CARTA DE REFLEXÃO

 

 Marcelo Aratum *

aratum22@yahoo.com.br

27.11.2009

Marcelo AratumSempre peço, não me condene nem me julgue pela questão política ou pelo interesse pessoal, porque isso não vai nos levar a lugar nenhum. Como sendo guineense, precisamos sempre de lutar intelectualmente para encontrar o verdadeiro caminho para o progresso. Então, siga os meus raciocínios e procure pensar profundamente neles. Como se sabe, depois da independência, o país recebeu das famosas comunidades internacionais, milhões e milhões de dólares, todavia, continuamos patinando no mesmo lugar ou, se não me engano, em retrocesso. Agora, não sei se alguém pode me responder esta minha pergunta tão equívoca quanto a política dos politiqueiros. Por que tantas doações estrangeiras e o país continua vivendo sob as extremas misérias? Tudo é por causa da própria pobreza do país? E o senhor acredita? Mas, como? Se o senhor acabou de afirmar que o país recebeu tanta ajuda dos estrangeiros. Tudo bem, quando o senhor fala da pobreza, que tipo de pobreza se refere? Pobreza dos recursos naturais ou pobreza da mente? Claro, somos pobres, porque não temos recursos naturais para se desenvolver. Essa seria a sua resposta? Caso for, lamento muito e finjo-me acreditar nessa resposta tão pronta como a decisão dos nossos políticos. Pela minha profunda analogia com relação a alguns paises naturalmente pobres, como o nosso, razão pela qual, descarto esta possibilidade material de que o país se progride, sobretudo, tendo os recursos naturais. Se você parar um pouco para refletir sobre os meus raciocínios, sem dúvidas, lembrar-se-á da situação japonesa ou outras situações semelhantes que, neste momento, está longe de mim. O Japão foi cruelmente devastado, no século passado, durante a Segunda Guerra Mundial. Mas, com uma forte organização política, administrativa, social, educacional, conseguiu, mil vezes, superar os problemas em poucos anos. Diferentemente, a muitos paises, da África em particular, com seus famosos recursos naturais: petróleo, diamante, ouro, chuva, etc, porém, nem um passo conseguem deslocar, a não ser enganando os sonolentos, construindo prédios, hotéis, enquanto o povo morrendo de fome. Certamente, você concordaria que as misérias esparramadas pelas ruas de Bissau, nas escolas, nos hospitais, são resultados da pobreza mental, interesse pessoal. E, agora, você está refletindo?

Caso for a pobreza mental que deixa o país na tolhera, então, vamos unir a nossa inteligência como as gotas de chuva que se unem, provocando grande enxurrada, para derrubar as casas ilicitamente construídas, imergir os carros ilicitamente comprados e rastejar todas as sujeiras do país para a lixeira.  

Você não acha absurda, a famosa doação da Comunidade Internacional, sempre se pousa nas mãos dos nossos governantes e nelas se desapareça. Para além das outras doações obscuras que nem você nem eu sabíamos, sabemos nem saberemos. Eu estou ciente que isso nunca vai nos deixar de chorar de que somos pobres devido à falta dos recursos naturais. Seja assim, pare e reflita sobre os meus raciocínios e entenda que não sou contra nenhuma ajuda, desde já, choramos, todos os dias da pobreza nas ruas do nosso capital. A pobreza que deixa, às vezes, até os dementes um pouco perplexo, sem saber explicar que tipo da pobreza, que todos os dias choramos.

Durante esta nossa viagem, creio que você está gostando desta Carta de Reflexão. Caso for a verdade, o senhor conseguirá descobrir, no fundo das notinhas doadas (dólares), os indícios de sangue. Como sabemos, tudo que o ser humano faz ou está fazendo, tem sempre seus objetivos a atingir. No entanto, os milhões que recebemos deles, ditos doadores, são muito bem trabalhados, para depois chegar até às nossas mãos. Eles sabem bem que o dinheiro esmolado, não é bem usado, nos fins sociais e, muito menos, para um desenvolvimento sustentável. Mas, eles se importam com isso? Às vezes, se fingem de cobrar os nossos governantes, mas tudo não passa de um disfarce. Só para ver, hoje eles nem fazem questão de se aproximar dos nossos dirigentes, as visitas presidenciais poucas ou nulas, trabalham mais com os representantes. Sabe por quê? Reflita! Eles se acham que somos inferiores a eles. É inexplicável uma pessoa que se gaba inteligente, pensante, ou seja, racional, mesmo vestida de euros ou dólares, não consegue se organizar para o desenvolvimento. Ah! Sim, agora lembrei, neste dado momento, o senhor estaria falando sobre a corrupção, o principal entrave da nação. Também concordo absolutamente contigo, mas, se lembre que um país bem organizado tanto a nível social, mental, administrativo quanto a nível política, intelectual é difícil encontrar o espaço para a corrupção. Vem à outra minha loucura, será que os milhões que recebemos do exterior são bem planejados? Será que, cada ministério, antes de receber a fatia, apresenta o projeto e o resultado final? Na lógica, deveria ser desse jeito, antes de passar a verba, o emissor deveria exigir o planejamento, desde um centavo até o último centavo.

Acredita-se que o inteligente seja qual for, tem a capacidade imensa de transformar o problema em solução. O inteligente não é aquele que tagarela, mas, aquele que sempre procura agir, praticar o bem e produzir. Então, devemos falar pouco e atacar mais o problema do país. O problema que nem está nos militares, como andamos a dizer nas nossas praças, mas sim, na própria administração e na política. Os militares simplesmente aproveitam as situações doentias dos ditos intelectuais ou políticos. Na verdade, é a lógica da vida, os vírus se desenvolvem nos lugares deficientes.

Agora, veja nos meus suores, neles, perceberá que somos capazes para mudar a péssima realidade do país. Até os políticos podem também, mas, os principais responsáveis somos nós. Desde já os políticos depois da eleição se encolhem em suas ignorâncias, se silenciam, deixam de pressionar o governo a cumprir seus deveres. Alguns até correm para os países estrangeiros esperando chegar à outra eleição para se candidatar e o povo indefeso, durante quatro ou cinco anos, para votar.   

Quero que você olhe bem nos meus olhos e responda a pergunta acima feita. Ah! Você concorda comigo que o desenvolvimento de uma nação não se faz somente com os recursos naturais. Ah! Agora acredita para desenvolver uma nação, precisa mudar profundamente a nossa forma de pensar o mundo. Tudo bem, também concordo, primeiro, temos que revolucionar a nossa mente, lembramo-nos que estamos vivendo o Século XXI. Não a Idade Média. A época em que o medo ao mistério reinava na mente dos homens. A época em que a verdade era importada do céu. A época em que os homens eram impedidos a pensar, a refletir sobre a realidade. A época em que tudo era visto como a vontade de Deus. Que me abrace! Por favor, não se joga no mundo do medo, porque vai inibir somente o seu desenvolvimento intelectual. Porém, procure-se sempre respeitar, refletir e se libertar das mentiras e da obscuridade inventada pelos homens!  

* Licenciado em Letras, Professor colegial - Brasil

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