Primeiro os salários, depois, as eleições!  

 

A Guiné-Bissau perdeu uma oportunidade de mudança, precisamente com  os acontecimentos de 14 de Setembro período por conveniência para  a realização de eleições legislativas ou presidenciais, deveria ser durante o mandato de Kumba Yalá, de modo a se dar expressão e razão à vontade de mudança manifestada pelos guineenses nos últimos tempos.

 

 Infelizmente, o país foi traído e todos nós inclusive. O golpe de Estado é um valor acrescentado para o retrocesso na retoma da confiança do país (a todos os níveis, tanto pelos guineenses, como pela Comunidade Internacional.

 

Kumba Yalá, foi incapaz de cumprir com as datas marcadas, por ele para a realização de eleições, porque, como disse noutra ocasião e repito agora, sem ofensa, mas com realismo, o país não produz nada, nem sequer uma folha de papel...por isso, a marcação e materialização das eleições mesmo sendo um acto de soberania, infelizmente não depende só da vontade de quem dirige o país...

 

É com estes factos que tínhamos, temos e continuaremos a ter que contar! As eleições custam dinheiro, muito dinheiro, é preciso dizer isso às pessoas, para que elas conheçam melhor as dificuldades com que o país se depara neste momento para a concretização do processo eleitoral.

 

Não basta a Comissão Nacional de Eleições dizer que tecnicamente está preparada para a realização de eleições a partir de Janeiro, para se concluir que os requisitos estão preenchidos. Obviamente, que é um anúncio importante, menos uma "dor de cabeça", mas é ao Presidente da República que cabe a marcação das datas, tendo o cuidado de analisar o Estado da Nação, com os vários intervenientes directos no processo e só depois, se pronunciar sobre a melhor altura para as eleições, para que os adiamentos do passado recente, não voltem a acontecer.

 

Entretanto, com a formação do governo de transição, com mandato de seis meses, tendo a espinhosa tarefa de pagamento de salários como prioridade das prioridades, afigura-se quase como missão impossível, conseguir-se verbas para o restante do processo eleitoral. É essencial que; às pessoas lhes seja pago o que lhes é devido, retornando assim a normalidade na vida das populações e, depois disso então, apontar baterias para as eleições. Ou será que os partidos políticos, vejamos que não são poucos...também estão na disposição de abdicarem das verbas para as suas campanhas eleitorais a que têm direito e, partirem para eleições sem incentivos financeiros ?!

 

Claro que não há eleições sem campanha eleitoral e, sem dinheiro também não há campanha eleitoral. E sem as populações...haverá alguma coisa...?! Nada!!! Por isso, primeiro os salários...pois tudo o resto, neste momento, é politiquice. A fome também mata...   

 

 

Fernando casimiro (didinho)

 

 31-10-2003 23:03

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