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CUBA: A AMARGURA DE UM POVO ENCLAUSURADO
É neste estado que se encontra o dissidente cubano Guillermo Fariñas
Fernando Casimiro (Didinho) 12.03.2010
Dirijo este meu trabalho ao Ex.mo Senhor Embaixador da República de Cuba na Guiné-Bissau, Pedro Doña Santana, personalidade que merece da minha parte, estima e consideração, bem como gratidão, por tudo quanto tem feito na concretização de apoios de Cuba à Guiné-Bissau. Ao dirigir-me ao Senhor Embaixador Pedro Doña Santana, pretendo fazer chegar às autoridades de Cuba, bem como ao povo cubano, a minha indignação para com a forma como o regime cubano continua a tratar todo aquele que pensa diferente. De miúdo e, acompanhando a luta de libertação nacional dirigida pelo PAIGC, tomei conhecimento da existência de um país chamado Cuba; um país solidário para com todos os povos oprimidos e em luta pelas suas independências; uma solidariedade que ultrapassava meros formalismos condenatórios e assumindo, na prática, as causas da libertação dos povos da forma mais real possível: a presença de combatentes, médicos e enfermeiros cubanos nas frentes de combate de muitas guerras de libertação quer na América Latina, quer em África. Muitos cubanos deram suas vidas para a libertação da Guiné-Bissau e Cabo Verde, por isso, Cuba e os cubanos passaram a merecer toda a minha estima e consideração. Conheci e fiz as primeiras amizades com cidadãos de Cuba, nos primeiros anos da independência da Guiné-Bissau. Médicos essencialmente, sendo que alguns chegaram a ser meus alunos na Escola Nacional de Judo. Pessoas humildes, pessoas conscientes das dificuldades quer de Cuba, quer da Guiné-Bissau, pessoas dadas a todo o tipo de sacrifício. Pessoas de fácil relacionamento, que se misturavam e bem, no meio dos guineenses, vivendo e convivendo como irmãos. Lembro-me que todos eles faziam serviço de guarda à Embaixada de Cuba nos seus dias de folga das actividades profissionais. Lembro-me de ouvir dizer que, do contingente cubano na altura em Bissau, alguns se tinham "desertado", para o Senegal, obviamente, por motivos políticos. Não era nenhuma novidade, pois um pouco por todo o mundo já havia dissidentes cubanos que tinham decidido não regressar a Cuba. Nos dias de hoje, apesar de alguma abertura do país para com o exterior, concretamente a nível do Turismo, do que se esperava e se espera do regime para com o povo cubano, continua tudo na mesma! Cuba continua a ser um país dirigido por uma ditadura! Uma ditadura que nunca conseguiu passar ao mundo a imagem de estar tudo bem em Cuba, apesar da eterna campanha de propaganda política nesse sentido, tal como acontece por ocasião da comemoração do dia da revolução, o 1º de Janeiro, que reúne sempre milhões de cubanos, que celebram é certo, mas ansiosos por mudanças, sobretudo a nível dos Direitos Humanos. O regime está muito bem suportado, quer pelas suas poderosas Forças Armadas, quer pela sua eficiente Polícia Secreta, que caracteriza o próprio país como sendo um Estado Policial. Os cubanos e atenção que estamos perante um povo culto e instruído, não sabem contudo, o que fazer e como fazer para acabar com a ditadura que lhes vai mantendo enclausurados. O país tornou-se numa referência mundial dos países ainda hoje com prisioneiros políticos, sendo que muitos desses prisioneiros acabam por morrer nas prisões, sem direito de se defenderem, de contrariarem os argumentos que motivaram as suas detenções. Muitos lutam nas prisões, para despertarem a opinião pública mundial sobre o que realmente se passa em Cuba a nível dos Direitos Humanos, optando pelo método cada vez mais utilizado, da greve de fome, acabando por morrer de forma desumana, mas convictos de terem lutado com todas as suas forças pela Liberdade e Dignidade do povo cubano. Nas diversas comunicações que troquei com o Senhor Embaixador de Cuba na Guiné-Bissau, Pedro Doña Santana, não me esqueço dos manifestos e das exigências das autoridades de Cuba, divulgados em todo o mundo, para a libertação dos "Cinco", detidos nos Estados Unidos. Manifestei desde sempre a minha solidariedade para com os "Cinco", como agora estou a manifestar a minha solidariedade para com todos os presos políticos em Cuba, lamentando que em Cuba se continue, nos dias de hoje, a promover o suicídio dos dissidentes do regime, através da greve de fome. Tal como exigi a Libertação dos "Cinco", solicitado pelas autoridades de Cuba, assim exijo que essas mesmas autoridades libertem todos os presos políticos em Cuba! Quem deixa um prisioneiro chegar ao limite da sobrevivência humana, só pode desejar a sua morte e em Cuba, é o que se tem assistido ao longo dos anos. Senhor Embaixador Pedro Doña Santana, Não sei qual é a sua opinião sobre a situação dos Direitos Humanos em Cuba, mas quero que saiba que para mim, Cuba continua a ser dirigida por um regime ditatorial. Sou a favor da liberdade de pensamento e de acção das pessoas. Sou a favor do respeito pelos Direitos Humanos! Senhor Embaixador Pedro Doña Santana, solicito os seus bons ofícios na transmissão desta minha manifestação de condenação ao regime cubano. Solicito igualmente os seus bons ofícios na transmissão da minha solidariedade a todos os presos políticos cubanos, bem como ao sacrificado povo cubano. Estou e estarei sempre do lado daqueles que lutam pela Liberdade e pelo respeito aos Direitos Humanos em Cuba e em todo o Mundo! Muito sinceramente Senhor Embaixador, lamento que em Cuba, o "poder dos Castro" ainda não tenha percebido que os tempos são outros e que nenhuma revolução pode ser considerada para e pelo povo, quando impede a liberdade de pensamento e de acção desse mesmo povo. Muito obrigado pela sua atenção. VAMOS CONTINUAR A TRABALHAR!
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