Reflexão e reflexão dos guineenses face Às sucessivas crises que adiam o nosso desenvolvimento!...

 

 

 

 

Samuel Vieira  *

vieirasamuel@hotmail.com

14.06.2009

Samuel Vieira

 

Reflectindo o ser Guineense:

 

É chegada a hora de reflexão – minha, sua, nossa, portanto de todos os que se sentem guineenses de verdade! Significa fazer uma avaliação sobre tudo que já se fez na Guiné-Bissau e que contribuiu para a nossa estagnação, mediocridade enquanto país, e que sem dúvida, reflectem acções carregadas de orgulho, vaidade, ambição e tira-proveito dos homens que dirigem esse país. Significa fazer avaliação sobre todos os acontecimentos vivenciados na Guiné-Bissau quer pelo seu povo, quer pelos estrangeiros que trabalham nesse país e que torcem pelo seu progresso e bem-estar, ainda adiados por falta do entendimento. Significa auto-admitirmos da nossa incapacidade em resolver os problemas que nos são incumbidos, porque nossa formação e nosso preparo não contribuem para soluções esperadas. Significa nossa humildade em reconhecer as fraquezas frente aos grandes desafios lançados pela globalização, e que o país não tem estrutura, porque carece de mão de obra especializada, residindo grande parte dessa mão de obra especializada, ainda no estrangeiro, em virtude das circunstâncias actuais.

 

Reflectindo as nossas origens:

 

Todo o guineense residente no estrangeiro tem alguém da família ainda vivo à espera do dia do reencontro. Aqueles que ainda residem no estrangeiro, boa parte queria estar na sua própria terra e junto da sua família. Queria provar para a família que trouxe o que foi buscar, portanto, a formação, o diploma e habilidades profissionais! Queria trabalhar e se revelar um bom profissional no ramo que escolheu. Queria participar do desenvolvimento do país para juntar a história de sua vida e contar para seus futuros netos, histórias como essas: Estás vendo aquele edifício aí, foi feito por mim! Aquela estrada eu participei na sua construção. Aquela escola que tu hoje frequentas, eu participei na sua construção. Aquela fábrica eu trabalhei lá, aquela ponte eu participei na sua construção, etc., etc.  

 

Reflectindo as nossas riquezas:

 

A natureza deu ao guineense aquilo que muitos povos carecem - um clima maravilhoso e com estação de chuva muito regular ao longo dos seis meses do ano. Os rios, os lagos e as florestas cheios de viveres. As terras férteis e “bolanhas” cheias do verde. As frutas silvestres durante o ano todo. Tudo que se planta dá! Um país abençoado por Deus e lindo pela sua natureza! Os minérios e algumas jazidas ainda não explorados, mas já identificados e que sem dúvida vão contribuir para melhorar a vida do guineense. Então, o quê que falta?! Dir-se-ia que, a falta de compreensão entre os homens desse país, ainda é o que precisa ser desatado para favorecer o desenvolvimento!...

 

Reflectindo o progresso:

 

Todo o progresso de um país se deve a um bom planejamento. Quem planeja são os homens munidos de suas capacidades. Isso se faz com boa formação e competência! Não há desenvolvimento com analfabetismo ou com pessoas com conhecimentos limitados. A globalização é prova viva de que o conhecimento aproxima os países e facilita troca de produtos e serviços. Mas nessa competitividade só sobressaem aqueles países que levam a sério sectores chaves tais como: a educação do seu povo e formação profissional que são indispensáveis para alavancar o progresso.  Os tigres asiáticos são testemunhas dessa história. Na década 40 até 60, os holofotes, os jornais ou a imprensa não registavam o desenvolvimento desses países. Mas através de projectos viáveis, grande parte concentrados na educação, fizeram com que esses países se emergissem do subdesenvolvimento, se organizassem e que, muito competitivos pudessem lançar no mercado internacional, produtos de suas fábricas para competir com outras nações mais desenvolvidas, mas que essas nações acabaram por aceitar esses produtos em seus países, em função da qualidade e acabamento perfeito.  Em África temos Cabo Verde como exemplo, que priorizou a educação na formação de seus cidadãos e a preocupação de integrá-los em vários sectores de actividade. Hoje colhe fruto dessa árvore que plantou, muito progresso e bem-estar do seu próprio povo.

 

Reflectindo nossa capacidade de integrar o mercado competitivo – UEMOA:

 

Para fazer parte desse bloco, os novos desafios por parte da Guiné-Bissau são esperados! Para se estabelecer e ganhar espaço precisamos mostrar, provar que estamos à altura de competir em pé de igualdade. Produtos guineenses aceites nesses mercados, sem dúvida terão que ter qualidade dentro dos parâmetros estabelecidos pela união dos países. Isso só se consegue com profissionalismo, que tem no seu bojo, a boa qualificação dos quadros guineenses. É bom lembrarmos que, boa parte dos países que fazem parte do bloco, portanto, Senegal, Mali, Costa do Marfim, Gâmbia, etc. etc., tem entre linhas, um nível de desenvolvimento acima da Guiné-Bissau e, portanto, têm pessoal qualificado em maior escala.  Mas isso não deve constituir preocupação para nós, porque o factor organização e enquadramento de profissionais dentro dos propósitos esperados, pode sem dúvida fechar as lacunas e atiçar o espírito competitivo.    

 

Reflectindo o desânimo do povo guineense:

 

Grande parte desse povo está desanimado e sem sonhos! O guineense viu escapar perante seus olhos muitos projectos criados e não implementados. Viu o relacionamento com a China, assim como com alguns países amigos, carregado de inúmeros projectos, que foram engavetados e sem previsão de recomeço. Viu os postos de trabalho sumirem dia após dia; viu seu emprego sem progresso porque não há motivação, porque os salários não são pagos. Viu as escolas de seus filhos fecharem as portas porque os professores estão em greve; viu o desânimo dos professores reivindicando o pagamento de seus salários atrasados.  Viu a morte do seu irmão, seu pai, ou um outro membro da família por brigas políticas. Viu a pobreza galopante do seu vizinho ou de algum parente. Viu as estruturas do país se desmoronando por descuido ou falta de responsabilidade por quem de competência. Viu já quase tudo! Mas no fundo do seu coração ainda reina uma esperança que está dentro da consciência dos políticos guineenses, que dirigem e controlam o país. Essa esperança é a reflexão sobre atitudes erradas na mente desses homens que, com boa vontade, podem corrigir as distorções, as falhas, os erros, a ambiguidade, as brigas por interesses próprios em detrimento dos interesses colectivos, etc., etc.

 

Refletindo a esperança:

 

Ela está a cada dia que se passa crescendo na mente e fortalecendo no coração do guineense! Ninguém tinha esperança de que seriamos capazes de derrotar o colonialismo português com todo apoio da OTAN – mas derrotamos! Ninguém tinha a esperança de que o murro de Berlim veria abaixo um dia, foi derrubado pela vontade popular. Ninguém tinha esperança de que a queda do socialismo seria possível, mas aconteceu. Ninguém tinha esperança de que a lei do mercado poderia influenciar e amolecer a ditadura chinesa, fazendo da China hoje uma das nações mais prósperas no mundo, mas hoje está evidente. Nenhum americano negro tinha esperança que um dia seu presidente seria negro, e Barack Obama chegou à Casa Branca. Portanto, meu irmão guineense, continue alimentando essa sua esperança de que, a Guiné-Bissau também terá o seu dia, em que choraremos as almas dos que foram defendendo as causas nobres do povo da Guiné-Bissau, mas também olharemos para o futuro rodeado de projectos viáveis que reflectirão o progresso da nossa nação e do nosso povo.

 

Um forte abraços a todos!

 

 * Analista de Sistemas

 


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