Comparação do fenómeno criminal e social entre a Guiné-Bissau e os EUA como país de primeiro mundo

 

Cherif Haidara

haidaraconsulting@googlemail.com

Bissau, 08 Outubro 2010

Cherif Abdel A. HaidaraUm dos indicadores de crescimento de um país é o fenómeno da segurança.

Sou um jovem como qualquer outro que aprecia imenso os filmes de acção, e como é natural a maioria dos filmes de acção que vejo vêem de Holywood (o fenómeno holywood).

A verdade é que esses filmes transmitem uma grande verdade do retrato da sociedade americana. Convido a qualquer pessoa a passar num blockbuster ou vídeo club e fazer a escolha de qualquer filme de acção americano e no fim fazer a sua critica.

É obvio que a ficção poderá aumentar e moldar um pouco a realidade, mas no que se refere a violência gratuita “ela é real!”. Basta abrir as páginas de informação ou vermos as notícias na TV.

Não sou um antiamericanista longe disso, mas o que não aceito é que os EUA nos seus disparates se posicionem contra o meu país, chamando-nos de narcoestado, colocando nomes de dirigente do meu pais em listas do departamento de finanças americanos sobre que pretexto?

Sinto-me mil vezes mais seguro em qualquer canto da Guiné-Bissau, do que nos EUA, país onde as probabilidades de ser assaltado por um toxicodependente ao virar da próxima esquina são enormes, ou de ser sequestrado por traficantes de órgãos humanos, ou de ser burlado por charlatões espalhados nas avenidas mais badaladas de Nova York.

A violência existe em toda a parte, mas as proporções entre a violência existente no meu país a praticada nos EUA, não se comparam.

A proliferação de armas ligeiras nos EUA, não se compara a existente no meu país, alias o meu país não produz armas.

A nossa luta é a de sobrevivência humana, onde as pessoas despedem-se ao sair de casa todas as manhãs para garantir a subsistência alimentar. Contentando-se por ter um tecto, mesmo sem luz, sem casa de banho interior, sem banheira de hidromassagem, sem internet, sem conta no banco, sem número de segurança social, mas mesmo assim são felizes por estarem vivos, agradecendo a deus por não estar enfermo, planificando as próximas 24horas do amanhã.

O meu povo sabe sofrer calado sem reclamar. Sabe contentar-se com pouco (mesmo tendo ambição de muito).

Muitas das vezes nos somos forçados a adoptar modelos de desenvolvimento impostos pelos doadores como condição de desbloqueio de pacotes de ajuda que não se adaptam a nossa realidade africana, o próprio povo nunca chega de ver esse “pacote de ajuda financeira” mas só de ouvir na rádio, enche-se de esperança “a Guiné-Bissau acaba de beneficiar de um pacote de ajuda orçado no valor de 20 milhões de euros”, por momentos julgamos estar ricos, mas até ao cumprimento da promessa e ver a cor desse dinheiro que acaba por ser gasto no pagamento de consultores internacionais que para além de receberem fortunas, ganham o estatuto de cooperantes confundindo a hospitalidade do meu povo com a liberdade de poder fazer o que no seu país jamais lhe seria permitido.

E o povo quando a fome aperta e volta ao seu velho sistema de “kudji kudji”, para garantir o mata-bicho do dia seguinte.

 


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