AS MINHAS QUESTÕES, SR. PRIMEIRO-MINISTRO CARLOS GOMES JÚNIOR!

 

 Ingué - Letra do saudoso Tchico "Caruca" (1982). Interpretação e Direcção musical - Djon Motta

 

 

Fernando Casimiro (Didinho)

didinho@sapo.pt

04.02.2010

Fernando Casimiro (Didinho)Basta de propaganda Sr. Primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior!

Quem o ouviu no encontro com a Comunidade guineense residente em Portugal, no passado dia 30 de Janeiro ou achou que o senhor Primeiro-ministro está a trabalhar muito bem, ou, no meu caso, que o Sr. Primeiro-ministro usa e abusa da propaganda partidária e empresarial para continuar a enganar os guineenses, mas também, investidores privados estrangeiros.

Num encontro feito à medida do (des) respeito pelos cidadãos guineenses, pois a sua visita foi devidamente preparada, com antecedência, sendo que houve pessoas que se inscreveram na nossa embaixada em Lisboa para terem o privilégio de lhe colocar questões, foram usadas 2 estratégias para impedir que essas e mais pessoas o "embaraçassem" durante o encontro com a nossa comunidade.

A primeira estratégia foi a escolha de um local inapropriado para eventos do género. Quem não sabe que é em Portugal que se concentra a maior comunidade guineense na diáspora? A organização, incumbida à nossa embaixada, falhou por desconhecer o número de guineenses residentes em Portugal, ou por saber precisamente que é também em Portugal que se encontram os mais ferrenhos críticos do Sr. Primeiro-ministro?

Se houve pessoas que se inscreveram para colocar questões, como foi possível convidar quem não estava inscrito e nem sequer estava preparado para intervir?

Simplesmente porque convidando quem não estava inscrito, alguém quis esgotar o tempo reservado para intervenções da plateia e assim foi. Que lamentável, Sr. Primeiro-ministro!

Não fosse a sugestão de alguém com mais respeito e consideração pelos muitos guineenses, como eu, que ficaram na rua, ao frio, nem sequer teríamos oportunidade de ouvir a sua intervenção. Muito obrigado a quem se lembrou de disponibilizar uma coluna de som para que os que estavam na rua pudessem acompanhar o que se estava a dizer no pequeno e esgotado auditório!

Com o (des) respeito e (des) consideração pelos seus irmãos guineenses, fiquei a saber que afinal, no encontro, foi entoado em primeiro lugar o hino nacional de Portugal e depois, o hino nacional da Guiné-Bissau... Não queria acreditar no que alguém que tinha estado no interior do auditório me estava a contar... Qual foi a razão para se entoar o hino nacional de Portugal, já que não se tratava de nenhum encontro de nenhuma comissão mista luso-guineense, nem nenhum encontro entre as delegações governamentais da Guiné-Bissau e de Portugal. Porquê, Sr. Primeiro-ministro?!

Durante toda a sua intervenção o Sr. Primeiro-ministro não foi capaz, não teve coragem de falar dos problemas internos da Guiné-Bissau aos seus irmãos residentes em Portugal. Limitou-se a falar de negócios, mesmo quando se referiu às infra-estruturas que alguns países prometeram construir na Guiné-Bissau, vá-se lá saber a troco de quê...pois nos dias de hoje, com a crise global, ninguém dá nada a ninguém de graça.

O Sr. Primeiro-ministro, demonstrando uma apetência cada vez maior pelo poder, fez questão de pedir um novo mandato aos guineenses, quando não estamos em campanha eleitoral.

Foi ou não irresponsabilidade sua, Sr. Primeiro-ministro, afirmar, de forma convincente, durante a sua intervenção, um dia depois de anunciada a detenção de 4 pessoas, dentre elas 2 cidadãos guineenses, que esses indivíduos são narcotraficantes?

Se não tinha havido ainda nenhum pronunciamento oficial do Ministério Público guineense; se o Sr. Primeiro-ministro está ausente do país; se esse assunto não constava da sua abordagem com a comunidade guineense, afinal, o que o motivou a fazer afirmações tão irresponsáveis?!

Foi ou não incorrecto, em termos éticos, o seu anúncio em tons vingativos, perante toda a comunidade guineense e em presença dos visados, de que iria mudar todo o pessoal da nossa embaixada em Portugal?

Fartou-se de gabar de realizações, de obras feitas...fingindo esquecer-se que a maior parte dessas realizações, dessas obras feitas, vêm doutros processos governativos.

Mas disse e bem, em várias ocasiões, que é um empresário! E daí, Sr. Primeiro-ministro? Por acaso julga que os guineenses não têm em conta que tudo o que faz, não o faz como Primeiro-ministro, mas sim como empresário?

Julga que os guineenses não sabem que está em preparação uma estratégia com o apoio dos seus parceiros empresariais de Portugal, Angola e Brasil, para que, venha a assumir a Presidência da Guiné-Bissau (o Presidente Malam Bacai Sanhá está doente...) e promova a revisão Constitucional (ou uma nova Constituição), já que o seu partido tem maioria parlamentar, idêntica à que foi aprovada no parlamento angolano e por assim dizer, vir a eternizar-se no poder?

Em Angola, os partidos da oposição embarcaram no barco da estabilidade e, quando deram conta, já era tarde...Mesmo aguardando o veredicto final do Tribunal Constitucional (alguém terá coragem para desafiar o todo poderoso Presidente?), pode-se considerar que já nada há a fazer. Em Angola deixa de haver eleições presidenciais e o cabeça de lista, deputado nº1 do partido no poder, é automaticamente o Presidente da República. Já nenhum cidadão que não esteja filiado num partido pode sonhar vir a ser Presidente da República...

É uma estratégia similar que o Sr. Primeiro-ministro já "encomendou" para a Guiné-Bissau, em nome da estabilidade e, com o aval dos seus parceiros a quem continua a disponibilizar todas as nossas riquezas naturais a preço de saldo. O que lhe interessa (e aos seus parceiros) é vir a ser Presidente da República. Hoje, fala-se em estabilidade, em investimentos, mas, também, de que só o Sr. Carlos Gomes Júnior pode ser o garante dessa estabilidade e dos investimentos externos na Guiné-Bissau, por isso, deve-se fazer tudo, até o "impossível", para que venha a ser Presidente da República.

Os guineenses continuam a deixar-se enganar, pois elogiam o Primeiro-ministro por conseguir pagar alguns salários, como se pagar salários fosse um favor e não uma obrigação de todos os governos...

Sr. Primeiro-ministro Carlos Gomes Jr., para não alongar mais, deixo-lhe as seguintes questões, não lhe colocando as de foro criminal, para não ser repetitivo.

1 - Quando é que disponibilizará no site oficial do Governo o Orçamento-Geral do Estado e o seu Programa de Governo?

2 -  Por que é que continuamos a importar arroz, quando temos todas as condições para produzir arroz para consumo interno e, com um pouco mais de trabalho, exportar?

3 - Qual é a relação que existe em termos económicos (ganhos e perdas) entre as receitas da exportação da castanha do cajú e os custos da importação do arroz?

4 - Quanto custam ao erário público as suas viagens ao estrangeiro, tendo em conta que viaja sempre com muita gente, nem sempre necessária aos propósitos das visitas?

5 - Considera-se um Homem sério, que se guia pela verdade?

6 - Se respondeu afirmativamente à pergunta anterior, então peço-lhe, desde já, uma entrevista para quando voltar a Portugal em Março, para abordarmos o seu percurso político e empresarial.

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