Por: Francelino Alfa

02.05.2009

O Cúmulo

 

As perguntas impõem-se: nós vivemos num país seguro e de direito democrático? Então porquê da impunidade? É viável a Guiné-Bissau assim? Diz-se que a Guiné-Bissau é um Estado de direito democrático. É uma entidade jurídica que está inserida no concerto das nações e observa as leis internacionais, portanto. Os cidadãos guineenses gozam de plenos direitos e deveres que a constituição da república consagra. Ou seja, um dos direitos que nos assiste é o direito à liberdade de expressão na estrita observância pela lei.

De uns tempos a esta parte, estamos a assistir a vários devaneios assustadores, com “reality shows” em defesa disto, daquilo e daqueloutro. As pessoas, as entidades, os processos são um cúmulo? Enfim, o país é um cúmulo? Devemo-nos unir todos para que isso não aconteça. A esperança anda nas ruas da amargura e a juntar a isto, um ritual carnavalesco de chuva de estrelas… às presidenciais. Não vou falar deste ou daquele sujeito jurídico; deste ou daquele devaneio. Aliás, como sempre faço, vou falar da nossa suposta querida Guiné-Bissau, um país de todos nós mas que alguns, perversamente, teimam em adiar o seu progresso e desenvolvimento, condenando-os à pobreza e à miséria insuportáveis que não devemos aceitar. Nós guineenses, já nos encontramos no covil, porém, não deixemos que o nosso país se transforme no inferno. Nós vimos ao longo da história, como certas derivas securitárias levaram às ditaduras. A ditadura é sinónima do cúmulo. Essas pessoas querem impor-nos o escuro!

Como surge então o cúmulo? Eu vou tentar responder. Ora, o cúmulo pode ser provocado por um sujeito jurídico ou uma entidade jurídica. Se atendermos a uma entidade jurídica, no caso uma corporação, o cúmulo toma contornos complicados e de difícil resolução. Porquê?  

Porque a corporação impõe a sua lei e o seu “modus vivendi”; a lei do mais forte sem qualquer observância pela legalidade democrática, isto é, desrespeitando sempre as leis da República. A partir daí, a configuração de um Estado de direito democrático é adulterada, e impera o medo e o atraso. O medo e o atraso, outras duas palavras sinónimas do cúmulo; e é terrível o medo, sobretudo, quando não podemos expressar a nossa opinião; o que sentimos; o que nos vai na alma.

E lá diz o povo: não há bem que sempre dure nem mal que nunca se acabe. Apesar de tudo, existem pessoas sérias no país.

Há indícios preocupantes que nos podem levar ao cúmulo e ao caos. O povo é a maioria, por isso, jamais deixemos que no país se assista ao cúmulo e ao caos que sobrepõem a liberdade, a harmonia, a paz, a fraternidade, a tolerância...a ordem, a disciplina, a solidariedade, a verdade e o estrito respeito pela lei! A violência e as inverdades comprometem sempre o diálogo e a concórdia nacionais. Não podemos erguer e construir o nosso país com base na violência. Só a verdade nos salvará dizia o nosso saudoso Bispo de Bissau, D. Settimio Ferrazeta – que Deus o tenha em paz no seu canto. Nós sabemos dos hábitos incorrectos que se instalaram na nossa terra e que se transformaram em doutrina, contudo, mais vale o exemplo que a doutrina, lá diz o povo outra vez.

Hoje em dia, os nossos políticos governantes – com raras excepções – tornaram-se tão egoístas, que, só olham para os seus umbigos e os das suas gentes. A ostentação da riqueza e do luxo e a pose de herói (parece com todos os poderes) cuja imagem de marca é sem dúvida nenhuma, nenhum pudor e nenhuma sensibilidade à pobreza à sua volta.

Hoje, vivemos em mentiras e ter o defeito do trabalho, da competência, do rigor, da honestidade, da seriedade e da responsabilidade não vale. Há crise de confiança entre as instituições, e por isso, o país precisa de uma liderança forte e com visão! E a refundação da república é necessária e urgente! Uma Guiné-Bissau positiva e diferente! Diga não ao cúmulo e ao caos! Diga sim à justiça e à legalidade! Diga sim à verdade! Diga sim à liberdade, sempre!

 

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