A Guiné-Bissau e a Oportunidade Perdida

As eleições de 28 de Junho

 

 Armando Samy (Necas) *

 

armandosamy@hotmail.com

 

A política interessa-me mais do que o PAIGC, o PRS, o PUSD e todos os outros, sejam eles quais forem os partidos. E a política interessa-me muito mais do que as politiquices partidárias que se praticam na Guiné-Bissau.

Por isso, lamento se o País não vier a ter, a 28 de Junho, um presidente como Henrique Pereira Rosa.

Não falo especificamente dum ex-Presidente da República interino, distinguido com as insígnias da Legião Francesa. Falo numa pessoa como ele e na importância para o futuro da Guiné que teria alguém com os valores, as práticas e a forma de estar de Henrique Pereira Rosa.  

Com um Governo a desgovernar, um Procurador-Geral da República e uma Presidente do Supremo Tribunal de Justiça que não “incomodam”, uma Assembleia Nacional moribunda, que mais poderia acontecer à Guiné-Bissau…?

Está na hora, meus caros concidadãos, de apostarmos na pessoa certa e no momento certo. Esta pessoa tem um nome e tem um rosto: Henrique Pereira Rosa.

De repente, a política guineense e o estado do país, poderiam passar a ser algo completamente diferente do que foram nas últimas décadas. Eu sei que custa a acreditar. Aliás, muitos dos que me lêem não terão menos de 20 anos e para esses, os últimos acontecimentos (prisões arbitrárias, espancamentos e mortes… meu Deus!), o nível rasteiro e as acusações sem fundamentos, são uma vergonha de todo o tamanho para o país. Para além disso, há uns tipos que vagamente se vão mexendo no terreno, mais uns que agitam a pacata serenidade da Guinendadi.

Para os meus caros conterrâneos, tenho uma notícia surpreendente: O País não precisa, necessariamente, de eleger como presidente e chefe de governo, pessoas que cultivam a agressão como forma de afirmação do seu matchundadi. Ou lá o que é…

Para a Guiné-Bissau, a eleição de qualquer outro candidato que não Henrique Pereira Rosa a 28 de Junho, será uma oportunidade perdida. Mais uma… Sem glória, sem entusiasmo e, mais importante, sem esperança e sem o mínimo de convicção, que estas coisas, apesar de tudo, deviam ter.

Em suma, como alguns sabem, sou jornalista no activo e com responsabilidades em matérias editoriais, o que pode tornar suspeito um texto em que se defende claramente a eleição de
um dos candidatos, neste caso Henrique Pereira Rosa.

 
Assumo que a perspectiva possa não ser suficientemente distanciada, caberá ao leitor julgar. Mas a minha responsabilidade, enquanto fidjo di tchon e analista político, obrigou-me a escrever sobre o tema. Seria mais cómodo ficar calado… Deixo esta nota para que tudo seja claro, até porque vivemos momentos delicados e preocupantes pela própria existência como País, a Guiné-Bissau.

 

Nunca como hoje a relação entre a sociedade civil, os políticos e os militares foi tão incómoda, que até mete dó, para usar uma palavra que diz o mínimo. É lamentável assistir ao que se está a passar, por isso, aconselho vivamente a todos os guineenses e à comunidade internacional a estarem atentos do que pode vir a acontecer durante e depois das eleições.

 

Se consome informação política (é óbvio que todos os guineenses o fazem neste momento), gaste algum do seu tempo e faça um exercício crítico sobre quem escreve, quem fala, quem comenta. E o que dizem. Em vez de informação rigorosa e livre, versões parciais da realidade. Em vez de opinião livre, medo e subserviência…

Acredito que o melhor sítio para o fazer, é no “Projecto Guiné-Bissau: Contributo”, um palco de reflexão e debate de ideias por excelência sobre a Guiné-Bissau.

Como guineense e profissional da comunicação social, sinto-me incomodado e muito, com o que se está a passar no meu país, embora saiba que se trata de um período que um dia terminará. Não se pode enganar toda a gente, sempre.

 

Bem-haja!

 

* Jornalista

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