESTAMOS DE ACORDO, MAS PROMOVÉ-LA COM CENAS CHOCANTES???
 
JA NÃO É DE HOJE QUE VÊM CIRCULANDO NAS TELEVISÕES PORTUGUESAS E OUTRAS,
IMAGENS DRAMATICAS DA NOSSA TERRA. NÃO SE PODE CONSENTIR TAMANHO
DESRESPEITO PELA NOSSA DIGNIDADE ENQUANTO POVO!!!!!!!!
ONDE ESTÁ O RESPEITO PELAS NOSSAS INSTITUIÇÕES? ONDE ESTÁ O SEGREDO DO
NOSSO ESTADO? O RESPEITO PELO POVO GUINEENSE, PELA DIGNIDADE DOS
GUINEENSES? DEIXAR CIRCULAR SEM DÓ NEM RESPEITO IJMAGENS POR VEZES, DE
PERSONALIDADES, FIGURAS PUBLICAS, COMO SE DE UM ANIMAL SE TRATASSE?

DESDE A GUERRA DE 7 DE JUNHO, TEM SIDO A NOSSA IMAGEM DE MARCA: RUAS SUJAS,
HOSPITAL SEM CONDIÇÕES, ESTRADAS ESBURACADAS...A IMAGEM DA MORTE DE
ANSUMANE MANÉ, DE VIRÍSSIMO SEABRA E AGORA DA FORMA CRUEL COMO OS
GUINEENSES SAO CAPAZES DE SE MATAR UNS AOS OUTROS? AFINAL QUE QUEREMOS
MOSTRAR AO MUNDO?
QUE SOMOS PRIMITIVOS ? LIQUIDAMO-NOS, ELIMINAMO-NOS COM CATANAS,
ESTRAGULAMO-NOS...?
E NADA ACONTECE?
 
ONDE JA SE VIU A RESIDENCIA DE UM PRESIDENTE DA REPUBLICA, DEIXADA À MERCÊ
DE QUALQUER UM?
...ENTRAM , PILHAM CARREGAM, NA PRESENÇA DE CÂMARAS DE UMA TELEVISAO
ESTRANGEIRA, DIANTE DE UMA JORNALISTA, TODA ORGULHOSA DA SUA MISSÃO
( VENDER NOTICIA E DE FORMA SENSACIONALISTA), COMO SE DE UMA CASA QUALQUER
SE TRATA? CONSEGUE ENTRAR NA CASA DO CHEFE DE ESTADO ACABADO DE SER
ASSASSINADO...FAZER A RECONSTITUIÇÃO DA SUA MORTE? MOSTRANDO AO MUNDO AS
CENAS CHOCANTES DE UMA SALA BANHADA DE SANGUE CONFIRMANDO A ERA DA BARBÁRIE EM QUE VIVIEMOS!???
 
PORQUE RAZÃO ESSES JORNALISTAS ESTRANGEIROS NUNCA MOSTRAM NA TERRA DELES
ESSE TIPO DE IMAGENS? NÃO SE MORRE LÁ?
NÃO HA INCIDENTES OU ACIDENTES QUE VITIMAM PESSOAS? QUANDO É QUE SE VIU NA
TELEVISÃO PORTUGUESA BANALISAREM A IMAGEM DE UMA PESSOA MORTA? SEJA ELA
QUEM FOR?
 
TEMOS EXEMPLOS FLAGRANTES DE ACIDENTES DE AVIÃO, COMBOIO, DE ATENTADOS À
BOMBA DA ETA, DA IRLANDA ETC? ATÉ CASO 11 DE SETEMBRO NOS EUA, ONDE
PODEMOS IMAGINAR O ESTADO EM QUE SE PODIAM ENCONTRAR ALGUNS RESTOS DE
PESSOAS, MAS NUNCA EM MOMENTO NENHUM SE MOSTRAOU UM ÚNICO PEDAÇO DE DEDO DE QUEM QUER QUE FOSSE!!
TENHAMOS COMPAIXAÃO DA NOSSA TERRA, DOS NOSSOS FILHOS E VELHOS. TENHAMOS
VERGONHA DA NOSSA TRAGÉDIA, NÃO PERMITAMOS QUE JORNALISTAS NACIONAIS OU
ESTRANGEIROS VENHAM EM NOME DE NADA MOSTRAR CENAS PRIVADAS, SÓ NOSSAS,
VERGONHOSAS, TRISTES DA NOSSA TERRA.

 BASTA
 
 Zinda Pinto Cardoso

 

Fernando Casimiro (Didinho)

 2009/3/15

Caros amigos,


Alguém viu o dinheiro do narcotráfico servir interesses da Guiné-Bissau e dos guineenses?!

Alguém sabe explicar como é que uma elite guineense conseguiu ter tanto património, tanto luxo, tantos privilégios, enquanto a maioria do povo guineense continua na miséria?

Alguém é capaz de me explicar como se pretende acabar com estas injustiças sem se denunciar o que está mal?

Meus caros, não faço parte das reivindicações que vejo aqui, no sentido de se dizer Basta a isto ou aquilo sobre a Guiné-Bissau, nem me importa o facto de haver narcotráfico noutros países, assim como a corrupção e crimes de sangue noutros lugares. Nesses países, cabe aos seus povos lutarem para inverter essa realidade e na Guiné-Bissau, essa luta é um dever de todos os guineenses!

Desculpem-me pensar diferente, mas quem pode pensar num futuro melhor para os seus filhos e netos, enganando a ele próprio neste momento com uma leitura errada sobre o que se deve denunciar ou não na Guiné-Bissau?!

Quem foi que permitiu as filmagens no dia 23 de Novembro de 2008 à residência de Nino Vieira?
Alguém condenou a comunicação social estrangeira ou nacional por ter facultado essas imagens na altura?

Será que essas imagens não interessavam ao general Nino Vieira e, por isso, permitiu que fossem obtidas?

Agora queixamo-nos de outras imagens da mesma residência porquê?!

Afinal quem permitiu 2 pesos e 2 medidas para situações idênticas na Guiné-Bissau?!

Narcotráfico?! Quem o apoia?!

Sinceramente meus amigos e irmãos, não se deixem contagiar pelos que nunca fizeram nada para que o Nino e outros conterrâneos nossos que se transformaram em "monstros", fossem chamados à razão e evitassem entrar ou continuar no mau caminho!

Quem quer uma Guiné-Bissau conotada com o narcotráfico, certamente saberá o porquê de não querer que se denuncie esta praga e as acções dos que operam nesta área.

Quem quer uma Guiné-Bissau envolta na verdadeira podridão de parecer, mas não de ser, quererá sempre mostrar imagens cor de rosa, quando nem sempre assim é.

Quem tem vergonha da verdade, para não dizer medo?!

Peço desculpa se feri sensibilidades. Não quis magoar ninguém em particular, mas este é o meu ponto de vista sobre este assunto!

Mantenhas

Didinho
 


Domingos Simões Pereira

2009/3/15

Prezados,

as notas que faço incluir em anexo foram escritas após leitura das duas opiniões anteriores. Um bocado a quente, mas com a intenção de aportar o
meu contributo. Um abraço a todos e votos de muita coragem e empenho.

Irmãos,

Por razões de ordem profissional ou mais concretamente por obrigações das actuais funções, tenho-me resguardado desse debate público sobre a actualidade política nacional. Não posso contudo deixar de admitir o benefício que tem representado todas essas reflexões, felizmente cada vez em maior número, mesmo que infelizmente, nem sempre com melhor qualidade. É já um começo e a demonstração do interesse que nos suscita e a disponibilidade de todos em contribuir para o estabelecimento de referências que podem orientar não só os decisores como todos os intervenientes da dinâmica política, económica e social do país, tanto a nível interno como no expectro internacional. A evolução normal deverá ser sempre no sentido do incremento, do alargamento progressivo das bases para a formação de opiniões, a definição de políticas e toda a condução da vida dos cidadãos. Esta é uma constatação que todos fazemos (penso eu) e concluímos (pude ler isso em vários artigos recentes) do nosso compromisso exclusivo com a verdade, independentemente dos enquadramentos diferenciados que possa merecer de uns e de outros. Nisso estamos todos entendidos (volto a assumir, contando com a vossa benevolência). O especial é no entanto o momento que vivemos, o ponto a que chegamos e o risco da auto-estima e confiança do guineense ficarem tão afectados que, comprometida toda a capacidade de relance, da reconstrução. Sem pretender assumir partido nesta questão particular, foi assim que compreendi o apelo da subescritora da nota “basta...” e nessa perspectiva, subescrevo a pertinência de uma avaliação da estratégia que melhor responde aos nossos desígnios: haverá meios ou mecanismos menos sensacionalistas, menos chocantes, menos negativas, menos depreciativas, menos humilhadoras e degradantes, de abordar, retratar e mesmo confrontar a nossa realidade actual e assim estabelecer uma ponte entre a precaridade que se vive e o esforço leal e empenhado de muitas mulheres e muitos homens que de forma séria e afincada mantêm-se crentes da viabilidade do país, mobilizando toda a energia e competência de que são capazes.

A Guiné nos coloca um grande desafio a que temos de responder nos mobilizando todos para provar que temos alguma dignidade e merecemos o respeito dos ouros povos e países. Nesse processo, muitas vezes não nos iremos entender, muitos irão considerar que as nossas contradições são irreconciliáveis, não poucas vezes pintaremos uns e a outros de cores e títulos pouco dignos. Apesar de tudo, temos de ser capazes de estabelecer o consenso mínimo “para iniciar a caminhada”.

Muitos de nós consideram a luta de libertação (a história e a sua herança) e os seus obreiros  como dos factores determinantes deste nivel de desorganização pública, a forte presença das estruturas militares e a imperiosa necessidade de virarmos a página e enfrentarmos os desafios actuais com meios actuais. Isso parece tão evidente mas logo frustrante quando a seguir  descobrimos  que também nos deixamos embalar na mesma onda, tentando combater essa retórica com a mesma retórica. (...não era intenção avançar com análises, pelo que fico por aqui).

Espero não ter beliscado o sentir de ninguêm. Se aconteceu, creiam que não era intenção e desde logo o meu redimir e com a mais absoluta humildade aceitem as minhas mais sinceras desculpas.  
 

Domingos Simões Pereira

Cidadão Guineense


Fernando Casimiro (Didinho)

2009/3/16

Caro Domingos,

Concordo com a visão e o espírito de responsabilidade quando se fala da Guiné e dos guineenses, quer seja na apresentação, quer na transmissão de um e outro valor ao mundo.
Concordo igualmente que devemos ser tolerantes na aceitação/compreensão das diversas formas de ver e sentir a Guiné-Bissau.

No entanto, não podemos dizer basta só quando algo directa ou indirectamente nos toca. Tal como Rosa Vieira, filha de Nino Vieira disse: "Vamos parar de nos matar" após a morte do pai, faz-nos ter em conta a necessidade de todos juntos vermos os problemas da Guiné num todo e não apenas com desabafos pessoais quando isto ou aquilo nos acontece directa ou indirectamente.

Dizer Basta impõe participar diariamente, todos os meses, durante todo o ano, ao longo de toda a nossa vida, em acções construtivas no âmbito da cidadania; impõe honestidade na apreciação, sabendo distinguir entre o pessoal e o colectivo.

A grande injustiça que é imputada ao povo guineense é precisamente a dualidade de critérios na apreciação e avaliação de casos idênticos.

Queremos dizer Basta:

Às imagens com as quais discordamos sem ver/conhecer o impacto abrangente positivo ou negativo que as suas reproduções causam em mais pessoas e assim tirarmos ilações da verdade que essas imagens realmente transmitem?

Por exemplo: Quem pode negar que por se ficar a saber a forma desumana que o Nino foi morto, isso despertou uma grande onda de repúdio para o uso da violência na Guiné-Bissau?!
Foi negativo, ou fez com que o nosso povo chegasse à conclusão de que realmente é preciso dizer BASTA de VIOLÊNCIA, DE MORTES?!

Essas imagens falam por si e dão a cada um de nós argumentos para uma avaliação construtiva e não destrutiva da Guiné-Bissau.

Tomemos o exemplo das mortes provocadas pela cólera na Guiné-Bissau:

Deve-se reproduzir e partilhar imagens do nosso Hospital Simão Mendes ou não?
Deve-se mostrar ao mundo que não temos condições nenhumas depois destes anos todos ou não?
Deve-se mostrar imagens dando conta das carências do Hospital ou não?

É que lá no Hospital morrem todos os dias muitos guineenses por falta de meios e condições mínimas!
Os que dizem Basta porque não o fizeram até hoje em relação ao que se passa na Saúde guineense e noutros sectores?
Como podemos justificar as nossas falhas, querendo transmitir o que não temos (o irreal) e ignorando o que temos (o real)?!

Como podemos obter apoios internacionais para situações que sozinhos não conseguimos resolver, escondendo os nossos problemas?
Chocante? Desprestigiante?
Cada imagem tem a sua leitura pela forma que é vista e analisada, obviamente que pretendemos que se transmita a melhor imagem da Guiné-Bissau, mas temos que lutar, trabalhar, para que isso aconteça, sem nos preocuparmos em ignorar as nossas realidades!

Não se deve esconder o lixo, pois se o fizermos não estaremos a eliminá-lo e, ou acaba um dia por nos lembrar, através de cheiros, que está presente; ou, o espaço onde o escondemos um dia esgota as capacidades de armazenamento e temos de novo lixo à nossa volta...

Vejamos a Guiné num todo para que possamos compreender a necessidade da divulgação do bem e do mal existente no país.

Ou teremos que silenciar todos os jornalistas, fechar todas as Rádios e Televisões que noticiam o que não gostamos?

E porque não inverter a situação, empenhando-nos todos, ajudando na governação, com sugestões, críticas e elogios, no sentido de criarmos uma imagem positiva e real da Guiné-Bissau, que nos orgulhará a todos, sem termos presente que nos estamos a enganar a nós mesmos?

Reparem que muitas vezes foram estes meios de comunicação social que agora criticamos e apontamos o dedo acusador dizendo Basta, que possibilitaram mudanças positivas de atitude, principalmente na sensibilização e transmissão do conceito de solidariedade para com a Guiné-Bissau e os guineenses!

Não digo que tudo que se diz, escreve ou se mostra sobre a Guiné-Bissau, corresponde à verdade, mas creio que sabemos todos ver onde está a verdade, mesmo que seja por aproximação...

Quem diz BASTA, não deve fazer comparações de conveniência, como li, no que toca à questão do narcotráfico, dizendo que também existe ali e acolá.
Este não é um princípio saudável que se deve fazer passar aos guineenses. Isto é contrário à verdade e à mudança positiva que se pretende a nível da mentalidade dos guineenses!
Qual é a opinião do Domingos sobre esta parte?

Qual é a opinião do Apolinário sobre esta parte?

Qual é a opinião dos que se acham sérios, honestos e comprometidos com um futuro de verdade para a Guiné-Bissau, sobre esta estranha interligação da defesa da boa imagem da Guiné-Bissau, com a sustentação do narcotráfico, porque também, existe noutros países?

Nos Estados Unidos o narcotráfico é de Estado?

Em Cabo Verde o narcotráfico é de Estado?

Há ou não julgamentos e condenações quer num, quer noutro país, de pessoas envolvidas no narcotráfico?

Há ou não empenho dos governos na luta contra o narcotráfico?

Há ou não autoridade do poder judiciário nesses países no que toca aos crimes organizados?

Há prisão de alta segurança na Guiné-Bissau? Será que é só por não haver dinheiro para a sua construção, ou é mais por não haver interesse na sua construção?

Num outro prisma:

Há participação de militares no negócio do narcotráfico nesses países?

Há envolvimento das estruturas do Estado desses países no narcotráfico?

O Presidente da República destes países interfere com o poder judiciário e manda libertar pessoas detidas em flagrante no narcotráfico?

Há ou não prisões de alta segurança quer nos Estados Unidos, quer em Cabo Verde?

Caros irmãos e amigos,

Sejamos realistas, honestos e imparciais; vejamos os problemas da Guiné numa perspectiva de aprendizagem, pois só assim saberemos corrigir os nossos erros, que são muitos e repetitivos, precisamente porque caímos sempre na tentação de ocultá-los, ignorando as consequências do negativismo que é não aceitar a realidade!

Obviamente que cada um tem a sua forma de ver e analisar este assunto, por isso, não estou a querer impor nenhuma "doutrina" de patriotismo a quem quer que seja e, muito menos quero mostrar ser mais patriota do que quem quer que seja!

Mantenhas a todos

Didinho


Domingos Simões Pereira

2009/3/17

 

Meu caro,

Com os mais respeitosos cumprimentos.
Lamento não poder alimentar este debate que me parece importante e mesmo de actualidade. Não o faço porque compreendo e respeito o seu ponto de
vista; porque a minha insistência seria fastidioso por repititivo; ainda porque outros o farão com mais autoridade e competência que eu mesmo.
Mantenho todavia a convicção de podermos aproveitar este momento para dar uma chance a nós mesmos através de uma abordagem mais conciliatória, menos
de confronto, mas priorizando o estabelecimento dos concensos possíveis para abordarmos como equipa esse desfio gigantesco de revereter a sorte do
nosso país. Iremos discordar em muitos aspectos da forma de o fazer, mas o desafio começa com a necessidade de encontrar no argumento do outro algum
contributo favorável.

Um abraço e votos de sucesso.

Domingos


 

Fernando Casimiro (Didinho)

2009/3/17

Caro Domingos,

Obrigado pela forma diplomática com que disse BASTA a esta troca de pontos de vista.
Também compreendo e respeito o seu ponto de vista.

Normalmente não entro neste tipo de debate, porque quando decido debater algo, vou até ao fim. É por isso que participo desde há alguns anos, no debate quotidiano e aberto sobre a Guiné-Bissau através do Projecto Guiné-Bissau: CONTRIBUTO, e não esporadicamente, através de posicionamentos consensuais.

Agradeço a sua atenção e a de todos os que de uma forma ou de outra incomodei com os meus escritos, fazendo-vos perder o vosso precioso tempo.

Fico também por aqui.

Muito obrigado e um abraço a todos.

Didinho
 


 

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