SAMUEL PINTO FERNANDES

 

Samuel Fernandes

 

VOZ DA CRIANÇA

Não pediste a nascença, criança

Mas nasceste!

Sem hospital, brinquedos e lar

 

Não pediste trabalho, criança

Mas trabalhaste!

Nos passeios como sapateiro

Nas estradas como limpa para-brisas

Para sustentar a família

 

Não pediste sofrimento, criança

Mas sofreste!

Entre minas e bombas que os

Homens da sua terra não souberam conservar

E fizeram de ti uma criança mutilada

 

Uma coisa pediste

Que haja paz no coração dos homens

Que haja um mundo sem guerra

Que haja um pai e uma mãe para nos acalentar

Que haja contos e poemas para iludir as nossas imaginações

Que haja um mundo, mundo em que as

Crianças sejam simplesmente crianças.

 


 

AQUI JAZ

AQUI JAZ

Ao nobre que vivia no luxo das lixeiras numa

Cidade de contraste, nobre caçador de moeda

Dos bolsos dos homens da cidade contemporânea

 

AQUI JAZ

O nobre que

Não tinha pai natal no seu Dezembro

Não tinha máscaras no seu carnaval

Não tinha estrelas para cobrir a noite

Não tinha poemas para curar as suas feridas

 

AQUI JAZ

Um menino, de nobre alma que criou raios

Vermelhos nos olhos do poeta, ao repousar

Deslizou em chuvas nas faces dos heróis

 

AQUI JAZEM

As flores da nossa luta

              E a razão principal

                       Do nosso combate.

 

Disse o herói.

 


TUMULO JAZ

 

Neste túmulo em que jaz se escreveu

Em maiúsculas os pássaros cheiraram

O aroma de uma flor amiga embalada

Na árvore para uma eterna plantação

 

As flores murcharam no canteiro da

 Nossa esperança de uma semente

Jovem

 

O sol estendeu os raios atrás do

Horizonte o pranto é imenso mas

A fé dos homens dominou o coração

 

Para ti a glória  é estreita

Mas um canto nela cura

O pranto dos homens

 


 

BALUR  DE KEBUR

 

Temente ceu na tchubi sangui

Iagus ku na darma na no bulanhas

Na mata fiansa de no kebur

 

Temente n’bai luta i sta diante de

N’bai escola balur de no kebur

Pudi bim kotchatchi mininus na moransa

 

Temente ceu ka tchubi  iagu ka no fiansa

Na kebur pabia anos tudu no pudi bim

Pinpinhi

 

Es I pa bo Guine ke si fidjus


 

ESPERANÇA

 

Quem és tu que chega de repente como

Os macaréus do rio curubal

Mas quem és tu ?

 

Quem és tu que tem um olhar verde

Como as bolanhas do Mansoa

Mas quem és tu ?

 

Quem és tu que te um sorriso branco

Como as areias das praias dos bijagós

Mas quem és tu ?

 

Quem és tu que tem um andar gracioso

Como o desaguar da lagoa de Cufada

Mas quem és tu ?

 

Quem és tu que com cabelos longos

E fechados  como as árvores do Cantanhês

Mas quem és tu?

 

Ahh já sei quem és

a esperança

sonhei contigo

Um dia na minha terra


 

O MEU POETA

 

Faz-me triste

ao mesmo tempo alegre

 

Faz-me descobrir o segredo do

Mundo da criança

do amor

e da solidão

 

Faz-me descobrir o segredo da lavra

E da colheita dos homens da terra mãe

 

Faz-me viajar entre a prosa e a poesia

Eu e o meu poeta


 

VAMOS CONTINUAR A TRABALHAR!

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