
A GUINÉ MINHA E DE TODOS NÓS
OBRIGADO GUINÉ
Por ter eu saído da tua barriga
E ter permitido mamar
O teu seio Criol
OBRIGADO GUINÉ
Apesar da tua multiplicidade étnica
Línguas uniste junto com
A Madrasta Portuguesa
Para delas saírem o bonito
O apaixonante,..., o galante
E o bem falar Criol
Que hoje respiro.
De Bolama a Intatchá - Gã Criol
De Tchon de Papel Varela a Praça
Bolama-Cacheu e Geba Criol´s
Em papiamento na Civil, Gouveia,
NOSOCO, SCOA, ULTRAMARINA.
De Pilum República a Santa Luzia
Verdadeira democracia Etno-Linguística,
Babel da Guinendadi.
Criol unindo os querelantes de ontem.
OBRIGADO GUINÉ
Por tudo que fui e sou.
Quando em ti Penso
O meu Eu se avizinha
Ao meu horizonte do SER.
Espero ô GUINÉ!
Que tu continues na tua Existência
Para que a minha Essência
Revelada se mostre
Mesmo nas longínquas terras
Onde o meu estar necessário se faz.
Amada GUINÉ
Os teus filhos
Que do teu chão saíram
Sempre te voltarão
Quando o Criol entoado
Na fala, na música...
Presente se faz nas comunidades,
Ainda que afastadas
A sete léguas marítimas
Ou milhas aéreas da Terra Mater.
Pedaço do Tronco por mais tempo
Que no mar demorar
Em Jacaré não se transforma.
É verdade... por mais longe seja
A terra que os nossos pés pisarem
Um dia à Casa tornarão.
A nossa terra é Guiné
E na Guiné sentiremos guineenses,
Longe no pé ou perto no coração.
Obrigado Guiné.
Dudu Bari
Salvador-Bahia, 02 de Novembro de 2008.
Balur di nô Terra
Nô terra i qui lugar
Nundê ku sintados sibi sinta
Mêmo qui as bêz turmentas
Ta tchiga na porta
Suma qui currida de parmanha
Di djumna descarnus ku ta misti
Mara cerco na quil hora.
Nô terra i nundê
Qui garandis ta mostra gintis
Balur di rispito na casa di adjia
Pabia pista turpeça
Pa sinta i ka tchiga
Cargal na hora de bai.
Nô terra i Nundê
Qui balôba ta fala djambacus
Ora qui cala calado
I pabia cussa ‘sta lá.
Má cala di garandis
I tchiganta cuncimentu di djorçons
Pa ka sabura di sinta iaradu.
Na ora qui na nô terra
Bu disponta na riba di rua
Bu fala mantenha
Te bás di rua
Garandis ta midi
Balur di Umbigo
Nundê ku bu sai.
Anta dê...
Curri ku djubi trás na certa
Ô i madja di cabeça
Ô i tapada ku queda.
Ampús...
Mininos bô curri
Na bô inocência de brinca
Má... bô lembra kuma caminhu
I tchiu tapada ku lalô.
Ora ku bu lalu
Bu ka sibi na ragás
Di quim ku bu na cai
Ô ora ku bu da tapada
Bu ka sibi kal mon
Ku na lambantau.
Sinta ku sintados
I sibi tchiganta kudjer na cabaz
Má tambi dã totis
I torquia udju de odja
Pa udju di cunfiadu
Cunfiadessa ta lundjisiu
Di qui ranha tchon de garandis.
El ku manda garandis
Ta fala kuma
Quin ku ca bai bias
Ta pensa kuma
Tchebém na riz
Qui ta padidu.
Má si bu bá bias
Bu torna suma bacas
Di nha donas di djius.
Anta bu bida
Na sedu cunfentú.
É bida nha djintis i pa toma sintidu...
Nô terra tchoma Guiné....
Dudu Bari
Rio, 23 de setembro de 2008
As Dimensões do Amor
O amor é se doar aos parentes, amigos e à vida.
O amor é apostar na cumplicidade assumida.
É buscar compreender muitas vezes o incompreensível,
É olhar para o outro com o sentimento de igual
Como se da tua essência parte fizesse.
O amor é correr para o limite do Ser e Ter
Sem dissabores impor, ainda que lícita,
A quem da constante presença solicita.
O amor é um sentimento manifesto
Na forma cabal após a fase da paixão amadurecida.
O amor também é saber dizer não e nunca basta.
O amor é receber com grato carinho
Quem próximo de ti o manifesta,
Ainda que com um leve sorriso ou meneio de cabeça,
Quando a presença da pessoa se faz sentir,
Ou por telepatia na pessoa introjectar
A quem a mensagem interessar possa
Para que a sensação do bem-estar no peito,
A ansiedade de a Nova receber anuncie.
O amor é tudo isso e mais o que se deixou de dizer
E que no coração ainda em segredo se guarda.
Dudu Bari
Praias do Flamengo, 02/08/2008
Entre o Ser e o Parecer, eis a questão da escolha
Ser é infinitamente aquilo que é
E, em nós incontestavelmente se preserva,
Porque no nosso destino moldado ele se encontra.
Enquanto o Parecer a cada momento está
E, em voltas procurando mostrar a prova
De que é, quando sabidamente
Sabe-se que as aparências enganam.
O Ser é inerentemente moldado à personalidade,
Fruto da concepção genética,
Por isso é sempre presente.
O Parecer é fundamentalmente opaco,
Fruto da fingida figura que em volta o adorna,
Por isso está em amostra
Na infinita tentativa de renovar aparências.
Ser ou Parecer qual é a preferência
Se no mundo da globalização, imitação constante nos leva
Em busca da renovada referência
Como se dela socialmente correta fosse.
Se a imitação o aparente conforto traz
Quando do sonho a realidade volta,
A frustração de não poder fazer do Parecer o Ser,
Entristecida a alma deixa, e da mágoa
O coração brutalizado à tona volta.
Eis a questão entre o Ser e o Parecer.
A máxima do povo acerca
Ilustra o inconfundível Ser do frágil Parecer,
“... O acompanhamento do velório não é justo motivo
Para o luto do finado reivindicar,
Como se da família enlutada parte fizera”.
“... Por mais enfeites
Que à figura da boneca se adorna,
Boneca continuará quando chegar
O dia do desenfeite”.
Portanto, a vida manda ao seguinte ditado se aconselhar,
“...Cautela e caldo de galinha a ninguém mal nunca fez”.
A vida é uma constante de ensinamentos
Para que os arrependidos desnecessários,
No futuro, saem à leitura de Mandamentos,
Em desespero pelo lamento da sorte
Que o pecado da vida roubara.
Dudú Bari
Praias do Flamengo, 13-12-07
Mar Azul
Azul do Céu tu apresentas
Do atlântico ao índico oceano,
Mas esmeraldas águas também tens
Das costas do caribe
Às nordestinas costas do Brasil.
Ô mar, Ô mar azul,
Vem me buscar para o anunciado encontro
Em longínquas terras sonhadas.
Nas ondas desse mar eu me embalo
Não para as minhas mágoas afogar,
Mas da força do encanto fazer emergir
O que em mim lá no fundo repousa
Para o bem querer declarar
A eleita merecida
Ao bem do que é mais puro e sublime
No santo dia da aparecida.
Paixão a dois na suave brisa do mar
Aos corações segredam o quão bom
E quão suave viver em união.
Oh! Mar
Como é bom ver o sol brilhar
No azul oceano das tuas águas
Mesmo que de gole em gole
O suar refrescante da loira
Seja o deleite sonho
Da bela morena, cor doce mel,
Que as margens das tuas praias
O bronzeado estonteante
Aos olhos do curioso estreante
A cabeça baila deixa.
Ô Mar Azul,
Quantos corações deixaste
Em deleite sonho de um amanhã feliz.
Quantos sonhos atrapalhaste
A sorte de um dia realidade se tornar.
Da mesma forma que corações uniste
Desilusões e viuvez presenteaste
Aos filhos órfãos e noivas casadoiras.
Mas, apesar de tudo
Ô mar, ainda a fascinação
E encantos presenteias
Aos que te fitam sem fim.
Mar, o sustento de famílias.
Mar, o caminho de encontros.
Mar, a epopéia dos aventureiros,
De marinheiros a navegadores.
Sete mares é o número
Que ao mundo encerras.
Bendito tu és e para sempre.
Dudu Bari
Praias do Flamengo, 20 de Agosto de 2008
Pôr do Sol...
Pôr do Sol...raios dourados
Que encantam os que deles buscam
Um final da tarde a dois.
Mas no fim mesmo, fica
A bola dourada que pouco a pouco
Some nas águas do oceano
Para quem da costa ou da praia
A sua contemplação busca.
E para quem das encostas
Ou do outeiro se posiciona,
A mistura de nuvens com raios do sol
Confunde o seu avizinhar.
Mas para lá do sopé olhando
Raios espraiam a claridade dourada
Na planície sem fim,
Como se de lá se avizinhasse
O encontro do céu com a terra.
Pôr do Sol...
Eis o mistério da tarde
Que nem mesmo o dia sabe como termina.
Se é pouco tempo depois
Com o ribombar dos trovões
Sob o despejo das águas pela noite
Como se o Sol lindo dia não desse.
Ou se é pouco depois
O tempo anunciar a Lua Cheia
Com seus raios prateados
Que o mar e a terra clarearão.
Sorte dos pescadores que do mar
Sustento buscam.
Sorte dos namorados
Que a benção cúmplice desejam
Do mar da tranqüilidade
Que lá em cima avistam.
Pôr do Sol... Lindo Mistério
Que nem o final da tarde decifra.
Pôr do Sol...fim do dia,
Mas também da renovação
Para um amanhã feliz.
No pôr do Sol as esperanças
Se renovam para aqueles
Que dele o tempo controla
Para reverenciar a obra da Criação.
No pôr do Sol... o agradecimento dos
Penitentes no mês do Ramadão
Por mais um dia com Deus no coração.
O que será o dia sem o pôr do Sol?
O que será da noite
Se a certeza não tiver
Que no amanhecer o dia trará
Novamente o pôr do Sol?
Dudu Bari
Praias do Flamengo, 31 de Agosto de 2008
A vida tem essa de conduzir distraidamente
Ao distraído caminho por nunca dantes visto.
Apesar de constatado o imprevisto,
O final da jornada explicadamente
Revela como se tudo havia sido predito.
O caminhar conduz certeiro,
Ainda que sem destino ao ponto altaneiro.
Do cume do ponto chegado
Fica a sensação que por esse caminho havia trilhado,
Mesmo que em sonhos do sonhado merecer
Constante na vida, que em nós faz querer
A presença, como se sempre presente,
Do incontornável desejo de Ser.
Porque da sorte, esperanças, há de encontrar.
A sorte na vida procura-se
Mesmo que dela e nela das mãos
Fogem em certos momentos,
De quem de ombros caídos pensara
Que a sorte da vida o abandonara
Como se de Deus filho não fosse.
De que vale a pena do infortúnio queixar-se
Se de dentro reexame não fizera
Para saber de que lado a verdade o levara.
Ser emotivo ou Ser racional,
Qual a preferência certa,
Se no contexto da racionalidade do mundo
Em que Homo-economicus querelam
Se avizinham sinais que revelam
Atitudes inconseqüentes
Da incontrolável sede de que querer
É o poder.
Praia do Flamengo, 08 de dez de 2007
Dudú Bari
Quem Sou Eu
Amigo 100%, sincero e fiel.
Ainda que à prova, fatos revelem
Que o lado de lá é infiel.
Quem sou eu
Sou a prova de que a vida é ser vigilante
Vigilância sempre posta à prova
Para que o meu existir brilhe cintilante.
Aos olhos de outrem continuo sendo,
Mesmo na certeza conhecendo
Os mistérios que a vida nos reserva.
Quem eu sou?
Sou o produto que este meio carente de modos
Quis moldar a seu modo.
Mas da firmeza minha, as forças aumentam
Para se opor às vozes maldizentes
Travestidas de boas intenções
Que à minha consciência atormentam.
Não sou de à vontade submeter o desejo de Ter
Àquele que a mim como solução, facilidade aponta,
Como se na vida, de ilusões e de sonhos se sobrevive.
Se desse sono coisa boa saísse,
Pobre de mim, não conheceria dificuldades,
A liberdade de ser, condicionada estaria.
O incontrolável querer poderá amanhã privar
O ser livre que em mim desponta.
Quem de fama a todo custo viver
O seu nome Manchete fará mister.
De ninguém aos ombros Deus
Carrega o pesado fardo
Para que o desespero no amanhã
Não seja o pedido de adeus.
Na vida precisa-se ser vigilante
Porque senão,
Qual será a dimensão do puro e do belo
Na senda da ilicitude.
Quando na vida, assumida a extravagância,
Desatinamente o seu Eu se transforma na solicitude,
Mesmo que no amanhã, o arrependido choro,
Pela prática da ilicitude, clama pela redenção da ganância.
Antes na pobreza livre
Do que na presumível fartura,
Cativo se tornar pela desmedida aventura.
Sê vigilante portanto, porque na vida a Ordem
É a busca da mais Perfeita Harmonia
Entre o Ser e o Ter para que em tudo
A justeza e a Perfeição se faça presente.
Praia do Flamengo, 04-11-07
Dudú Bari
Vanessa
Ontem te vimos criança recém-nascida
Das nossas mãos: tios Lamarana, Joaquim e Pedro,
Na inocência de criança e inexperiência de tios solteiros
Mamadeira aprendestes a tomar
Amas corujas fomos nós com gosto assumidos
Enquanto a mamãe Ema
De obrigações acadêmicas parte da manhã
Em nossas mãos te deixava.
Tempos passaram.
De recém-nascida te tornastes menina
E de menina te tornastes moça,
Tempos ocorridos entre a Bahia, o Rio e a Guiné.
Tempos depois como boa filha
A Terra Mater tu voltaste
Salvador festeiro e de braços abertos
Recebera Vanessa filha e moça formosa.
Do encanto da tua mocidade
A tua formosura sonho teu não atrapalhou
Da firmeza do teu sonho
À universidade chegaste.
Hoje, Vanessa moça formada.
Na candura da idade promissora
Outros sonhos em ti despertam
Sonhos de estudos continuados em outros mares.
Graças a Deus
Recompensados sentimos pelo tempo
Que em nós não desfez a recordação passada.
Do passado o presente se fez
Testemunha da menina-criança à moça formada.
Simplesmente,
Graças Te rendemos meu Deus
Obrigado pela alegria da Vanessa
Alegria nossa como tios e Amas.
Praia do Flamengo, 21 de Janeiro de 2008
[1]Em homenagem a Vanessa B. Vaz Dias pela vitória acadêmica alcançada.
VAMOS CONTINUAR A TRABALHAR!
Projecto Guiné-Bissau: CONTRIBUTO